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	<title>A Devoradora de Livros</title>
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	<description>Diário de leituras</description>
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	<title>A Devoradora de Livros</title>
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		<title>Tehanu &#124; Ursula K. Le Guin</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 10:40:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ursula K. le Guin]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cerca de 25 anos depois dos eventos em As Tumbas de Atuan, e meros dias após o fim de A Última Praia, Goha é uma viúva vivendo placidamente na sua fazenda em Gont. Seus dois filhos  já são adultos, a mais velha com o marido na cidade, e o mais novo por aí marinheiro. Dois [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Cerca de 25 anos depois dos eventos em <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/as-tumbas-de-atuan-ursula-k-le-guin/">As Tumbas de Atuan</a>, e meros dias após o fim de <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/a-praia-mais-longinqua-ursula-k-leguin/">A Última Praia</a>, Goha é uma viúva vivendo placidamente na sua fazenda em Gont. Seus dois filhos  já são adultos, a mais velha com o marido na cidade, e o mais novo por aí marinheiro.</p>
<p>Dois homens e uma mulher acampam fora da aldeia. Os dois obrigam a mulher a pedir dinheiro e se prostituir. As mulheres da aldeia tentam ajudá-la, mas, aterrorizada, a mulher sempre voltava pra eles. Um dia, um dos homens vai até a bruxa da aldeia, pedindo ajuda, pra que alguém vá salvar &#8220;a criança&#8221;. Os aldeões vão até o acampamento improvisado dos três e encontram uma menina de sete ou oito anos jogada na fogueira. Os adultos haviam fugido. As mulheres da aldeia fazem o possível pela criança, que sobrevive. Com metade do corpo queimado, cega de um olho, uma das mãos ressequida em uma garra esquelética. Goha fica com a garota, e a chama de Therru.</p>
<p>Goha não é uma fazendeira normal. Além de ser uma estrangeira em Gont, de pele branca, vinda das ilhas Kargad, ela conhece pessoalmente Ogion, o mago das montanhas. Ninguém que ela conhece sabe, mas ela havia sido a sacerdotisa única dos poderes sombrios em Atuan, e fora para a grande ilha de Havnor portando o Anel de Erreth-Akbe. Seu nome verdadeiro, que havia sido tirado dela quando criança, fora devolvido a ela pelo mago Gavião: Tenar.</p>
<p>Um mensageiro chega na fazenda, dizendo que Ogion mandou por Tenar: o velho mago está morrendo. Tenar vai com Therru ajudar na passagem, e logo antes de falecer, Ogion dá um suspiro, dizendo que está tudo certo agora, que tudo vai melhorar. Alguns dias depois, um enorme dragão vem do oeste, carregando o corpo desfalecido do arquimago das ilhas. Kalessin deixa que Tenar suba nele para resgatar Ged. E voa pra longe.</p>
<p>A vida de Tenar se muda para a casinha de Ogion, perto da cidade de Re Albi. Ela, Therru, Ged em recuperação, a bruxa da aldeia Tia Musgo, e Érica, a pastora de cabras. Mas o arquimago perdeu seus poderes, homens maléficos frequentam a casa do Senhor de Re Albi, e o homem que abusou de Therru está rondando.</p>
<p>Escrito quase vinte anos depois do anterior da série, Tehanu é uma história de fantasia muito diferente tanto do resto da série quanto do resto dos livros de fantasia. É uma história contida, trágica, tensa, onde não há viagens ou grandes feitos. Tenar conversa muito, com Tia Musgo, com Ged, e até com o rei.  Tenar quer entender porque homens são feiticeiros respeitados e estudados enquanto mulheres são bruxas ignorantes nas aldeias. Quer entender porque Ged perdeu os poderes. Quer ajudar sua filha Therru a ter um lugar no mundo. Dá pra ver que os personagens estão discutindo temas que a própria autora passou anos organizando.</p>
<p>Eu li a série pela primeira vez na juventude, e esse livro não me desceu. Achei difícil, lento, complexo e triste. Eu não quis aceitar o fim da história, simplesmente não estava pronta pra ver Ged e Tenar daquele jeito. Mas eu tinha quinze anos. Os protagonistas dessa história passaram dos quarenta. Não era um livro escrito pra mim.</p>
<p>Dessa vez, que eu estou mais próxima da idade deles, o livro passou voando. Continua complexo, tenso e triste, mas a tensão faz a leitura ágil e a tristeza é mais fácil de lidar hoje. A história é sobre envelhecimento, maturidade, decisões difíceis; a autora quer discutir gênero, abuso, violência dos poderosos, fragilidade dos idosos. Eu consigo hoje dar conta de acompanhar, mas nunca vai ser um livro fácil; não foi a intenção dela ser fácil, e sim acompanhar onde estava o mundo de Terramar tantos anos depois.</p>
<p>Depois de Tehanu, ela publicou mais dois livros da série, dez anos depois. Eu não queria ter deixado Terramar no ponto em que Tehanu terminou. Então não sei se eu que fiquei mais madura mesmo ou se os outros dois livros me acalmaram o suficiente para eu conseguir reler tudo agora.</p>
<p><strong>Tehanu (1990) de Ursula K. Le Guin | Ciclo Terramar #4</strong></p>
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		<title>Paladin&#8217;s Grace &#124; T. Kingfisher</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 13:56:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[T. Kingfisher]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Stephen é um ex-paladino porque seu deus morreu. Três anos depois da morte do deus, ele presta serviço para o Templo do Rato, vivendo um dia após o outro sem energia para nada, junto com alguns companheiros da fé perdida. Grace é uma perfumista que divide casa com uma espiã. Ela tem um bicho de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Stephen é um ex-paladino porque seu deus morreu. Três anos depois da morte do deus, ele presta serviço para o Templo do Rato, vivendo um dia após o outro sem energia para nada, junto com alguns companheiros da fé perdida.</p>
<p>Grace é uma perfumista que divide casa com uma espiã. Ela tem um bicho de estimação que é uma mistura de teixugo com gato, ela é nerd dos cheiros, e ela não quer saber de homem nenhum depois do trauma que passou com o ex.</p>
<p>Enquanto o livro navega pelo início do romance, que é chato e clichê, ficamos conhecendo a parte boa do livro, que são os coadjuvantes. A bispa do rato e seus asseclas, os colegas paladinos de Stephen, a espiã amiga da Grace. Se não fosse eles, eu não tinha chegado no primeiro terço do livro, porque Stephen e Grace são <em>muito chatos</em>. Grace não entende porque alguém acharia ela atraente, afinal ela anda aí de calças manchadas de produtos perfumísticos. Ela fica obcecada pelo Stephen porque ele tem cheiro de gengibre. E ela é incapaz de falar qualquer coisa sem se arrepender em itálico imediatamente depois. Stephen se sente culpado por tudo, se sente culpado por querer fazer sexo com a Grace, se sente culpado por olhar os peitos dela, se sente culpado por falar qualquer coisa.</p>
<p>Aí quando finalmente a história começa a andar, porque tem assassinatos, prisões injustas, espiões andando por aí, e todos os coadjuvantes chamando Grace e Stephen de molengas e lerdos por não transarem logo, o livro fica mais ágil. E quando finalmente rola o sexo, já é o fim do livro, tudo se resolve de forma bem fácil, e agora eles são um casal e não precisam ficar se perguntando em itálico toda hora se eles falaram alguma besteira um pro outro.</p>
<p>Eu não sei se pessoas adultas se comportam dessa forma, sempre na dúvida, sempre com insegurança, sempre achando que o outro não está interessado (eu só sei que eu não sou assim). Então o que me incomodou principalmente foi a falta de maturidade dos protagonistas. Ele tem mais de trinta anos. Já passaram por coisas terríveis. Ele é um <em>berserker</em> que sai por aí matando pessoas, ela tinha um marido nojento que tentava obrigar ela a fazer sexo com outras mulheres. E o livro deixa claro que faz anos que os dois passaram por essas provações, não foi <em>ontem</em>. Mas eles se comportam como se tivessem 20 anos, começando a vida agora.</p>
<p>Não adianta virem falar que esse é um romance com protagonista acima dos 30 se eles se comportam como adolescentes. A trama não ser tão original incomoda pouco, porque o livro é curtinho. Mas foi surpreendente ver a quantidade de choramingo num livro de gente adulta. Especialmente se ambos são bonitos, inteligentes e bem sucedidos. Eu entendi que a autora quis colocar os dois como traumatizados porque morreu o deus e o ex era péssimo, mas isso não explica a imaturidade dos diálogos e o choramingo adolescente.</p>
<p>Literalmente, ele chega na loja de perfume dela, ela fala &#8220;você parece cansado&#8221;. E o itálico chega imediatamente &#8220;<em>nossa porque fui dizer isso que incapaz que eu sou preciso pensar em falar outra coisa&#8221;</em>. Isso acontece em todos os diálogos. É bem cansativo. Detesto protagonista linda, magra, peituda, que fica toda molenga &#8220;não, ele não deve estar interessado em mim, certeza que não está, ele está olhando pra minha amiga, eu sou feia&#8221;.</p>
<p>Dito isso, como a ambientação me interessou, e aparentemente outros livros da autora não são necessariamente tão bobocas, vou dar mais chance.</p>
<p><strong>Paladin&#8217;s Grace (2020) de T. Kingfisher. The Saint of Steel #1</strong></p>
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		<title>A Filha do Rei Pirata &#124; Tricia Levenseller</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2026 21:02:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Tricia Levenseller]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alosa é filha do rei pirata. Ela é encarregada de recuperar um mapa importante, e para isso se deixa ser capturada pela tripulação de piratas inimigos. Ela fica presa no porão, mas escapa toda noite para revistar o navio. O capitão desse barco é malvado, mas o irmão mais novo dele, Riden, é um pirata [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Alosa é filha do rei pirata. Ela é encarregada de recuperar um mapa importante, e para isso se deixa ser capturada pela tripulação de piratas inimigos. Ela fica presa no porão, mas escapa toda noite para revistar o navio. O capitão desse barco é malvado, mas o irmão mais novo dele, Riden, é um pirata mais conflitado. Ele se interessa por Alosa mas sente que ela não é o que parece.</p>
<p>Durante a narrativa, ficamos sabendo mais sobre Alosa: ela era órfã, o rei pirata a &#8216;resgatou&#8217; e a fez passar por treinamentos pesadíssimos, ela finalmente ganhou o comando de seu próprio navio, aos dezessete anos tem a missão de recuperar o mapa do lendário tesouro. E também ela é meio-sereia.</p>
<p>As sereias desse mundo são aquelas que atraem os homens para as profundezas. Alosa consegue mudar a voz e conquistar qualquer homem que quiser, mas ela precisa dosar seus poderes ou vai perder controle de si mesma e vai só entrar no mar e afogar todo mundo.</p>
<p>O livro é pra ser &#8216;<em>young adult</em>&#8216;, e eu admirei a tentativa da autora de pegar temas pesados como o pai abusivo, as ameaças de estupro toda hora, ela virar um monstro afogador de gente, todo mundo estar sempre lutando pela própria vida, de forma leve o suficiente para ficar uma leitura ágil e agradável. A trama é suficientemente inteligente, a ambientação das sereias é interessante, e todo o clichê fica no romance entre Alosa e Riden. Mas como ela tem dezessete anos e ele sei lá, dezenove? o choramingo, as dúvidas e os mal-entendidos ficam mais compreensíveis e menos irritantes.</p>
<p>Alosa é uma protagonista independente e forte, Riden é um par romântico adequado. A narrativa de pirataria clássica com uma pitada de fantasia funciona bem. No fim, a história fica em aberto para uma continuação, mas nada que estrague o divertimento. Eu me diverti.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Daugther of the Pirate King (2017) de Tricia Levenseller. Primeiro livro da série.</strong></p>
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		<title>A Question of Death &#124; Contos &#124; Kerry Greenwood</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 12:11:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Kerry Greenwood]]></category>
		<category><![CDATA[ficção histórica]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma série de contos ilustrados permeados de receitas de época, esse livro é uma gracinha. Phryne está sempre em sua melhor forma, e o fato de que a autora não precisa gastar tempo definindo quem ela é deixa espaço para os contos serem simples e rápidos. On Phryne Fisher &#8211; Um ensaio sobre como a autora [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma série de contos ilustrados permeados de receitas de época, esse livro é uma gracinha. Phryne está sempre em sua melhor forma, e o fato de que a autora não precisa gastar tempo definindo quem ela é deixa espaço para os contos serem simples e rápidos.</p>
<p><em>On Phryne Fisher</em> &#8211; Um ensaio sobre como a autora chegou até a personagem. É interessante ver o processo de criação que construiu de forma cuidadosa toda uma personalidade única que é Phryne.</p>
<p><em>Hotel Splendide</em> &#8211; Uma moça pede que Phryne encontre seu marido desaparecido. Apesar das suspeitas de que ele só largou dela, a moça jura que ele entrou em um quarto do hotel, enquanto o recepcionista alega que o quarto não existe.</p>
<p><em>The Voice is Jacob&#8217;s Voice</em> &#8211; Gêmeos que morrem juntos envenenados, durante uma festa na casa da Phryne. Suicídio em parzinho geralmente não é planejado pra acontecer em público, então ela precisa descobrir o que rolou.</p>
<p><em>Marrying the Bookie&#8217;s Daughter</em> &#8211; Um casamento da alta sociedade, roubo de joias, e uma participação especial de Lindsey (que eu achei muito irregular). A solução é interessante mas a parte pessoal não me convenceu.</p>
<p><em>The Vanishing of Jock McHale&#8217;s Hat</em> &#8211; O chapéu da sorte do treinador do time foi roubado. Claramente a autora já se deparou com a bruxaria dos esportistas; esse conto é bem divertido.</p>
<p><em>Puttin&#8217; On the Ritz</em> &#8211; Phryne está jantando e decide recuperar a herança do jovem que está com ela.</p>
<p><em>The Body in the Library</em> &#8211; Uma homenagem em nome para Agatha Christie, com Phryne e Robinson investigando uma loira encontrada morta na biblioteca de um político.</p>
<p><em>The Miracle of St Mungo</em> &#8211; Uma moça de passado controverso precisa de ajuda para recuperar evidência das suas indiscrições. Como Phryne não tem nenhum restrição a ter sua reputação levemente manchada, ela vai jogar cartas apostando pelas provas.</p>
<p><em>Overheard On a Balcony</em> &#8211; Um chantagista péssimo é assassinado, Phryne está mais preocupada em salvar reputações do que em achar o assassino. Claramente uma prévia de Urn Burial.</p>
<p><em>The Hours of Juana the Mad</em> &#8211; Alguém roubou um livro histórico na universidade. Outro protótipo de livro, dessa vez o Death Before Wicket.</p>
<p><em>Death Shall Be Dead</em> &#8211; Uma gangue de ladrões mata um velho nojento. O Inspetor Robinson participa bem da história, e o conto é divertido.</p>
<p><em>Carnival</em> &#8211; Outra prévia, dessa vez para <em>Blood and Circuses. </em>Não achei tanta graça, e se esse foi o momento em que Phryne ficou conhecendo os carnies antes do livro, esperava mais.</p>
<p><em>The Camberwell Wonder</em> &#8211; O filho &#8220;bobo da aldeia&#8221; da funcionária confessa ter matado seu chefe, mas ninguém encontra o corpo. Phryne não bota fé que o garoto seja o criminoso.</p>
<p><em>Come, Sable Night</em> &#8211; Phryne está participando de um coral e um dos cantores cai morto. Apesar do crime ser completamente diferente, o ambiente remete a outro livro, Murder and Mendelssohn.</p>
<p><strong>A Question of Death &#8211; An Illustrated Phryne Fisher Treasury (2007) de Kerry Greenwood. </strong><strong>Publicado entre Murder in the Dark (2006) e Murder on a Midsummer Night (2008).</strong></p>
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		<title>Destino Inferno &#124; Lee Child</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 13:57:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lee Child]]></category>
		<category><![CDATA[suspense]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jack Reacher está ajudando uma jovem a sair de uma lavanderia. Ela está com a perna machucada e ele galantemente abre a porta pra ela e pega a sacolona de roupa limpa enquanto ela passa com as muletas. E aí três homens armados capturam os dois, jogam os dois dentro de um carro, transferem os [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Jack Reacher está ajudando uma jovem a sair de uma lavanderia. Ela está com a perna machucada e ele galantemente abre a porta pra ela e pega a sacolona de roupa limpa enquanto ela passa com as muletas.</p>
<p>E aí três homens armados capturam os dois, jogam os dois dentro de um carro, transferem os dois pra uma van e saem dirgindo. Pegos de surpresa, Reacher e a moça, que se chama Holly Johnson, fazem o possível para descobrir o que está acontecendo e pra onde estão sendo levados. Reacher logo descobre que Holly é uma agente do FBI, mas o leitor também percebe que ela não é o que parece.</p>
<p>Aos poucos, quando a notícia do sequestro de Holly chega no alto escalão, fica claro que Holly era o alvo dos bandidos desde o início, e Reacher, que apareceu na câmera de segurança da lavanderia, é considerado um do criminosos. Então ao mesmo tempo em que seguimos Holly e Reacher na viagem através do país dentro da van, também vemos a investigação oficial se embananando com pistas falsas.</p>
<p>Quando finalmente Holly e Reacher chegam ao destino final, eles encontram uma comunidade religiosa separatista que quer usar Holly como refém para conseguir criar uma nova nação. Afinal, ela pode até ser filha de um figurão do FBI, mas foi alvo do sequestro por ser na realidade afilhada do próprio presidente dos Estados Unidos.</p>
<p>No começo da história, Reacher pode escapar a hora que quiser, mas não com Holly, por ela estar incapacitada com a perna ruim. Então ele decide ficar com ela até descobriro o que os sequestradores querem. Depois que ele salva ela de ser estuprada por um dos sequestradores, ela decide que também não vai embora sem ele.</p>
<p>O livro é bem ágil e cheio de tensão. Os personagens são bons. O suspense é muito competente.</p>
<p>Mas o livro também é muito desanimador. Escrito no final da década de 90, já tem indícios da decadência dos Estados Unidos como nação. O presidente não pode amassar a milícia racista, machista, cultista, assassina porque &#8220;todos têm direito a pegar em armas para defender a própria liberdade&#8221;. O governo não pode agir abertamente contra os criminosos porque perderia apoio da população. As ideias do líder da milícia são colocadas no livro como sendo totalmente insanas, erradas, e maléficas, e o fato do governo estar de mãos atadas é uma &#8220;brecha&#8221; que o vilão achou e claramente uma desvantagem. O discurso dele de que os Estados Unidos estão sendo &#8220;invadidos por imigrantes&#8221; é rechaçado pelo Reacher e por outros personagens, que mostram que o cara só é um ressentido porque o pai perdeu o negócio da família que foi comprado por hispânicos.</p>
<p>Meu ponto é que mesmo com o governo sendo molenga por causa daquele inferno de segunda emenda, os personagens reconhecem que é um problema a ser resolvido. E hoje&#8230; bom, hoje a gente tá no fim da civilização e os Estados Unidos estão sendo governados por gente parecida com os vilões do livro.</p>
<p>Distopia é pouco.</p>
<p>Afora esse momento depressivo, o livro é bom.</p>
<p><strong>Die Trying (1998) de Lee Child. Série Jack Reacher Livro 2</strong></p>
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		<title>Adaptação &#124; Orgulho e Preconceito (2005)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 13:07:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Jane Austen]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Adaptação mais famosa do imortal livro de Jane Austen, esse filme de 2005 é adorado por toda uma legião de fãs e hoje é considerado um clássico. Ele foi para muita gente a porta de entrada para o universo da autora e da literatura clássica. A família Bennet tem cinco filhas e não muito dinheiro, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Adaptação mais famosa do imortal <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/orgulho-e-preconceito-jane-austen/">livro de Jane Austen</a>, esse filme de 2005 é adorado por toda uma legião de fãs e hoje é considerado um clássico. Ele foi para muita gente a porta de entrada para o universo da autora e da literatura clássica.</p>
<p>A família Bennet tem cinco filhas e não muito dinheiro, então quando um solteiro bonitão e rico se muda para ali perto, todas ficam em polvorosa: vai que o Sr. Bingley escolhe uma delas pra se casar? A trama conhecida de todos segue as batidas do livro: chegada de Bingley, Jane vai visitar e fica doente, Elizabeth vai dar apoio pra ela, ninguém gosta do Darcy, Caroline é uma esnobe, os Bingleys vão embora, Jane vai pra Londres mas é esnobada por Caroline, Wickam, os Gardiners, <em>the elopement</em>, Lydia entregando Darcy, a visita de Lady Catherine, a declaração final.</p>
<p>O elenco é talentosíssimo, o figurino é impecável, a trilha sonora é lindíssima, o resultado final é um dos filmes mais icônicos da geração. Mas é um filme de pouco mais de duas horas de duração é incapaz de mostrar algumas nuances da história, por melhor que seja o roteiro.</p>
<p>Acho que quem mais sofre é o relacionamento entre Wickham e Elizabeth. Alguma parte da história eles tinham que cortar pro roteiro ficar enxuto, e Miss King é deixada de lado, com toda a reflexão que isso trouxe a Lizzie. O casal Hurst também deixa de existir, e mais um exemplo de casamento entre duas pessoas incompatíveis fica de fora. Falando em pessoas incompatíveis, não gostei da modernização da Charlotte, que ficou mais simplória e impressionável e menos capaz de ser uma companheira da Lizzie.</p>
<p>Novamente elogiando o elenco, é uma das poucas adaptações em que as atrizes tem as idades certas, e é sempre refrescante ver Jane finalmente mais bonita que Lizzie. Keira Knightley é uma Elizabeth icônica. Rosamund Pike está impecável na sua atuação de beleza tradicional, delicadeza, bom humor e incapacidade de demonstrar sentimentos.</p>
<p>O filme também tem ótimos momentos que o roteiro e a atuação proporcionam: quando Lydia está correndo pela casa feliz que vai pra Brighton, Jane fala pra Elizabeth &#8220;with the <em>Forsters</em>&#8221; e a expressão dela deixa bem claro o tipo de pessoa que eles são mesmo sem que a gente veja nada deles. A exuberância distraída que Brenda Blethyn deu à Sra Bennet e a indiferença amável do Sr. Bennet de Donald Sutherland explicam perfeitamente a personalidade das cinco filhas. Tom Hollander é um Sr. Collins ideal.</p>
<p>O filme fez um trabalho excelente de trazer a história para o público moderno, mas recentes resenhas de jovens sobre o filme mostram que o que ficou foi muito mais a &#8220;aura&#8221; do que o comentário social. É um belo filme de romance, e um exemplo do que as mocinhas gostariam de ter em um relacionamento, mas toda o sarcasmo da autora em relação à sua época se perdeu. Orgulho e Preconceito não é <em>só</em> um livro de romance; é um tratado irônico e sagaz sobre toda uma classe social. Não é um &#8220;romance de época&#8221;, mas uma história contemporânea à autora que ela quebrou paradigmas ao publicar.</p>
<p>O filme é ótimo, mas só toca na superfície do que o livro representa.</p>
<p><strong>Pride and Prejudice (2005) de Joe Wright; roteiro de Deborah Moggach com Emma Thompson; com Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Brenda Blethyn, Donald Sutherland, Rosamund Pike, Jena Malone, Carey Mulligan, Tallulah Riley, Tom Hollander</strong></p>
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		<title>Filme &#124; Quem Viu Quem Matou</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 02:24:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agatha Christie]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao viajar de trem, Miss Marple, uma senhorinha viciada em livros de detetive, vê um assassinato sendo cometido no trem paralelo. As autoridades, claro, acham que ela imaginou tudo. Irritadíssima com essa falta de confiança nos idosos, Miss Marple convence seu amigo bibliotecário Mr. Stringer a ajudá-la e decide descobrir sozinha quem foi o autor do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Ao viajar de trem, Miss Marple, uma senhorinha viciada em livros de detetive, vê um assassinato sendo cometido no trem paralelo. As autoridades, claro, acham que ela imaginou tudo. Irritadíssima com essa falta de confiança nos idosos, Miss Marple convence seu amigo bibliotecário Mr. Stringer a ajudá-la e decide descobrir sozinha quem foi o autor do crime.</p>
<p>Baseado no excelente <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/a-testemunha-ocular-do-crime-agatha-christie/">A Testemunha Ocular do Crime</a>, o filme começa já com uma alteração na premissa que achei bem interessante. No livro, Miss Marple está ciente de que é idosa e não dá conta de investigar sozinha. Então ela contrata a jovem Lucy para ajudá-la, o que dá espaço para até um certo romance entre Lucy e os suspeitos. No entanto, no filme, a própria Miss Marple vai se enfiar na cena.</p>
<p>Para isso, ela se candidata ao posto de empregada na mansão próxima à linha do trem onde Miss Marple acredita que o corpo foi jogado. A mansão Ackenthorpe parece ser o foco de todo o mistério. O velho ranzinza Mr. Ackenthorpe vive atormentando sua bela filha Emma, enquanto os outros irmãos tentam ficar o mais longe possível do pai chato e esperam com ansiedade ele morrer pra ficar com o dinheiro.</p>
<p>Coincidentemente, no entanto, todos os irmãos estavam na mansão na época do crime. O que Miss Marple precisa fazer, além de lavar, passar, limpar e cozinhar, é descobrir onde foi parar o corpo e quem é o assassino.</p>
<p>Margaret Rutherford está ótima como uma Miss Marple atrapalhada e mandona, o filme é ágil e engraçado, e é uma boa adaptação do livro. Alguns destaques divertidos: o ator que faz o Mr. Stringer foi marido da Margaret Rutherford na vida real; e Joan Hickson, a Miss Marple da série dos anos 80, faz uma ponta como a cozinheira Mrs. Kidder.</p>
<p><strong>Murder She Said (1961) de George Pollock; com Margaret Rutherford, Charles Tingwell, Muriel Pavlow, James Robertson Justice</strong></p>
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		<title>Death by Water &#124; Kerry Greenwood</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 13:44:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Kerry Greenwood]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Miss Fisher está cansada da vida caseira e decide tirar férias. Ela aceita o pedido de uma administradora de navios de cruzeiro de investigar roubos extraordinários que andam acontecendo a bordo do SS Hinemoa. Ela pega sua funcionária e assistente Dot, arranja umas joias falsas bastante críveis, e vai viajar pra Nova Zelândia. Como sempre, a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Miss Fisher está cansada da vida caseira e decide tirar férias. Ela aceita o pedido de uma administradora de navios de cruzeiro de investigar roubos extraordinários que andam acontecendo a bordo do <em>SS Hinemoa</em>. Ela pega sua funcionária e assistente Dot, arranja umas joias falsas bastante críveis, e vai viajar pra Nova Zelândia.</p>
<p>Como sempre, a autora nos presenteia com uma pesquisa histórica considerável. Ficamos conhecendo tudo sobre o barco, e também diversos personagens de primeira classe. O livro se passa em 1928, e obviamente a memória de todos no barco é do Titanic, que afundou em 1912. Enquanto Dot faz amizade com membros da tripulação, muitos deles maori, Phryne interage com o pessoal rico.</p>
<p>Ela anda por aí usando suas joias e fala bastante disso, tentando trazer o assunto dos roubos. A maioria dos passageiros de primeira classe estava em quase todas as viagens em que os roubos aconteceram, e quase todas as vítimas estavam na mesma suíte, onde Phrye está. Alguém tenta roubar Phryne várias vezes sem sucesso. O grupo visita uma aldeia maori na Nova Zelândia. Um casal briga no barco. E no dia da festa à fantasia, um assassinato é cometido.</p>
<p>Ainda sem saber como as joias foram roubadas ou quem está por trás dos roubos, Phryne começa a investigar o assassinato. Um gato, a banda, e o próprio Titanic, são os elementos que a ajudam a resolver o caso.</p>
<p>Eu gostei do livro porque cruzeiros são legais, adoro os maoris e Phryne me diverte. Mas a trama policial é ruim de doer. A resolução dos roubos é esdrúxula e a ligação com o Titanic é só pouco crível. É uma pena que um livro tão agradável tenha terminado de forma tão xoxa.</p>
<p><strong>Phryne Fisher Livro 15</strong></p>
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		<title>Série &#124; The Other Bennet Sister</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 13:31:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[ficção histórica]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, ficamos sabendo não só da história da protagonista Elizabeth Bennet, como também de duas de suas irmãs, Jane e Lydia. No fim do livro, a narrativa comenta que Kitty passou a interagir muito mais com Jane e Elizabeth e isso &#8220;melhorou muito&#8221; a personalidade dela. Quanto a Mary, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, ficamos sabendo não só da história da protagonista Elizabeth Bennet, como também de duas de suas irmãs, Jane e Lydia. No fim do livro, a narrativa comenta que Kitty passou a interagir muito mais com Jane e Elizabeth e isso &#8220;melhorou muito&#8221; a personalidade dela. Quanto a Mary, ela foi a única que &#8220;permaneceu em casa&#8221; especialmente devido à &#8220;inabilidade da Sra. Bennet de ficar sozinha&#8221; mas que, como sua beleza não era constantemente comparada desfavoravelmente com as das irmãs, o Sr. Bennet imaginava que ela estava até que contente.</p>
<p>The Other Bennet Sister, baseada em um livro que ainda não li, começa imaginando como seria a vida de Mary &#8220;permanecendo em casa&#8221; enquanto todas as irmãs foram embora casar.</p>
<p>A história começa perto do início do livro, e os primeiros capítulos passam pelos eventos já conhecidos de todos: a chegada do Sr. Bingley, Caroline sendo nojenta, Mary passando vergonha no baile em Netherfield, Mary sendo &#8220;a mais feia&#8221; das irmãs, a Sra. Bennet sendo insuportável. Enquanto <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/adaptacao-orgulho-e-preconceito/">as duas adaptações mais famosas</a> de Orgulho e Preconceito colocam a Sra. Bennet como uma tola nervosa e obcecada, aqui a série a transforma numa narcisista bem mais maléfica. Da mesma forma, o Sr. Bennet, de gentil indulgente, passou a ser um apático impaciente. Kitty e Lydia se parecem com o livro, Jane e Elizabeth são auto-centradas e mal percebem a existência de Mary.</p>
<p>Até aí, direito da série de reimaginar as coisas. O que estava me incomodando era outro aspecto. Crescer &#8220;a mais feia&#8221; entre cinco é algo extremamente familiar pra mim, então me aproximei da série com esse interesse. Será que eu me identificaria com a história? E no primeiro episódio Mary tem um interesse romântico, que é logo destruído pela Sra. Bennet. No primeiro. Episódio. A &#8220;mais feia&#8221; tem um cara atrás dela. A partir dali já me deu um desânimo porque parte do problema de ser &#8220;a mais feia&#8221; é justamente querer fazer parte do mundo da atenção masculina e ser completamente ignorada. <em>Hoje</em> eu sei que essa necessidade de atenção é algo imposto socialmente, mas eu sou adulta. Quando a gente é jovem, a gente quer sim atenção do sexo oposto: é praticamente a base da nossa auto estima! Mary ser &#8220;a mais feia&#8221; era terrível pra ela justamente porque impedia que ela conseguisse a única &#8220;independência&#8221; possível para uma mulher da classe social dela naquela época, o casamento. Se no primeiro episódio ela já tem um mocinho querendo, cadê o conflito?</p>
<p>Aí a Mary da série decide que &#8220;não se  importa mais&#8221; com os homens e romance e casamento e começa a sua jornada de grande leitora. Passa a vergonha da vida em Netherfield. Não tem interesse no Sr. Collins mas aceitaria se casar com ele, mas a mãe proíbe. E antes que a proibição seja levantada, Charlotte já agarrou a oportunidade. As irmãs todas vão embora casadas e Mary sobra em casa. O Sr. Bennet morre, os Collins chegam no dia seguinte expulsando Mary e a Sra. Bennet, e começa uma nova parte da série.</p>
<p>Antes de continuar, queria elogiar muito a participação da Lucy Briers como Hill. Ela fez a Mary da série de 1995 e participa do melhor quesito dessa mini-série pra mim: as referências ótimas a outras adaptações de Austen. Indira Varma, a Sra. Gardiner, é a Caroline Bingley de Noiva e Preconceito. Richard E. Grant, o Sr. Bennet, é Sir Walter Elliot na tenebrosa adaptação de Persuasão (e única coisa boa do filme).</p>
<h2>A História Nova</h2>
<p>Nesse ponto da história finalmente nos livramos da linha do tempo de Orgulho e Preconceito e vemos pra onde Mary resolve ir. Felizmente ela vai para Londres passar um tempo com os Gardiners, que são os melhores personagens da série. Em Londres Mary imediatamente arranja um carinha, o Sr. Hayward, que está obviamente interessado nela mas depois ela descobre que ele está &#8220;semi-noivo&#8221; de uma outra moça. E aí <em>mais um cara </em>chega nela, o bonitão Sr. Ryder, pra ter um triângulo bem clichê.</p>
<p>Eu não tenho nada contra reimaginação de personagens conhecidos. Inclusive, um dos meus gêneros favoritos são as reimaginações de contos de fadas. Mary Bennet dos livros era moralista, afetada, olhava para tudo com superioridade, se aplicava nos estudos e na música para compensar o fato de &#8220;não ser bonita&#8221; mas não tinha vivência fora do círculo familiar para conseguir um discernimento melhor. Claro que a série deixa ela mais simpática, e muda totalmente a personalidade dela. Essas coisas não me incomodaram tanto; protagonistas simpáticas são importantes numa série de romance. O problema é a incongruência. A Mary da série se veste mal, não cuida da beleza, tem ansiedade social, é tímida. E a série prontamente recompensa tudo isso não com um mas com <em>dois </em>interesses românticos. Só não é verossímil, e fica óbvio que isso só acontece &#8220;porque o roteiro quis&#8221;.</p>
<p>A proposta do Sr. Ryder é completamente irreal e impossível de ter sido feita, a conversa em torno disso é incongruente, pensamentos modernos dentro de uma série que tenta ser histórica. Mary é justamente a irmã mais preocupada com o que é apropriado, e ela sequer considerar a proposta e ter aquela conversa dos anos de 2020 com Elizabeth foi outra coisa que quebrou o encanto da série pra mim.</p>
<p>No fim das contas o Sr. Hayward é um lerdo incapaz de se comunicar e o Sr. Ryder é um egoísta mimado. Nenhum deles melhora nada durante a história. Se tirarmos a maquiagem de época e só olharmos a trama, é tudo bem fraquinho. O figurino encanta mas as personalidades são modernas. E se tirarmos o pano de fundo de Orgulho e Preconceito, sobra uma menina que foi mal tratada pela mãe a vida toda e aprendeu a ter personalidade longe dela. A &#8220;falta de beleza&#8221; da Mary é muito menos importante que a falta de auto estima causada pela mãe terrível. Por um lado, eu entendo de onde a série vem, e nossas mães conseguem fazer um estrago considerável na nossa auto estima. Por outro lado, crescer &#8220;a mais feia&#8221; é muito afetado pela sociedade: são os amigos, os namoradinhos, as colegas de escola, que são o principal fator complicado, e a série só ignora isso.</p>
<p><strong>The Other Bennet Sister (2026) Roteiro &#8211; Sarah Quintrell, Maddie Dai; Direção &#8211; Jennifer Sheridan, Asim Abbasi</strong><br />
<strong>com Ella Bruccoleri, Ruth Jones, Indira Varma</strong></p>
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		<title>Ensaio &#124; Mas Harry Potter Nem Era Bom</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 14:11:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J. K. Rowling]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O maior fenômeno literário da nossa época é um aglomerado de ideias reacionárias permeado por tramas furadas e precisamos superar isso. O discurso em volta dos livros do Harry Potter parece que nunca some. Primeiro a autora ficava voltando atrás pra contar pra gente coisas que eram verdade mesmo que não estivessem no texto, pra [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>O maior fenômeno literário da nossa época é um aglomerado de ideias reacionárias permeado por tramas furadas e precisamos superar isso.</h2>
<p>O discurso em volta dos livros do Harry Potter parece que nunca some. Primeiro a autora ficava voltando atrás pra contar pra gente coisas que eram verdade mesmo que não estivessem no texto, pra continuar na mídia e se fazer de progressista. Depois ela decidiu fazer a cruzada contra mulheres trans e se fazer de vítima após a reação da internet. E claro, os estúdios não viram a hora de lucrar em cima dos livros, e os filmes de Hollywood se transformaram num espetáculo à parte. Agora estão produzindo uma série remake e a discussão em 2026 é que querem fazer Snape negro e Voldemort mulher. Na era da pós-verdade, só vou acreditar quando sair a série.</p>
<p>É impressionante como os livros e os filmes ficaram no imaginário coletivo dos millenials como sendo cristais intocados de boa literatura. A conversa é sempre &#8220;devemos separar o artista da arte&#8221;, &#8220;não vou consumir as obras porque não concordo com a autora mas ela nunca vai conseguir destruir minha memória afetiva&#8221;, &#8220;nunca vou perdoar ela por ter estragado meu fandom favorito&#8221;.</p>
<p>Será que não daria pra gente dar uma olhada nas obras com a nossa idade atual e perceber que não eram livros tão bons assim? A memória afetiva pode existir mas a gente também pode olhar pra trás criticamente. Os livros ajudaram toda uma geração a ler mais, se sentir melhor sobre si, fazer parte de um coletivo. Mas também são livros de trama simplificada, elementos fantasiosos mal colocados e moral duvidosa. Não era o livro que era bom, era a gente que era tonha. Já passou da hora da gente deixar a obra cair no esquecimento <em>não só</em> pra deixar de dar dinheiro pra ela <em>como também </em>porque nem é uma obra que mereça ser reapresentada para as novas gerações.</p>
<h2>A trama é mal feita</h2>
<p>Quando a gente é criança, não temos a habilidade de perceber furos nas histórias. Daí a gente cresce, conhece mais da vida, lê mais coisa, assiste filme bom. E assiste muito dos filmes do Harry Potter também. E compara as coisas. Eu era a criança mais chata do rolê e com sete anos reclamava que &#8220;o livro era melhor&#8221;, então é óbvio que fui assistir o primeiro filme com o pé atrás porque &#8220;o livro ia ser melhor&#8221; (e era mesmo). Mas isso aos poucos me fez ver que os problemas do filme eram muitos, mas vários vinham do próprio livro.</p>
<blockquote><p><em>Deus ex machina</em>: expressão em latim vinda do teatro grego que significa literalmente &#8220;deus surgiu da máquina&#8221;, utilizada para indicar uma solução inesperada/mirabolante (magicamente providenciada por uma divindade) para terminar uma obra ficcional.<br />
Com o tempo, o uso da expressão tornou-se amplo e passou a referir-se também não apenas ao surgimento de divindades, mas também de personagens, artefatos, ou eventos inesperados, artificiais ou improváveis, introduzidos repentinamente na trama com o mesmo objetivo: resolver uma situação intransponível ou simplificar o enredo.</p></blockquote>
<h3>A Pedra Filosofal</h3>
<p>O conto de fadas virando realidade: o garoto mal tratado que mora embaixo da escada descobre não só que na realidade faz parte de um mundo fantasioso incrível como também descobre que ele é nada mais nada menos que a pessoa mais especial desse mundo. Ele é o mais rico, o mais famoso, herdeiro de uma fortuna imensa e de pais sem defeitos. Ele não tem dificuldade alguma em fazer amigos, tem habilidade sobrenatural com o esporte do rolê, consegue escolher em qual grupo ficar, e o único conflito qu ee ele tem de início é que tem um professor que não gosta muito dele. Ele arranja um amigo que explica o mundo bruxo pra ele, e arranja uma amiga que faz a lição de casa dele.</p>
<p>A ideia do livro é ser uma história onde as crianças resolvem tudo enquanto os adultos são um bando de inúteis, o que é bastante comum em vários livros infantis. A narrativa bem humorada da autora pincelada com elementos fantasiosos funciona bem, e o livro certamente é divertido.</p>
<p>Mas não dá pra deixar de perceber que o Harry é um baita de um mimado privilegiado assim que ele pisa no mundo bruxo; Dumbledore é um incompetente de trazer a pedra pra Hogwarts; Hagrid não deveria ser responsável por coisa alguma; Harry escapou por que o livro quis;  e Dumbledore privilegia a Grifinória sem nenhuma vergonha.</p>
<p>Harry 0 x 1 <em>Deus ex machina </em>amor de mãe</p>
<h3>A Câmara Secreta</h3>
<p>Conhecemos os supremacistas bruxos escravocratas, tem também a irmã do Rony que existe pra ser obcecada pelo Harry, e descobrimos que a escola foi construída por um bruxo que queria assassinar os próprios alunos. Aparentemente nada foi feito pra encontrar a câmara secreta em todo esse tempo.</p>
<p>O ministério da magia sabe quando fazem magia na casa de um bruxo menor de idade mas não sabe quem fez essa magia. Um membro do ministério faz experimentos ilegais com invenções humanas mas é incapaz de ajudar o amigo do filho que está em cárcere privado.  Uma escola permite que um charlatão seja professor da matéria mais perigosa. Hermione descobre tudo mais uma vez, Hagrid dá mais pistas de que é um incompetente que não deveria ser responsável por nada, Dumbledore não consegue resolver coisa alguma e Harry é salvo por um chapéu e um passarinho.</p>
<p>Harry 0 x 2 <em>Deus ex machina</em> Fawkes</p>
<h3>O Prisioneiro de Azkaban</h3>
<p>Não nego que é o melhor livro da série, mas também é o final mais troncho. Sirius Black foi preso &#8220;em flagrante&#8221; injustamente e ficou na prisão por anos, mas ninguém usou <em>veritaserum</em> nele. Hermione quer fazer todas as matérias disponíveis e em vez de ter uma orientação acadêmica pra ajudar ela a escolher (já que na primeira semana ela já percebe que na verdade não se identifica com uma matéria), eles dão pra ela uma máquina do tempo.</p>
<p>O mapa do maroto mostra Pettigrew pro Lupin mas os gêmeos passaram anos sem perceber um maluco na cama com o Rony. Dumbledore contrata um lobisomem como professor e Lupin prontamente <em>esquece</em> de tomar a poção e ataca alunos. Dumbledore permite que monstros sugadores de almas fiquem passeando pela escola. Hagrid <em>novamente</em> sendo um profissional tenebroso.</p>
<p>Hermione resolve tudo com o giratempo (que nunca mais é visto), enquanto Harry percebe que quem salvou o dia foi ele mesmo com um pouco menos de ansiedade.</p>
<p>Harry 0 x 3 <em>Deus ex machina </em>Harry do futuro</p>
<h3>O Cálice de Fogo</h3>
<p>Vamos rever o plano do vilão? Vamos.</p>
<p>O Voldemort precisa voltar usando o Harry. Eles precisam que o Harry encoste na chave de portal que vai levar ele pro mato onde o Voldemort tá fazendo o ritual. O plano então é: sequestrar um professor, colocar um maluco disfarçado no lugar dele (mas o professor precisa estar constantemente preso desacordado pro impostor conseguir pegar cabelo dele pra poção de disfarce), o impostor vai obrigar o Harry a participar do torneio, o impostor vai ajudar o Harry a ganhar o torneio, e o Harry vai encostar na taça e ser levado pro Voltemort.</p>
<p>Desconsiderando as milhares de oportunidades que o vilão teria de fazer o Harry encostar num objeto qualquer; ignorando o RH de Hogwarts que é incapaz de perceber a diferença entre um professor qualificado e um psicopata que passou a vida escondido pela família; que tipo de plano imbecil incluiria ter que fazer um moleque idiota mais novo que todo o resto passar por provas impossíveis? E se o Dumbledore simplesmente falasse &#8220;não sabemos como esse doidinho colocou o nome no cálice de fogo, a segurança do torneio está em jogo, vamos reconsiderar&#8221;? E se o Harry não fosse ajudado por toda a escola (incluindo o infeliz do Cedrico) e fosse incapaz de chegar na final?</p>
<p>Que plano idiota senhor.</p>
<p>Harry 0 x 4 <em>Deus ex machina </em>varinha mística</p>
<h3>A Ordem da Fênix</h3>
<p>Na época que saiu o livro, o Harry revoltado com tudo me encantou. Adoro gente revoltada que odeia tudo. Mas aí mataram meu personagem favorito de maneira estúpida. Sacanagem.</p>
<p>O ministério da magia quer destruir a reputação do Harry então resolve expulsar o garoto da escola mesmo diante de uma situação óbvia de legítima defesa. Daí o ministério coloca uma psicopata torturadora de crianças dentro de Hogwarts (não se preocupem que ela vai ser devidamente est*pr@da por centauros depois).</p>
<p>A Ordem da Fênix está lutando contra os supremacistas bruxos mas mantém escravos (ele não quer ser libertado, deixa ele) pra daí o escravo ir lá e mentir ahahaha bem feito. Harry passa o livro ouvindo que tem que ignorar as visões do Voldemort, daí ele não ignora e coloca tudo a perder. Sirius é um mimado que deveria ter passado o tempo na prisão refletindo sobre as merdas que fez e não fazendo bullying com o Snape de novo.</p>
<p>Harry começa a fazer aula de oclumência mas é um inútil. Ele e Cho estão tendo um namorico mas Harry não tem paciência, ela só chora. Uma amiga da Cho trai o grupo que o Harry formou (aparentemente o talento dele é ser professor de defesa contra as artes das trevas). Dumbledore escapa com facilidade dos guardas do ministério da magia e deixa seus aluninhos à mercê de Umbridge.</p>
<p>Harry cai no conto do Voltemort e vai para o ministério, onde prontamente é cercado por comensais da morte. Felizmente a Ordem da Fênix aparece para salvar o dia mas a Bellatrix mata o Sirius, Harry sai atrás dela sozinho, Voltemort possui o Harry na intenção de fazer Dumbledore matar o Harry. Daí o Harry pensa no Sirius e Voldemort desiste porque &#8220;não conseguia suportar o contato com uma mente preenchida com amor&#8221;.</p>
<p>Harry 0 x 5 <em>Deus ex machina </em>o poder do amor</p>
<h3>O Enigma do Príncipe</h3>
<p>Dumbledore é incapaz de contratar um professor sem ajuda de um <em>aluno</em>. Harry acha um livro super suspeito mas ignora todas as tentativas da Hermione de avisá-lo. Dumbledore encarrega <em>um aluno</em> de descobrir a verdade sobre uma memória de um professor sobre o bruxo mais perigoso da terra. Dumbledore sai por aí com <em>um aluno</em> para destruir horcruxes.</p>
<p>Harry começa a namorar a Gina porque ela não é como as outras garotas: ela até gosta de esportes! E certamente não se importa dele passar o tempo livre mais com os amigos do que com ela, porque ela <em>entende</em>.</p>
<p>Malfoy tenta matar Dumbledore mas quem faz isso é Snape. Harry sai correndo atrás do Snape pra tentar se vingar pela morte de Dumbledore. Ainda não sabemos mas Snape é o maior herói da história e não mata o Harry porque foi apaixonado pela mãe dele. Na verdade todo o final desse livro só vai fazer sentido quando lermos o próximo (se é que <em>fazer sentido</em> é o termo correto nesse caso).</p>
<p>Harry 0 x 6 <em>Deus ex machina </em>o grande plano de Dumbledore</p>
<h3>As Relíquias da Morte</h3>
<p>Harry sai por aí procurando horcruxes junto com Rony e Hermione de forma mal organizada, sem contato com notícias correntes e sem planejamento. A &#8216;sorte&#8217; (objetos mágicos, pessoas ajudando do nada, pistas deixadas por Dumbledore, visões do Harry, etc) está sempre com eles e eles conseguem destruir o horcrux medalhão do Salazar Slytherin, o horcrux taça da Helga Hufflepuff e o horcrux diadema da Rowena Ravenclaw.</p>
<p>Durante a busca pelos horcruxes, o trio descobre sobre &#8216;as relíquias da morte&#8217;, cujo dono poderia dominar o mundo. As relíquias da morte seriam o manto da invisibilidade (que Harry convenientemente herdou do pai), a varinha das varinhas (que estaria com Dumbledore e teria sido roubada por Snape), e a pedra da ressurreição (que Dumbledore achou e entregou pro Harry via mensagem póstuma).</p>
<p>Harry vê Voltemort matando Snape e chega a tempo de pegar as memórias de Snape, descobrindo tudo o que rolou no passado desse pobre bruxo conflitado que levou um fora da mãe do Harry e se vingou virando nazista. Harry descobre todo o plano elaborado de Dumbledore que incluía não contar nada pro Harry e deixar o Harry crescer sem saber do poder do amor, do possível horcrux e do passado de Snape.</p>
<p>Sabendo de tudo isso, Harry resolve se entregar pro Voldemort, que mata ele. Porém na <em>realidade </em>o que rolou foi que Voldemort matou <em>o próprio horcrux dentro do Harry,</em> conforme Dumbledore explica pro Harry numa visão/sonho/experiência pós morte. Neville mata a cobra Nagini que é o último horcrux e agora Voldemort é mortal como qualquer outro homem. Começa a batalha de Hogwarts, muita gente mata e morre, e o confronto final de Harry com Voltemort tem o inimaginável resultado de que a varinha das varinhas nunca foi de Voldemort porque quem desarmou Dumbledore foi Draco que foi desarmado por Harry então quem é o verdadeiro dono da varinha é o Harry.</p>
<p>Harry 0 x <em>Deus ex machina </em>varinha técnica</p>
<h2>O final é lamentável</h2>
<p>E aí temos o infame epílogo. Harry Potter decide virar policial de bruxo, Hermione casa com o moleque burro que passou anos zoando com a cara dela por ela ser anti-escravidão (!), Ginny sai parindo vários filhos que vão ter nomes que o Harry escolheu (irmão dela que morreu protegendo o Harry certamente não merece nome de filho), e a história acaba &#8216;onde começou&#8217;, com as crianças entrando no trem pra Hogwarts.</p>
<p>Detalhe que o nome do infeliz do filho mais novo é Albus Severus &#8220;em homenagem aos bruxos mais corajosos que eu conheci&#8221; meu amigo um deles foi nazista que só resolveu ser agente duplo depois que a moça que ele queria foi assassinada pelos nazistas e o outro fez uma criança de cobaia por anos pra transformar ele numa arma depois. Vai fazer seu filho sofrer bullying a vida toda por ter nome ridículo e essa é sua motivação?</p>
<p>Claramente a autora achou que esse seria um final feliz pra sempre, porque na cabeça <em>late boomer</em> dela era isso que qualquer pessoa ia querer: casamento, filhos e vida estável. Mas ela estava escrevendo para os millenials, que viram o mundo pegar fogo, fazendo com que essa vida seja impossível pra gente.  Crescemos vendo que <em>vida padrão</em> não é necessariamente <em>vida melhor</em>, que casamento é terrível pras mulheres, que policiais são armas do sistema, e que lutar pelo que é certo não inclui estabilidade.</p>
<p>Mesmo eu que amava os livros fiquei com gosto amargo na boca quando li o epílogo na época da publicação.</p>
<h2>Gordofobia, machismo, racismo, e as tentativas posteriores</h2>
<p>Todos os gordos são nojentos, engraçados, ou simplesmente pessoas malvadas. Todas as mulheres são &#8220;femininas bocós&#8221; ou &#8220;inteligentes que não-são-como-as-outras-garotas&#8221;. Todos os bruxos são supremacistas que querem ser superiores aos trouxas ou bonzinhos condescendentes que entendem que não é culpa dos trouxas que eles são inferiores. O sistema bruxo é escravagista e os elfos domésticos <em>gostam </em>de ser escravos e <em>não querem</em> ser liberados. Qualquer criatura não-humana no mundo dos bruxos ou não tem direitos ou é serviçal. O sistema bruxo é capitalista hereditário e Hogwarts perpetua e encoraja isso.</p>
<p>E aí depois que tudo foi publicado a autora veio falar que <em>na verdade </em>Dumbledore <em>sempre foi homossexual</em>. Veio dizer que <em>na verdade</em> ela nunca tinha falado de raça no livro mas se quiser enxergar a Hermione como negra fica à vontade. A Hermione. Que foi a única a defender elfos domésticos e foi ridicularizada por isso. Cuja única característica remotamente &#8216;não-branca&#8217; é que ela tem cabelo <em>armado</em>. Que na primeira oportunidade alisa o cabelo pra <em>ficar bonita</em>. Ela que é pra gente pensar que &#8216;sempre foi&#8217; negra. Enquanto que o cara do ministério da magia que de fato foi descrito como negro tem o nome de Kingsley&#8230; <em>Shackle</em>bolt.</p>
<p>Os livros do Harry Potter são reflexos da época em que foram escritos, e tá tudo bem. O que precisa mudar é essa falta de memória coletiva que coloca a obra como sendo intocável por causa da nostalgia enquanto ignora problemas que hoje não passariam no crivo dos mesmo leitores agora maduros.</p>
<p>O livro não é um pilar de ensinamentos para os jovens, mas é lembrado como tendo sido. O livro é um aglomerado de ideias fantasiosas e mitológicas jogadas sem crivo algum, com personagens adultos muito questionáveis, e personagens jovens totalmente criminosos (até os fãs mais fervorosos são incapazes de passar pano pra poção do amor dos Weasley).</p>
<p>Tem muita coisa boa nova sendo escrita, muitos autores fora do eixo branco do oeste global produzindo fantasia relevante. E tem muita coisa boa antiga não sendo lembrada. Vamos reler <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/ursula-k-le-guin/">Ursula Le Guin</a>, <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/robin-hobb/">Robin Hobb</a>, <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/diana-wynne-jones/">Diana Wynne Jones</a>, <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/suzanne-collins/">Suzanne Collins</a>.</p>
<p>E sobretudo vamos olhar para os livros do passado com senso crítico.</p>
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