Destino Inferno | Lee Child

Jack Reacher está ajudando uma jovem a sair de uma lavanderia. Ela está com a perna machucada e ele galantemente abre a porta pra ela e pega a sacolona de roupa limpa enquanto ela passa com as muletas.

E aí três homens armados capturam os dois, jogam os dois dentro de um carro, transferem os dois pra uma van e saem dirgindo. Pegos de surpresa, Reacher e a moça, que se chama Holly Johnson, fazem o possível para descobrir o que está acontecendo e pra onde estão sendo levados. Reacher logo descobre que Holly é uma agente do FBI, mas o leitor também percebe que ela não é o que parece.

Aos poucos, quando a notícia do sequestro de Holly chega no alto escalão, fica claro que Holly era o alvo dos bandidos desde o início, e Reacher, que apareceu na câmera de segurança da lavanderia, é considerado um do criminosos. Então ao mesmo tempo em que seguimos Holly e Reacher na viagem através do país dentro da van, também vemos a investigação oficial se embananando com pistas falsas.

Quando finalmente Holly e Reacher chegam ao destino final, eles encontram uma comunidade religiosa separatista que quer usar Holly como refém para conseguir criar uma nova nação. Afinal, ela pode até ser filha de um figurão do FBI, mas foi alvo do sequestro por ser na realidade afilhada do próprio presidente dos Estados Unidos.

No começo da história, Reacher pode escapar a hora que quiser, mas não com Holly, por ela estar incapacitada com a perna ruim. Então ele decide ficar com ela até descobriro o que os sequestradores querem. Depois que ele salva ela de ser estuprada por um dos sequestradores, ela decide que também não vai embora sem ele.

O livro é bem ágil e cheio de tensão. Os personagens são bons. O suspense é muito competente.

Mas o livro também é muito desanimador. Escrito no final da década de 90, já tem indícios da decadência dos Estados Unidos como nação. O presidente não pode amassar a milícia racista, machista, cultista, assassina porque “todos têm direito a pegar em armas para defender a própria liberdade”. O governo não pode agir abertamente contra os criminosos porque perderia apoio da população. As ideias do líder da milícia são colocadas no livro como sendo totalmente insanas, erradas, e maléficas, e o fato do governo estar de mãos atadas é uma “brecha” que o vilão achou e claramente uma desvantagem. O discurso dele de que os Estados Unidos estão sendo “invadidos por imigrantes” é rechaçado pelo Reacher e por outros personagens, que mostram que o cara só é um ressentido porque o pai perdeu o negócio da família que foi comprado por hispânicos.

Meu ponto é que mesmo com o governo sendo molenga por causa daquele inferno de segunda emenda, os personagens reconhecem que é um problema a ser resolvido. E hoje… bom, hoje a gente tá no fim da civilização e os Estados Unidos estão sendo governados por gente parecida com os vilões do livro.

Distopia é pouco.

Afora esse momento depressivo, o livro é bom.

Die Trying (1998) de Lee Child. Série Jack Reacher Livro 2

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