Stephen é um ex-paladino porque seu deus morreu. Três anos depois da morte do deus, ele presta serviço para o Templo do Rato, vivendo um dia após o outro sem energia para nada, junto com alguns companheiros da fé perdida.
Grace é uma perfumista que divide casa com uma espiã. Ela tem um bicho de estimação que é uma mistura de teixugo com gato, ela é nerd dos cheiros, e ela não quer saber de homem nenhum depois do trauma que passou com o ex.
Enquanto o livro navega pelo início do romance, que é chato e clichê, ficamos conhecendo a parte boa do livro, que são os coadjuvantes. A bispa do rato e seus asseclas, os colegas paladinos de Stephen, a espiã amiga da Grace. Se não fosse eles, eu não tinha chegado no primeiro terço do livro, porque Stephen e Grace são muito chatos. Grace não entende porque alguém acharia ela atraente, afinal ela anda aí de calças manchadas de produtos perfumísticos. Ela fica obcecada pelo Stephen porque ele tem cheiro de gengibre. E ela é incapaz de falar qualquer coisa sem se arrepender em itálico imediatamente depois. Stephen se sente culpado por tudo, se sente culpado por querer fazer sexo com a Grace, se sente culpado por olhar os peitos dela, se sente culpado por falar qualquer coisa.
Aí quando finalmente a história começa a andar, porque tem assassinatos, prisões injustas, espiões andando por aí, e todos os coadjuvantes chamando Grace e Stephen de molengas e lerdos por não transarem logo, o livro fica mais ágil. E quando finalmente rola o sexo, já é o fim do livro, tudo se resolve de forma bem fácil, e agora eles são um casal e não precisam ficar se perguntando em itálico toda hora se eles falaram alguma besteira um pro outro.
Eu não sei se pessoas adultas se comportam dessa forma, sempre na dúvida, sempre com insegurança, sempre achando que o outro não está interessado (eu só sei que eu não sou assim). Então o que me incomodou principalmente foi a falta de maturidade dos protagonistas. Ele tem mais de trinta anos. Já passaram por coisas terríveis. Ele é um berserker que sai por aí matando pessoas, ela tinha um marido nojento que tentava obrigar ela a fazer sexo com outras mulheres. E o livro deixa claro que faz anos que os dois passaram por essas provações, não foi ontem. Mas eles se comportam como se tivessem 20 anos, começando a vida agora.
Não adianta virem falar que esse é um romance com protagonista acima dos 30 se eles se comportam como adolescentes. A trama não ser tão original incomoda pouco, porque o livro é curtinho. Mas foi surpreendente ver a quantidade de choramingo num livro de gente adulta. Especialmente se ambos são bonitos, inteligentes e bem sucedidos. Eu entendi que a autora quis colocar os dois como traumatizados porque morreu o deus e o ex era péssimo, mas isso não explica a imaturidade dos diálogos e o choramingo adolescente.
Literalmente, ele chega na loja de perfume dela, ela fala “você parece cansado”. E o itálico chega imediatamente “nossa porque fui dizer isso que incapaz que eu sou preciso pensar em falar outra coisa”. Isso acontece em todos os diálogos. É bem cansativo. Detesto protagonista linda, magra, peituda, que fica toda molenga “não, ele não deve estar interessado em mim, certeza que não está, ele está olhando pra minha amiga, eu sou feia”.
Dito isso, como a ambientação me interessou, e aparentemente outros livros da autora não são necessariamente tão bobocas, vou dar mais chance.
Paladin’s Grace (2020) de T. Kingfisher. The Saint of Steel #1

