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	<title>Séries Archives - A Devoradora de Livros</title>
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	<description>Diário de leituras</description>
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	<title>Séries Archives - A Devoradora de Livros</title>
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		<title>Série &#124; The Other Bennet Sister</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 13:31:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[ficção histórica]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, ficamos sabendo não só da história da protagonista Elizabeth Bennet, como também de duas de suas irmãs, Jane e Lydia. No fim do livro, a narrativa comenta que Kitty passou a interagir muito mais com Jane e Elizabeth e isso &#8220;melhorou muito&#8221; a personalidade dela. Quanto a Mary, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, ficamos sabendo não só da história da protagonista Elizabeth Bennet, como também de duas de suas irmãs, Jane e Lydia. No fim do livro, a narrativa comenta que Kitty passou a interagir muito mais com Jane e Elizabeth e isso &#8220;melhorou muito&#8221; a personalidade dela. Quanto a Mary, ela foi a única que &#8220;permaneceu em casa&#8221; especialmente devido à &#8220;inabilidade da Sra. Bennet de ficar sozinha&#8221; mas que, como sua beleza não era constantemente comparada desfavoravelmente com as das irmãs, o Sr. Bennet imaginava que ela estava até que contente.</p>
<p>The Other Bennet Sister, baseada em um livro que ainda não li, começa imaginando como seria a vida de Mary &#8220;permanecendo em casa&#8221; enquanto todas as irmãs foram embora casar.</p>
<p>A história começa perto do início do livro, e os primeiros capítulos passam pelos eventos já conhecidos de todos: a chegada do Sr. Bingley, Caroline sendo nojenta, Mary passando vergonha no baile em Netherfield, Mary sendo &#8220;a mais feia&#8221; das irmãs, a Sra. Bennet sendo insuportável. Enquanto <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/adaptacao-orgulho-e-preconceito/">as duas adaptações mais famosas</a> de Orgulho e Preconceito colocam a Sra. Bennet como uma tola nervosa e obcecada, aqui a série a transforma numa narcisista bem mais maléfica. Da mesma forma, o Sr. Bennet, de gentil indulgente, passou a ser um apático impaciente. Kitty e Lydia se parecem com o livro, Jane e Elizabeth são auto-centradas e mal percebem a existência de Mary.</p>
<p>Até aí, direito da série de reimaginar as coisas. O que estava me incomodando era outro aspecto. Crescer &#8220;a mais feia&#8221; entre cinco é algo extremamente familiar pra mim, então me aproximei da série com esse interesse. Será que eu me identificaria com a história? E no primeiro episódio Mary tem um interesse romântico, que é logo destruído pela Sra. Bennet. No primeiro. Episódio. A &#8220;mais feia&#8221; tem um cara atrás dela. A partir dali já me deu um desânimo porque parte do problema de ser &#8220;a mais feia&#8221; é justamente querer fazer parte do mundo da atenção masculina e ser completamente ignorada. <em>Hoje</em> eu sei que essa necessidade de atenção é algo imposto socialmente, mas eu sou adulta. Quando a gente é jovem, a gente quer sim atenção do sexo oposto: é praticamente a base da nossa auto estima! Mary ser &#8220;a mais feia&#8221; era terrível pra ela justamente porque impedia que ela conseguisse a única &#8220;independência&#8221; possível para uma mulher da classe social dela naquela época, o casamento. Se no primeiro episódio ela já tem um mocinho querendo, cadê o conflito?</p>
<p>Aí a Mary da série decide que &#8220;não se  importa mais&#8221; com os homens e romance e casamento e começa a sua jornada de grande leitora. Passa a vergonha da vida em Netherfield. Não tem interesse no Sr. Collins mas aceitaria se casar com ele, mas a mãe proíbe. E antes que a proibição seja levantada, Charlotte já agarrou a oportunidade. As irmãs todas vão embora casadas e Mary sobra em casa. O Sr. Bennet morre, os Collins chegam no dia seguinte expulsando Mary e a Sra. Bennet, e começa uma nova parte da série.</p>
<p>Antes de continuar, queria elogiar muito a participação da Lucy Briers como Hill. Ela fez a Mary da série de 1995 e participa do melhor quesito dessa mini-série pra mim: as referências ótimas a outras adaptações de Austen. Indira Varma, a Sra. Gardiner, é a Caroline Bingley de Noiva e Preconceito. Richard E. Grant, o Sr. Bennet, é Sir Walter Elliot na tenebrosa adaptação de Persuasão (e única coisa boa do filme).</p>
<h2>A História Nova</h2>
<p>Nesse ponto da história finalmente nos livramos da linha do tempo de Orgulho e Preconceito e vemos pra onde Mary resolve ir. Felizmente ela vai para Londres passar um tempo com os Gardiners, que são os melhores personagens da série. Em Londres Mary imediatamente arranja um carinha, o Sr. Hayward, que está obviamente interessado nela mas depois ela descobre que ele está &#8220;semi-noivo&#8221; de uma outra moça. E aí <em>mais um cara </em>chega nela, o bonitão Sr. Ryder, pra ter um triângulo bem clichê.</p>
<p>Eu não tenho nada contra reimaginação de personagens conhecidos. Inclusive, um dos meus gêneros favoritos são as reimaginações de contos de fadas. Mary Bennet dos livros era moralista, afetada, olhava para tudo com superioridade, se aplicava nos estudos e na música para compensar o fato de &#8220;não ser bonita&#8221; mas não tinha vivência fora do círculo familiar para conseguir um discernimento melhor. Claro que a série deixa ela mais simpática, e muda totalmente a personalidade dela. Essas coisas não me incomodaram tanto; protagonistas simpáticas são importantes numa série de romance. O problema é a incongruência. A Mary da série se veste mal, não cuida da beleza, tem ansiedade social, é tímida. E a série prontamente recompensa tudo isso não com um mas com <em>dois </em>interesses românticos. Só não é verossímil, e fica óbvio que isso só acontece &#8220;porque o roteiro quis&#8221;.</p>
<p>A proposta do Sr. Ryder é completamente irreal e impossível de ter sido feita, a conversa em torno disso é incongruente, pensamentos modernos dentro de uma série que tenta ser histórica. Mary é justamente a irmã mais preocupada com o que é apropriado, e ela sequer considerar a proposta e ter aquela conversa dos anos de 2020 com Elizabeth foi outra coisa que quebrou o encanto da série pra mim.</p>
<p>No fim das contas o Sr. Hayward é um lerdo incapaz de se comunicar e o Sr. Ryder é um egoísta mimado. Nenhum deles melhora nada durante a história. Se tirarmos a maquiagem de época e só olharmos a trama, é tudo bem fraquinho. O figurino encanta mas as personalidades são modernas. E se tirarmos o pano de fundo de Orgulho e Preconceito, sobra uma menina que foi mal tratada pela mãe a vida toda e aprendeu a ter personalidade longe dela. A &#8220;falta de beleza&#8221; da Mary é muito menos importante que a falta de auto estima causada pela mãe terrível. Por um lado, eu entendo de onde a série vem, e nossas mães conseguem fazer um estrago considerável na nossa auto estima. Por outro lado, crescer &#8220;a mais feia&#8221; é muito afetado pela sociedade: são os amigos, os namoradinhos, as colegas de escola, que são o principal fator complicado, e a série só ignora isso.</p>
<p><strong>The Other Bennet Sister (2026) Roteiro &#8211; Sarah Quintrell, Maddie Dai; Direção &#8211; Jennifer Sheridan, Asim Abbasi</strong><br />
<strong>com Ella Bruccoleri, Ruth Jones, Indira Varma</strong></p>
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		<title>Adaptação &#124; The Dresden Files</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Nov 2023 10:23:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Jim Butcher]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[sobrenatural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu nem sei daonde tirei Storm Front, primeiro volume da série de livros The Dresden Files, mas o fato é que li, gostei, viciei e já era. Em pouco tempo descobri que os livros tinham originado uma série de TV, que na época passou no Sci-Fi Channel (os imbecis não se contentaram em demolir Terramar, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu nem sei daonde tirei Storm Front, primeiro volume da série de livros The Dresden Files, mas o fato é que li, gostei, viciei e já era. Em pouco tempo descobri que os livros tinham originado uma série de TV, que na época passou no Sci-Fi Channel (os imbecis não se contentaram em demolir Terramar, também cancelaram essa pérola logo de início.).</p>
<p>É bom mencionar que acho que a série é uma das melhores transposições do livro pra tela que eu já vi.</p>
<p>A série conta as aventuras e desventuras de Harry Dresden, um detetive particular em Chicago que é também um bruxo. Outros personagens recorrentes são Bob, o espírito de um bruxo que ajuda Harry, a tenente Murphy, policial de Chicago que contrata Harry para resolver casos sobrenaturais e Morgan, um &#8216;policial dos bruxos&#8217; que vive na cola de Harry, já que este não tem um passado exatamente exemplar.</p>
<p>A idéia é a de que existe todo um mundo sobrenatural escondido do nosso, e quando as coisas não são bem o que parecem o departamento de investigações especiais da polícia tem que jogar tudo pra baixo do tapete. Mas antes disso a tentente Murphy sempre acaba chamando Dresden, pra ver se ele tem alguma coisa a fazer pra descobrir que raios aconteceu.</p>
<p>Harry é interpretado por Paul Blackthorne. A primeira foto que eu vi dele me deixou meio desapontada, eu sempre imaginei um Harry mais charmoso. Mas como a maior parte dos homens charmosos, Blackthorne só demonstra a que veio quando vemos o homem atuar. E pra mim ele é perfeito. Ele demonstra uma enormidade de emoções com poucas palavras, parece sempre ao mesmo tempo sem jeito e cheio de idéias e tem uma cara de &#8216;sujo&#8217; que toda mulher adora. As magias que ele faz são em geral bastante sutis: achei uma sacada boa do roteiro. No livro, o Dresden é bem pouco sutil nas magias que faz, e prédios incendiados e carros voando são comuns no seu dia a dia. Na série, e acho que isso fez bem pro orçamento, as magias de Dresden são pequenas, de encontrar, amarrar, fechar e mostrar, e são feitas com poucos truques de câmera. Quando eu vi o piloto da série, com todas as explosões, estranhei aquilo tudo e senti falta da sutileza dos outros episódios. A história não é focada na magia, e sim no roteiro inteligente e nos personagens secundários.</p>
<p>A tentente Connie Murphy é interpretada por Valerie Cruz. Ela é completamente diferente da personagem do livro e ao mesmo tempo muito parecida. Ela é bonita, durona e não deixa o Dresden se safar de nenhuma piada infame. A idéia é de que Dresden a está protegendo do conhecimento sobrenatural para que ela não se meta em ainda mais problemas, mas pra mim a única falha do roteiro está aí. Se Dresden não conta nada pra ela, como é que ela acredita nas &#8216;magias&#8217; dele? Mas enfim. Achei uma falha pequena numa série que em geral achei muito boa.</p>
<p>Os episódios geralmente seguem um padrão: 1. algum crime é cometido de forma sobrenatural, a polícia não consegue entender nada e chama Dresden pra resolver ou 2. alguma pessoa em perigo sobrenatural vai parar no escritório de Dresden pedindo ajuda.</p>
<p>As histórias são muito boas, e os personagens coadjuvantes também. O clima meio &#8216;noir moderno&#8217;, com narrativa em off de Dresden, também é muito bem feito. Meus episódios favoritos são o dos meninos que usam um artefato mágico para atravessar paredes e roubar bancos e o da detetive particular cujo chefe foi morto de forma muito estranha.</p>
<p>Achei muito bom que a série não se prendeu aos roteiros dos livros de modo algum. Em vez de ficar dando reviravoltas para adaptar coisas, eles simplesmente mudaram completamente vários elementos da narrativa, mas o fizeram com tal cuidado que tudo faz sentido interno. Um pequeno exemplo é a personagem de Bianca, a vampira. Nos livros ela é totalmente diferente. Claro que podiam ter escolhido um outro nome pra mulher e pronto, já que as únicas coisas que ela tem em comum com a personagem do livro é a cor do cabelo e a profissão. Mas a personagem da série é tão rica e cativante que nem dá tempo da gente reclamar das mudanças.</p>
<p>Eu sou suspeita pra falar, porque sou viciada nos livros &#8211; se bem que, pra todos os efeitos, são coisas completamente diferentes &#8211; mas a série vale muito a pena. Os personagens são bem construídos, as histórias dos episódios são boas e do jeito que eu gosto, com direito a quem matou e tudo, e o clima do &#8216;mundo&#8217; da série é muito bem criado. Outra coisa que funciona muito bem é Bob, magistralmente interpretado por Terrence Mann. A química entre ele e Harry rende cenas absolutamente hilárias.</p>
<p>Mas, como sempre, algum executivo das tevês achou que ela não era boa o bastante. Na verdade, ouvi dizer que a série até que tava indo bem, mas o problema foi que ela &#8216;não alcançava a faixa etária correta&#8217;. O que quer que isso queira dizer. Pena.</p>
<p><strong>The Dresden Files &#8211; 2007</strong><br />
com Paul Blackthorne, Valerie Cruz, Terrence Mann, Conrad Coates</p>
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		<title>Série &#124; O Senhor dos Anéis &#8211; Os Anéis de Poder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Dec 2022 22:55:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vinte anos atrás saiu a trilogia O Senhor dos Anéis, que hoje em dia tem status de clássico. Fez um enorme sucesso, foi bem recebido por críticos, ganhou vários Oscar (naquela época o prêmio tinha credibilidade); e faz aniversário com a convicção de uma adaptação feita com paixão e competência. Dez anos atrás saiu a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Vinte anos atrás saiu a trilogia O Senhor dos Anéis, que hoje em dia tem status de clássico. Fez um enorme sucesso, foi bem recebido por críticos, ganhou vários Oscar (naquela época o prêmio tinha credibilidade); e faz aniversário com a convicção de uma adaptação feita com paixão e competência.</p>
<p>Dez anos atrás saiu a trilogia O Hobbit. Foi menos bem recebida em partes, já que teve enorme sucesso comercial. Não envelheceu bem, já que a maior parte das cenas foi feita em CGI, o roteiro é esburacado e as mudanças na história para transformar um livro infantil de 300 páginas numa trilogia épica de quase 8 horas de duração não foram bem feitas, desagradando tanto fãs quanto críticos.</p>
<p>Agora em 2022 o pessoal achou que já estava na hora de fazer mais dinheiro com a marca e resolveu investir pesado na aquisição de mais material do Tolkien. Mas ele publicou apenas dois livros que se passam na Terra Média, e esses dois já foram adaptados. Se não é pra fazer refilmagem, como que os roteiristas vão trabalhar? Felizmente para todos, o Tolkien tem uma tonelada de material que ele não publicou: livros quase prontos que foram recusados pelas editoras, contos inacabados e várias versões anteriores de O Senhor dos Anéis que foram descartadas pelo autor quando terminou a obra. Então só o que os produtores dessa série tiveram que fazer foi comprar o direito de adaptar umas páginas que o Tolkien escreveu e roteirizar a partir disso. Pronto, problema resolvido!</p>
<p>Mas aí tem o seguinte. Alguém aí já leu alguma coisa que o Tolkien escreveu <em>sem ser</em> O Senhor dos Anéis e O Hobbit? Pode ser os apêndices de O Senhor dos Anéis, já aceito. Não? O Silmarillion, então. Alguém? Pois é. Já deu pra contar que são pouquíssimos. E todos nós sabemos o que os produtores e roteiristas tiveram que enfrentar na hora de inventar essa série de Os Anéis de Poder. Tolkien <em>é muito chato</em>. Ele escreve como se fosse uma enciclopédia sobre a história do mundo, só que o mundo dele é a Terra Média. Quase não tem diálogo, as ações são todas épicas<em>,</em> sérias, impressionantes e <em>chatas</em>. Teve um <em>motivo</em> para O Silmarillion ter sido recusado pelos editores, mesmo depois do sucesso de vendas que foi O Senhor dos Anéis: o livro é chato de ler!</p>
<p>Os herdeiros do Tolkien não são idiotas, e colocaram preços de um bilhão de trilhões no material dele, e mesmo assim a Amazon comprou, mesmo sendo quatro linhas, mesmo sendo chato, porque apostaram que o que vende é propriedade intelectual e não qualidade de roteiro. Vou ser legal aqui e dizer que, ao contrário de O Hobbit, a produção da série foi feita com muito esmero, e nesse ponto pude sentir aquele assombro ao me deparar com a beleza das roupas, das armas, dos cenários. Mas pra você adaptar umas quatro páginas de um texto de um cara que escreve <em>chato</em>, tem que ser um roteirista mais incrível que tudo. E o pessoal de Os Anéis de Poder falhou nessa tarefa.</p>
<p>O primeiro problema que eles enfrentaram foi a falta de hobbits. Se os hobbits foram descobertos pelos outros povos durante O Senhor dos Anéis, uma história que se passa centenas de anos antes não poderia ter hobbits interagindo com o resto, certo? A solução que eles acharam foi colocar antepassados dos hobbits na história sem que eles toquem remotamente a trama principal. Isso ficou sem graça por vários motivos. Se não tem ligação com a trama principal, por que eu deveria me importar com os personagens hobbits? A história delas deveria ser muito interessante para que eu sentisse aquela &#8220;uhul agora vou ver o que acontece com os hobbits finalmente&#8221; sendo que na verdade eu só senti tédio. Alguns momentos tocantes, como a música da caminhada ou a interação entre a família de Nori, não compensaram a total falta de conteúdo desse núcleo. Um cara aparece. Ele é o Gandalf mas a série finge que isso é um mistério. Ele não consegue falar, é um mendigão, as hobbits não querem ajudar ele mas ajudam, ele tem surtos de poder que fazem coisas incrivelmente poderosas como botar fogo numa árvore e matar uns vagalumes, e daí é isso. Se é pra forçar hobbit na história pra poder ter essa conexão com os filmes, que fosse uma trama que não fosse chata e previsível. Os atores fazem o que dá, mas é muito tempo de nada acontecendo para tantos episódios.</p>
<p>A segunda questão, que talvez eu devesse ter falado em primeiro devido o tamanho do buraco, é o protagonismo. Alguém decidiu que a Galadriel era uma boa protagonista, e foi um erro muito terrível. Como que vai ter uma protagonista interessante sendo que ela é a mais poderosa de todos os elfos maravilhosamente incríveis da história? O resultado de colocar ela no centro da história gerou uma série de problemas. Exemplo: se ela é a maior e melhor de todas, ela pode fazer tudo muito incrivelmente bem, certo? Então como que ela vai enfrentar qualquer perigo e <em>não</em> ganhar sempre? Resposta: sendo idiota e criando ela mesma os obstáculos, com mal criação e burrice. No começo a gente fica meio sem entender o que está acontecendo, já que estamos acostumados com a Galadriel sábia e altiva dos outros filmes. Mas depois da terceira ou quarta reação impetuosa e imatura de uma super elfa de centenas de anos de vida, aí já fica mais chato. É inverossímil dentro do próprio universo que eles criaram. Eu entendi que a expectativa foi tentar fazer a personagem mais crível e interessante quando deram essa <em>profundidade</em> pra ela; a realidade é que ela é perfeita a não ser quando vira outra pessoa e fica mimada. De novo, a atriz fez o que deu com o que tinha, mas no final das contas ficou alternando entre olhar altivo de guerreira eterna perfeita e olhar mimado de guerreira eterna perfeita que não aceita ser contrariada. Ela faz decisões que são tão inverossímeis que fica engraçado e vira meme: ela pula do barco no meio do oceano com o intuito de <em>nadar de volta</em> para o continente; trata mal a <em>rainha</em> da terra onde ela vai parar, chamando os humanos de Númenor de inferiores e <em>ordenando </em>que ela receba o que quer; <em>insiste </em>em confiar num aleatório que ela conhece numa jangadinha. Pra não falar da super <em>revelação final </em>que foi reveladora só pra ela que foi cega, porque a gente já sabia desde o terceiro episódio.</p>
<p>Aí tem o terceiro problema e terceiro núcleo da história: o controverso elfo negro e os humanos das Terras do Sul. Quando eu vi a polêmica sobre o elfo negro, pelo tamanho do choro, eu achei que eles tivessem transformado um dos elfos de Tolkien num elfo de pele escura. Mas nem isso! Eles inventaram um personagem aleatório que faz pouca coisa e decidiram que ele seria interpretado por um ator negro. <em>Nenhum </em>outro elfo na série é negro ou mesmo não-branco. Os outros atores que não são brancos são um ou dois anões e vários hobbits. Pra variar, o choro dos racistas foi muito maior do que a representatividade da história. Arondir consegue fazer quase nada, incluindo ser capturado e escravizado por orcs (olha que interessante que o único elfo não branco foi justamente o escravizado), ficar olhando os peitos de uma mulher que ele viu nascer e perder o objeto claramente mágico que poderia destruir tudo (spoiler: ele perde o objeto e tudo é destruído). O par romântico dele, a Bronwyn, sofre do mesmo problema que o Isildur no outro núcleo que eu já falo, que é a que todo mundo que leu os livros já sabe o que vai acontecer com o romance deles a não ser que a série fuja totalmente do material base e daí qual o objetivo de gastar milhões de dólares pra não adaptar certo etc. Além de ser a mãe-solteira-dramática-corajosa, a Bronwyn serve pra mandar o filho dela Theo fazer algo que ele vai desobedecer em seguida, lançar olhares lânguidos para o Arondir, e fazer discursos motivacionais em todos os episódios. O velho malvado é só um velho mala que fica sendo <em>velho</em> e no final tem a grande atitude de estragar tudo, e o moleque Theo é só criança em série: irritante. Quando finalmente as coisas começam a animar e a &#8220;guerra&#8221; começa, e o pessoal imediatamente aceita o novo rei, tem as duas piores cenas da temporada. Adar contra Galadriel e a criação de Mordor.</p>
<p>Considerando que Tolkien era maniqueísta e (vamos todos juntos agora) racista também, a gente tem a seguinte situação, escrita bonitinha lá nos livros pra ninguém duvidar: os elfos foram criados pelo deus bonzinho, eles são altos, loiros, lindos, inteligentes, imortais, poderosos, brilhantes; enfim, os maravilhosos seres de luz. Aí um seguidor poderoso desse deus bonzinho decidiu começar a seita dele, pegou os elfos e os torturou até transformá-los em seres corruptos e maléficos, que odeiam a luz e vivem na escuridão. Esses daí são os orcs ou goblins. Ele também pegou os ents, que foram acordados pelos elfos, e os corrompeu para criar os trolls; e em geral pegando todas as criações de luz e bondade e transformando em escuridão e maldade. Até aí, vocês podem discutir comigo que não é racista <em>só porque</em> os seres de luz são bons e os seres de escuridão são maus, já que esse maniqueísmo é tradicional em várias culturas etc. Só que aí o Tolkien veio e falou que &#8220;os povos do sul&#8221;, que são de pele escura, andam em <em>olifantes, </em>moram no deserto e são obviamente uma versão fantasiosa dos povos árabes e africanos, são justamente os povos que foram lutar ao lado de Sauron durante O Senhor dos Anéis. Ah, você diz, mas eles foram <em>enganados</em> por Sauron&#8230; e aí os homens de Gondor, os brancos ilustres, letrados e bondosos, não executaram os sobreviventes e em vez disso <em>ensinaram</em> eles sobre Sauron e tudo mais. Racismo, chama.</p>
<p>Mas essa segunda parte é um pouco distante do que eu quero falar; perdoa que se o assunto é Tolkien eu escrevo tese em vez de postagem. Eu estava falando sobre o maniqueísmo. Então elfo é bom e de luz, orc é mau e da escuridão. E aí na série eles colocam Adar, que é obviamente um elfo branco porém com umas cicatrizes, sendo chamado de <em>pai</em> pelos orcs, organizando uma terra para eles, e falando pra Galadriel que &#8220;todas as raças merecem viver&#8221; ou algo assim; e Galadriel branca linda com os cabelos loiríssimos gritando na cara dele que <em>não, todos vocês devem <strong>morrer</strong></em>! E então você pensa, &#8220;calma&#8221;. Então os orcs merecem viver? Eles sentem falta de uma terra deles? Eles <em>não são</em> só os seres de escuridão maligna dos filmes? O Adar chora quando um orc morre. A Galadriel está assassinando todos os orcs que ela vê. Quem é o mocinho?</p>
<p>Você pode me falar daí que os elfos do Tolkien são mesmo esses guerreiros arrogantes supremacistas raciais, algo que pode ser visto claramente em O Silmarillion. E a série mostra como o rei Gil Galad tem como principal objetivo a sobrevivência da raça dos elfos, mesmo que isso signifique causar conflito e talvez até guerra com os anões. Parece então que a ideia de criar os anéis de poder veio não só com o objetivo da sobrevivência dos elfos, mas também com um objetivo de <em>controle</em> e superioridade entre as raças, algo reforçado pela participação especial de Halbrand explicando os metais pro Celebrimbor. No fim das contas fiquei com a impressão de que teve uma tentativa de fazer vilões horríveis e malvados serem só <em>conflitados</em> nessa versão, como se eles estivessem tentando enganar a Galadriel com esse papo de &#8220;a gente é bonzinho, confia&#8221;. Mas aí o roteiro usa frases que pessoas reais falam para terem direitos básicos assegurados e eu fiquei tipo&#8230;?</p>
<p>E aí tem o vulcão. Gente. A Galadriel pular no meio do oceano foi sem noção mas deu pra aguentar. Mas o vulcão explodindo na cara das pessoas e só um pessoalzinho se machucou, galera, tá de boa; caiu uns telhados ali, as casas destruíram, foi um pouco triste e a moça ali até ficou cega. Quer dizer.</p>
<p>Mas agora vamos falar das coisas boas. Eu já falei que a série é maravilhosa de linda e que os figurinos são impecáveis. Já falei também que a comunidade dos hobbits é fofa (mesmo que eles meio que deixem os deficientes morrerem?). Mas para além disso, o arco dos anões e do Elrond é muito legal; os personagens em Moria são os mais interessantes; é a parte que eu fiquei mais empolgada e que mais me convenceu a continuar. O casal Disa e Durin é muito bom e roubou todas as cenas em que estavam, e mesmo o Elrond sendo um chatinho, o personagem ficou bem de acordo com o que vimos na trilogia de filmes. Apesar dos roteiristas não terem decidido o que fazer com os anéis e qual vai ser a mitologia real, já que o Tolkien deixou tudo bem no ar, a conversa deles e as motivações de Gil Galad, Celebrimbor e do rei dos anões é a parte que mais faz sentido. Halbrand é lindo demais, virei <em>fangirl</em> imediatamente e quero fanfic na minha mesa agora, toda cena que ele aparece é ótima me deixa. Míriel linda, adorei. Isildur, a irmã e os amigos primeiro que tive zero interesse em qualquer coisa que eles fizessem, segundo que nossa, <em>será</em> que o Isildur sobreviveu lá? E finalmente porém não menos importante, Elendil: maravilhoso, incrível, tudo o que eu esperava &#8211; caracterização impecável, cara lindo, cada cena que ele aparece me lembra da magnificência dos filmes de O Senhor dos Anéis, é só olhar pra ele que eu vejo os Argonath. Perfeito.</p>
<p>A série teve um sucesso moderado, e ter saído logo junto com House of the Dragon não ajudou. Na era do hype e hate pela internet, ter colocado atores não-brancos pra variar teve resultados mistos. Os racistas odiaram muito, aí o pessoal anti-racismo caiu em cima dizendo que era tudo racismo. Aí veio a série e tem pouquíssimos personagens negros, a maioria inventados só para a série. Disa e Marigold e Míriel estão bem, mas fiquei em cima do muro sobre o único elfo negro que é o único com arco romântico e por acaso também escravizado e o Sadoc é o negro mágico, desculpa. Os fãs hardcore dos livros reclamaram tanto quanto reclamaram na época do lançamento de A Sociedade do Anel vinte anos atrás, e sobre coisas igualmente idiotas como o design das orelhas dos elfos. A crítica especializada em geral gostou do visual e reclamou do roteiro lento e dos personagens rasos.</p>
<p>A produção tinha uma tarefa difícil, que era preencher as lacunas deixadas por alguns parágrafos de exposição do Tolkien. Fizeram algumas escolhas acertadas, mas em geral achei uma série irregular com visual maravilhoso, um pouco lenta mas sem incomodar. Saber as histórias originais é um pouco triste porque fica aquele gosto de &#8220;poderia ter sido tão melhor&#8221;. Mas, como sou a nova maior fã do Halbrand, e é ele andando sexy evil overlord justamente na última cena, e como eu sempre vou consumir O Senhor dos Anéis da mesma forma que eu assisto Star Wars mesmo que só pra reclamar, eu vou sim ver de novo e vou sim ver a segunda temporada. É mais forte do que eu.</p>
<p><strong>The Lord of the Rings &#8211; The Rings of Power (2022). Showrunners: J. D. Payne e Patrick McKay.</strong></p>
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		<title>Adaptação &#124; Miss Fisher</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2015 03:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Kerry Greenwood]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[ficção histórica]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Phryne Fisher é uma detetive particular na Melbourne dos anos 20. Os livros ganharam uma série australiana com três temporadas e mais um filme alguns anos depois. Eu comecei a ler esses livros maravilhosos porque vi a série na Netflix. Já foram mais de vinte livros e todas as temporadas e o filme (tenebroso).  E [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Phryne Fisher é uma detetive particular na Melbourne dos anos 20. Os livros ganharam uma série australiana com três temporadas e mais um filme alguns anos depois.</p>
<p>Eu comecei a ler esses livros maravilhosos porque vi a série na Netflix. Já foram mais de vinte livros e todas as temporadas e o filme (tenebroso).  E quero falar do problema que tive com as adaptações que fizeram pra TV. Eu sou daquelas chatas que fica procurando falas do livro no filme (já fiz <a title="Categoria: Adaptação" href="https://adevoradoradelivros.com.br/tag/adaptacao/" target="_blank" rel="noopener">vários posts</a> reclamando de adaptações de livros queridos para o cinema, me deixa); no caso da série de TV alguns episódios foram tão doídos que resolvi ver primeiro pra ler depois. Tem funcionado. Os episódios não foram feitos na mesma ordem de publicação dos livros, e alguns livros são inclusive pulados, então teve história que eu li e não assisti e história que eu assisti e não li &#8211; e que eu li primeiro e assisti depois, e vice-versa. A minha recomendação, portanto, é assistir primeiro e ler depois. É muito mais fácil gostar do Charlie na TV em <a href="http://adevoradoradelivros.com.br/the-green-mill-murder-kerry-greenwood/"><em>The Green Mill Murder</em></a> e depois ler sobre o caso do que se desapontar com o péssimo tratamento que o irmão dele teve quando fizeram a adaptação.</p>
<p>De forma geral, gostei muito da versão para a TV: os atores são o máximo, os crimes são bem trabalhados, o figurino é excelente e a música dá bem o clima. Essie Davies é uma Phryne incrível e a química dela com Nathan Page (Detetive Inspetor Robinson) &#8211; que não existe no livro &#8211; deu a clichezada do &#8216;<em>will they &#8211; won&#8217;t they</em>&#8216; que acho que sempre ajuda em séries.</p>
<p>Mas o que mais senti falta na adaptação foram os jovenos da Phryne. Aparentemente em 2015 temos ainda muitos expectadores pudicos, e sequer sugerir que uma mulher solteira tenha relações com vários caras é demais para a nossa televisão retrógrada. O resultado é que ela troca olhares e flerta com vários moços, mas chega aos finalmente com menos da metade dos que ela aproveitou nos livros.</p>
<h2>Quer ver?</h2>
<p>No episódio 1 (que foi adaptado do <a title="Resenha do Livro 1" href="http://adevoradoradelivros.com.br/cocaine-blues-kerry-greenwood/" target="_blank" rel="noopener">livro 1</a>), Phryne tem um caso tórrido com um dançarino russo. Na TV, ela dá pro cara para descobrir se ele é mesmo a fim de uma outra (não fez muito sentido pra mim, mas quem sou eu né). Isso não impede que ela troque olhares interessantes com o Detetive Inspetor Robinson e me deu esperanças de que a Phryne teria vida parecida com a do livro.</p>
<p>No episódio 2 (<a href="https://adevoradoradelivros.com.br/murder-on-the-ballarat-train-kerry-greenwood/">livro 3</a>), Phryne tem um caso longo com um joveno estudante da universidade de Melbourne. Na TV, só existe uma sugestão de flerte, e Phryne diz que não vai sair co cara porque ela não dorme com suspeitos de crime (mas no livro ela não tem a menor dificuldade em fazer isso). Dito isso, como o ator que faz o joveno é bem estranho, deixamos passar.</p>
<p>No episódio 3 (<a href="https://adevoradoradelivros.com.br/the-green-mill-murder-kerry-greenwood/">livro 5</a>), é a vez de um jazzista, mas na TV ela só troca olhares, convida o cara pra jantar e recusa o bem-bom porque ele não deu as respostas que ela queria sobre o crime. No livro a coisa vai longe e ela consegue descobrir o que ela quer saber em longas conversas regadas a vinho e bourbon. O episódio foi bem sucedido na hora de descobrir o assassino, mas todo o resto da adaptação é terrível; perdeu muita coisa boa. No livro ela cruza os alpes australianos para conseguir mais pistas, e tem um romance com um personagem incrível que foi completamente alterado no episódio. Não só não teve romance nenhum, como na série o cara é um idiota fracote e covarde.</p>
<p>No episódio 4 (<a href="https://adevoradoradelivros.com.br/death-at-victoria-dock-kerry-greenwood/">livro 4</a>) Phryne finalmente consegue ação na TV: o comunista russo que ela traça no livro realmente frequenta a cama dela &#8211; até aparece os dois deitados conversando *gasp* sem camisa (mas sem mamilos polêmicos, ela está de costas pra câmera porque é uma série para famílias). Peter Comunista é um dos grandes romances dela nos livros, acho que por isso que os roteiristas deram um desconto pra ele na TV.</p>
<p>No episódio 5 (<a href="https://adevoradoradelivros.com.br/raisins-and-almonds-kerry-greenwood/">livro 9</a>) foi uma grande falta de sacanagem: no livro, ela arranja um novinho muito rico, judeu, e tem várias cenas engraçadas com a família dele quando a mãe do garoto tenta descobrir o que a Phryne quer com ele (spoiler: dar). Na série, sequer rola um beijinho. Motivo: alguém entra pela janela da casa dela bem quando eles iam tomar um vinho em frente à lareira &#8211; o que os roteiristas não fazem para manter a (semi) virtude de uma protagonista&#8230;</p>
<p>No episódio 6 (<a href="https://adevoradoradelivros.com.br/ruddy-gore-kerry-greenwood/">livro 7</a>) o ator de teatro bonitão que ela quase pega morre esmagado no palco (!). Felizmente o querido Lin é um caso mais longo e aparece em mais de um livro, então a TV teve que se contentar e ela de fato tem o romance com um chinês. Infelizmente ele obviamente é interpretado por um chinês mestiço de quinta geração que tem apenas traços asiáticos leves. O médico australiano que ela tinha arranjado em outro livro e deu um respeitoso fora nela nesse nem aparece na TV.</p>
<p>Para finalizar e não deixar o texto com doze páginas, no episódio 11 (<a href="https://adevoradoradelivros.com.br/blood-and-circuses-kerry-greenwood/">livro 6</a>) a adaptação estragou tudo. TUDO. Gente, dois. DOIS jovenos só pra ela (um cigano e um artista de circo, tá) e na TV nenhum deles aparece. É muita crueldade com a pobre Phryne. Eles inventam um romance boboca com um personagem que mal aparece no livro, mudam a história toda, eliminam todas as cenas tensas (pelo menos admitiram que violência e sexo são igualmente impróprios para menores) e fica tudo sem graça. Mas o que dói mais é a ausência dos jovenos. Primeira protagonista de livro não-pornográfico que passa a noite com dois ao mesmo tempo e isso não aparece na TV? Imperdoável.</p>
<p>E no livro ela nem faz nada com eles (naquele momento), antes que vocês venham me reclamar de impropriedades: ela só dorme entre os dois, que estão protegendo ela dos malvados.</p>
<p>Então só na matemática: em SETE episódios da TV ela dá pra TRÊS. Nos livros correspondente ela dá pra OITO. E em todos os casos são homens bonitos, afetuosos, inteligentes, e os romances dela são respeitosos e agradáveis. Ela trata todos com carinho e eles ficam maravilhados. Ela não se apaixona por nenhum deles &#8211; além da paixão no momento necessário &#8211; porque ela não precisa disso. O mais próximo que ela chega de um romance mais tradicional é com o querido Mr. Lin, um jovem chinês-australiano educado em Oxford que é o líder de uma poderosa família chinesa em Melbourne.</p>
<p>Kerry Greenwood fez de propósito. Ela escreveu uma protagonista digna da época em que a história se passa, mostrando pra gente como regredimos nos últimos 100 anos. A TV só prova o ponto dela: afora os ligeiros romances que Phryne consegue ter na série, e a &#8220;coragem&#8221; que a série tem de fazer algumas lésbicas aparecerem (mesmo que na TV elas sigam a regra de lésbica morre enquanto que no livro elas vivem feliz pra sempre), o mais revolucionário que fizeram foi trazer Essie Davis com mais de trinta anos pra fazer a Phryne.</p>
<p>Dito isso, gente morta violentamente tudo bem, então todos os assassinatos dos livros aparecem na TV &#8211; com direito a tiros, envenenamento, estupro, tortura, mumificação enquanto a vítima está viva e tudo o mais que crianças podem ver com as avozinhas à tarde.</p>
<p>Pra completar com a cereja no bolo, a série inventou o romance eterno e perfeito com o Detetive Inspetor Robinson, pra Phryne ser liberada mas não tanto assim porque no fim quer um amor perfeito monogâmico. (única coisa boa que o filme fez foi melhorar isso aí).</p>
<p>Chama o que? Machismo <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f642.png" alt="🙂" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>Então é isso. É uma série fofa que merece ser assistida. (O filme é um caso à parte que precisa de outra postagem.) Os livros são todos muito bons. A TV são tudo machistas.</p>
<p><strong>Miss Fisher&#8217;s Murder Mysteries (2012-2015) | 3 Temporadas | com Essie Davis, Nathan Page, Hugo Johnstone Burt, Ashleigh Cummings</strong></p>
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		<title>Adaptação &#124; Assassinato na Casa do Pastor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2014 13:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agatha Christie]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O segundo episódio da série da Miss Marple tropeça não na história principal, mas nos detalhes. A trama começa na casa do pastor, um Mr. Clemens de meia idade e bastante tranquilo, onde relógio é mantido adiantado para ele não se atrasar. E quando o coronel Potheroe, um chato de galocha, é assassinado no escritório [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="clear: both; text-align: left;">O segundo episódio da série da Miss Marple tropeça não na história principal, mas nos detalhes.</div>
<p>A trama começa na casa do pastor, um Mr. Clemens de meia idade e bastante tranquilo, onde relógio é mantido adiantado para ele não se atrasar. E quando o coronel Potheroe, um chato de galocha, é assassinado no escritório do pastor, as coisas ficam mais complicadas para a polícia por causa dos horários.</p>
<p>Um casal de amantes é o principal suspeito (Anne, a jovem esposa de Potheroe, e seu amante, o artista), mas quando ambos confessam o crime de forma bastante amadora, Miss Marple é obrigada a entrar em cena para dizer que Anne não estava com arma nenhuma quando entrou no estúdio porque Anne passou bem na frente do jardim de Miss Marple antes de entrar no escritório.</p>
<p>Aí começa a desnecessariedade. Todos os personagens parecem ter passados exdrúxulos, inclusive o próprio Potheroe, e a motivação de todo mundo é mudada um pouco por nenhuma razão aparente. No entanto, o episódio tem  atuações impecáveis, uma Geraldine McEwan muito da fofa e um roteiro que não deixa furos, e consegue captar a história do livro mesmo com toda a confusão dos horários.</p>
<p>O principal problema é o passado de Miss Marple. Gente, qual a necessidade disso? Simplesmente transforma a personagem em uma pessoa completamente diferente. A senhorinha solteirona típica idosa fofoqueira religiosa&#8230; amante de um homem casado no início do século 20??? Jamais! E ainda ligar isso com a resolução do crime, como se a Miss Marple só pudesse saber o que era amor desesperado se ela mesmo tivesse sentido. Péssimo.</p>
<p>E enquanto no livro a resolução do crime é bem mais para a financeira, aqui houve uma insistência no romance que não me convenceu. De qualquer forma, em geral, foi uma boa adaptação de um dos meus livros favoritos que eu recomendo pra qualquer amante da Agatha Christie que curta uma boa Miss Marple. Juntando tudo, consegue ser até melhor que a outra adaptação da década de 80, com grande elenco e personagens mais próximos do livro.</p>
<p>Murder at the Vicarage | episódio da série Marple S1E2 | 2004 | com Geraldine McEwan, Tim McInnerny, Rachael Stirling, Janet McTeer, Derek Jacobi, Miriam Margolyes, Jason Flemyng</p>
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		<title>Adaptação &#124; Um Corpo na Biblioteca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jan 2014 19:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agatha Christie]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Miss Marple recebe uma repaginada na história de assassinato de duas jovens por motivos de ganância. Nessa adaptação de Um Corpo na Biblioteca, Geraldine McEwan faz o papel da senhorinha detetive amadora numa pequena cidade da Inglaterra, alguns anos depois da Segunda Guerra Mundial. A história segue os mesmos pontos iniciais do livro &#8211; loira [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>Miss Marple recebe uma repaginada na história de assassinato de duas jovens por motivos de ganância. Nessa adaptação de Um Corpo na Biblioteca, Geraldine McEwan faz o papel da senhorinha detetive amadora numa pequena cidade da Inglaterra, alguns anos depois da Segunda Guerra Mundial.</div>
<p>A história segue os mesmos pontos iniciais do livro &#8211; loira platinada é encontrada na biblioteca do Coronel Bantry; Mrs. Bantry empurra Miss Marple para descobrir as coisas; a loira era dançarina em um hotel de luxo; família rica com um patriarca inválido é central para a trama. As diferenças ocorrem de forma esperada de início: os atores são todos lindos maravilhosos e não se parecem nem um pouco com pessoas normais, o roteiro tem que mexer um pouco aqui e ali pra caber na TV; enfim, normalidade. Nesse ponto, pra mim, foi interessante tanto pela comparação quanto pelas participações especiais (Jack Davenport faz o superintendente, por exemplo). A adaptação é bem feita, sem muitos furos na história, o que para um filme baseado em Agatha Christie é um feito por si só, e nem diferenças gritantes, que fazem com que a história perca o charme.</p>
<p>Só que aí chega no final.</p>
<p>Tem que ser muito bom roteirista pra conseguir fazer direito uma história da Agatha Christie. Tentar mudar o final, e mudar quem é o assassino, deveria ser crime real oficial. Só que esse episódio tem o agravante da <em>representatividade</em>. Mas que saco que toda vez que me aparece lésbica elas tem que acabar mal. Além de ser uma história que só consegue fazer sentido com vários flashbacks, ainda me colocam trilha sonora e montagem que dá a impressão de que elas sofreram muito com o amor proibido delas. Só não esquece que esse amor lindinho fez elas estrangularem uma menina de dezesseis anos e jogarem outra num carro e tacar fogo. Romântico.</p>
<p>Um bom passatempo se você não se enfurece com esse tipo de coisa.</p>
<p>Um Corpo na Biblioteca (Agatha Christie Marple: The Body in the Library) [S1E1] &#8211; 2004 | de Andy Wilson | Com Geraldine McEwan, Ian Richardson, Tara Fitzgerald</p>
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		<title>Série &#124; O Poder das Trevas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jul 2013 16:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Ursula K. le Guin]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu queria só lamentar pra todo o sempre que esse lixo tenha existido. Claro que muitos livros são adaptados pro cinema e quase nenhum autor tem liberdade pra auxiliar na produção. Isso faz com que os filmes sejam cortados e mudados. Mas depois de termos visto o primor de Peter Jackson com O Senhor dos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu queria só lamentar pra todo o sempre que esse lixo tenha existido. Claro que muitos livros são adaptados pro cinema e quase nenhum autor tem liberdade pra auxiliar na produção. Isso faz com que os filmes sejam cortados e mudados. Mas depois de termos visto o primor de Peter Jackson com O Senhor dos Anéis, e o cuidado com a produção dos quatro Jogos Vorazes, fica claro que <em>é possível</em> fazer adaptações boas! E Terramar merecia algo minimamente digno.</p>
<p>A questão com essa incapacidade humana que é &#8216;O Poder das Trevas&#8217; é que é tudo <strong>muito</strong> ruim! Não é só questão de mudar TOTALMENTE tudo o que estava no livro, e quando eu digo tudo é TUDO. É também questão de que a série é <strong>péssima. </strong>Isso não devia ter sido pensado, escrito, produzido nem exibido! Eu fico realmente na dúvida achando que os produtores e roteiristas e diretores tinham algo pessoal contra a autora. Não é possível!</p>
<p>O filme começa com Ged na sua ilha natal, com uma minazinha que é sua namorada, sonhando em ser um mago, reclamando do pai que obriga ele a ser ferreiro. Quem faz ele é Shawn Ashmore que só foi relevante sendo o homem de gelo do X-Men pelo motivo simples de que ele é um péssimo ator. Daí aparece o Danny Glover meio do nada, como sendo o mestre mago de Ged, Ogion, e Ged lê um livro proibido em voz alta, e Ogion manda ele pra Roke, na escola dos magos. Até aí o Ged é só um moleque mala mimado que se acha e não faz nada de útil além de uma neblina idiota. É importante lembrar que esse lixo foi feito <em>depois</em> do Senhor dos Anéis. Não tem desculpa nenhuma pra cena da neblina ser tão estúpida.</p>
<p>Na escola, Ged fica inimigo do branco rico de sotaque britânico Jasper e amigo de um gordinho simpático alvo de todas as piadas gordofóbicas Vetch. Ged continua sendo um idiota, fazendo perguntas imbecis que o roteiro coloca pra tentar dar um pouco mais de substância à magia do filme (ou, como eles falam, &#8220;<em>wIzARd PoWEr</em>&#8220;). Ged cai na provocação do Jasper, traz um espírito de uma princesa branca e liberta um monstro que é o pior CG da história. O bichinho pula na cara de Ged e dá um arranhãozinho de nada na bochecha dele antes de sumir.</p>
<p>Enquanto isso, em Atuan, num convento onde as mocinhas protegem as chaves do labirinto onde todos os ouros monstrengos são mantidos, a sacerdotisa Thar está doente e tem que escolher sua sucessora. Tenar, a Kristin Kreuk se achando a maior atriz da geração, <em>tem a melhor nota na prova de sacerdotisa </em>e é escolhida em vez de Kossil; Kossil sendo a segunda no comando que está secretamente dando pro rei malvado. Apesar de Tenar ser a que fez o melhor TCC da universidade de sacerdotisas, ela acha que não é boa o bastante para ser <em>reitora. </em>Enquanto isso Kossil escolhe a menina mais burra da face da terra pra envenenar o chá da Thar falando que é <em>remédio</em>. O plano de Kossil e do rei é libertar os monstros e aprender a imortalidade com eles, então Kossil precisa: enfraquecer Thar pra fazer ela escolher uma sucessora e se certificar que Thar escolha Kossil como sucessora pra daí contar pra Kossil o &#8220;encantamento de soltar os monstros&#8221;. Tá vendo, a história sozinha não se sustenta, é só ideia lixo.</p>
<p>Durante todo esse tempo, Ged e Tenar sonham um com o outro e o rei malvado fica andando em vários navios de figurino de papelão dizendo que precisa encontrar o mago da profecia pra poder matar o mago. O tempo todo os personagens estão mencionando nomes relevantes do cenário mas de forma completamente inconsistente, numa hora eles falam de Roke como sendo algo que todo mundo conhece, depois falam de Havnor e o rei malvado não sabe do que se trata, a magia nunca é definida e os magos são completos inúteis.</p>
<p>Daí eles vão até uma ilha com um dragão totalmente aleatório, inexplicável e burro. O tipo de piada genial: Se eles souberem o nome verdadeiro do dragão ele vai responder três perguntas! Ged chuta o nome e acerta. O dragão diz &#8220;você tem duas perguntas&#8221;, e Ged &#8220;mas não era três&#8221; e o dragão ri e fala &#8220;justamente, agora que você me perguntou essa, você tem só duas&#8221;. O dragão responde umas quatro perguntas e fala que Ged precisa ir até Atuan achar &#8220;a runa da paz&#8221;, solta uma charada infantil e vai embora. Vetch e Ged passam por Roke que foi dominada pelo rei malvado, o arquimago que jamais morreu explica que o amuleto quebrado que a &#8220;tia&#8221; do Ged deu pra ele na verdade é metade da runa da paz! Oh!! E agora ele precisa ir pra Atuan que é muito perigoso pra achar a outra metade e juntar a runa. Porque sim. Chegam até Atuan, e Ged é preso imediatamente porque ele é um mago inútil. Ele encontra Tenar e tem aquele momento &#8220;eu sempre sonhei com você&#8221;. Eles vão até o centro do labirinto e soltam os bichos e o rei morre e eles juntam o &#8220;wizard power&#8221; de Ged com o poder da fé de Tenar, refazem o amuleto, sai uma luz pelo mundo e fim da história. E eles se beijam e o Danny Glover fala que o que aconteceu depois &#8220;é outra história&#8221;.</p>
<p>O filme é só um amontoado de todos os clichês do planeta, com atuações pífias, diálogos de passar vergonha, efeitos inaceitáveis. Isabella Rosselini pelo amor de tudo o que é mais sagrado o que você fez pra merecer isso. Danny Glover só podia estar sendo ameaçado por agiotas. Esse lixo não serve pra absolutamente nada e quem não leu os livros e diz que &#8220;ah mas até que dá pra se divertir&#8221; não tem a menor habilidade de interagir com entretenimento. O gordo é alvo de piada, a gostosa malvada dá muito enquanto a bonitinha boazinha é virginal, a idosa é burra e passa a história sendo vítima de envenenamento sem conseguir decidir nada além de &#8220;prendam eles e depois eu penso&#8221;, o nobre inglês branco é vilanesco, o rei malvado quer matar todo mundo e ficar imortal. As pinceladas que eles dão sobre nome verdadeiro, magia do equilíbrio, união de luz e sombra ficam só perdidos entre tanto clichê lixoso.</p>
<p>Se eu for começar a falar as diferenças entre livros e essa calamidade, não acabo nunca mais, mas pra constar vou falar pelo menos algumas, ou as mais revoltantes.</p>
<p>Todos em Terramar tem um <em>vulgo</em> que é o nome pelo qual são conhecidos. E todos em Terramar tem um nome secreto que só é contado para pessoas muito próximas porque esse nome tem poder. Gavião é o nome pelo qual o protagonista é conhecido justamente por ser um mago que se diverte se transformando em pássaro. Ged é o nome que Ogion dá pra ele na sua cerimônia de passagem pra vida adulta. E no filme eles trocam e Ged é o vulgo dele e Gavião é o nome verdadeiro. Parece mesmo que foi só pra irritar.</p>
<p>Ged e Tenar NUNCA tiveram um envolvimento romântico na época em que se conheceram, em Atuan. Tenar NUNCA foi parte de um &#8220;convento&#8221; cheio de menininhas rezando pela luz, como é mostrado no filme. Ela era sacerdotisa de um templo decadente e sombrio que louvava deuses antigos. Ela era a sacerdotisa mais importante e única, nunca teve ninguém competindo com ela.  O &#8220;domínio&#8221; dela era uma caverna onde luz era proibida e um labirinto de onde não se conseguia sair sem as instruções. Kossil era uma sacerdotisa de outro templo que era uma chata futriqueira descrente que atrapalhava a vida da Tenar. Tenar que inclusive teve o nome retirado dela durante o livro todo e só foi devolvido num momento importantíssimo.</p>
<p>Agora ao principal motivo de reclamação da própria autora: no livro, <strong>os personagens não são brancos</strong>. Ged tem pele marrom-avermelhada. Ogion é preto retinto. Vetch marrom escuro. Todos no arquipélago tem pele escura, vermelha, cor de cobre, amadeirado escuro. O único lugar onde as pessoas são brancas é no império Kargad, onde eles tem &#8220;pele branca e cabelo amarelo&#8221;. Eles também são teocratas fanáticos escravistas que não acreditam em magia. Interessante, não?</p>
<p>E aí os produtores dessa mini-série tenebrosa decidiram colocar Ged não só branco, mas LOIRO. E o único personagem negro do filme é o ancião respeitável <em>aka</em> negro mágico. E quando a autora reclamou, o pessoal da produção disse que &#8220;o público da tv é outro, ninguém vai nem reparar&#8221;. O nível de racismo é sem igual. Aliás, a autora foi TÃO sacaneada na hora de comprarem os direitos para a adaptação que ela ficou traumatizada pra sempre. Nunca mais quis que adaptassem nada. Os caras mentiram pra ela na maior, dizendo que a Philippa Boyens estava envolvida no projeto só pra autora ser convencida a assinar o contrato (e depois a Philippa nem tava); e o diretor dando entrevista que a autora tinha aprovado tudo mas ela nunca tinha sido consultada.</p>
<p>Pra continuar. O rei malvado não existe no livro. Os monstrengos não são monstrengos, são entidades de pura sombra que querem destruir a vida e a luz. Eles não tem forma e não tem nome. Em alguns lugares de Terramar, os homens idolatram esses seres, mas eles não são deuses e não atendem preces. Ged realmente &#8216;desperta&#8217; um ser maligno, mas este ser nada mais é do que a representação negativa do próprio Ged. Eu me recuso a falar sobre o dragão. No fim, quando Ged fica frente a frente com essa sombra, o nome que ele pronuncia é o dele mesmo, e a sombra se une a ele, fazendo dele um ser completo. No filme, a sombra vira um Voldemort imbecil falando de poder e vida eterna e se transforma em quem quiser, inclusive no pai do Ged choramingando &#8220;por que você não gosta de mim&#8221;. No segundo volume dos livros, Ged vai até Atuan para buscar a outra metade do amuleto de um mago ancestral, que se quebrou durante uma batalha. Metade do amuleto ficou no tesouro das Tumbas de Atuan. A outra metade Ged recebeu de uma idosa abandonada quando criança numa ilha deserta pelos familiares de família real Kargad. No filme, a metade de Atuan estava o tempo todo na chave que a Tenar carregava pra todo lado.</p>
<p>É tudo alterado pra ficar mais idiota, e o resultado é um roteiro sem pé nem cabeça, mal alinhado, sem graça, arrastado e chato. É a maior pena do mundo que uma obra tão sensacional e única como os livros tenham virado um aglomerado <em>genérico </em>e <em>racista.</em></p>
<p><span style="color: #674ea7;">The Legend of Earthsea (2004) </span><span style="color: #674ea7;">Mini-série de 2 episódios; de Robert Lieberman, com Shawn Ashmore, Kristin Kreuk, Isabella Rosselini, Danny Glover</span></p>
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		<title>Adaptação &#124; Um Gato Entre os Pombos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Apr 2013 17:56:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agatha Christie]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Livro Publicado em 1959, a trama gira em torno de misteriosos assassinatos de professoras num exclusivo colégio para garotas na Inglaterra, envolvendo também uma revolução no Oriente Médio, uma princesa estrangeira e um punhado de rubis valiosos. Como já disse várias vezes, o que eu mais gosto nesse livro é a narrativa que parte [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h4>O Livro</h4>
<p>Publicado em 1959, a trama gira em torno de misteriosos assassinatos de professoras num exclusivo colégio para garotas na Inglaterra, envolvendo também uma revolução no Oriente Médio, uma princesa estrangeira e um punhado de rubis valiosos. Como já disse várias vezes, o que eu mais gosto nesse livro é a narrativa que parte de múltiplos pontos de vista, especialmente o de Julia Upjohn, uma estudante, e da Miss Bulstrode, a diretora da escola.</p>
<h4>O Filme</h4>
<p>Filmado em 2008, é mais um dos episódios da famosa série de TV que tem David Suchet como Hercule Poirot. Para os pottermaníacos, uma das garotas coadjuvantes é a Cho! O mistério é bem feito, o motivo do Poirot estar lá no meio é inteligente, o assassino não é óbvio. Com certeza, um dos melhores episódios da série que eu vi até agora.</p>
<h4>Filme x Livro</h4>
<p>Eu gostei muito da adaptação que fizeram. Como sempre, na série, eles arranjaram um jeito de Poirot estar na cena do crime desde o início &#8211; enquanto no livro o que acontece é que a garota Julia vai até a casa de Poirot com as jóias para contar o que aconteceu, no filme fizeram Poirot ser um grande amigo da diretora da escola, Miss Bulstrode, que pede que ele fique um tempo com ela para ajudá-la a escolher uma sucessora quando ela se aposentar.</p>
<p>Ao contrário de outros episódios, achei que essa justificativa para o Poirot estar lá não ficou ruim, não. Já deixou claro um dos motivos dos crimes, que é a sucessão da Miss Bulstrode, e deu a chance para o Poirot estar sempre no meio da ação.</p>
<p>As atrizes que fazem as garotas e as professoras são excelentes &#8211; Miss Grinch extremamente desagradável, Miss Rich adequadamente adorável e Harriet Walter, uma consagrada atriz inglesa, está excelente como Miss Bulstrode.</p>
<p>O mistério é bem construído e as reviravoltas são bem pensadas, dando ao filme um caráter independente e ao mesmo tempo sendo uma excelente adaptação da obra de Agatha Christie.</p>
<p>Cat Among the Pigeons (2008) &#8211; Agatha Christie&#8217;s Poirot S11 E2 | de James Kent | roteiro de Mark Gatiss | com David Suchet, Harriet Walter, Susan Wooldridge, Claire Skinner, Amanda Abbington</p>
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		<title>Adaptação &#124; The Next Witness</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 14:36:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Rex Stout]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Livro The Next Witness é um conto de Rex Stout sobre Nero Wolfe que aparece na coletânea de contos Three Witnesses.  Junto com The Cop Killer, esse é um dos meus contos favoritos. Wolfe, um detetive gordo, orgulhoso, rico e gênio, que detesta mulheres e nunca sai de casa, é chamado para depor no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h4><b>O Livro</b></h4>
<p>The Next Witness é um conto de Rex Stout sobre Nero Wolfe que aparece na coletânea de contos <i>Three Witnesses.  </i>Junto com <i>The Cop Killer, </i>esse é um dos meus contos favoritos. Wolfe, um detetive gordo, orgulhoso, rico e gênio, que detesta mulheres e nunca sai de casa, é chamado para depor no tribunal no caso contra Leonard Ashe, um cliente que ele recusou alguns meses antes.</p>
<p>Sem escolha, Wolfe e seu ajudante Archie Goodwin vão até o julgamento, mas durante a sessão Wolfe resolve que é tudo uma palhçada porque Ashe nunca poderia ser culpado. Então ele simplesmente levanta e sai.</p>
<p>Só que ele não pode voltar pra casa, onde provavelmente já tem um carro de polícia esperando por ele, e não pode voltar pro tribunal, ou será preso: ele está &#8220;in contempt of court&#8221; e é um criminoso por ter ignorado uma ordem judicial.</p>
<p>Então ele resolve investigar o assassinato de Marie Willis, telefonista, e dar um jeito de fazer com que Ashe, que está sendo acusado de matá-la, seja inocentado; tudo isso sem o seu amado escritório e suas orquídeas, sem seu chef internacional servindo as refeições e com a polícia atrás dele.</p>
<p>Eu gosto desse conto porque coloca Wolfe em situações inusitadas; porque Archie está em sua melhor forma; porque conhecemos a casa de Saul e porque a performance de Wolfe no julgamento é impagável.<br />
Uma história rápida, eficiente, divertida e inteligente.</p>
<h4><b>O Filme</b></h4>
<p>Mais um episódio da série A Nero Wolfe Mystery, que foi ao ar no início dos anos 2000. A série usa um artifício comum às antigas séries policiais, onde os detetives continuavam os mesmos mas os coadjuvantes eram o mesmo grupo de atores que se revezava para pegar os papéis. Por exemplo, o Lon Cohen de um episódio é o mesmo ator que foi Saul Panzer nesse.</p>
<p>Isso não atrapalha de modo algum. O que atrapalha é a atuação de Maury Chaykin. No outro post sobre essa série eu falei que era fácil ser Wolfe. Aparentemente eu estava errada. Na primeira parte da história, quando eles vão investigar as garotas telefonistas, Wolfe parecia afobado e gritava as perguntas. Não me convenceu: naõ achei intimidador, só achei forçado. As coisas se resolveram quando eles foram para o campo e ator voltou a parecer Nero Wolfe, fazendo perguntas concisas com um ar de quem não está se importando com a resposta. Timothy Hutton fez o que pôde, mas Chaykin, na minha opinião, errou a mão nesse episódio e Wolfe ficou com cara de palhaço.</p>
<p>O elenco de apoio é bom, como sempre, e a não ser pela ambientação do tribunal, onde Wolfe jamais poderia sair sem ninguém perceber, o episódio é interessante.</p>
<h4><b>Filme x Livro</b></h4>
<p>Esse eu não gostei. Helen Weltz estava muito bem, eu admito, e achei o melhor da história, mas Bella Verardi, a chefe das telefonistas, Robina Keane, a atriz, e o próprio Wolfe não me convenceram.<br />
O diálogo entre Verardi e Wolfe no começo é de doer: ambos os atores parecem saber o que o outro vai perguntar na próxima frase e, mesmo que a atitude dela fosse compreensível, a de Wolfe não era. Ele não pareceu surpreso ou incomodado &#8211; teve inclusive que falar para Archie: &#8220;estou surpreso&#8221;.</p>
<p>Acho que para quem nunca leu o conto isso não faria tanta diferença, já que o episódio, como um todo, é compreensível, mas esse diálogo no livro é muito mais interessante: Wolfe faz perguntas que qualquer detetive particular faria e que qualquer pessoa se recusaria a perguntar &#8211; ele não estava sendo agressivo, como no episódio &#8211; e Bella Verardi estava respondendo como uma garota que esperava as perguntas e sabia exatamente como responder. Ou seja, tanto Wolfe quanto Archie ficaram surpresos. Mas na série isso não fica claro.</p>
<p>Robina Keane é outro problema. No livro, ela desde cedo aceita a sugestão de Wolfe e sempre parece preocupada com o marido. Mas na série ela está distante e dissimulada, como que para deixar uma grande dúvida no espectador. Eu sei, eu sou chata. Mas é um dos meus contos favoritos e não gostei da adaptação; está anos luz à frente de algumas heresias que vemos aí no cinema, porém o episódio não me convenceu e não tem o mesmo <i>feeling</i> do livro.</p>
<p>Uma pena.</p>
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		<title>Adaptação &#124; Aranhas de Ouro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Oct 2011 00:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Rex Stout]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Livro Aranhas de Ouro, Rex Stout &#8211; 1953 Nero Wolfe e Archie andaram brigando por coisa nenhuma, como sempre, e quando um limpador de janelas de farol toca a campainha dizendo ter um caso para o gordo detetive, Archie resolve colocar o garoto pra dentro só para irritar seu chefe. Entra Peter Drossos, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h4>O Livro</h4>
<p>Aranhas de Ouro, Rex Stout &#8211; 1953</p>
<p>Nero Wolfe e Archie andaram brigando por coisa nenhuma, como sempre, e quando um limpador de janelas de farol toca a campainha dizendo ter um caso para o gordo detetive, Archie resolve colocar o garoto pra dentro só para irritar seu chefe.</p>
<p>Entra Peter Drossos, que diz que, quando estava limpando janelas no farol, uma moça dentro de um carro pediu ajuda formando com os lábios as palavras &#8220;socorro, chame a polícia&#8221;. Drossos é muito esperto e quer dividir a recompensa caso a moça tenha sido morta e a coisa toda se transforme num caso. A moça estava usando brincos de ouro em forma de aranha.</p>
<p>Wolfe a princípio só fala com o garoto para irritar Archie, já que este tinha um compromisso com os amigos e terá de ficar em casa fazendo anotações durante a &#8216;entrevista&#8217; com o garoto. Os dois levam a coisa na brincadeira, até que Drossos é morto atropelado, aparentemente pelo mesmo carro onde ele havia visto a mulher.</p>
<p>Começa então mais uma das investigações em que Wolfe é levado ao trabalho muito mais pelo seu orgulho do que pela espera de um bom pagamento &#8211; afinal, Peter Drossos, além de ser uma criança, comeu biscoitos em seu escritório e era portanto um hóspede. Wolfe não gosta que mexam com seus hóspedes. Archie, seu secretário e assistente, é enviado, junto com os detetives free-lancers Saul, Orrie e Fred, para descobrir o que há para ser descoberto sobre o estranho caso da moça de brincos de aranha.</p>
<p>Um dos livros satisfatórios do autor, onde o humor e as tiradas inteligentes de Archie complementam uma história bem feita e um final bem amarrado. Um dos melhores do gênero policial.</p>
<h4>O Filme</h4>
<p>The Golden Spiders &#8211; A Nero Wolfe Mystery &#8211; TV Movie (2000) | de Bill Duke, com Timothy Hutton e Maury Chaykin.</p>
<p>Produzida por Timothy Hutton, essa série de TV foi aclamada por crítica e público. O primeiro episódio, piloto, foi a adaptação do livro de Rex Stout &#8220;Aranhas de Ouro&#8221;. Nele, Archie e seu gordo chefe Nero Wolfe tem de descobrir quem matou um mero limpador de janelas de farol, que aparentemente havia visto algo muito sério relacionado a um crime ocorrido logo antes.</p>
<p>A investigação leva Archie e seus colegas Saul, Fred e Orrie para o centro de um esquema de chantagem envolvendo imigrantes ilegais que testará as habilidades de todos eles.<br class="yoast-text-mark" />&gt;Inteligente, divertido e de bom ritmo, o &#8216;filme&#8217; (pois o episódio tem quase 1h40 de duração) é muito agradável de se ver &#8211; os atores estão claramente se divertindo, a ambientação dos anos 40 é um primor e as mulheres são fatais como deveriam ser.</p>
<p>Recomendado.</p>
<h4>Livro x Filme</h4>
<p>Após algumas tentativas fracassadas de adaptações para o cinema, o próprio autor dos livros desistiu de ver um dia seus personagens na tela grande. Mas foi após sua morte que o que parecia impossível foi alcançado.</p>
<p>O resultado foi uma série decente, que se atém à ambientação dos livros e contou com a participação de atores muito talentosos. Na minha opinião, é fácil ser Nero Wolfe. Seja gordo, prepotente, tenha presença e fale difícil e pronto, o personagem está feito.</p>
<p>Mas Archie Goodwin é outra história. É ele que segura as pontas em qualquer narrativa: ele é tudo o que Watson gostaria de ser, pois dá vida e graça a eventos que sempre são dos mais trágicos. Timothy Hutton, felizmente, captou perfeitamente a personalidade de Archie, e sua atuação é essencial para fazer com que o filme funcione.</p>
<p>Quanto à história, é o sonho de qualquer adaptação: o roteiro está totalmente na tela, os cortes são poucos, os diálogos foram passados quase ao pé da letra sem perderem sua essência nem graça e o assassinato é resolvido quase cena a cena.</p>
<p>Uma das melhores adaptações de um livro que eu já vi. Mas posso esperar para ver os outros episódios da série.</p>
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