Filme | A Bela e a Fera (1991)

Bela é uma moça que vive numa aldeiazinha com seu pai inventor meio maluco. Quando ele sem querer enfurece um monstro que vive num castelo das vizinhanças e é preso, Bela se oferece para ficar no lugar dele, sem saber que o monstro é na verdade um príncipe encantado.

Vivendo no castelo da Fera, Bela fica amiga dos objetos falantes – o candelabro e o relógio, e o bule, e a xícara – e aos poucos vai percebendo que a Fera não é tão ruim assim. Enquanto isso, os aldeões se armam contra a Fera maligna para destruir essa ameaça.

Esse filme é bem nostálgico pra mim, já que cresci assistindo e a Bela é uma das minhas princesas Disney favoritas – ela gosta de ler e tal – mas não tem como não achar a história problemática.

Podem me chamar de feminista chata – sim, sou os dois – mas vamos combinar? Ela é presa pelo cara, ele grita com ela, tranca ela no quarto, soca a porta, impede a jovena de ver a família = relacionamento abusivo, pra dizer o mínimo. Ele tenta agradá-la com roupas lindas e uma biblioteca. E depois explode de novo e “estraga tudo”, de acordo com os ansiosos objetos/empregados. Aí rola o salvamento dos lobos, o romance adaptado para menores e a redenção, mas o estrago já está feito: ele já fez besteira, já pediu desculpas e já fez de novo, formando o ciclo eterno.

Eu li outro dia que a história era sobre ser diferente e ser aceito, já que a Bela é uma metida a intelectual que não é aceita na aldeia onde ela mora e a Fera inclusive se isolou do mundo por não ser acolhido, e quando os aldeões vão lá acabar com ele rola aquela tristeza do tipo “eu desisto de viver porque ninguém me quer” e ela salva ele no final não necessariamente porque o ama mas porque mostra pra ele que ele não está sozinho e tal. É uma outra interpretação, ué.

E longe de mim cobrar DA DISNEY fidelidade à história original, mas né. A pegada era: ele é feio por fora mas POR DENTRO ele é bom. A história era sobre não ir pelas aparências, mostrando que mesmo alguém que parece um monstro pode ter um bom coração. A Bela aceita casar-se com ele ANTES de ele virar humano de novo – ou seja, foram as ações BOAS dele que fizeram com que ela quisesse estar com ele mesmo ele em forma de monstro. Em momento algum ele foi nojento com ela – pelo contrário, ele sempre foi o maior dos cavalheiros.

A história mudada da Disney trocou tudo de lado, pra variar, e mostrou a Bela como sendo uma mulher forte e decidida, sim, mas que foi obrigada a sofrer violências na mão do cara até que ela GENTILMENTE mostrou a ele como se faz…

É um filme muito bonito, as músicas são ótimas, e eu adoro tudo dele – mas crescer achando que esse relacionamento é o protótipo do ideal não faz bem pra ninguém.

Beauty and the Beast (1991). De Gary Trousdale, Kirk Wise. Com as vozes de Paige O’Hara, Robbie Benson, Angela Lansbury.

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