O Livro
Män som hatar kvinnor (Os Homens que Odeiam as Mulheres) é um livro escrito pelo jornalista sueco Stieg Larsson.
A história acompanha dois personagens principais, a hacker problemática Lisbeth Salander e o jornalista de meia idade Mikael Blomkvist, durante a investigação de um caso peculiar: um senhor de idade, patriarca de uma família abastada, quer que encontrem sua sobrinha, que desapareceu há trinta anos. Enquanto eles trabalham num caso que fica a cada dia mais sinistro, o relacionamento dos dois vai também ficando mais pesado.
Esse livro me incomodou. Não só pela lerdeza no meio dele – eu, que gosto de policiais rápidos e faceiros, não consegui me acostumar com um policial sério – mas também pelo peso das relações entre os personagens. Em geral, achei que o livro é super-valorizado, e preciso mais do que cenas pesadas de violência e abuso para me impressionar com algo, mas não vou dizer que não me diverti.
O suspense em si é bem construído, a Lisbeth me irrita mas eu entendo o charme dela para o grande público, e Mikael tenta ter profundidade mas não consegue: ele é só um cara de meia idade que ainda consegue pegar todo mundo.
É fato que a história melhora com os outros livros da série. Não recomendo o livro para os que tem estômago mais sensível. Para os que curtem policiais com boas tramas e algo de violência, o livro é uma boa.
O Filme
Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (The Girl With the Dragon Tattoo) – 2011
de David Fincher, com Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgard, Robin Wright.
O elenco impecável e a trama movimentada fazem desse um excelente filme policial. As cenas de violência e estupro não agradarão os espectadores mais sensíveis, mas o conjunto da obra não desaponta. Christopher Plummer como o patriarca rouba a cena, claro, mesmo a história não sendo a respeito dele.
O jornalista bonitão Mikael Blomkvist está no fundo do poço depois que fez uma notícia falsa sobre um empresário corrupto. Sem ter para onde ir com a carreira, acaba aceitando o trabalho oferecido a ele pelo patriarca da excêntrica família Vanger. O velho quer que ele finja escrever suas memórias enquanto tenta descobrir o que aconteceu com sua sobrinha, desaparecida anos antes.
Para isso, o jornalista conta com a ajuda da estranha hacker Lisbeth Salander, que tem seus próprios traumas e um jeito diferente de encarar as coisas.
O que faz o filme funcionar é a excelente química entre os dois protagonistas e o bom jogo de câmera para mostrar passado x presente na trama, que de outra forma ficaria paradona. Lá pelo meio do filme ele passa de drama para thriller policial, com resultados igualmente interessantes.
Livro x Filme
Eu não assisti a versão sueca mas achei a americana bastante decente. Colocar o Daniel Craig como Mikael certamente resolveu todos os meus problemas com ele, já que o ator não precisa fazer nada para ser atraente às mulheres e eu achava isso meio forçado no livro. A trama também foi enxugada e o fim alterado, para que os leitores pudessem ao menos ter uma supresinha. Mas fora isso, as coisas ocorrem da forma que são contadas no livro – com direito ao estupro de Lisbeth e tudo – e de forma geral o filme é uma ótima adaptação.
O clima da história foi preservado, e as cenas do passado devidamente caracterizadas só fazem o suspense ficar melhor.
Enfim. Um bom livro, com alguns problemas, que gerou um filme ainda melhor por eliminar os espaços vazios e entediantes no meio da investigação de Mikael e por colocar atores primorosos como protagonistas.
Excelente texto! Sabes aonde encontro o livro em português? 🙂
Oi, Thiago!O livro em português você deveria achar em qualquer livraria… Se não, é só checar se a livraria Saraiva entrega na sua cidade/bairro.Obrigada pelo comentário!