The Potter’s Field | Ellis Peters

Um campo de oleiro passa das mãos de um nobre para a possessão da Abadia de São Pedro e São Paulo, na Shrewsbury do século XII. O próprio oleiro é um homem de meia idade que ouviu o chamado de Deus e se dedicou ao clero, deixando para trás sua profissão, seu campo e sua enraivecida esposa alguns anos antes.

Quando os empregados da abadia vão arar o campo recém adquirido, descobrem o restos mortais de uma mulher desconhecida.
Cadfael, o monge ex-cruzado, ex-marinheiro que agora é responsável pelo herbário da abadia, fica intrigado com a situação: a mulher fora enterrada com cuidado e certa religiosidade, pois o corpo havia sido colocado em posição de caixão e ela tinha uma cruz de madeira sobre o peito.
O abade Radulfus e o xerife Hugh Beringar tentam descobrir a identidade da mulher, por mais difícil que isso possa ser, já que o corpo não possuía nada que a identificasse além de longos cabelos negros e um vestido simples.

A primeira e principal suspeita recai sobre o oleiro Ruald, que deixou sua esposa Generys para trás quando largou o mundo para entrar na igreja. Mas Generys estava raivosamente viva quando Ruald entrou no clero, e após isso os movimentos dele estavam sob os olhos do prior e do abade, que dizem que ele não teria tido oportunidade de voltar à sua casa para fazer mal a ex-esposa.

O próprio Ruald sente muito que ele não possa ajudar em nada, e sua única culpa é a de ter deixado Generys tão na pior: se ele tivesse morrido e deixado a mulher viúva, ela ainda poderia ter se casado novamente. Mas o que ele fez foi deixá-la sem marido e incapaz de se casar com outro.

Enquanto isso, a luta pela coroa inglesa entre o Rei Stephen e sua prima Imperatriz Maud continua, e os lordes regionais aproveitam a confusão para aumentar suas próprias terras. Num desses ataques traidores, um dos ex-vassalos do rei Stephen ataca um mosteiro, jogando todos os monges pra fora e estabelecendo ali uma base militar. Desesperados, os monges enviam emissários às redondezas, para pedirem ajuda e avisarem do perigo. Um desses emissários é Sulien Blount, um jovem postulante do mosteiro atacado, que volta à sua região natal de Shrewsbury também para poder dar uma olhada na família que deixou para trás.

Família essa que era a antiga dona do campo do oleiro. Sulien inclusive vivia indo à casa de Ruald quando pequeno, e quando descobre que seu velho amigo é suspeito de ter matado a esposa, ele se apressa para vir ao xerife com um anel de prata pertencente a Generys, e uma história de fuga dela com um homem para escapar dos atacantes da região. Generys viva fugindo para o país de Gales não pode ser Generys enterrada no campo do oleiro, e o xerife e seus homens são obrigados a procurar outro suspeito e outra identidade para a morta.

Felizmente, com a ajuda de Cadfael, eles encontram logo um excelente candidato: um mercador ambulante, que tinha uma namorada bonitona de longos cabelos negros que fazia malabarismos na praça para entreter os participantes da Feira de São Pedro. Ele voltou à feira no ano seguinte, mas a namorada não. Alcançado pelos homens do xerife, o desesperado mercador não parece ter respostas que possam ser comprovadas sobre o paradeiro da mulher, chamada Gunnild.

E pouco tempo depois a própria Gunnild aparece para o xerife, provando que está viva e bem e que qualquer acusação ao mercador não pode ser sustentada. Curioso diante de uma aparição tão conveniente, Cadfael faz uma pequena investigação, só para descobrir que foi o jovem Sulien quem se deu ao trabalho de descobrir onde estava Gunnild. Que ele saísse do seu caminho para tentar inocentar um velho amigo como Ruald, todos vêem a justificativa. Já para salvar um mercador que ele nunca viu na vida as razões dele parecem menos claras e deixam o rapaz com uma aparência de culpa inegável.

Mesmo assim, será preciso muito mais do que investigação dos fatos e das provas (e que provas, com um corpo enterrado há mais de ano?) para que Cadfael e o xerife Hugh possam descobrir quem é a moça enterrada e como ela morreu.

E olha. Eu gostei. Gostei do desfecho, gostei dos personagens. Gostei da história. Mas não dá pra negar que falta alguma coisa. Talvez falte o frescor e originalidade das primeiras histórias da série (afinal, esse é o 17º volume), ou a participação mais ativa de Cadfael – que, nesse, praticamente só observa os fatos se desenrolarem e é um personagem bem passivo. O fato é que, apesar de ser um bom livro, esse fica abaixo dos excelentes Um Gosto Mórbido Por Ossos, Um Corpo a Mais e A Virgem Presa no Gelo. Mesmo assim, recomendo!

The Potter’s Field (1989) – De Ellis Peters (Reino Unido) | Série Crônicas do Irmão Cadfael Livro 17

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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