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	<title>clássicos Archives - A Devoradora de Livros</title>
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	<description>Diário de leituras</description>
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		<title>Adaptação &#124; Orgulho e Preconceito (2005)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 13:07:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Jane Austen]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Adaptação mais famosa do imortal livro de Jane Austen, esse filme de 2005 é adorado por toda uma legião de fãs e hoje é considerado um clássico. Ele foi para muita gente a porta de entrada para o universo da autora e da literatura clássica. A família Bennet tem cinco filhas e não muito dinheiro, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Adaptação mais famosa do imortal <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/orgulho-e-preconceito-jane-austen/">livro de Jane Austen</a>, esse filme de 2005 é adorado por toda uma legião de fãs e hoje é considerado um clássico. Ele foi para muita gente a porta de entrada para o universo da autora e da literatura clássica.</p>
<p>A família Bennet tem cinco filhas e não muito dinheiro, então quando um solteiro bonitão e rico se muda para ali perto, todas ficam em polvorosa: vai que o Sr. Bingley escolhe uma delas pra se casar? A trama conhecida de todos segue as batidas do livro: chegada de Bingley, Jane vai visitar e fica doente, Elizabeth vai dar apoio pra ela, ninguém gosta do Darcy, Caroline é uma esnobe, os Bingleys vão embora, Jane vai pra Londres mas é esnobada por Caroline, Wickam, os Gardiners, <em>the elopement</em>, Lydia entregando Darcy, a visita de Lady Catherine, a declaração final.</p>
<p>O elenco é talentosíssimo, o figurino é impecável, a trilha sonora é lindíssima, o resultado final é um dos filmes mais icônicos da geração. Mas é um filme de pouco mais de duas horas de duração é incapaz de mostrar algumas nuances da história, por melhor que seja o roteiro.</p>
<p>Acho que quem mais sofre é o relacionamento entre Wickham e Elizabeth. Alguma parte da história eles tinham que cortar pro roteiro ficar enxuto, e Miss King é deixada de lado, com toda a reflexão que isso trouxe a Lizzie. O casal Hurst também deixa de existir, e mais um exemplo de casamento entre duas pessoas incompatíveis fica de fora. Falando em pessoas incompatíveis, não gostei da modernização da Charlotte, que ficou mais simplória e impressionável e menos capaz de ser uma companheira da Lizzie.</p>
<p>Novamente elogiando o elenco, é uma das poucas adaptações em que as atrizes tem as idades certas, e é sempre refrescante ver Jane finalmente mais bonita que Lizzie. Keira Knightley é uma Elizabeth icônica. Rosamund Pike está impecável na sua atuação de beleza tradicional, delicadeza, bom humor e incapacidade de demonstrar sentimentos.</p>
<p>O filme também tem ótimos momentos que o roteiro e a atuação proporcionam: quando Lydia está correndo pela casa feliz que vai pra Brighton, Jane fala pra Elizabeth &#8220;with the <em>Forsters</em>&#8221; e a expressão dela deixa bem claro o tipo de pessoa que eles são mesmo sem que a gente veja nada deles. A exuberância distraída que Brenda Blethyn deu à Sra Bennet e a indiferença amável do Sr. Bennet de Donald Sutherland explicam perfeitamente a personalidade das cinco filhas. Tom Hollander é um Sr. Collins ideal.</p>
<p>O filme fez um trabalho excelente de trazer a história para o público moderno, mas recentes resenhas de jovens sobre o filme mostram que o que ficou foi muito mais a &#8220;aura&#8221; do que o comentário social. É um belo filme de romance, e um exemplo do que as mocinhas gostariam de ter em um relacionamento, mas toda o sarcasmo da autora em relação à sua época se perdeu. Orgulho e Preconceito não é <em>só</em> um livro de romance; é um tratado irônico e sagaz sobre toda uma classe social. Não é um &#8220;romance de época&#8221;, mas uma história contemporânea à autora que ela quebrou paradigmas ao publicar.</p>
<p>O filme é ótimo, mas só toca na superfície do que o livro representa.</p>
<p><strong>Pride and Prejudice (2005) de Joe Wright; roteiro de Deborah Moggach com Emma Thompson; com Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Brenda Blethyn, Donald Sutherland, Rosamund Pike, Jena Malone, Carey Mulligan, Tallulah Riley, Tom Hollander</strong></p>
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		<title>Guia de Capítulos &#124; As Duas Torres &#124; J.R.R. Tolkien</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 15:21:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É impressionante a quantidade de gente que me diz que desistiu de ler O Senhor dos Anéis porque &#8220;o começo é muito chato&#8221;. Em vez de me irritar eternamente, resolvi escrever um guia de capítulos pra você que tem preguiça poder ter a chance de pular algumas partes e ir logo pra onde interessa. Quando [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É impressionante a quantidade de gente que me diz que desistiu de ler O Senhor dos Anéis porque &#8220;o começo é muito chato&#8221;. Em vez de me irritar eternamente, resolvi escrever um guia de capítulos pra você que tem preguiça poder ter a chance de pular algumas partes e ir logo pra onde interessa. Quando chegamos no segundo volume da história, que é dividido em livro III e livro IV, a coisa já está avançando, a Sociedade do Anel está separada, e não tem nenhum capítulo que valha a pena pular.  A primeira parte segue a história de Aragorn, Gimli e Legolas (e depois Merry e Pippin), e a segunda parte segue Frodo e Sam.</p>
<h2>O Senhor dos Anéis &#8211; As Duas Torres</h2>
<h2>Livro III</h2>
<h3>I. A partida de Boromir</h3>
<p>Boromir morre de forma honrada; Aragorn interpreta os rastros de Frodo e faz a decisão importante de, com Legolas e Gimli, ir resgatar Merry e Pippin.</p>
<h3>II. Os cavaleiros de Rohan</h3>
<p>A corrida dos três perseguidores: Aragorn, Gimli e Legolas percorrem uma imensa distância correndo ininterruptamente, atrás do grupo de orcs que capturou os hobbits. Os três adentram a terra de Rohan, e encontram um grupo de cavaleiros liderados por Éomer, sobrinho do rei. Éomer diz que o grupo matou os orcs perto da floresta, comenta que não viram nenhum &#8220;hobbit&#8221;, e empresta dois cavalos pra eles.</p>
<h3>III. Os Uruk-hai</h3>
<p>Narrativa observa através dos olhos de Pippin o terror que foi a corrida dos orcs com os hobbits nos ombros. Pippin fica de ouvidos abertos e percebe que são pelo menos três grupos diferentes de orcs: os Uruk-Hai de Saruman, que querem levar os halflings para a torre do mago branco, os goblins de Moria que estão no rastro deles desde que o Gandalf morreu, e um grupo que segue &#8220;O Olho&#8221; e que Pippin se aterroriza ao deduzir que se trata de orcs vindos de Mordor. Os três grupos estão ficando cada vez mais preocupados com os cavaleiros que se aproximam, e estão também começando a brigar entre si. Um dos orcs de Mordor tenta revistar Pippin às escondidas e o hobbit manipula a conversa quando percebe que o orc sabe de algo sobre o anel através de Gollum. Os cavaleiros de Rohan atacam os orcs, há um grande combate, e Merry e Pippin conseguem fugir para a floresta.</p>
<h3>IV. Barbárvore</h3>
<p>Dentro da antiquíssima floresta de Fangorn, Merry e Pippin se recuperam dos dias terríveis que passaram, e logo sentem vontade de explorar. Sobem uma colina com o intuito de verem por onde estão, e conhecem o melhor personagem do livro todo: Treebeard, ou Fangorn, o líder dos <em>ents</em> (árvores que foram acordadas pelos elfos no início dos tempos e agora têm consciência). Treebeard é muito simpático e fica curiosíssimo com tudo o que os hobbits tem pra contar, e mesmo eles não tendo mencionado nada sobre o anel, fica claro que Saruman é um traidor. Treebeard convoca um <em>entmoot</em> para conversar com outros ents sobre lidar com o mago.</p>
<h3>V. O Cavaleiro Branco</h3>
<p>Aragorn, Legolas e Gimli chegam no local da luta dos cavaleiros de Rohan com os orcs de Isengard e de início ficam desolados com os corpos todos, achando que chegaram ao fim da jornada. Porém, as habilidades quase sobrenaturais de Aragorn para achar rastros o recompensa com a história dos hobbits, que fugiram do combate e entraram em Fangorn. Na velha floresta, eles encontram a prova definitiva: pegadas de dois halflings ao lado do rio. Antes que possam descobrir onde foram parar, no entanto, eles são encurralados por um velho mago de manto e chapéus brancos. E ficam imensamente surpresos quando o mago se revela como Gandalf!! Os quatro amigos se reúnem e Gandalf conta o que aconteceu com ele, mas o foco é em Sauron: eles precisam ajudar Rohan que está prestes a ser atacada por Saruman, para que Rohan consiga ajudar Gondor quando Sauron atacar.</p>
<h3>VI. O Rei do Palácio Dourado</h3>
<p>Gandalf, Aragorn, Legolas e Gimli vão até o palácio do rei dos cavaleiros, Meduseld. Lá eles encontram um rei idoso e pouco afável, completamente manipulado por Gríma, um conselheiro maléfico. Eles também conhecem Éowyn, a bela sobrinha do rei, que anseia por glórias da guerra. Gandalf consegue expulsar Gríma e convencer o rei Théoden a lutar. Um dos generais de Théoden está batalhando contra os exércitos de Saruman na fortaleza de Helm&#8217;s Deep, e Gandalf sugere que Théoden reúna todos os seus cavaleiros e rume para o campo de batalha. Éomer retorna para ajudar na luta. Gandalf diz que vai sair por aí pra achar mais gente.</p>
<h3>VII. O Abismo de Helm</h3>
<p>A batalha ocorre, e são hordas e mais hordas de homens e orcs seguidores de Saruman. Legolas e Gimli começam a competir pra ver quem matou mais inimigos. Gimli some no fim da noite. Aragorn convence Théoden a sair de cavalo. Gandalf um dia de manhã com um monte de cavaleiros que ele reuniu pelas planícies, rende os homens inimigos, e faz com que os orcs fujam.</p>
<h3>VIII. A estrada para Isengard</h3>
<p>Os orcs fugindo da batalha de Helm são confrontados por uma imensa floresta que surgiu da noite pro dia bem no caminho entre o campo de batalha e Isengard. Gandalf ordena que nenhum homem adentre pelas árvores, os orcs se desesperam e tentam fugir pela floresta. Ouve-se um barulho terrível de orcs morrendo esmagados. No dia seguinte, as árvores se abriram e há uma trilha larga por entre elas. A comitiva do rei passa por ali e os homens tem a impressão de que as árvores estão conversando entre elas. No caminho para Isengard, o rei encontra com vários sobreviventes e dá ordens para tentar reorganizar o reino. O objetivo é que todos se reúnam dali alguns dias para marchar para Gondor e auxiliar a grande cidade de Minas Tirith contra Mordor.</p>
<h3>IX. Escombros e destroços</h3>
<p>A comitiva do rei chega em Isengard e descobre tudo completamente destruído. Os membros originais da Sociedade do Anel finalmente se reúnem novamente, e Merry e Pippin recebem Aragorn, Legolas e Gimli em um almoço improvisado em cima dos escombros enquanto Gandalf e Théoden vão conversar com Barbárvore. Merry e Pippin narram o ataque impressionante dos ents contra Isengard algumas noites antes, que incluiu os ents mudando o curso de um rio para alagar todo o vale do mago.</p>
<h3>X. O &#8216;palantír&#8217;</h3>
<p>Todos vão falar com Saruman, que está dentro da sua torre. Saruman usa sua voz sedutora para convencer todo mundo a se odiar, mas não dá certo. Gríma joga uma pedra em Théoden mas erra, e Pippin pega a pedra do chão. É uma esfera perfeita que parece ao mesmo tempo ser sombria e reluzir. Gandalf pega a pedra da mão de Pippin e todos vão embora, deixando Barbárvore cuidando de Isengard. Durante o acampamento da noite, Pippin não resiste e pega a pedra enquanto Gandalf está dormindo. Pippin é imediatamente pego por Sauron, que é quem domina a pedra, e forçado a dizer o que sabe. Gandalf consegue interromper o acontecido, e decide levar Pippin pra Minas Tirith pra evitar mais problemas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Livro IV</h2>
<h3>I. Sméagol domado</h3>
<p>Frodo e Sam estão tentando passar pelas Emyn Muil, sem sucesso. Eles são atacados por Gollum, mas Frodo consegue convencer a criatura a ajudá-los. Obcecado com o anel, Gollum passa a ser o guia do grupo.</p>
<h3>II. A passagem dos pântanos</h3>
<p>Os três passam pelo pântano dos mortos, vêem luzes fantasmas e espíritos maléficos de batalhas antigas. Frodo está cada vez mais fraco.</p>
<h3>III. O Portão Negro está fechado</h3>
<p>Frodo tinha pedido pro Gollum levar eles até o portão de Mordor, mas chegando lá eles não conseguem dar conta de entrar. Gollum fica histérico e diz que se eles tentarem entrar pelo portão &#8220;ele vai ver&#8221; e &#8220;ele vai pegar o precioso pra ele&#8221;, e que eles devem ir por uma &#8220;passagem secreta&#8221; pra Mordor que ele, Gollum, descobriu sozinho. Sem muitas opções e apesar da relutância de Sam, Frodo concorda.</p>
<h3>IV. De ervas e coelho cozido</h3>
<p>Eles vão para o sul e passam por uma terra muito bonita, vêem uma batalha acontecendo entre homens do sul e homens de Gondor, comem coelho e são capturados por guardas de Gondor. Gollum não é visto. Frodo é levado ao capitão da guarda, Faramir, que não parece acreditar muito na história deles.</p>
<h3>V. A janela sobre o oeste</h3>
<p>Frodo e Sam são levados até um esconderijo dos homens de Gondor. Lá, Faramir conta que ele é irmão de Boromir e que Boromir morreu. Frodo está chocado, porém Sam fala demais e revela tudo sobre o anel e sobre Boromir ter tentado roubá-lo. Faramir demonstra tristeza pelo irmão, diz que não tem a intenção de ficar com o anel e que já tinha decidido ajudá-los.</p>
<h3>VI. O lago proibido</h3>
<p>Gollum é visto pelo pessoal de Gondor, e Faramir diz pro Frodo que se eles não conseguirem capturá-lo, terão de matá-lo. Frodo se vê obrigado a convencer Gollum a vir junto com ele, e Gollum é capturado pelos guardas. Faramir não gosta de Gollum e não confia no caminho que Gollum tem pra eles, mas não tem alternativa a não ser deixá-los ir.</p>
<h3>VII. Viagem até a Encruzilhada</h3>
<p>Gollum lidera o caminho e Frodo e Sam vão até Minas Morgul, uma cidade vizinha de Mordor. De lá, Gollum diz que dá pra subir uma escada secreta até a passagem secreta para a entrada secreta de Mordor. Frodo está praticamente um zumbi andando e Sam está racionando comida e água.</p>
<h3>VIII. As escadarias de Cirith Ungol</h3>
<p>Eles sobem escadarias intermináveis, observam as tropas de Minas Morgul saindo para a batalha, e chegam até um túnel maléfico e mal-cheiroso. Gollum logo some.</p>
<h3>IX. A Toca de Laracna</h3>
<p>Frodo e Sam são obrigados a passar pelo túnel, e são atacados um monstro gigante em forma de aranha. Frodo usa a luz de Galadriel pra espantar o bicho. Eles saem correndo mas a aranha usa uma passagem diferente para enfiar um ferrão nele. Frodo cai desacordado. Sam pega a espada e a luz de Frodo e ataca a aranhona. Ela se joga em cima dele para esmagá-lo com seu peso e nisso acaba se enfiando na espada élfica. Ela, que nunca tinha sentido tanta dor na vida, foge de ódio da luz e deixa os dois sozinhos.</p>
<h3>X. As escolhas de Mestre Samwise</h3>
<p>Sam está numa passagem escura perto de Minas Morgul. Frodo não reage, não responde e está ficando gelado. Sam começa a ouvir orcs vindo. Sem tempo pra decidir nada, Sam pega o anel e fica invisível. Os orcs chegam e pegam Frodo. Sam ouve os orcs conversando e um deles fala que Frodo não está morto, porque a aranha gosta de deixar as presas vivas pra poder sugar o sangue depois. Sam se desespera mas quando tenta chegar até Frodo os orcs já o levaram embora.</p>
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		<title>Adaptação &#124; A Marca do Zorro (1920)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2025 13:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Johnston McCulley]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na Califórnia Espanhola, no final do século XIX, um aventureiro mascarado aparece vestido de preto para aterrorizar os opressores. Ele dá seu nome como Zorro e faz a temível marca do &#8216;Z&#8217; no rosto dos homens que castiga. Don Diego Vega é um jovem fidalgo que parece cansado de tudo. Tem preguiça de cavalgar, preguiça [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Na Califórnia Espanhola, no final do século XIX, um aventureiro mascarado aparece vestido de preto para aterrorizar os opressores. Ele dá seu nome como Zorro e faz a temível marca do &#8216;Z&#8217; no rosto dos homens que castiga.</p>
<p>Don Diego Vega é um jovem fidalgo que parece cansado de tudo. Tem preguiça de cavalgar, preguiça de cortejar senhoritas e não faz questão alguma de lutar &#8216;como um bobo&#8217;. No entanto, precisa convencer a charmosa senhorita Lolita Pulido a se casar com ele, pois seu pai, o rico Don Alejandro, faz questão que Don Diego se case e produza um herdeiro.</p>
<p>Lolita não se interessa por Don Diego (&#8220;ele é tão animado quanto um peixe!&#8221;, diz indignada), mas dá seu coração ao charmoso Zorro, que a visita numa tarde. Ele professa seu amor e elogia sua beleza, conquistando a senhorita com belas palavras.</p>
<p>Enquanto isso, o governador vem até Los Angeles para dar um fim nesse tal de Zorro, e o capitão do exército se interessa por Lolita &#8211; e ele não é de aceitar um não como resposta.</p>
<p>Esse é o filme que transformou Douglas Fairbanks em super estrela de Hollywood ao mesmo tempo em que fez de Zorro um dos personagens mais populares do mundo. Johnston McCulley havia publicado sua história do vigilante mascarado em 1918, em formato serial, e tinha sido muito bem sucedido &#8211; mas foi quando Fairbanks leu a história e resolveu transformá-la em filme que o personagem de fato ganhou notoriedade.</p>
<p>Ágil, engraçado e emocionante, o filme é uma adaptação extremamente fiel ao livro, com cenas de ação incríveis e um roteiro impecável.</p>
<p>É também um filme preto-e-branco e, claro, mudo. A trilha sonora é composta por um piano que varia a melodia enquanto as falas aparecem na tela preta interrompendo as cenas.</p>
<p>Foi minha primeira vez vendo um filme mudo de verdade: antes, só tinha visto pequenas cenas célebres ou as cenas artificiais em Cantando na Chuva. Assistir esse filme foi uma experiência muito interessante em vários aspectos. Douglas Fairbanks foi o maior da sua geração, e foi legal ver o filme que o transformou em celebridade eterna. Ele de fato era um excelente ator e um gênio nas cenas de ação. O romance da história é muito divertido de assistir, já que os atores não conversam e precisam demonstrar tudo o que sentem apenas com o olhar e a linguagem corporal. Numa época em que os filmes não podiam mostrar nada demais, é genial a forma como eles mostram a diferença entre a reação de Lolita ao chato Don Diego e ao galante Zorro. As cenas de ação são muito bem coreografadas, e as lutas de espada são realmente de tirar o fôlego &#8211; ainda mais pensando que naquela época a segurança dos atores e dublês era quase nula.</p>
<p>Nenhuma cena é à toa, e a história é tão bem amarrada que me pergunto se esses roteiristas de hoje estudam isso aí na hora de fazer um bom filme de ação. Saudosismos à parte, não é um filme para todos, já que filme mudo e preto-e-branco é bem dose de ficar acordado. Para mim, que sou apaixonada por cinema e pela história que eu estava assistindo, foi muito divertido.</p>
<p>The Mark of Zorro (1920)</p>
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		<title>Mesinha-Te-Arruma, Burro-de-Ouro e Pula-Porrete &#124; Contos de Fadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Jul 2025 14:15:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grimm]]></category>
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		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com nomes alternativos como &#8220;Mesinha põe-te, burro de ouro e bordão sai-do-saco&#8221; ou &#8220;A mesa mágica, o asno que cuspia ouro e o porrete dentro do saco&#8221;, essa é mais uma das histórias favoritas da minha infância. Apesar de querer muito a mesa e o burrico, não dá pra descartar a maravilha que seria ter [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com nomes alternativos como &#8220;Mesinha põe-te, burro de ouro e bordão sai-do-saco&#8221; ou &#8220;A mesa mágica, o asno que cuspia ouro e o porrete dentro do saco&#8221;, essa é mais uma das histórias favoritas da minha infância. Apesar de querer muito a mesa e o burrico, não dá pra descartar a maravilha que seria ter um porrete desses.</p>
<p>Um homem com três filhos pede que eles levem a cabra para pastar. O filho mais velho, depois de deixar a cabra pastar à vontade, pergunta a ela se está satisfeita. Ela responde que está tão satisfeita que não consegue comer mais nem uma folha. Chegando em casa, o pai pergunta para a cabra se ela comeu bem. A cabra chora que não comeu nada e está passando fome. Enfurecido, o pai manda o filho mais velho embora de casa por ter maltratado a cabra. Isso acontece com os outros dois filhos.</p>
<p>Estando agora sozinho, o pai leva a cabra para pastar, e pergunta no fim do dia se ela está satisfeita. A cabra repete o show: fala que está ótima e quando chega em casa mente dizendo que não comeu nada. O pai fica desolado por ter mandado os filhos embora e dá uma punição apropriada para a cabra mentirosa.</p>
<p>Enquanto isso, os três filhos saem por aí procurando o que fazer.</p>
<h4>O irmão mais velho</h4>
<p>O mais velho vira aprendiz de marceneiro. Ao fim do seu aprendizado, o mestre, muito contente com seu trabalho, lhe dá como recompensa uma mesa mágica. Quando estiver com fome, o jovem precisa apenas montar a mesa e dizer &#8220;mesinha: te arruma!&#8221; e um verdadeiro banquete vai aparecer.</p>
<p>O jovem, feliz com sua aquisição, resolve voltar para a casa do pai com seu presente, para ver se com banquetes eternos o pai resolve perdoá-lo. Parando numa estalagem durante a viagem, ele exibe sua magnífica mesa para os presentes. O estalajadeiro, invejoso, troca a mesa mágica por uma comum enquanto o jovem dorme.</p>
<p>Chegando em casa, o jovem pede que o pai chame todos os vizinhos e parentes. Ele grita &#8220;mesinha: te arruma!&#8221; mas a mesa não faz nada, ele passa vergonha e os parentes vão embora.</p>
<h4>O irmão do meio</h4>
<p>A mesma coisa acontece com o irmão do meio. Ele vira aprendiz de moleiro, ganha um asno mágico. Quando ele precisar, é só dizer &#8220;Briclebrit!&#8221; que o asno soltaria moedas de ouro. Ele passa pela mesma estalagem voltando pra casa do pai. O estalajadeiro espia o garoto dizendo &#8220;Briclebrit!&#8221; para o burrico nos estábulos e vê as moedas saindo. Quando o garoto dorme, o estalajadeiro troca o asno por um normal. Chegando em casa, o segundo irmão passa a mesma vergonha do primeiro. Todos os vizinhos vão ver o burro de ouro mas nada acontece!</p>
<h4>O irmão mais novo</h4>
<p>O terceiro irmão virou aprendiz de torneiro. Ele havia recebido cartas dos irmãos mais velhos, contando dos infortúnios e da certeza que seus itens mágicos haviam sido substituídos de alguma forma na estalagem. O terceiro irmão, ao fim do seu aprendizado, recebeu um bordão dentro de um saco. Pra que serve? Quando precisar, é só gritar &#8220;pula porrete!&#8221; e o pedaço de pau sai do saco e espanca todo mundo.</p>
<p>Com esse novo objeto, o terceiro irmão vai para a casa do pai. Na estalagem, ele fala pra todo mundo que tem algo infinitamente maravilhoso dentro do seu saco, um item que jamais fora visto. Ambicioso, o estalajadeiro espera o jovem dormir e tenta surrupiar o que há dentro do saco. O jovem, que estivera apenas fingindo, grita &#8220;pula porrete!&#8221; e o porrete mágico espanca o estalajadeiro até ele jurar que vai devolver o burro de ouro e a mesinha mágica.</p>
<p>O irmão mais novo chega na casa do pai triunfante com a mesa e o burro. Dessa vez os familiares e vizinhos não se desapontam quando chegam para o banquete e a chuva de moedas de ouro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i>Tischlein deck dich, Goldesel und Knüppel aus dem Sack</i></p>
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		<title>Robin Hood &#124; Monteiro Lobato</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Nov 2023 00:27:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Monteiro Lobato]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[infantil]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Me condenem porque faz parte, mas minha versão favorita de Robin Hood continua sendo a do Monteiro Lobato, que eu passei a infância lendo. Não sei ao certo de onde ele tirou a história dele porque eu sempre confundo quem escreveu o que, mas esse livro é ao mesmo tempo adorável e empolgante, e, pra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Me condenem porque faz parte, mas minha versão favorita de Robin Hood continua sendo a do Monteiro Lobato, que eu passei a infância lendo. Não sei ao certo de onde ele tirou a história dele porque eu sempre confundo quem escreveu o que, mas esse livro é ao mesmo tempo adorável e empolgante, e, pra mim, a edição definitiva.</p>
<p>Robin de Locksley aprende a atirar. Mata um dos gamos do rei. É declarado fora-da-lei. Vai morar na floresta de Sherwood, vestido de verde, com outros fugidos de Nottingham e região. É um espinho no sapato do xerife de Nottingham, e do Bisbo, e do príncipe João. Conhece João Pequeno no cruzamento de um rio, e é primo de Will Scarlet, e tromba Frei Tuck comendo empadão. Vai até a capital para um torneio de arco e flecha, humilhando os arqueiros do Rei Henrique. Declara amor eterno à Lady Marian.</p>
<p>Hoje eu já sei que a história é velha, que existem várias versões, que cada autor inventou de um jeito, que cada versão da lenda é uma história nova. Mas quando eu era criança, não sabia de nada disso, e o que estava nesse livro eu acreditava como pura verdade: essa pra sempre vai ser a versão definitiva e eterna da lenda pra mim, não importa as versões que eu trombar na vida.</p>
<p>Robin Hood &#8211; versão de Monteiro Lobato (1937) coleção Terramarear</p>
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		<title>Mansfield Park &#124; Jane Austen</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Nov 2023 00:03:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Jane Austen]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fanny Price é de família pobre com vários irmãos, na Inglaterra dos anos 1810s. No entanto, uma das irmãs da sua mãe se casou com um homem rico e virou Lady Bertram, e a outra se casou com um respeitável vigário e se tornou Mrs. Norris. Quando soube da situação de miséria que sua irmã [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fanny Price é de família pobre com vários irmãos, na Inglaterra dos anos 1810s. No entanto, uma das irmãs da sua mãe se casou com um homem rico e virou Lady Bertram, e a outra se casou com um respeitável vigário e se tornou Mrs. Norris. Quando soube da situação de miséria que sua irmã se encontrava, Lady Bertram expressou sua vontade de ajudar, e Mrs. Norris sugeriu então que a família adotasse uma das filhas de Mrs. Price, e Fanny foi morar em Mansfield Park com os tios.</p>
<p>A família em Mansfield Park é Tom e Edmund e Julia e Maria, os quatro filhos de Lord e Lady Bertram. Próximo a Mansfield Park vive a tia Mrs. Norris, que mima os sobrinhos Bertram ao mesmo tempo em que trata Fanny super mal. Os anos passam, Tom vai morar longe, Edmund sempre trata Fanny como uma irmã querida, Julia e Maria ignoram Fanny ou fazem questão de excluí-la de tudo.</p>
<p>Quando todos estão crescidos, o marido de Mrs. Price vem a falecer e outro vigário vem morar na paróquia, o Dr. Grant. Sua esposa tem dois irmãos que logo visitam a região: os sofisticados, belos e bem vestidos Henry e Mary Crawford. Esses dois se aproximam da família Bertram e geram mais problemas do que vantagens.</p>
<p>Mansfield Park é um livro longo e cansativo. Fanny Price é uma chatinha, que é sempre vítima de tudo e nunca reage. A história se arrasta pela primeira metade, narrando as provações da heroína enquanto é maltratada pela família das tias. Depois do meio da história a coisa engrena, e finalmente vemos a que veio: o romance é um tratado sobre as mudanças sociais extremas que estavam acontecendo na Inglaterra da época, e a visão da autora do que era apropriado para pessoas de boa família.</p>
<p>Henry e Mary Crawford representam tudo de moderno e condenável na atitude das pessoas; Fanny e Edmund os corretos porém deslumbrados com a beleza e a atração do mundo novo. Eu <em>entendo</em> o que a autora quis fazer, mas só não concordo muito. Tradição é louvável até certo ponto; comportamentos novos e revolucionários podem ser bons, valiosos e vantajosos para uma sociedade; se fosse pra seguir sempre o que nossos pais seguiam, nada ia pra frente.</p>
<p>No entanto, ao mesmo tempo em que a narrativa coloca ideias novas como condenáveis, também coloca pessoas mesquinhas, mimadas e mau-caráter sofrendo consequências. Aqueles que agem sem pensar, de forma egoísta e visando apenas a própria felicidade são os principais vilões na visão da autora. A história em si, do sofrimento e finalmente felicidade de Fanny, onde todos reconhecem que ela sempre foi a mais correta da família, não deixa de ser satisfatória.</p>
<p>Mansfield Park (1814)</p>
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		<title>A Ilha do Tesouro &#124; Robert Louis Stevenson</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Nov 2023 17:42:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Robert Louis Stevenson]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem dúvida alguma esse está no Top 10 melhores livros do planeta que se você não ler está errado e precisa resolver isso hoje. Quando decidi fazer faculdade depois de velha, teve um professor que perguntou na sala de 50 aluninhas quem tinha lido esse livro e só eu levantei a mão. Lamentável esses jovens [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Sem dúvida alguma esse está no Top 10 melhores livros do planeta que se você não ler está errado e precisa resolver isso <strong>hoje.</strong> Quando decidi fazer faculdade depois de velha, teve um professor que perguntou na sala de 50 aluninhas quem tinha lido esse livro e só eu levantei a mão. Lamentável esses jovens de hoje &#8211; um discurso que é tão novidade que é com ele que o autor começa sua obra de 1883:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">TO THE HESITATING PURCHASER</p>



<p class="wp-block-paragraph">If sailor tales to sailor tunes, Storm and adventure, heat and cold, If schooners, islands, and maroons, And buccaneers, and buried gold, And all the old romance, retold Exactly in the ancient way, Can please, as me they pleased of old, The wiser youngsters of today:</p>



<p class="wp-block-paragraph">—So be it, and fall on! If not, If studious youth no longer crave, His ancient appetites forgot, Kingston, or Ballantyne the brave, Or Cooper of the wood and wave: So be it, also! And may I And all my pirates share the grave Where these and their creations lie!</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, vamos a um dos maiores livros de aventura jamais escritos – um daqueles capazes de permear toda a história e a cultura desde então. Sabe o pirata-da-perna-de-pau com o papagaio no ombro? Não existia. Quem inventou foi esse cara. Sabe a música <em>yo-ho-ho e uma garrafa de rum</em>? Também não tinha. Nem o mapa do tesouro com o X marcando o lugar. Piratas nunca enterraram tesouro, porque é idiota largar dinheiro numa ilha deserta em vez de <em>gastar</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de tantos anos e tantas adaptações (estimadas 50 adaptações para cinema e TV), eu achava que seria redundante falar dele aqui. Mas minhas colegas que sequer haviam ouvido falar do nome do livro me convenceram de que tem gente no mundo que precisa do meu trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A história é aparentemente simples: Jim é um jovem que vive na estalagem dos pais, encontra um mapa do tesouro, corre mostrar pra um médico e um cara rico que vivem na região de Bristol na Inglaterra; daí eles equipam um navio e vão em busca do tesouro numa ilha perdida do Caribe. No caso, é o tesouro do lendário pirata Capitão Flint, um homem terrível que ainda povoa o imaginário das pessoas mesmo anos depois de ter morrido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No meio da viagem, Jim descobre que mais da metade da tripulação costumava ser a tripulação de Flint, e que eles planejam pegar o ouro, matar todo mundo e ir embora. Eles chegam na ilha e começa a reviravolta..</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se fosse só isso, já estava bom até. Mas tem muito, muito mais. Tem o papagaio que do nada grita “<em>pieces of eight!</em>” (moeda espanhola da época). Tem as histórias terríveis do capitão Flint e dos outros piratas. Tem o Capitão, um velho marujo aterrorizante e aterrorizado que inicia a história com o melhor clima, enchendo a cara, contanto sobre carnificinas de que participou, xingando todos ao redor; ao mesmo tempo em que implora pro Jim vigiar pra ver se o “homem da perna de pau” não chega. Tem a ação ininterrupta quando chegam na ilha, fazendo ser impossível largar o livro. Tem o náufrago perdido. Tem o esqueleto apontando a direção do tesouro. Tem motim, bandeira com os ossos cruzados, mendigo cego assassino, lutas de espadas, e muitos momentos engraçados, emocionantes e tocantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E tem Long John Silver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nunca na história da literatura você encontrou um cara igual. Sedutor, inteligente, manipulador, ágil, implacável, engraçado, ambicioso, cruel – me faltam adjetivos para falar desse que é um dos melhores personagens que eu já li na vida. Se nada do que eu falei te convenceu a ler o livro, vá ler só por causa do Silver porque ele é muito, muito, MUITO maravilhoso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trivia –</p>



<p class="wp-block-paragraph">O filme de 1950 foi o primeiro filme totalmente ‘ao vivo’ da Disney, enquanto a versão de 1990 tinha Christian Bale como Jim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No início do livro Peter Pan, quando o Capitão Gancho aparece pela primeira vez, ele é descrito como sendo “o único homem de quem o cozinheiro do navio tinha medo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Treasure Island (1883) de Robert Louis Stevenson</p>
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		<title>Orgulho e Preconceito &#124; Jane Austen</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Dec 2022 20:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Jane Austen]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune, must be in want of a wife.&#8221; &#8220;É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro que possua uma boa fortuna deve estar necessitado de uma esposa.&#8221; E com essas palavras, Jane Austen começou um dos maiores romances da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<div style="clear: both; text-align: left;">&#8220;It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune, must be in want of a wife.&#8221;</div>
</blockquote>
<p><em>&#8220;É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro que possua uma boa fortuna deve estar necessitado de uma esposa.&#8221;</em></p>
<p>E com essas palavras, Jane Austen começou um dos maiores romances da literatura. Ela é tão genial que nessa única frase dá pra perceber várias dos temas da narrativa: óbvio que a <em>verdade universal</em> está sendo dita de forma irônica, como grande parte das afirmações durante a história. E claro que o &#8216;<em>must be in want of a wife</em>&#8216; é uma afirmação que vem da sociedade, e não da realidade. E certamente que o solteiro rico procurando esposa é um dos temas centrais da história.</p>
<p>O conto de fadas segue Jane e Elizabeth, duas irmãs de classe média que não tem opção de futuro a não ser se casar, e de preferência com um homem abastado. Enquanto Jane logo se apaixona por Mr. Bingley, um jovem rico, bonito e atencioso, Elizabeth imediatamente se desentende com Mr. Darcy, um jovem rico, bonito e arrogante. O romance vai se desenrolando, cheio de desentendimentos e desencontros, com Jane crédula e Elizabeth sarcástica, Bingley inocente e Darcy presunçoso.</p>
<p>E o que é que faz de Darcy o favorito de todas as moças por quase duzentos anos? À primeira vista, ele é o que todos os chorões reclamam: ele é grosso e mala, mas vocês ignoram essa parte só porque ele é rico e bonito. Mas vamos olhar com calma. Darcy salvou a irmã e nunca a culpou pela indiscrição, numa sociedade em que ela teria tido a reputação destruída por suas atitudes. Ele se culpa pelo que aconteceu com Lydia, faz de tudo para resolver o problema, se une ao homem que ele mais detesta, tudo isso por que está apaixonado, e tudo isso sem querer ser identificado ou agradecido: ele faz as boas ações sem esperar nada em troca. Ele percebe sozinho como ele foi errado nas suas opiniões, tenta ao máximo desfazer o mal que fez com Jane e Bingley, até fica de birra com a própria família quando maltratam Elizabeth &#8211; em suma, demonstra através das suas ações que de fato <em>mudou</em> por ela, em vez de só falar que ia mudar. É essa atitude que as moças apreciam &#8211;  mesmo que sim, ele ser bonito, rico e <em>alto </em>tenha muito a ver com a história.</p>
<p>Afora o romance fofo, como pano de fundo de fundo da história temos a situação da mulher de classe média dentro da sociedade inglesa do início do século XIX; passando por duas visões de mundo opostas: o povo das antigas quer manter tudo como está, e não aceita mudanças de classe nem alpinistas sociais; o povo jovem e moderno está mais interessado em uma afinidade pessoal, respeito mútuo e relacionamentos baseados no amor e não no financeiro. Enquanto Eliza e Jane se divertem nas mansões, na vida real uma das irmãs delas é quase arruinada por um jovem de má reputação, e por pouco não fica destinada a ser abandonada pela família e virar prostituta, e a melhor amiga de Elizabeth não tem escolha a não ser se casar com um homem estúpido e desinteressante, já que nunca foi bonita e está ficando velha.</p>
<p>Há diversos personagens engraçados e caricatos, como Mrs. Bennet, a mãe das meninas, que só tem um assunto e um objetivo: ver as filhas casadas; ou Lady Catherine, um pilar de arrogância que faz questão de fazer caridade e receber os devidos elogios. Mas o livro também contém pessoas mais discretamente interessantes: Mr. Bennet, indulgente, omisso e sempre irônico, fadado a uma vida infeliz com a esposa com quem se casou e se arrependeu; Mary, &#8220;a irmã feia&#8221;, que também não é muito inteligente mas se dedica aos estudos como única forma de destaque; Mrs. Hurst, que se casou com um homem obviamente preguiçoso e gastador, e agora depende da boa vontade do irmão mais novo para manter o padrão social.</p>
<p>Toda vez que releio eu volto para um universo paralelo onde eu vejo as adaptações de 95 e 2005, e Bride and Prejudice, e The Lizzie Bennet Diaries, e Austenland pra fechar o arco. Cada releitura revela algo novo e interessante, e o livro nunca perde o charme. São duzentos anos de ironia que a gente nem sempre entende, de diálogos românticos imaginados, de frases deliciosamente irreverentes e da melhor cena de recusa de pedido de casamento, sem competição. A tradução da L&amp;PM Pocket está muito boa, e dá pra curtir a prosa da autora com tranquilidade. Certamente um dos melhores e mais favoritos livros no mundo inteiro, e um livro que nunca canso de recomendar.</p>
<p><b>Pride and Prejudice (1813) &#8211; de Jane Austen </b></p>
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		<title>Adaptação &#124; O Hobbit &#8211; Uma Jornada Inesperada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Dec 2022 06:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[infantil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1936, um pequeno livro infantil fez sucesso moderado no mercado editorial britânico. O sucesso foi o suficiente para que os editores pedissem ao autor que escrevesse uma continuação. Só que, como todos sabemos, a Segunda Guerra Mundial estourou lá por aquela época, e a continuação do livrinho infantil demorou mais de dez anos para [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1936, um pequeno livro infantil fez sucesso moderado no mercado editorial britânico. O sucesso foi o suficiente para que os editores pedissem ao autor que escrevesse uma continuação. Só que, como todos sabemos, a Segunda Guerra Mundial estourou lá por aquela época, e a continuação do livrinho infantil demorou mais de dez anos para ser publicada &#8211; e quando chegou na editora, era bem diferente do que eles esperavam. Era, na verdade, um livro para adultos com quase mil páginas. Felizmente para todos, a continuação do livro infantil não só fez um enorme sucesso como também pavimentou o gênero da fantasia em ambientação medieval que teve sua era de ouro nas décadas de 60 a 80. O autor chegou a vender os direitos do livro para o cinema, mas até o final do século apenas uma animação de pouca qualidade havia sido feita.</p>
<p>Então veio Peter Jackson. Assim como o livro foi essencial para o sucesso da literatura fantasiosa, os filmes de Peter Jackson abriram as portas para que outras produções do gênero viessem para o cinema &#8211; mesmo que com menos qualidade e sucesso. As adaptações de Jackson não são perfeitas, mas certamente trouxeram a obra de Tolkien para um público bem mais extenso, são obras-primas da produção cinematográficas e continuam maravilhosas mesmo vinte anos depois. E aí, aquele livrinho infantil, escrito na década de 30, que mesmo tendo sido publicado antes é conhecido como &#8220;o prelúdio do Senhor dos Anéis&#8221;, acabou, através de várias reviravoltas, caindo nas mãos de Peter Jackson também. E alguém da produção decidiu que, já não tinham mais como faturar em cima da trilogia do Senhor dos Anéis no cinema, então porque não adaptar seu prelúdio? E por que não dividir <em>em três partes? </em>Aparentemente a ideia foi genial, já que O Hobbit foi uma das melhores bilheterias de primeiro final de semana nos EUA do ano de lançamento. Os fãs, como sempre, ficaram divididos. Muitos não gostaram, muitos idolatraram o diretor, muita gente não tem opinião formada e só foi ver mais um filme de ação e fantasia.</p>
<p>Amanhã faz dez anos que o primeiro filme saiu; então vou aproveitar para revisar as minhas anotações sobre ele.</p>
<p>Na minha visão, o filme sofre por ter características &#8220;tríades&#8221;. Primeiro por ser um filme de fantasia medieval que obviamente não vai terminar e que depende das suas continuações para ter fim. Isso já é um desafio por si só. Os personagens principais são habitantes de uma terra fantástica, e são eles anões, elfos e hobbits (que nem todo o expectador sabe o que é). Segundo que é um filme que foi feito pra ser prelúdio da trilogia de maior sucesso da década. Os fãs que assistiram os filmes querem ver a mesma pegada no cinema &#8211; querem os mesmos temas épicos, os mesmos personagens, a mesma Terra-Média. E terceiro, O Hobbit é uma adaptação de um livro que é muito do bom. Aqueles que leram o livro querem também ver uma adaptação fiel nas telas. Então é complicado. Em todos os pontos acima, O Hobbit tem suas vitórias e suas derrotas, e vou falar de cada uma delas.</p>
<h4>O filme por si só</h4>
<p>A primeira coisa que tem que ser dita sobre o filme é o elenco. Apesar de ser um grupo enorme de pessoas que estão perto do protagonista, a narrativa não fica confusa demais. Como apenas alguns anões têm momentos únicos na trama, dá pra seguir o que acontece sem maiores problemas. A tríade principal &#8211; Gandalf, Bilbo, Thorin &#8211; funciona às mil maravilhas: o entrosamento entre os três é excelente, os diálogos impecáveis e a atuação dos três atores é de tirar o chapéu. O roteiro, no entanto, fica um pouco complicado no começo, por ter cortes demais com informações que a gente só não se importa. O filme bom faz assim: apresenta os personagens principais e daí as coisas começam a acontecer. Esse filme fez &#8220;esses são os anões mas espera tem esse mago aqui e na verdade anos atrás teve essa guerra e agora voltamos ao presente e canta uma música e toma mais um flashback&#8221;. O corte para a luta em Moria e especialmente o corte de Radagast pra mim foram desnecessários e deram a impressão de que a história &#8220;principal&#8221; (Bilbo e os anões) não era interessante o suficiente para que o filme mostrasse o que estava acontecendo com eles. Não que eu seja contra a presença de Radagast. Só acho que ele deveria ter sido mostrado apenas contracenando com a comitiva. O arco de história que os roteiristas escolheram mostrar é bem claro: Bilbo é um bobo que precisa provar seu valor para os anões. As cenas em que ele faz isso são bem idiotas, mas de qualquer forma é um arco válido que tem começo, meio e fim. Apesar das cenas de conflito e perigo pelos quais a comitiva passam serem bem sem graça e sem ameaça real, já que o espectador em momento algum sente que talvez algum deles realmente morra em alguma luta, fica claro que a jornada de Bilbo para ser aceito por Thorin é o que importa.</p>
<h4>O filme como prelúdio de O Senhor dos Anéis</h4>
<p>Nesse quesito, acho que o principal problema &#8211; de novo &#8211; é o roteiro. Por um lado, a história segue a mesma estruturade O Senhor dos Anéis &#8211; A Sociedade do Anel: comitiva se reúne, passa a ser perseguida, momento de calma em Rivendell, depois goblins, momento olha que bonita a paisagem etc. Por outro lado, é mais do mesmo com o pequeno detalhe de que , enquanto O Senhor dos Anéis se beneficiou de uma pré-produção cuidadosa que durou anos, aqui absolutamente tudo é tela verde. E dá pra perceber a diferença entre uma câmera sobrevoando a Nova Zelândia e uma paisagem por computador como pano de fundo para vários orcs digitais lutando com dois atores multiplicados pelo gerador de imagem para parecer um exército .</p>
<p>E ainda tem o fato de que, enquanto Frodo e seus amigos querem salvar o mundo, Bilbo e seus companheiros querem recuperar um monte de dinheiro. Não é a mesma aventura épica, mas o filme <em>quer ser </em>épico. Então tentaram fazer os gigantes das rochas como sendo algo muito ameaçador, quando na verdade era só o Tolkien falando dos gigantes jogando pedra nas montanhas para explicar pro moleque filho dele de onde vem os trovões.</p>
<h4>A Adaptação.</h4>
<p>Lembra lá no começo do post, que eu falei que O Hobbit é um livro infantil? Tipo, pois é. Infantil igual a Nárnia. Com personagens bobos e engraçados. Com trama leve, sem violência e sem conflitos. Com momentos de fantasia para agradar ao paladar infantil, como trolls brigando para ver qual come qual perna dos protagonistas, um homem que vira urso nas horas vagas e precisa ser apresentado aos anões aos poucos pra não ficar bravo e um monstro das profundezas das montanhas que pode ser enganado usando uma competição de charadas. Aí o pessoal dos filmes vem querendo faturar e resolve transformar um livrinho de 300 páginas em uma trilogia épica cheia de efeitos, batalhas imensas, personagens conflitados e participação especial de Elrond e Galadriel.</p>
<p>Depois que a gente descobre que a produção foi toda torta, com várias trocas de equipe, roteiro todo recortado e conflito entre visão de diretores, dá pra entender um pouco a confusão do filme. Em alguns momentos, ele consegue ser épico. Em outros momentos ele consegue ser fiel ao livro. O resultado foi um pouco dos dois, e um filme bem do irregular.</p>
<p><span style="font-family: var(--global-body-font-family);">E agora já aviso que vou virar a fã ensandecida com spoilers e reclamação de tudo, que é minha forma favorita de consumir entretenimento. </span></p>
<h4>Comentário de Fã Maluca</h4>
<p>Eu não sei se vocês repararam em como eu sou louca nerd abismalmente fanática pelo universo do Senhor dos Anéis, mas se não repararam enfim. Tô falando agora. A primeira vez que assisti esse filme eu não pude evitar de reparar nas semelhanças e diferenças entre o filme e o livro, como eu sempre acabo fazendo quando assisto uma adaptação. E mesmo assim não pude deixar de reparar na irregularidade complicada do roteiro.</p>
<p>Da segunda vez que eu assisti, o filme ficou mais leve, até porque eu não estava comparando cada cena com o livro. Mas em ambas as vezes me deu a impressão de que é um filme assistível por leigos que não leram os livros mas que perde a metade da graça pra essa audiência. Ou seja, o filme é muito mais direcionado a fãs do que ao assistidor médio que provavelmente tentou ler O Senhor dos Anéis depois que o filme saiu e só ouviu falar do Hobbit por causa de Senhor dos Anéis ou quando muito leu O Hobbit há muitos anos. O filme  não é feito pros leigos. O filme é feito pros fãs. Dito isso, claro que muitos fãs já tão reclamando pela aí que Radagast parece uma princesa Disney porque ele fica falando com os animaizinhos. Mas O Hobbit sofre de problemas muito maiores do que a caracterização de um mago menor.</p>
<p>O Hobbit nunca vai ser considerado um filme por si só; ele não foi feito pra isso. Ele é uma adaptação de um livro famoso. Ele é prelúdio de um livro mais famoso ainda, que foi transformado nos filmes que trouxeram, junto com Harry Potter, a fantasia de volta ao cenário hollywoodiano. É muita expectativa pra um filme que na verdade já tinha o enorme desafio de transformar um livreco infantil de 200 páginas em três blockbusters épicos cheios de aventura. O principal problema do Hobbit, portanto, é o roteiro. Ao tentar balancear o tom do livro com o tom dos filmes anteriores que na verdade se passam depois (numa chateação digna de Star Wars), o roteiro enche o começo do filme com cenas desnecessárias, com personagens que não são interessantes e por motivos sem sentido.</p>
<h4>Quer ver?</h4>
<p>No começo do filme temos um prelúdio digno de A Sociedade do Anel mostrando-não-mostrando o ataque do dragão ao reino de Erebor. Legal muito da hora louco demais. Até aí, ok, é um prelúdio e não esperamos muito em termos de personagens. Daí temos uma cena que nos leva direto ao início da Sociedade do Anel e beleza, um filme é continuação do outro e tinham que dar uma ponta para o Frodo porque se não os fãs do filme do SdA não iam querer ver O Hobbit. Depois os anões chegam e fica bem legal. Mas aí, mal sabemos quem é Bilbo e o que os anões querem e já voamos para as portas de Moria, numa batalha épica que perde o sabor porque o espectador não se importa com nenhum dos dois lados e nem consegue distinguir quem é quem na confusão. Depois disso, temos mais uma ceninha na chuva e corta de novo para Radagast, que não sabemos quem é, não nos importamos com o que ele tá fazendo e não entendemos nada dessas aranhas.</p>
<p>Depois as coisas começam a dar certo novamente, com o filme quase que todo focado na sociedade comitiva de anões e nas suas aventuras, que mesmo sendo bobocas e infantis conseguiram dar um tom minimamente urgente para que nos preocupemos com nossos personagens. Mas aí tem o Conselho Branco, que é equivocado em tantos pontos que nem sei por onde começar mas vamos começar com Saruman.  Não é pra ele ser o velho malvado que tá agindo com Mordor. Teoricamente, durante os eventos do Hobbit, Saruman é o bonzinho, o legal, o super-sábio-do-universo. A única explicação para a reação do Gandalf quando Saruman aparece é que o roteiro ignorou a participação de Saruman no livro e resolveu que ele vai ser o malvado desde o início, assim como mudou a motivação de Saruman nos filmes. Mas mesmo que esse fosse o caso. O filme deixa claro que a Galadriel é fodona. Daí ela fala &#8220;nossa, isso é a faca do bruxão&#8221;. E o Elrond fala &#8220;nossa, é mesmo&#8221;. E o Saruman fala &#8220;que prova temos de que essa é a faca do cara? Nenhuma! <em>Your argument is invalid</em>!&#8221; Tipo. Nem no universo do filme essa colou. Não faz sentido interno o Saruman ignorar o que a Galadriel e o Elrond falam e nenhum dos dois fazer nada a respeito.<br />
E outra. Por que o Saruman precisa deixar ou não deixar os anões fazerem o que quer que seja? Ele é o &#8220;protetor&#8221; da Terra Média, mas o que isso significa? O filme não fala.  E por que que os orcs podem sair no sol tranquilo? Primeiro os orcs de Moria lutam com os anões no sol, o que já é um conceito bem estranho de um povo que não pôde perseguir a Sociedade porque estava de dia. E justamente, o Gandalf logo fala que só vão conseguir fugir das Misty Mountains se eles chegarem até a luz do sol. Mas antes, logo quando vão chegar em Rivendell, os goblins tão atrás deles em wargs em plena luz do dia! Alguém tinha que ter feito essa decisão, né. A cena das charadas podia ter sido tão melhor. A fuga palhacenta das montanhas parece Piratas do Caribe piorado e ainda por cima cansa.</p>
<p>Felizente, para compensar, temos o elenco. Então vamos falar do elenco! Hugh Weaving conseguiu balancear com perfeição o seu personagem, que agora não parece mais um Sr. Smith que fala élfico bem devagar. Ele está mais jovial, mais alegre e mais de acordo com o Elrond do livro Hobbit. Ian McKellen está perfeito. Ele se diverte muito como Gandalf, e o papel não exige tantos momentos &#8220;sou o sábio do universo dando conselhos com a musiquinha tema ao fundo&#8221; que nem em Senhor dos Anéis &#8211; e convenhamos o Gandalf do Hobbit é bem mais divertido. E agora preciso falar da obra prima  que é o duo Bilbo/Thorin, dois personagens difíceis e que foram magistralmente captados pelos atores. Cada cena dos dois é de bater palminhas. Os outros anões, infelizmente, têm pouco lugar na trama, até porque no livro tinham quase tanta personalidade quanto as espadas de Thorin e Gandalf.</p>
<p><span style="font-family: var(--global-body-font-family);">Outro ponto que merece ser mencionado. Tolkien era racista e misógino. Então nos livros dele os elfos brancos e loiros são a raça superior, e quanto mais moreno e mais escuro de pele mais pior você é, desde os Haradrim do sul até os orcs de Mordor. Já as mulheres devem ser belas e inatingíveis, com a exceção que confirma a regra de Éowyn. Não custa nada ler o livro &#8211; e ver o filme &#8211; já sabendo disso sobre o autor e já reparando nesse tipo de coisa. Isso não faz com que você seja obrigado a odiar o livro pra ser anti-racista (só se você quiser). O cinema tentou dar uma melhorada no quesito misoginia &#8211; colocando Galadriel com um papel que não existia em O Hobbit e colocando a Arwen com um papel que não existia em Senhor dos Anéis. Mas não fizeram absolutamente nada pelo racismo, que estranho. </span></p>
<p>Acho que por enquanto é isso, mas não garanto que eu tenha acabado.</p>
<p><b>O Hobbit &#8211; Uma Jornada Inexperada (2012) &#8211; </b><em><b>The Hobbit &#8211; An Unexpected Journey | </b></em><b>De Peter Jackson | </b><b>Com Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage, Cate Blanchett, Hugo Weaving, Christopher Lee, Ken Stott, Ian Holm, Elijahn Wood</b></p>
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		<title>Os Irmãos de Mogli &#124; Rudyard Kipling</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jul 2021 18:50:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Rudyard Kipling]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esse é um daqueles livros mais famosos do planeta que ninguém leu. Todo mundo conhece a história do menino lobo na Índia que tem amigo pantera negra e urso gente boa e luta com um tigre malvado. Mas como ninguém leu o livro, as pessoas acham que é isso aí mesmo e já era. Mas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Esse é um daqueles livros mais famosos do planeta que ninguém leu. Todo mundo conhece a história do menino lobo na Índia que tem amigo pantera negra e urso gente boa e luta com um tigre malvado. Mas como ninguém leu o livro, as pessoas acham que é isso aí mesmo e já era.</p>
<p>Mas como eu sou a chata que acha o livro melhor que o filme desde que eu tenho sete anos, estou aqui para tirar todas as dúvidas. Apesar de ter mais de dez adaptações para o cinema, a mais conhecida é o desenho da Disney de 1967, que acertou a história nos seguintes aspectos: a história é na Índia, Mowgli mora com os lobos e daí aparece vários bichos. Pretendo falar mais sobre essas adaptações no futuro, mas por enquanto é importante ressaltar: o livro é de 1894. Na época não existia <em>literatura infantil</em>, então o autor mandou ver nos animais falantes e nas morais de comportamento e tó, livro pra criança. Hoje em dia, no entanto, é importante avisar aos pais incautos que a história tem momentos sombrios e violentos; os temas falam sobre ganância, exclusão social, amadurecimento e perda. Super dá pra criança ler, mas importante ter aquela supervisão básica.</p>
<p>O autor nasceu na Índia e passou a primeira infância lá. Depois ele voltou adulto já, como jornalista correspondente. Esse livro, segundo ele, foi baseado nas memórias dele quando criança e nas histórias e lendas indianas. Apesar do Kipling ser um colonialista insuportável, essa posição raramente aparece no livro, e tem até momentos que dá pra perceber que ele tem uma admiração relutante pela cultura dos indianos. Como noventa por cento do livro acontece no mundo dos animais e os humanos sequer aparecem, as questões morais são mais relevantes do que as questões sociais, e a leitura é relevante até hoje.</p>
<p>O livro é uma coletânea de contos que foi publicada em dois volumes. Quase metade desses contos tem o menino Mowgli como protagonista e segue a trajetória dele dos zero aos dezoito anos. Os outros contos são em sua maioria sobre animais de diferentes regiões.</p>
<p>O Livro da Selva &#8211; Volume I (The Jungle Book)</p>
<p>Os contos que formam esse volume foram publicados em diferentes periódicos e reunidos em coleção pela primeira vez em 1984. Os três primeiros contos são histórias do Mowgli, que foram usadas bem superficialmente para compor a maioria das adaptações cinematográficas.</p>
<p><strong>Os Irmãos de Mowgli</strong></p>
<p>A história começa com Pai Lobo e Mãe Loba na caverna com quatro lobinhos. Eles são visitados melo desagradável chacal Tabaqui, que os informa da fofoca que Shere Khan, o tigre, vai estar usando essa parte da selva pra caçar. Mãe Loba xinga Shere Khan de aleijado (ele é manco de uma perna) e Pai Lobo reclama que o tigre tá invadindo território alheio. Nisso eles ouvem o rugido de um tigre ali perto, e Mãe Loba se espanta: mas o tigre está caçando <em>homem!</em></p>
<p>Como que ela sabe disso? Porque o rugido do tigre mudou para uma espécie de rosnar baixo que parece vir de todos os pontos cardeais, algo utilizado pelos grandes felinos justamente quando querem confundir os humanos no meio do mato. Os lobos ficam horrorizados, pois pela lei da Jângal é expressamente proibido caçar homens: isso ameaça a vida de todos porque toda vez que um tigre mata homem os outros homens vem pra selva com archotes e destroem tudo.</p>
<p>Ouvindo de longe, os lobos seguem a história: o tigre atacou um acampamento de ciganos e pulou em cima da fogueira, queimando as patas. Pai Lobo sai da caverna para investigar. Ouve um barulho. Se prepara para atacar!</p>
<p>E é um bebê humano, que ainda engatinha. Mãe Loba pede pra ver a criança, já que nunca viu um filhote de homem antes. O bebê se aninha no calor dos lobinhos e começa a mamar na loba. E aí já era, ela quer ficar com ele.</p>
<p>Shere Khan aparece e fala que o filhote é dele. Mãe Loba manda ele sair fora. Nem Shere Khan estava a fim de atacar uma loba defendendo seus filhotes no território dela, e ele sai reclamando que isso não vai ficar assim.</p>
<p>A lei da Jângal diz que todo filhote precisa ser aprovado pelo conselho da alcateia. Seguindo as regras à risca, Pai Lobo e Mãe Loba levam seus quatro lobinhos mais o filhote de homem para a reunião da alcateia, para que os lobos possam aprová-los. Akela, o chefe da alcateia, nem pisca quando um bebê humano é colocado no centro da roda; só continua repetindo que os lobos precisam olhar para os filhotes para decidirem aprovar sua permanência na alcateia.</p>
<p>Shere Khan aparece e fala que ele quer comer o filhote de homem. Akela ignora ele. Alguns lobos mais jovens reclamam que o tigre está certo e que deixar um humano fazer parte da alcateia não faz sentido, e Akela então segue a lei da Jângal: quando a permanência de um filhote é questionada, dois lobos que não sejam seus pais precisam falar por ele.</p>
<p>O primeiro a falar é Baloo. Ele é um urso pardo tranquilão que ensina a lei da Jângal aos filhotes dos lobos, e é a única criatura que os lobos permitem que opine nas reuniões. Ele diz que ele fala pelo garoto e que ele se compromete a ensinar a lei da Jângal pra criança.</p>
<p>Akela pergunta quem mais vai falar. Mãe Loba se prepara para lutar até a morte para salvar seu novo filhote.</p>
<p>Aparece Bagheera, a pantera negra. Ele lembra a todos que a lei da Jângal permite que a vida de um filhote seja comprada por um preço; que ele acabou de matar um touro ali perto; e que ele pode dar esse touro para a alcateia em troca da permanência do filhote de homem. Os lobos jovens se empolgam, falam que tanto faz, a criança vai se afogar no rio ou morrer de insolação mesmo, e correm para comer o touro. Shere Khan vai embora putasso.</p>
<p>O filhote de homem passa a fazer parte da alcateia, e seus pais lobos lhe dão o nome de Mowgli (a rã).</p>
<p>Esse início de história é uma fofura, e com exceção da discussão da alcateia que eu acho linda e não entendo porque a Disney não quis, é seguida à risca em quase todas as adaptações (o que significa que quase todo mundo já conhece). É uma introdução impecável à história, mostrando as nuances de todos os personagens, já estabelece os vilões e os aliados, e coloca o leitor num mundo fantasioso e ao mesmo tempo realista.</p>
<p>Passa dez anos, e Mowgli está correndo por aí sendo criança na selva, quando aos poucos vai percebendo que o cerco de Shere Khan está se fechando contra ele. Akela perde a liderança da alcateia por trapaça dos outros lobos. Shere Khan é idolatrado pelos lobos mais jovens, que odeiam Mowgli por ele ser um homem. Bagheera dá o conselho: se Mowgli for até a aldeia dos homens e conseguir um pouco da flor vermelha, Mowgli poderá usá-la contra Shere Khan e ter alguma chance de escapar dessa.</p>
<p>Mowgli corre até os arredores da aldeia e rouba um pote de brasas de um moleque. Ele volta para a caverna dos pais lobos e passa o dia alimentando sua flor vermelha. Na reunião da alcateia em que um lobo desafiante deve lutar com Akela até a morte pela liderança, Shere Khan aparece e fala que ninguém se importa com um lobo caquético e que é para eles darem Mowgli pra ele. Mowgli se levanta e fala que os lobos não deram permissão pra Shere Khan falar. Shere Khan fala que Mowgli não é lobo, é homem, e que também não faz parte do grupo, e prepare-se pra ser devorado.</p>
<p>Os lobos demonstram que concordam com Shere Khan, tratam Mowgli mal e falam que ele não é lobo, que ele não pertence ao grupo e que ele pode ir embora. Mowgli fica muito chateado e acende um galho imenso nas brasas que ele levou para a reunião. Os animais ficam morrendo de medo. Mowgli dá com o galho queimando na cara do tigre, e fala que já que os lobos estão falando que ele é homem é agora mesmo que ele vai se comportar como um, fala que Akela não deve ser tocado, ameaça todos eles com o fogo, diz que ele são só uns cachorros,  e fala que ele vai embora para a aldeia dos humanos.</p>
<p>Shere Khan e os lobos jovens fogem, e sobra só Mowgli, Akela, uns dez lobos que ainda o apioavam, e Bagheera. Mowgli começa a chorar pela primeira vez na vida e não sabe o que está acontecendo. Depois ele se despede da família de lobos e vai embora para a aldeia dos homens.</p>
<p>Impressionante como um conto com cerca de vinte páginas influenciou tanta coisa e tanta gente. O que será que foi, né? O tema da criança criada por lobos, que cresce na selva longe da civilização, me parece ser atraente para crianças de todas as idades. O momento dos maus tratos que Mowgli sofre dos lobos é bastante cruel, e a luta com o tigre até que assustadora, se a gente pensar que o menino tem dez anos e se ele perder vai ser comido vivo apenas. A narrativa do Kipling sendo super formal sempre me interessou, já que pressupõe uma sociedade respeitosa entre os animais, com noções de hierarquia e do que é apropriado &#8211; algo que o autor certamente pegou emprestado da sua formalidade e propriedade da Inglaterra da época, que tentava empurrar à força seus modos de vida nos indianos.</p>
<p>É uma daquelas histórias que não cansa de ler, favorita cem por cento.</p>
<p>The Jungle Book &#8211; Mowgli&#8217;s Brothers, 1894</p>
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		<title>Guia de Capítulos &#124; A Sociedade do Anel &#124; J.R.R. Tolkien</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jul 2021 02:37:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Segue uma resenha crítica por fã ensandecida, incluindo resumo de todos os capítulos do primeiro volume da série e bastante reclamação do Tom Bombadil. Um dos livros de fantasia mais famosos da história do planeta, esse clássico inspirou uma infinidade de outros autores e definiu o que é o ambiente de fantasia medieval em diversas [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Segue uma resenha crítica por fã ensandecida, incluindo resumo de todos os capítulos do primeiro volume da série e bastante reclamação do Tom Bombadil.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos livros de fantasia mais famosos da história do planeta, esse clássico inspirou uma infinidade de outros autores e definiu o que é o ambiente de fantasia medieval em diversas mídias. Com personagens icônicos, uma trama simples e satisfatória, e uma ambientação tão maravilhosa que quase chega a ser perfeita, o livro ganhou popularidade imensa ao longo dos anos, teve uma adaptação para os cinemas que foi sucesso de público e crítica, e gerou dezenas de produtos que vão desde camisetas do Gandalf até sistemas de RPG, passando por quadrinhos, videogames, jogos de cartas, jogos de tabuleiro e uma equivocadíssima adaptação cinematográfica do outro livro do mesmo autor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas e o livro em si, hein, gente? Quem foi que leu essa gracinha com mais de mil páginas e nem estou falando das introduções e dos apêndices? E põe o dedo aqui quem foi lá com a maior boa vontade, comprou uma edição lindona, pegou o livro na convicção e dormiu logo no primeiro capítulo!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem é fã sabe (e eu sou das fã doente mesmo) que o principal problema do livro é que ele começa <em>muito lerdo</em>. Com exceção de alguns momentos mais empolgantes pouquinha coisa, o livro só começa a engrenar lá pelo capítulo NOVE. Na minha edição de bolso favorito, isso é na página 188. O que significa que o jovem incauto vai ter que ler <em>quase duzentas páginas</em> pro livro ficar legal, gente. Me ajuda. Se você for daqueles leitores com <em>mais </em>preguiça ainda, dá pra falar que a <em>primeira parte inteira </em>do livro é lerda e chata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente pode falar que o livro é <em>velho</em> e que antigamente as coisas era <em>lerda</em>, mas vamos comparar? Um Corpo na Biblioteca, da Agatha Christie, de 1942, começa com o corpo sendo encontrado (logicamente na biblioteca) na página UM do livro. Orgulho e Preconceito, da Jane Austen, de 1813, já manda a melhor citação da história da literatura na <em>primeira frase do livro</em>. E vou ser legal e mostrar que uma <em>outra </em>frase célebre da literatura, que todo mundo conhece, e que é considerada por críticos como sendo uma das melhores primeiras frases de um livro, aparece justamente naonde? No livro anterior a esse, o maravilhoso O Hobbit. Do mesmo autor, claro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então o que que rolou pro Tolkien resolver enlerdar e fazer a história começar só duzentas páginas depois do começo do livro?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro que nada é por acaso. Os hobbits são apresentados não só como os protagonistas da história como também a ligação do leitor com esse mundo estranho. Apesar de pequeninos, de viverem em buracos, e de terem pés peludos, os hobbits são descritos como afáveis, gorduchos, amantes da boa comida e da boa companhia, interessados em fofocas e fumar cachimbo, gregários e avessos à aventuras. Os hobbits somos nós leitores, enrolados no cobertor e lendo o livro no sofá, enquanto ouvimos o fogo crepitar na lareira e deixamos as aventuras bem, bem longe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O autor precisa muito que o leitor <em>entenda</em> os hobbits, porque tudo o que acontece no livro depois vai ser explicado por esse começo. O começo do livro é como uma mini-aventura, em que os hobbits saem pelo mundo sozinhos, sem a ajuda das Pessoas Grandes, com uma missão obscura e um objeto mágico que eles não sabem como funciona, perseguidos por monstros muito mais poderosos do que eles. O começo do livro é chato porque os hobbits fazem pouca coisa, e dependem de outras pessoas para conseguirem se safar dos problemas; isso vai ser colocado em oposição aos momentos finais do livro, em que eles estão sozinhos de novo em situações infinitamente mais difíceis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, apesar de ser possível explicar esse começo mais lento, não se pode negar que <em>é</em> lento, e para os leitores jovens e dinâmicos de hoje em dia pode ser muito difícil ultrapassar esse prelúdio na unha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como eu sou a sua leitora mais legal que vocês conhecem, vou não só falar do livro como também dar aquela resumida nos capítulos, pra vocês saberem qual capítulo pular. Prometo que tudo fica mais fácil depois do capítulo nove.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os incautos é importante mencionar que o livro é dividido em seis partes, que são chamadas de livro I, livro II e tal até o livro VI. As mais de mil páginas intimidaram os editores, que decidiram publicar a história em três partes: os livros I e II viraram A Sociedade do Anel; os livros III e IV viraram As Duas Torres; e os livros V e VI viraram O Retorno do Rei. Ou seja, quando eu falei acima que o livro demora pra engrenar, levem em conta que na minha opinião o livro I inteiro é bem difícil e as coisas começam a melhorar <em>mesmo</em> só no livro II.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Resumo completo de A Sociedade do Anel</h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Tradução / Nota à Edição Brasileira. </strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das primeiras coisas que geralmente aparecem no livro é alguma nota sobre a tradução. Eu conheço a tradução da Lenita e eu sei que ela foi cuidadosa, e ela e o Kyrmse se esforçaram para manter tudo lindo e fazem questão de falar disso nesse começo &#8211; e acredito que qualquer edição brasileira contemporânea tenha o mesmo cuidado. As notas sobre a tradução podem incluir decisões sobre nomes de pessoas e lugares, e geralmente falam sobre a questão dos alfabetos. O Tolkien lindinho inventou <em>um alfabeto </em>para os idiomas élficos da sua ambientação, e ele usa esse alfabeto para escrever em inglês em várias partes do livro. Os especialistas em Tolkien (por exemplo o Kyrmse) fizeram um trabalho muito legal adaptando esse alfabeto para o português.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Prefácio. </strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é o prefácio à segunda edição que o autor escreveu em 1965 (lembrando que o livro foi originalmente publicado entre 1954 e 1955). É aqui que ele explica que ele pensou no livro como continuação do seu outro livro, O Hobbit (publicado em 1937 e um sucesso tão grande que garantiu que os editores publicassem essa continuação tardia quase vinte anos depois), mas que o que ele queria mesmo escrever era sobre ‘o mundo antigo’ (que se tornou a coletânea O Silmarillion, publicada postumamente), e que a história daí foi se transformando em parte do que ele realmente queria escrever, só que com hobbits. Ele também fala da recepção do livro pelos fãs, e de como ele fica feliz com a atenção porém não gosta que entendam o livro como uma alegoria da Segunda Guerra Mundial. De novo, essa parte não é importante se você chegou agora, a não ser que você se interesse pelas motivações dos autores em geral quando escrevem seus livros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As versões atuais do livro tem a tendência de começar falando do histórico das edições, porque O Senhor dos Anéis tem uma característica que a maioria dos livros clássicos não tem: foi escrito por um acadêmico perfeccionista que fazia questão de que todas as partes do livro estivessem perfeitas. Considerando que foi um livro escrito à mão ao longo de mais de vinte anos; que foi datilografado e redatilografado por diferentes editores; e que contém nomes bizarros e idiomas inventados; não é à toa que ele fosse tão neurótico com isso. Mas claro que ser amigo dos editores – e ter vendido bilhões de cópias logo de início – ajudou bastante. Além disso, depois que ele morreu, um dos filhos dedicou a vida escrevendo uma série de livros documentando o o desenvolvimento da obra, e essa série se tornou outra campeã de vendas. Ou seja, não só a história do livro está documentada, como a história do processo criativo do autor está documentada – de uma forma que é pouco vista em outras obras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como você é um leitor casual que acabou de chegar, pode pular essa parte com tranquilidade porque ela só interessa aos fãs hardcore.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Prólogo</h3>



<p class="wp-block-paragraph">E só agora finalmente chegamos ao prólogo. Importante ressaltar que aqui o autor já está dentro da narrativa e fala como se estivesse escrevendo a história acadêmica dos hobbits como se tivesse realmente acontecido, já que, no universo do livro, O Senhor dos Anéis é uma tradução adaptada dos diários dos hobbits.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Parte 1: a respeito de hobbits.</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Se você leu O Hobbit, pode pular essa parte tranquilamente porque é um resumo do que são hobbits, seus costumes e história. Se você não leu O Hobbit e está sem vontade de ler um livro infantil escrito para ser lido para seus filhos antes deles dormirem, pode ler mas já aviso que é um monte de nomes de famílias (estabelecendo a preocupação provinciana dos hobbits com quem é primo de quem mas bastante entediante).</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Parte 2: a respeito da erva-de-fumo.</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Nem lê. Primeiro porque tem spoilers, segundo porque ninguém se importa. Resumo: hobbits gostam de fumar cachimbo e a erva que eles usam é famosa.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Parte 3: sobre a organização do Condado.</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">História das famílias que formam as aldeias dos hobbits. Talvez possa dar uma ideia sobre a personalidade dos personagens Merry e Pippin, mas em resumo: pula.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Parte 4: sobre o achado do anel. </strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Única parte importante do prólogo; primeiro porque é curta, segundo porque mesmo tendo lido O Hobbit não custa lembrar o momento em que esse livro vira continuação daquele – já que, afora alguns personagens e a ideia dos hobbits, um livro não tem nada a ver com o outro, já que a ambientação, os temas, a narrativa, são todos completamente diferentes. <em>Mas</em>, se você quiser pular, tá tudo bem, porque o livro fala disso de novo várias vezes.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Parte 5: Nota Sobre os Registros do Condado. </strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph"><em>V</em><em>ocês sabia </em>que O Senhor dos Anéis é escrito como se fosse uma tradução de uma coleção de diários dos hobbits que participaram da história? Então aqui o autor fala disso, da sua &#8220;tradução&#8221;, da forma como contam as datas no Condado e como o “Livro Vermelho” (nome dos diários dos hobbits) foi composto e preservado pelos elfos. Ou seja. Pula. E aí AGORA começamos com a história eeee!!</p>



<h2 class="wp-block-heading"><em><strong>A Sociedade do Anel</strong></em></h2>



<h2 class="wp-block-heading"><em><strong>Livro I</strong></em></h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 1: Uma Festa Muito Esperada.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Já começa pulando esse capítulo. Bilbo Baggins é o excêntrico do rolê; depois de sair pra ter aventuras e voltar rico, ele adota um primo distante chamado Frodo que é um jovem hobbit gente boa; os dois preparam uma festa super especial pra comemorar o aniversário de 111 anos do Bilbo e de 33 anos do Frodo; a família Gamgee é de jardineiros respeitáveis e pai e filho cuidam do jardim dos Baggins há quarenta anos; Gandalf é um mago amigo de Bilbo que aparece na festa pra fazer os fogos de artifício; a festa é mesmo o máximo mas no final o Bilbo faz um discurso constrangedor e desaparece num truque de mágica de mau gosto, deixando os convidados largados, assustados e com raiva lá na festa. Na casa de Bilbo, ele e Gandalf conversam em segredo: Bilbo fez a festa de aniversário para ser de despedida e pretende ir embora do Condado sem ninguém saber. Bilbo tem uns ataques de raiva bizarros, ele e Gandalf quase brigam porque Bilbo não quer deixar seu anel mágico pra trás, mas no fim Bilbo vai embora de mochila, deixando anel em um envelope endereçado para o Frodo. Quando Frodo volta da festa, depois de acalmar os ânimos dos convidados ultrajados, ele encontra Gandalf dizendo que Bilbo de fato foi embora e deixou tudo de herança pro Frodo, inclusive o anel mágico. Galdalf diz pro Frodo que ele está bem preocupado com o anel, diz que precisa encontrar várias respostas para perguntas sérias e diz que vai embora pra cuidar disso. Ele avisa pro Frodo não usar muito o anel e que quando der ele aparece de volta. Fim do capítulo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 2: A Sombra do Passado.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Esse daqui tem que ler. Explica todas as motivações que levam a história a acontecer e é um dos melhores capítulos do livro todo. Era uma vez um cara malvado que queria dominar todos os povos através de magia, e ele consegue isso criando um anel mágico. Parece bobagem, mas os três grandes povos poderosos do continente também têm anéis mágicos que controlam tudo: os elfos têm três anéis, os reis anões têm sete anéis e os governantes humanos tem nove anéis. Sauron, que é o malvado, consegue fazer um anel que é mais poderoso que os outros, e domina quase tudo. Ele domina os nove reis humanos. Ele destrói ou captura os anéis dos anões. E os três anéis dos elfos não são páreo para o poder do Um Anel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tá mas e daí né o que tem a ver esse monte de história com os hobbits, já que isso tudo é coisa de milhares de anos atrás? Bom, um dia os elfos e os humanos se juntaram para fazer frente ao Sauron, e Sauron matou o rei humano, e o rei elfo tava morto também, e Isildur, filho do rei dos humanos, cortou fora o anel da mão de Sauron e pegou o anel pra ele. Sem o poder do anel, Sauron foi derrotado e o mundo voltou a ter esperanças. Até aí, outro monte de velharia. Isildur famosamente morreu numa emboscada voltando dos campos de batalha para seu reino, e o anel de Sauron se perdeu. <em>Lembra</em> que quando o Bilbo tio do Frodo saiu pra se aventurar com os anões ele encontrou um bicho estranho no meio das cavernas e achou um anel aleatório no meio de um túnel abandonado? Lembra que esse anel deixa o portador invisível quando usado? Pois é, esse anel aí, que o Bilbo usou pra desaparecer na sua festa de aniversário e depois deixou no envelope pro Frodo antes de ir embora, é justamente o anel de Sauron. O Um Anel. O Anel para todos governar, o Um Anel para a todos encontrá-los e <em>na escuridão aprisioná-los</em>. Gandalf conta tudo isso para um jovem Frodo atônito, joga o anel no fogo da lareira e mostra as letras mágicas que aparecem quando o anel fica quente; as letras do verso maligno que o próprio Sauron criou junto com o anel nas forjas da Montanha da Perdição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gente, que capítulo maravilhoso. De arrepiar. O livro passa de uma historinha fofa com criaturinhas baixinhas que gostam de comida e de fofocas, e passa a ser uma narrativa séria, sombria, com raízes históricas e elementos fascinantes: os elfos, Sauron, Mordor, o Um Anel. É <em>disso</em> que a gente fala quando ficamos empolgadas com O Senhor dos Anéis; é <em>isso</em> que faz o livro ser o máximo; é <em>essa </em>ambientação grandiosa e fantasiosa que a gente ama!</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aí chega o capítulo três e tudo é sono de novo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 3: Três Não É Demais.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Pode pular sem culpa. Gandalf foi embora depois de colocar pânico nos hobbits. Frodo decide que vai levar o anel para longe, pra tentar dar um jeito de destruir o artefato. Sam é um pobre jardineiro que ouviu parte da história pela janela e é obrigado por Gandalf a ir junto com Frodo. Pippin é um parente distante de Frodo que vem para o Condado para ajudar na organização de tudo, já que Frodo decide vender a casa e falar pra todo mundo que vai se mudar para perto de Pippin, numa outra aldeia hobbit. Os três começam sua jornada para Valfenda. Eles descobrem que cavaleiros de preto estão fazendo perguntas sobre um Baggins. Eles encontram elfos que contam que faz tempo que Gandalf não é visto e que os cavaleiros negros são servos do inimigo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 4: Um Atalho Para Cogumelos.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Zero coisas interessantes acontecem aqui. Pode pular. O trio de hobbits anda pelas matas tentando chegar na balsa e um fazendeiro ajuda eles. Cavaleiros negros são assustadores. Bora.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 5: Conspiração Desmascarada.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Pula. Frodo cruza o rio de balsa, vê que escapou por pouco de um cavaleiro, descobre que seus amigos hobbits Merry e Pippin sabem de tudo sobre sua viagem e querem ir com ele. Ele aceita e eles decidem viajar pela floresta velha pra evitar a estrada e os cavaleiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os capítulos 3 a 5 são aquele problema que eu falei acima. Dá pra entender o objetivo de demonstrar a ameaça dos cavaleiros negros. Dá pra entender que o autor quis demonstrar como os hobbits são ao mesmo tempo indefesos e cheios de recursos que podem parecer bobos mas muitas vezes os salvam. Mas também dá pra pular.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 6: A Floresta Velha.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Olha, eu gosto desse capítulo, porque adoro a floresta velha. Mas se eu fosse você, eu pulava porque é um monte de hobbit sem noção andando no mato, aí eles são atacados por árvores malignas e são resgatados por um homem bizarro chamado Tom Bombadil. Ele usa botas amarelas e canta. E quando eu falo que ele <em>canta, </em>eu quero dizer isso mesmo: Tolkien adorava poesia e adorava música, e existe uma infinidade de poemas e canções ao longo do livro, muitas delas inclusive em <em>élfico</em>. Eu sempre pulo poesia em livro, então sou suspeita pra falar, mas se você curte, manda ver, tem de monte nesse capítulo e nos próximos dois. A minha birra com o Tom Bombadil é que ele poderia não existir que nada muda na história. E a outra parte chata é que, enquanto as canções dos elfos são todas melancólicas e belas, as do Tom Bombadil são assim, ó:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Ei boneca! Feliz neneca!</em><br /><em>Dingue-dongue dilo!</em><br /><em>Dingue-clongue! Não delongue!</em><br /><em>Largue logo aquilo! Tom Bom, jovial Tom, </em><br /><em>Tom Bombadillo!</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Desculpa, gente. Não dá. Para os puristas, nem em inglês rola, porque <em>hey, doll, merry doll, ring-a-dong-dillo</em> não melhora nada não. Eu nem sei se eu entendo qual é a do Bombadil; tem gente que ama e defende pra sempre; tem gente que tem altas teorias. Pra mim ele é só um idoso mala que tem uma loiraça em casa e canta as musiquinhas porque o Tolkien ainda não tinha decidido que O Senhor dos Anéis definitivamente não era pra criança e ainda estava tentando ser fofo. </p>
<h3>Capítulo 7: Na Casa de Tom Bombadil.</h3>
<p>Nada de relevante acontece aqui: os hobbits são recebidos na casa do Tom Bombadil, ele canta muito, ele ignora os poderes do anel, ele tem uma esposa linda e loira, ele dá conselhos sobre o caminho que eles devem seguir. Ele canta muito. A moça loira canta também. Fim.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 8: Névoa nas Colinas dos Túmulos.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Gosto. Mas pula. Os hobbits vacilam, são pegos por espíritos dos antigos reis mortos, são resgatados por Tom Bombadil e acompanhados por ele o resto do caminho até Bree. Importante: Tom dá a eles algumas espadas encontradas nos túmulos e isso é relevante no futuro. Eu poderia falar que o capítulo é importante só por isso; ou porque é arrepiante e dá um efeito de perigos horripilantes por todos os lados da ilha da fantasia do Bombadil, mas vamos ser realistas? Vamos. Lá na frente quando essas espadas forem importantes, a maioria dos leitores nem vai lembrar de onde elas vieram. O autor sabia disso e faz aquele remember esperto. Então pode pular aqui.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 9: No Pônei Saltitante. | Capítulo 10: Passolargo.</strong> | <strong>Capítulo 11: Uma Faca no Escuro.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Opaaa chegamos na parte bouaaaa urrul! Leiam esses porque vale a pena. Os hobbits chegam em Bree, a cidade onde hobbits e humanos convivem em harmonia, e vão jantar na estalagem do Pônei Saltitante, o lugar onde eles deveriam encontrar Gandalf. Nesse ponto, os hobbits estão preocupadíssimos com o atraso de Gandalf e com a perseguição dos cavaleiros negros. Frodo se sente observado por um cara estranho. Frodo ouve Pippin contando sobre a festa de aniversário do Bilbo e fica preocupado de alguém relacionar o desaparecimento mágico de Bilbo ao anel; decide subir na mesa pra cantar e desviar a atenção; ele tropeça, cai, o anel entra no dedo dele e ele desaparece. Geral fica atônito; mesmo ele saindo de debaixo da mesa depois como se nada tivesse acontecido, o pessoal fica desconfiadíssimo e Frodo acha que vai se ferrar. Os hobbits decidem ir pro quarto e ficar longe do tumulto. Aí chega <em>Strider</em>, ou Passolargo na tradução, um humano andarilho, que entra no quarto com eles e começa uma conversa muito suspeita. Sam se preocupa, achando que ele é inimigo. Nisso o taverneiro chega e entrega uma carta pro Frodo, que Gandalf pediu pro taverneiro mandar pro Condado meses antes. Na carta Gandalf está justamente falando pro Frodo que Passolargo é um amigo e um excelente companheiro. Os hobbits decidem aceitar a ajuda de Passolargo; a estalagem é atacada por cavaleiros negros mas graças a Passolargo ninguém se fere; eles decidem fugir no dia seguinte. Passolargo dá mais informações sobre os cavaleiros negros: eles são espectros malignos que são ligados ao Um Anel; são os nove reis humanos escravizados por Sauron tantos anos antes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Agora </em>a coisa começa a andar. Passolargo é um dos melhores personagens do livro, a apresentação dele é memorável, e a aventura aumenta de intensidade; os inimigos parecem que estão por todos os lados e os cavaleiros negros vão de ameaças imaginadas a criaturas muito reais mas não menos ameaçadoras. É um dos poucos monstros que não perde o apelo <em>depois </em>da revelação do que eles são. Tolkien é mestre em criar cenas tensas, e os cavaleiros negros são vilões muito apropriados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para fugir dos cavaleiros negros que estão patrulhando a estrada, Passolargo faz um atalho monstro pelos pântanos para levar os hobbits até um esconderijo dos elfos. Os cavaleiros estão na cola. Eu <em>adoro </em>a ambientação do Tolkien, então todas as descrições sobre as construções em ruínas feitas pelos povos antigos são fascinantes pra mim; entendo, no entanto, que para leitores <em>normais</em> elas sejam só chatas. Cena memorável: eles sobem num morro lá e os cavaleiros emboscam todo mundo e tem lutas e o Frodo é apunhalado por um dos cavaleiros!</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 12: Fuga Para o Vau.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Devo admitir que o fim do livro I é bem legal.  Eles escapam dos cavaleiros e passam dias andando pelos pântanos com o Frodo machucado ficando cada vez pior. Aí eles trombam com um elfo gente boa que troca umas novidades preocupantes com o Passolargo. Eles decidem arriscar uma última corrida. Cena memorável: o Frodo já quase delirante com a facada maligna sobe no cavalo do elfo e corre pela estrada, tentando chegar no rio. Passolargo e o elfo estão confiantes que assim que Frodo atravessar o vau, que é uma parte do rio que dá pra atravessar a cavalo, ele vai estar a salvo dos cavaleiros. Frodo olha pra trás e vê: nove cavaleiros na perseguição! Eles estão quase alcançando! Frodo está sem forças! À distância, ele vê Passolargo e um ser iluminado ao lado dele! Assim que Frodo atravessa o vau, o rio transborda. Os cavaleiros que estavam no rio são levados pra longe. Os cavaleiros que estavam na outra margem ficam com tanto medo do ser iluminado que preferem pular na água também. Frodo desmaia. Importante ressaltar a participação única e especial do Glorfindel, que mostra um pouquinho do quão poderosos os elfos são &#8211; que é algo que vemos raramente no restante do livro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><em><strong>Livro II</strong></em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda parte de A Sociedade do Anel tem dez capítulos e são todos impecáveis. A trama é boa, a ambientação é incrível, os personagens são maravilhosos, e os <em>plot twist</em> é tudo inteligente. Até agora eu falei dos livros cheio de spoiler mesmo, já que o intuito era que o leitor incauto chegasse aqui no começo do livro 2 com a história fresca na cabeça pra poder começar daqui. Mas se você não quer spoiler pra poder ler sozinha, esse é o momento de você deixar de ler aqui pra poder ir ler o livro lá, porque eu vou contar o que acontece no resto da história. <em>Ain mais eu vi os filmes! </em>Então beleza, bora; mas eu avisei.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 1: Muitos Encontros.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Bilbo está vivo e bem. Gandalf também! Os hobbits se divertem entre os elfos. Frodo descobre que o Bilbo e Passolargo são amigos. Todos têm tempo de relaxar, colocar a fofoca em dia, e no caso de Frodo se recuperar de um ferimento que quase matou ele.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 2: O Conselho de Elrond.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Conhecemos as raças que se unem contra Sauron, descobrimos o tamanho da ameaça que eles estão enfrentando, e finalmente chegamos na única solução possível: um grupo pequeno de pessoas deve se aventurar por metade do continente, ir até os domínios do próprio Sauron, e jogar o anel nas forjas da Montanha da Perdição, onde ele foi forjado e onde há o único fogo quente o suficiente pare derretê-lo. Eles podem contar com aliados em Lórien, uma floresta ao sul do outro lado das montanhas, mas não com Saruman, um mago que costumava ser legal mas agora está atrás do anel também.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 3: O Anel Vai para o Sul.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O grupo de pessoas que vai com o anel é: 1) Gandalf; 2) Passolargo que agora todo mundo chama de Aragorn; 3,4,5,6) os quatro hobbits; 7) Boromir, um príncipe dos humanos do sul que teve sonhos proféticos sobre um artefato que poderia ajudar na guerra contra Sauron e viajou centenas de quilômetros para descobrir o que tava pegando. Ele quer que o grupo leve o anel para Gondor, a capital dos homens, para que de lá eles decidam o que fazer. 8) Legolas, um príncipe elfo das florestas do norte, que vem com a excelente notícia de que Gollum, a criatura doida que tinha ficado anos com o anel antes de perdê-lo para Bilbo e que estava preso entre os elfos, na verdade escapou eeee; 9) Gimli, um dos anões da Montanha Solitária, filho de um dos antigos companheiros de Bilbo nas aventuras com o dragão. Essas nove pessoas viajam para o sul com o intuito de cruzar as montanhas por uma trilha no topo dos picos mais altos ou de viajar para o sul e passar pela terra de Rohan; mas depois da traição de Saruman, o pessoal está meio assim. Eles decidem atravessar pela passagem das montanhas, mas a montanha está de mal humor, neva muito, a passagem é bloqueada e eles são obrigados a voltar. Resta uma única opção: as minas de Moria.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 4: Uma Jornada no Escuro. | Capítulo 5: A Ponte de Khazad-Dûm.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Sem dúvida a melhor parte do livro inteiro. Durante a narrativa, os personagens passam por diversos locais, todos diferentes para os hobbits, e o autor se preocupou muito em criar as raças e culturas e idiomas do mundo dele. Mas a obra-prima vai sempre ser Moria. A imensa mina abandonada dos anões, com centenas de milhares de túneis escuros que se aprofundam pelas montanhas; o mistério do que aconteceu com a última expedição dos anões; a porta com o enigma; o guardião do lago; <em>drums in the deep</em>. E o momento mais triste da história, que me fez jogar o livro longe quando li pela primeira vez; que quase me fez largar a história pra sempre; é <em>impressionante</em> como o autor consegue fazer um personagem ser tão importante em tão pouco tempo e criar uma morte tão memorável. Ao contrário de <em>certos autores</em>, Tolkien não acredita em matar personagens só para chocar o leitor; as mortes são heroicas, emocionantes e <em>muito bem encaixadas </em>na narrativa. A cena do filme é maravilhosa e todo mundo já deve ter visto o meme; mas a experiência de ler a cena pela primeira vez; a construção do ambiente claustrofóbico; a corrida pelas escadas e pela ponte; <em>drums in the deep:</em> se você precisava de algum motivo para ler o livro, está aqui. Esses dois capítulos compensam todas as mil páginas e todas as descrições possivelmente chatas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expedição dos anões foi dizimada por goblins; os antigos construtores das minas foram destruídos por um demônio das profundezas antigas; o Pippin consegue atrair tudo isso de monstro pra cima deles porque é um moleque sem noção; todos fogem dos goblins; Gandalf se sacrifica para salvar todos do demônio e cai com o bicho numa cratera imemorial. Os outros conseguem fugir.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 6: Lothlórien. | Capítulo 7: O Espelho de Galadriel. | Capítulo 8: Adeus a Lórien.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Depois da tragédia, um pouco de poesia. Tolkien se inspirou na mitologia nórdica e druídica para criar a Terra Média, e ele tinha um profundo respeito pela natureza. Essas duas coisas aparecem aqui, com a cidade dos elfos. Ainda abalados com a morte de Gandalf, o resto da comitiva chega até Lórien, onde têm um último momento de paz. Lórien é uma floresta mágica que parece parada no tempo, ali só há sentimento de paz e tranquilidade. O mal do mundo não chega. Eles conhecem Senhora de Lórien, Galadriel. Ela usa seu espelho mágico para ajudar Frodo, passa mensagens para todos os membros da sociedade e dá presentes valiosos. Gimli, que é mal tratado por ser da raça dos anões, que sempre teve inimizade com os elfos, é não só muito bem tratado por Galadriel como também fica fascinado pela beleza da elfa e quando ela oferece um presente ele só pede um cacho dos seus cabelos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 9: O Grande Rio. | Capítulo 10: O Rompimento da Sociedade.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Para fechar essa primeira parte com chave de ouro, dois capítulos com várias animações. Gollum está vivo e perseguindo a comitiva. O grupo todo entra em desacordo sobre o que fazer e que caminho tomar. Boromir foi corrompido pelo anel e tenta atacar Frodo. Frodo foge e Sam vai com ele, eles atravessam o rio e decidem ir para Mordor sozinhos. Orcs atacam o restante da comitiva e levam Merry e Pippin embora. Boromir é morto tentando protegê-los. Aragorn, desconsolado, descobre que Frodo e Sam fugiram sem falar com ninguém e decide ir atrás de resgatar Merry e Pippin, deixando Frodo e Sam para continuarem o caminho sombrio sozinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse final excelente com o <em>cliffhanger</em> perfeito garante que ninguém que chegou até aqui consiga deixar de ir atrás do segundo volume &#8211; ou do livro III, dependendo da sua situação. A sociedade está dissipada, dois morreram e os que sobraram estão cada um num canto. Os caminhos dos dois vão para lugares completamente diferentes. Frodo e Sam vão tentar passar pelas escarpas afiadas e pelos pântanos dos mortos para chegarem até o portão de Mordor. Merry e Pippin estão sendo levados para o sul, talvez para Saruman? E Aragorn, Gimli e Legolas agora tem a impossível tarefa de perseguir um destacamento de orcs que tem horas de vantagem carregando os prisioneiros. O final mostra a angústia de Frodo, a lealdade de Sam, a insegurança de Aragorn e a corrupção de Boromir. Para quem é acusado de descrever mato e pedra, Tolkien é um excelente construtor de cenas de ação e personagens, mesmo que muitas vezes pareça rígido. Ele escreve como se estivéssemos lendo um livro de história, em vez de escrever literatura, e dá pra ver que o que faz os olhos dele brilharem são os povos antigos e a história do mundo que ele criou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se fosse só um amontoado de mato e pedra, o livro não teria sido tão essencial para a formação da fantasia contemporânea. O que é que ele fez de tão esperto? Os elfos serem altivos e tristes? Os humanos serem guerreiros honrados, inteligentes e orgulhosos? A mitologia da ambientação, que vaza pelas linhas a todo momento? Gandalf? <em>Moria?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fico por aqui com esses questionamentos, e volto logo com o segundo volume da trilogia. Até lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>The Lord of the Rings &#8211; The Fellowship of the Ring (1954) de JRR Tolkien. Trilogia O Senhor dos Anéis Volume 1</strong></p>
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		<title>O Conde de Monte Cristo &#124; Alexandre Dumas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Jul 2021 03:10:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alexandre Dumas]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É quase impossível falar desse livro sem estragar as surpresas da história, então pra quem quiser minha opinião antes de tudo: SIM! Leiam! Um dos melhores livros da literatura mundial, do universo, da minha vida. Impossível de largar, impossível de sair da história mesmo depois que o livro acaba. São mais de mil e seiscentas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É quase impossível falar desse livro sem estragar as surpresas da história, então pra quem quiser minha opinião antes de tudo: SIM! Leiam! Um dos melhores livros da literatura mundial, do universo, da minha vida. Impossível de largar, impossível de sair da história mesmo depois que o livro acaba. São mais de mil e seiscentas páginas: sim, mas passa tão rápido que nem dá pra perceber. Incrível. Maravilhoso!</p>
<p>Publicado originalmente em formato de folhetim na França entre 1844 e 1846, esse livro é um dos mais famosos da literatura mundial e foi adaptado dezenas de vezes para o cinema. Alexandre Dumas (pai) e seu colaborador Auguste Maquet se inspiraram na história real de um sapateiro, noivo de uma mulher rica, que foi preso, falsamente acusado por três amigos invejosos de ser espião, e depois voltou para se vingar.</p>
<p>A história começa em 1815, quando o jovem marinheiro Edmond Dantès é preso no dia do seu casamento com a bela Mercedes. Ele é injustamente acusado de traição e passa anos trancado numa prisão isolada em uma ilha perto de Marselha. Lá ele fica amigo de um outro prisioneiro, o velho abade Faria, que lhe ensina tudo o que sabe – e inclusive revela a localização de um enorme tesouro enterrado na ilha de Monte Cristo. Quando o abade morre, Dantès consegue escapar da prisão, chega até o tesouro, e se dedica a se vingar de todos os que acabaram com a sua vida.</p>
<p>Danglars, seu colega marinheiro, foi quem teve a ideia da denúncia falsa, pois tinha inveja do sucesso de Dantès. Vinte anos depois, ele é um banqueiro bem sucedido e é chamado de Barão. Fernand Mondego era apaixonado por Mercedes, com quem Dantès ia se casar. Ele levou a denúncia falsa até o magistrado De Villefort e se casa com Mercedes depois de Dantès ser preso. Anos depois, Fernand e Mercedes são o Conde e a Condessa de Morcef, pois Fernand enriqueceu no exército. Os dois têm um filho chamado Albert.  De Villefort sabe que Dantès é inocente, já que sabe quem é o verdadeiro traidor. Querendo se proteger da ruína, Villefort manda Dantès para a prisão perpétua. Anos depois, ele vira o Procurador do Rei, um dos políticos mais importantes da França.</p>
<p>O livro ganha volume não só pela trama que passa por vinte anos, quatro famílias e mais de vinte personagens, mas também pelo estilo de Dumas: são inúmeros diálogos que demoram para terminar, várias descrições minuciosas e muitas situações que se resolvem depois de páginas infindáveis para manter o leitor entretido. O mais impressionante é que funciona. Em parte pela história incrível: não é só a vingança que nos prende (já que de certa forma já esperamos que isso vá acontecer e queremos saber <em>como</em>), mas também as tramas paralelas de assassinato, romance e até mesmo guerras antigas. De outra parte, o leitor passa a se importar com todos os personagens, até o mais canalha, já que passamos páginas e mais páginas acompanhando a vida de todos: é impossível largar o livro sem saber como cada um terminou.</p>
<p>Eu fiquei totalmente obcecada pelo livro – ainda estou um pouco lá, na verdade – de uma forma que não acontecia há muito tempo. O protagonista é um personagem maravilhoso, sim: mas a forma como a história se constrói não deixa nada simples. Quando eu achei que a parte da vingança ia começar, um grupo enorme de personagens entrou na história, comecei a ficar com medo do conde se vingar das pessoas erradas, e até fiquei com pena de algumas pessoas no final – o autor antecipa isso, e nas últimas 50 páginas faz um <em>remember</em> do início pra reacender na memória de todo mundo o drama todo vivido por Dantès. O meio do livro é empolgante e leve, mas o começo e o final são dignos das melhores novelas mexicanas – com aquele toque de horror oitocentista que só os melhores conseguem criar. Com um final extremamente desconfortável pra mim, que sou ainda infelizmente romântica, o livro ganhou pontos: fiquei pensando na trama por horas – dias – talvez meses – e estou querendo revisitar capítulos, reler cenas, voltar pra ver partes que tomam mais sentido depois de saber quem é quem.</p>
<p>A edição que eu peguei, da editora Zahar, está impecável: com uma tradução excelente, notas relevantes, boa qualidade de impressão e capa bonita. Como o livro foi escrito em 1844, provavelmente tinha uma linguagem mais rebuscada, mas a tradução conseguiu deixar tudo bastante limpo. Mesmo com os diálogos repletos de frases formais, o livro é fácil de acompanhar por leitores contemporâneos. Para quem quiser e souber inglês ou francês, no entanto, existe o site gutenberg.org que disponibiliza a versão original e uma tradução em inglês gratuitas em formato digital.</p>
<p>Um pequeno comentário sobre a adaptação mais recente para o cinema, de 2002: metade do filme segue o rolê do livro, a metade final inventa tudo. Não chega a ser ruim – não tem como ser ruim com aquele conde tão <em>bem apessoado </em>haha – mas não chega nem perto da força do livro. Mais detalhes talvez num post futuro, mas mesmo que queiram ver o filme: LEIAM O LIVRO. É incrível!</p>
<p><strong>Le Comte de Monte-Cristo (1844) de Alexandre Dumas</strong></p>
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