Hora Zero | Agatha Christie

Esse é mais um livro da Agatha Christie com narrativa pouco convencional para o gênero. Em vez de começar com o assassinato, o livro mostra a vida de várias pessoas que só vão se encontrar lá quase no final do livro, quando alguém finalmente é morto de forma brutal. Essa característica deixa o livro mais interessante, pois não queremos apenas saber quem é (ou vai ser) o assassino, mas também quem será morto, quem está agindo de forma dissimulada e quem tem segundas intenções antes mesmo do crime ser cometido.

Enquanto quem lê fica cheio de ansiedade, a narrativa apresenta os personagens da trama. Primeiro, o triângulo amoroso: o bem sucedido jogador de tênis Nevile Strange, bem apessoado e atraente. Sua segunda esposa exuberante Kay, jovem e impulsiva. A ex-esposa Audrey, séria, discreta e distante.

Lady Tressilian é uma senhora inválida que gosta de receber hóspedes em sua propriedade à beira mar, mas fica irritada quando Nevile, protegido do seu falecido marido, propõe uma reunião entre Audrey e Kay, chamando as duas para passar a temporada em Gull’s Cove. Lady Tressilian tem certeza de que isso não vai ser agradável. Como se isso não bastasse para criar desconforto, vão parar lá o amigo da família Thomas Royde, que sempre gostou de Audrey, e o jovem esportista Ted Latimer, que é apaixonado por Kay.

Os aparentemente desconectados Mr. Treves, o advogado, e Andrew MacWhirter, um suicida mal sucedido, trazem mais movimento a pontos importantes da história.

Achei muito interessante a forma como a autora se aproximou do assassinato. O título da história faz referência ao comentário de alguns personagens, dizendo que os romances policiais começam com o crime, quando na verdade deveriam começar bem antes, com todos os pontos que levaram ao assassinato convergindo até chegarem no momento em que o crime acontece: a Hora Zero (zero hour), de onde não se pode voltar atrás.

A autora consegue com facilidade criar esse monte de personagens com características distintas, ao mesmo tempo que nos brinda com muitas pistas falsas, vários suspeitos, revelações no último instante e a tradicional reunião onde o detetive revela tudo.

De forma geral, é um livro que me divertiu mais pela forma diferente com que a narrativa demorou para chegar no assassinato do que pelo mirabolante plano da pessoa que cometeu o crime. De qualquer forma, é uma boa pedida, especialmente para aqueles que curtem a ambientação de aristocracia decadente em que a autora se especializou. Recomendo.

Towards Zero (1944) de Agatha Christie. Detetive Superintendente Battle livro 5.

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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