A Rosa Ferida | Ellis Peters

É de conhecimento de todos que a bela viúva Perle doou sua melhor propriedade à Abadia de São Pedro e São Paulo em Shrewsbury.

A condição para que o contrato seja mantido é que todo ano, na primavera, uma rosa branca da roseira atrás da casa seja entregue à moça como aluguel.

Há três anos, desde que perdeu seu marido e seu filhinho, Judith Perle se dedica integralmente ao seu próspero negócio de tecidos e calmamente recusa todos os pedidos de casamento que recebem. Os mais insistentes são o velho tingidor da cidade, que de forma prática oferece a união dos negócios de ambos através do casamento, o jovem empregado de Judith, que acredita poder subir na vida através do casamento; e o jovem Hynde, filho de um dos maiores fazendeiros da cidade, que está no entanto sem fundos por ter sua mesada cancelada após certas estripulias.

A tudo isso o Irmão Cadfael, herbalista da Abadia, assiste com complacência.
Mas o jovem Irmão Eluric, encarregado de entregar o aluguel da rosa branca todos os anos, pede para parar de ter essa tarefa pois está apaixonado pela viúva e não consegue se aproximar dela sem pensar em pecado.

Cadfael, como testemunha do contrato da viúva Perle com a Abadia, é chamado pelo Abade e ambos resolvem que será melhor para todos se o ultra-devoto Eluric, um garoto que foi entregue à vida monástica aos três anos de idade e nunca havia se aproximado tanto de uma mulher, deixar de ter essa tarefa e outro for o responsável.
É decidido que o ferreiro Niall, que ocupa agora a propriedade doada por Judith, será o encarregado de entregar a rosa.

Naquela noite, Eluric é encontrado morto ao lado da roseira destruída.
E naquela tarde a viúva Perle desaparece completamente, levando o xerife Hugh Beringar e todos os homens da cidade numa busca frenética: se a rosa branca não for entrege à viúva no dia de Santa Winifred, o contrato com a Abadia será anulado e mais da metade da fortuna da viúva voltará a ser dela – fazendo com que ela valha o dobro como noiva.

Essa história, que não deixa de ser mais um romance policial, se passa na Inglaterra do século XII e o detetive é o próprio Irmão Cadfael, monge de meia idade que tem uma enorme vantagem sobre seus colegas de claustro: ele se dedicou à vida monástica apenas após ter passado quarenta anos no mundo, como marinheiro, guerreiro e cruzado na Terra Santa. A experiência que ele trouxe dos avançados árabes não só serve para ajudá-lo na sua tarefa de herbalista e médico como também na criminalística possível da época: comparação de pegadas e rastros, medição de casas para descobrir quartos secretos e a boa e velha dedução.

A autora é obviamente uma romântica de marca maior, e enquanto Cadfael já teve seu tempo no mundo e já teve seus romances, os jovens – nesse caso, não tão jovens assim – sempre têm sua chance. Os personagens, ao contrário de muitos dos livros policiais pela aí, recebem um tratamento cuidadoso, sendo possível vê-los diante dos nossos olhos mesmo com a mais breve das descrições.

Um livro excelente tanto para aqueles que gostam de romances policiais quanto para os que gostam dos livros com uma pitada de história – a autora, Edith Pargeter, era historiadora e se especializou na época da guerra civil inglesa que colocou o Rei Stephen contra sua prima Imperatriz Maud pelo torno de Inglaterra e Normandia.

The Rose Rent (1997) de Ellis Peters. Série Crônicas do Irmão Cadfael Livro 13

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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