Coração de Pedra | Charlie Fletcher

Um livro que é extremamente melancólico, apesar de ser infanto-juvenil.
O protagonista, George, é aquele menino que ninguém repara a não ser pra zoar e dar bronca.
O pai dele morreu num acidente de carro logo depois que eles tiveram uma briga. A mãe dele é atriz e nunca está em casa.
Um dia o menino é injustamente acusado de ter feito uma baderna no museu de história natural e recebe uma suspensão. Com raiva, ele dá um murro numa estátua de um dragão do lado de fora do museu. E ele quebra a estátua.

E um pterodáctil de pedra, gárgula no alto de uma das fachadas dos prédios antigos de Londres, cria vida e começa a correr atrás dele. E ninguém mais vê isso.
E um soldado de bronze também cria vida e protege George, atirando com sua espingarda no bicho de pedra que o perseguia.
E dessa forma George recomeçou, sem querer, uma guerra que já acontece há séculos: de um lado, os cuspidos, estátuas moldadas à semelhança do homem; do outro, os estigmas, estátuas moldadas à semelhança de feras.

Os estigmas querem matar George, mas nem todos os cuspidos estão dispostos a ajudá-lo. Ele acaba se aliando a uma menina que consegue não só ver as estátuas como também sentir o passado delas quando as toca.
E os dois, com a ajuda de algumas estátuas espalhadas pela cidade, têm exatamente vinte e quatro horas para repor a cabeça do dragão que George quebrou e colocar tudo de volta ao que era antes.

Achei o ponto de partida extremamente original, ainda mais considerando o clima da história: uma Londres moderna e decadente mas antiga ao mesmo tempo. Todas as estátuas usadas no livro existem mesmo, e é muito interessante saber a história de cada uma delas. A atmosfera da história de maneira alguma é infantil, tudo remete ao ato de crescer e de como a infância pode ser terrivelmente triste e ruim.

Mas eu achei que o autor escreve de um jeito meio confuso, e às vezes não dá pra saber quem está fazendo o quê. Além disso as crianças dele têm uma mania irritante de nunca entender palavra nenhuma do que está sendo dito pra eles. Tudo bem que crianças de doze anos tendem a não saber muito bem palavras difíceis, e estátuas de trezentos anos tendem com certeza a falar as tais palavras difíceis. Mas que irrita, irrita.

De qualquer forma, é um livro diferente, o que por si só já é algo a ser comemorado. Não que ser parecido com outros tire o mérito de algum livro, mas este consegue usar a originalidade a seu favor, fazendo uma narrativa mais interessante.
Vale a pena. Agora tem que ver os outros da trilogia.

Stoneheart (2006)
De Charlie Fletcher (Reino Unido)
Trilogia Stoneheart Livro 1

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *