I Shall Wear Midnight | Terry Pratchett

Quando vimos Tiffany Aching pela última vez, em Wintersmith, ela estava entrando na puberdade e salvando o mundo novamente, ajudada de leve pelos Nac Mac Feegle e pelas bruxas lideradas por Granny Weatherwax.

Agora ela é uma bruxa oficial, com direito a vassoura e chapéu pontudo, e se o preço a pagar por isso é ser um pouco excluída pelas outras pessoas, que seja. Alguém tem que fazer o trabalho sujo.

Mas parece que há uma entidade maligna solta no mundo,  uma entidade que odeia as bruxas e entra na cabeça de quem tem a mente cheia de ódio e medo, e essa entidade está fazendo o mundo se virar contra todas as bruxas – em especial aquelas mulheres que não tem magia nenhuma mas se parecem com as bruxas feias e velhas dos livros de contos.

Por algum motivo, essa entidade está especificamente atrás de Tiffany, e dessa vez nem os Nac Mac Feegle, nem as outras bruxas, podem ajudá-la.

Ao mesmo tempo, Tiffany tem que lidar com toda essa coisa chata de ser adulta. Afinal, agora ela já tem quase 16 anos, e todas as garotas da sua idade já estão casadas – algumas com filhos. Tiffany sabe que a maior parte das bruxas nunca se casa (elas já tem trabalho o suficiente), mas Nanny Ogg, por exemplo, foi casada umas três vezes, e a colega de Tiffany está noiva de um criador de porcos. Roland, o filho do barão, agora está noivo de uma perfeita princesa de cabelos loiros e vestidos brilhosos.

Eu gostei bastante desse livro, apesar de achar alguns elementos da trama meio sem sentido. Os Feegles, como sempre, roubam a cena, mas a coadjuvante principal é Mrs Proust, dona de uma loja de artigos assustadores em Ankh-Morpork. Isso sim foi interessante: mais do que em qualquer outro livro de Tiffany, o autor juntou o universo da garota-bruxa com o universo fantástico e bizarro de Discworld.

Claro que o Chalk, curiosa formação arenosa com grama em cima onde Tiffany vive, está em Discworld, mas são consideradas séries diferentes porque 1. o tom é outro, os livros da Tiffany são claramente para um público infanto-juvenil, enquanto os outros livros de Discworld são para adultos e 2. porque mesmo Discworld é dividido em várias séries que mal se misturam. A série das bruxas (Equal Rites; Estranhas Irmãs; Quando as Bruxas Viajam, etc) se mistura um pouco com a série de Tiffany, mas só nesse último livro é que Tiffany vai para a cidade grande e conhece coisas como A Guarda e a Universidade Invisível. Temos até uma aparição da maga Eskarina Smith, que aparece em outro livro da série, Direitos Iguais, Rituais Iguais.

Tiffany está bem mais adulta e usando MUITO mais magia nesse livro, e devo dizer que isso não atrapalha a trama em nada. Gostei muito do final do livro, onde o povo do Chalk passa a aceitar melhor que vivem num mundo fantástico, mas espero que não seja o fim-fim-mesmo. Seria legal outro livro da Tiffany.

I Shall Wear Midnight (2010) de Terry Pratchett | Tiffany Aching 4; Discworld 38

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

2 thoughts on “I Shall Wear Midnight | Terry Pratchett

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