A Menina Que Brincava Com Fogo | Stieg Larsson

Depois que li Os Homens que Não Amavam as Mulheres, larguei a trilogia por anos. Afinal, achei o livro meio paradão, sem graça, exageradamente polêmico em partes e bastante idiota em outras. Achei Lisbeth irritantemente apática, Blomkvist muito do insuportável e toda a família Vanger simplesmente clichezada e sem graça.

Mas depois que vi o filme tudo mudou: o roteiro americano do filme de David Lynch Fincher deu vida aos personagens e me deu uma enorme vontade de continuar a ler a série.

Ainda bem.
Tudo o que o primeiro livro tem de ruim, esse segundo tem de bom. O ritmo da narrativa é muito mais envolvente, o mistério é mais interessante, os personagens adquirem profundidade maior e eu passei a me importar muito mais com eles.

A história segue, novamente, o jornalista Blomkvist e a hacker anti-social Salander após o trágico incidente em Hedestad. Salander está construindo uma vida nova com o dinheiro que roubou do corrupto Weneström e Blomkvist entra de cabeça numa reportagem sobre tráfico de mulheres que Dag Svensson, um freelancer, está escrevendo para a revista Millenium.

A primeira parte do livro eu achei meio irregular e irreal – mostra Salander no Caribe tendo um romance com um garoto de 16 anos e salvando uma mulher de ser morta pelo marido durante um furacão.

A segunda parte, que mostra a composição do livro por Blomkvist e Svensson e a aproximação de Salander e de sua amiga Miriam Wu, já é bem mais interessante. Os personagens adquirem mais força e a tensão aparece na forma de Bjurmann, o responsável legal por Salander, que a estuprou e agora morre de medo que ela divulgue o filme que ela fez do evento. Ele decide matá-la e para isso trata de vasculhar o passado dela. Isso coloca uma série de eventos em movimento e joga o livro abruptamente para a terceira parte.

Svensson e sua namorada são assassinados e as digitais de Salander estão na arma deixada no local do crime. Isso desencadeia uma caça às bruxas por parte da polícia e da imprensa que é o que faz a história engrenar.
O leitor não sabe o que aconteceu com Salander, e em vez disso é obrigado a acompanhar todos os detalhes da vida da protagonista através dos olhos dos policiais e dos repórteres que acompanham o caso. O suspense é excelente – o que, afinal, aconteceu com Salander? quais policiais são tapados e quais vão conseguir separar a verdade do lixo que a imprensa publica? será que os responsáveis pelas mortes vão tentar eliminar Blomkvist também? ou será que é a própria Salander a assassina?

Enquanto isso, agentes malignos da vida de Salander começam a se unir quando vêem o nome dela estampado nas manchetes de todos os jornais.
A quarta parte do livro, que eu não vou contar porque é spoiler, é uma aventura de tirar o fôlego e que faz com que o leitor seja incapaz de 1) largar o livro e 2) não pegar o próximo da série logo em seguida.

Um excepcional livro de romance policial por um autor que finalmente mostra a que veio: cada personagem que aparece recebe uma descrição que o torna palpável e humano; a trama se desenrola de forma a deixar o leitor sempre no suspense (com exceção da primeira parte do livro, que é idiota); o final é bem construído e deixa todas as pontas para serem fechadas no próximo volume.

Se você gostou do primeiro livro, é impossível que não goste desse. E se você, como eu, não se empolgou muito com o primeiro, dê mais uma chance ao autor e deixe-se levar por essa excelente série.

Flickan som lekte med elden (2006) de Stieg Larsson | Trilogia Millenium livro 2

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

2 thoughts on “A Menina Que Brincava Com Fogo | Stieg Larsson

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