Joust | Mercedes Lackey

Quando eu era criança e tinha as aulas de história, uma das minhas partes favoritas era o Egito Antigo. Os faraós, as pirâmides, os deuses – era tudo legal demais, e ainda por cima se você pensar que tudo isso aconteceu há milhares de anos!

E aí, o que é melhor que o Egito Antigo?
Egito Antigo com Dragões, é claro!!

Esse livro foi uma adição perfeita à brincadeira.

A ambientação criada pela autora não é exatamente o Egito, mas sim um mundo de fantasia que tem o Egito Antigo como base – assim como a maioria das fantasias medievais se baseia livremente no medievalismo europeu.

Alta e Tia são dois reinos que estão guerreando há bastante tempo. Tia está ganhando, e constantemente expandindo seu território, especialmente devido ao grande número de cavaleiros de dragões, que são chamados de jousters (algo como “justadores”, já que em português o nome daquela luta de dois cavaleiros que tentam se acertar com lanças se chama justa).

Vetch é um servo altan, ou seja, um garoto que nasceu em Alta mas quando seu território foi conquistado pelos tians ele virou escravo – pior que escravo, na verdade, já que escravos podem ser libertados e servos são perpetuamente ligados às terras onde trabalham.
Enfim. Vetch é um garotinho que vive passando fome e apanhando do seu dono, o gordo oleiro Kefti. Um dia, quando Vetch está carregando um balde de água para encher o poço, um jouster aparece e toma a água do pote, e quando Kefti começa a espancar Vetch por isso, o jouster resolve que Vetch agora é dele. A justificativa é que como servos pertencem à terra e a terra pertence ao Grande Rei, maltratar um servo é maltratar propriedade do rei, e o jouster acredita que Vetch servirá o rei melhor se virar um dragon boy (“garoto do dragão”, são como grumetes que cuidam de dragões).

O jouster se chama Ari, seu dragão se chama Kashet, e Ari tem tido problemas com seus dragon boys, que se acham e vivem dando problemas – último inclusive saiu sem dar aviso. Então Ari quer um dragon boy que não possa desistir do trabalho.

A vida de Vetch então muda, já que agora tem o que comer todos os dias e seu principal trabalho é cuidar do maravilhoso dragão Kashet. Kashet não é um dragão como os outros utilizados pelos jousters. Em vez de ter sido capturado pequeno, e depois treinado, e depois drogado com uma planta para ficar mais dócil, como os outros dragões no campo de treinamento, Kashet foi criado por Ari desde que saiu do ovo e é um dragão muito mais tranquilo.

Quando Vetch descobre um ovo de dragão, ele resolve repetir o feito de Ari e ter um dragão para si mesmo, para tentar escapar de Tia e ajudar seu reino a ganhar a guerra.

Esse é o segundo livro Mercedes Lackey que eu leio, e já percebi que ela tem um jeito “longo” de escrever. A história poderia ter sido contada em metade das páginas (esse livro tem quase 500), mas ela gosta de detalhar tudo o que acontece. Isso não é necessariamente ruim, apesar de ter gente que não gosta e que fica impaciente, eu não tenho esse problema: eu gosto de livros longos com bastante detalhes (desde que bem escrito, claro). Isso me dá mais chance para conhecer os personagens, mesmo que no final eu já soubesse o que ia acontecer, já que o livro não tem uma história exatamente original.

Quanto aos dragões, eles são mais como animais selvagens do que bestas inteligentes e mágicas, mas a autora descreve muito bem sua ambientação e o jeito dos dragões, então não tem como não gostar deles.

Um livro divertido, interessante por ter uma ambientação tão diferente, e com personagens interessantes e uma história empolgante, mesmo que clichê.
Minha única objeção é a capa. São tantos anos pra surgir um livro com um protagonista que não é branco (ela fala várias vezes que a pele deles é de diferentes tonalidades de marrom) e aí o artista da capa faz essa besteira. Mas o que esperar de um livro lançado nos Estados Unidos?

Joust (2003) De Mercedes Lackey (EUA) | Série Dragon Jousters Livro 1

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *