Book of a Thousand Days | Shannon Hale

Dashti é órfã que vira criada de Lady Saren, uma jovem de quinze anos com um destino terrível: por se recusar a se casar com seu pretendente, seu pai a condena a passar sete anos trancada numa torre.
Dashti é obrigada a ir junto, mas logo a apatia de Lady Saren, a escuridão da torre e os ratos que ameaçam comer o estoque de comida obrigam Dashti a tomar ações drásticas para tentar sair dali.

O livro é narrado como se fosse o diário de Dashti, que numera os dias que passam dentro da torre (por isso o nome da história é “o livro dos mil dias”). Se por um lado isso deixa a história menos emocionante – pois sabemos que Dashti não vai morrer, já que o capítulo seguinte ainda é com a narrativa dela – por outro lado esse artifício de narrativa deixa o livro bem mais divertido: Dashti é uma narradora inteligente, independente e insistente e escreve coisas como “às vezes é muito difícil acreditar que os nobres são mesmo descendentes dos deuses” e “eu decidi que não vamos morrer aqui dentro”.

A voz de Dashti é importante porque a história é tão deprimente de início – imagina duas meninas trancadas dentro de uma torre por anos, sendo que uma delas não fala nada nunca. A escuridão e a solidão em que as duas vivem – para não dizer as “visitas” do noivo horroroso de Lady Saren – e os temores fundamentados de Dashti sobre o que os homens vão fazer se e quando conseguirem libertá-las é de deixar qualquer leitora chateada. Eu inclusive demorei para engrenar no livro por achar tudo tão sem esperança.

Mas Dashti não se deixa abater, e a segunda parte do livro melhora consideravelmente de tom, mesmo que as aventuras das duas garotas continuem complicadas.

A ambientação de antiga Mongólia é bem sutil e muito bem feita, e deixa o livro ainda mais interessante.

Baseado num conto dos Irmãos Grimm do qual eu nunca ouvi falar chamado Maid Maileen – que depois eu li e a única coisa que realmente tem a ver é os sete anos de trancafiamento – esse livro é bonitinho e divertido, mas o drama e a lentidão do início são por demais dramáticos e lentos – há – e acabam pesando na hora de avaliar o livro, mesmo que o romance do final compense muito as coisas. E ainda por cima Lady Saren é uma chata que é difícil de aguentar!

Book of a Thousand Days (2007) De Shannon Hale (EUA)

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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