Fortune’s Fool | Mercedes Lackey

Katya é a filha mais nova do Rei do Mar. Num mundo onde a magia da Tradição força o futuro de todos, ela sabe que tem um destino incomum pela frente. Enquanto ele não chega, no entanto, ela se diverte sendo a espiã da família real, em missões em todas as partes do mundo. Inclusive no seu lugar favorito: a superfície.

Sasha é o sétimo filho do rei. Isso faz com que a Tradição o transforme em um “fortune’s fool”, ou seja, no filho bobo que tem o destino de ser humilhado pelos irmãos e pelo pai, ser chutado de casa com apenas um pão velho, e conseguir proezas com sua bobice e seu bom coração. Mas Sasha é um estudioso da Tradição e usa a proverbial sorte dos bobos-da-fortuna para fazer do seu pequeno reino um lugar próspero e sem muitos problemas. Sua família o trata bem nos momentos particulares e mal na frente dos outros, para manter a Tradição “enganada”. Um dia, quando ele está fazendo a ronda do reino, ele para na beira do mar para chorar sua solidão e dá de cara com Katya, que foi enviada pelo pai para descobrir porque o reino de Sasha é tão calmo.

Sasha e Katya se sentem imediatamente atraídos um pelo outro e resolvem se casar. Só que a próxima missão de Katya pode não só mantê-los separados por mais tempo do que imaginavam como também destruir uma boa parte do mundo.

O livro começou bem. Tenho um fraco por histórias de sereias, e o reino de Katya no fundo do mar é descrito com muita beleza e graça. E quando a narrativa nos apresenta Sasha, que é um garoto esperto e engraçado, achei que o romance dos dois seria uma boa. Só que aí a coisa toda desandou, porque parece que a autora quis contar todas as histórias do mundo em um lugar só.

Tem um momento lá no fim da história que a Katya vai precisar de um pássaro de origami mágico. Isso faz com que uma boa parte do livro seja gasta em uma aventura longa e sem graça pela qual Katya passa e ganha o tal pássaro como recompensa; Sasha, por sua vez, está salvando o reino de uma assombração pouco ameaçadora. Eu entendi que isso foi pra mostrar a rotina básica de Katya e Sasha, mas achei que foi desnecessário e entediante: eu SABIA que alguma coisa mais séria ia acontecer, então ler as aventuras que eu sabia que iam acabar bem não foi exatamente empolgante.

O romance deles também acontece rápido demais e não sofre nenhum tipo de obstáculo. Eu esperava um pouco mais de conflito nessa parte. Eles formam um casal fofo, e “salvar a Katya mesmo que ela não precise de ajuda” parece um bom objetivo para Sasha. E isso nem teria me incomodado tanto se não fosse o resto do livro.

E aí acontece o problema real (lá pela metade do livro): um Jinn veio de algum outro lugar e toma posse do castelo do Katchei (o que quer que seja isso), e está raptando garotas que têm poder mágico para roubar a magia delas e transformar tudo em deserto. Katya é enviada pelo pai para descobrir o que está acontecendo e seu plano ninja é ser raptada também. E aí Sasha decide ir salvá-la.

Bom, conflito estabelecido, agora precisamos resolver, certo? Certo. Então aí o Sasha vai direto ao castelo pra tentar achar uma forma de destruir o Jinn… não, péra. Ele não faz isso. Ele vai fingir ser um surdo-mudo pra conseguir ser pego por uma bruxa louca. E depois vai ser preso pela Rainha da Montanha de Cobre. Enquanto isso, a Katya está lá, presa com todas as garotas, e fazendo amizade com todo mundo, e tentando descobrir como acabar com o Jinn.

No fim da coisa toda, a mulher colocou todos os personagens dos livros anteriores e mais alguns, deu um destino maior que a vida pra todas as (tipo dez) garotas que o Jinn raptou, e fez o Sasha dar a volta ao mundo pra conseguir chegar no castelo e aí sim tentar derrotar o Jinn. Muito, muito tempo pra ler tudo isso. E tudo na superfície, porque o mundo do mar lindo ficou pra trás lá no primeiro capítulo – uma pena. E ainda por cima tem o tom infantil da história que briga com as insinuações sexuais: gente, OU você faz um conto de fadas com trama infantil, OU você faz um romance com cenas hot. Uma hora eu achava que estava lendo um “filme da Disney” e logo depois era “o rosto dele corou quando pensou nela. Na verdade, mais do que o rosto, fazendo com que ele pensasse como era possível que o sangue se concentrasse em mais de uma parte do corpo“. Tipo. Não.

O livro começou tão bem, e depois se perdeu na trama, nos personagens, no tom… O final é bonitinho, mas quase não terminei de ler de tão entediada. Uma pena.

Fortune’s Fool (2007) de Mercedes Lackey. Série Five-Hundred Kingdoms Livro 3

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *