Mark era o maior assassino da face da terra. Ele viajou o mundo matando pessoas a mando da Agência, mas também fazia uns trabalhos extras que achava online. No início do livro, ele está na sua reunião semanal dos AA – Assassinos Anônimos, onde pessoas falam “oi meu nome é fulano eu sou um assassino e não mato ninguém faz dois anos“. Mark está animado por estar quase completando um ano “sóbrio”, mas ao mesmo tempo temeroso em iniciar seu nono passo do processo. O oitavo passo foi fazer uma lista de todas as pessoas que ele matou. E o nono passo é se redimir para cada uma das pessoas que machucou.
E aí um russo mal-encarado ataca Mark, que está em desvantagem por não poder matar seu oponente. O russo enfia uma faca em Mark, rouba seu caderninho de vítimas, e vai embora. Mark consegue se arrastar até Astrid, uma enfermeira que costumava ajudá-lo nos velhos tempos. Astrid dá os pontos na barriga de Mark. Mark vai pra casa pegar o dinheiro para pagar Astrid, e seu apartamento está pegando fogo.
Felizmente seu gato P Kitty conseguiu fugir para a casa da vizinha. Mark pega o gato e vai ver se Astrid está bem. Mark decide reativar alguns contatos pra descobrir porque estão atrás dele, Astrid se recusa a ficar pra trás, e os dois saem por aí com o gato.
Ao longo da narrativa em primeira pessoa, o livro vai e volta no tempo, mostrando um pouco da vida passada de Mark. Isso dá uma chance pra gente ver como ele era antes do AA: uma mistura de John Wick com Jason Statham. Mas aí o livro começa a discutir coisas mais sérias. Assassinos contratados são psicopatas ou estão apenas fazendo seu trabalho? Eles matam por dever ou por prazer? É possível um arrependimento tão completo que um assassino é capaz de redimir totalmente? O número de pessoas salvas quando Mark mata um chefão das drogas é válido mesmo ou são só vidas hipotéticas que ele usa de desculpa pra dormir melhor à noite?
A narrativa tem momentos bons, como Mark e Astrid discutindo cinema; o relacionamento de Mark com seu mentor Kenji, um antigo matador da Yakuza que se mudou para os EUA quando decidiu entrar pro AA; e as cenas de ação. No entanto, o momento de virada de Mark de matador para arrependido foi um pouco difícil pra mim. Por mais que tenha sido uma surpresa, e por mais que de fato Mark tenha dito várias vezes que ele era um cara terrível, a cena em si tem vários problemas. Claro que tinha que ser horrível, porque era o motivo justamente pra virada do personagem. Mas fiquei com um gosto amargo na boca. Não me convenceu, achei pesado demais, e achei que Mark se safou sem ter o que merecia. Provavelmente era essa a intenção do autor. Só que além disso Mark é desleixado, não checa as coisas, age de forma impensada. Não está de acordo com o que ele era até ali, e aí parece que aconteceu só porque o livro quis.
E aí chegamos na revelação final, que foi completamente anti-climática. O vilão não faz sentido nenhum. Eu não entendi até agora o que Astrid estava fazendo ali. Kenji tem um final idiota.
Assassins Anonymous é ágil e Mark é um bom protagonista, no fim das contas. Mas a revelação do passado terrível ficou fora de tom, as discussões filosóficas pesaram o clima, e o vilão é ridículo. Não foi perda de tempo, porém esperava mais da premissa.
Assassins Anonymous (2024) de Rob Hart | Assassins Anonymous #1

