Ao viajar de trem, Miss Marple, uma senhorinha viciada em livros de detetive, vê um assassinato sendo cometido no trem paralelo. As autoridades, claro, acham que ela imaginou tudo. Irritadíssima com essa falta de confiança nos idosos, Miss Marple convence seu amigo bibliotecário Mr. Stringer a ajudá-la e decide descobrir sozinha quem foi o autor do crime.
Baseado no excelente A Testemunha Ocular do Crime, o filme começa já com uma alteração na premissa que achei bem interessante. No livro, Miss Marple está ciente de que é idosa e não dá conta de investigar sozinha. Então ela contrata a jovem Lucy para ajudá-la, o que dá espaço para até um certo romance entre Lucy e os suspeitos. No entanto, no filme, a própria Miss Marple vai se enfiar na cena.
Para isso, ela se candidata ao posto de empregada na mansão próxima à linha do trem onde Miss Marple acredita que o corpo foi jogado. A mansão Ackenthorpe parece ser o foco de todo o mistério. O velho ranzinza Mr. Ackenthorpe vive atormentando sua bela filha Emma, enquanto os outros irmãos tentam ficar o mais longe possível do pai chato e esperam com ansiedade ele morrer pra ficar com o dinheiro.
Coincidentemente, no entanto, todos os irmãos estavam na mansão na época do crime. O que Miss Marple precisa fazer, além de lavar, passar, limpar e cozinhar, é descobrir onde foi parar o corpo e quem é o assassino.
Margaret Rutherford está ótima como uma Miss Marple atrapalhada e mandona, o filme é ágil e engraçado, e é uma boa adaptação do livro. Alguns destaques divertidos: o ator que faz o Mr. Stringer foi marido da Margaret Rutherford na vida real; e Joan Hickson, a Miss Marple da série dos anos 80, faz uma ponta como a cozinheira Mrs. Kidder.
Murder She Said (1961) de George Pollock; com Margaret Rutherford, Charles Tingwell, Muriel Pavlow, James Robertson Justice

