Neverwhere | Neil Gaiman

Bom, todo mundo que me conhece sabe que eu tenho uma lista absurda de livros que eu tenho e nunca li. E o problema não é falta de tempo (eu arranjo) mas é que só tenho uns livros chatenhos, chatenhos…

Explico-me. É tão difícil começar a ler um livro e ser fisgada imediatamente. E com essa vida tensa que eu ando levando, se o livro não me pega de jeito logo de início, eu acabo deixando-o de lado.

E eu não estava animada pra ler Neil Gaiman, porque ele é muito sombrio e eu estava num momento pouco sombrio da minha vida, mas daí duas coisas aconteceram: tem um mapa do metrô de Londres no início do livro (*amo*) e o primeiro parágrafo já me cativou:

“The night before he went to London, Richard Mayhew was not enjoying himself.”

Sei lá por que motivo foi, mas o fato é que esse parágrafo me levou ao próximo, e ao outro e ao outro, e quando vi não largava mais o livro.

A história é a do tal Richard, que um dia encontra uma garota ferida no meio da rua e resolve ajudá-la, e fazendo isso entra em contato com a misteriosa “London Below”: uma cidade abaixo da Londres que conhecemos; nos túneis abandonados de antigas linhas de metrô, antigos mausoléus, antigos túneis subterrâneos que perderam seu propósito há décadas.

Eu estava certa: o livro é sombrio, e não só porque se passa quase que o tempo todo no subterrâneo. É sombrio porque é Neil Gaiman, sim, e ele tem aquele jeito de narrar o que o vilão anda fazendo pra misturar o suspense na trama. Funciona muito bem, especialmente porque Mr. Croup e Mr. Vandemar são personagens tão assustadores. Além disso, nunca sabemos quem é leal aos heróis e quem está do lado dos malvados.

Como é Neil Gaiman escrevendo, existem mais cenas feias e nojentas (ainda mais considerando a ambientação) do que beleza no mundo que ele criou. E, também pelo mesmo motivo, existe aquele “quê” de literatura fantástica do protagonista – e o leitor – não saberem o que é real ou não.

Mesmo que tenha seus pontos baixos (especialmente passagens as quais que não é recomendável se ler comendo) e seus personagens dúbios e uma meia escuridão perpétua durante o livro, no fim das contas é uma boa leitura e um livro que devorei em menos de uma semana.

Neverwhere (1996)

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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