Releitura | Heart of Light | Sarah A Hoyt

Esse é o primeiro livro de uma trilogia que se passa numa era vitoriana alternativa, onde a magia toma conta do mundo. O casalzinho em lua de mel se vê envolto numa trama internacional para recuperar uma joia mágica, a Heart of Light, que pode mudar o destino do império.

Logo de início o livro desapontador, já que a resenha da contracapa e a resenha da própria autora me levaram a crer que esse seria um livro completamente diferente. No site da autora, ela propagandeia a própria série como sendo uma série de fantasia steampunk ambientada no Império Britânico ao mesmo tempo em que seria um tipo de Indiana Jones misturado com dragões e tapetes mágicos no Império Britânico Colonial! Enquanto isso, a contracapa do livro fala de um jovem casal inglês, Nigel e Emily, que vai passar a lua de mel no Cairo. Mas Nigel na verdade faz parte do serviço secreto de Sua Majestade, e foi enviado para a África para recuperar um valioso rubi que pode mudar o curso da magia no mundo.

No entanto, o livro na verdade é um grande romance de mal entendidos que simplesmente não prendeu meu interesse. O cenário que ela criou é bem legal, permeando a história da Inglaterra e da Europa em geral com eventos mágicos de forma bastante convincente. Apesar de toda a fantasia e magia e dragões e deuses, ela não se desviou dos dilemas morais e culturais da época, o que deixa a narrativa bastante intrigante. A trama da busca pela pedra é boa, apesar do número excessivo de personagens, o que faz com que o livro tente mostrar um final pra história de todo mundo e nem sempre isso dá certo. Além disso, a mudança excessiva de pontos de vista na narrativa me irritou consideravelmente. Nigel e Emily já são uma dupla de protagonistas, e saber o que um pensa do outro e não ver os dois se falando já é suficientemente aflitivo sem ter que ler os dilemas morais de Peter, Kitwana, Nassira e nem sei mais quantos personagens.

Como se não bastasse, os ‘personagens principais’ acabam sendo irritantes e perdendo o charme não só pelo GRANDE MAL ENTENDIDO (os dois fazem suposições aleatórias um sobre o outro mas são incapazes de sentar e conversar a respeito) mas também pelas questões morais do século XIX: Emily é uma típica moça inglesa de boa família da época. Ela é tímida, fala baixo, se veste sempre com ‘propriedade’ e chora toda vez que Nigel a deixa sozinha e ela tem que decidir algo sem a opinião dele, já que ela foi ensinada que a vida dela será obedecer ao marido.
Nigel, por sua vez, é um inglês preconceituoso, inseguro e covarde, que mesmo temendo pela vida da esposa a leva para o meio de um bando de radicais contra o império e depois fica se sentindo culpado.

Felizmente Peter Farewell aparece logo e as coisas começam a ficar animadas. É por esse personagem, o melhor amigo de infância de Nigel, que o livro acaba valendo a pena. Sardônico, corajoso, inteligente, bonito e um aventureiro de marca maior – além, é claro, de ter sangue azul – ele virou meu personagem favorito desde o primeiro momento em que apareceu. O fato do segundo livro ter ele como personagem principal me animou consideravelmente e me fez me forçar a terminar esse.

A originalidade do cenário; a forma como cada nação lida com magia; a tecnologia baseada em poderes mágicos (por exemplo, a história começa com o casal viajando para o Egito num tapete voador de luxo): tudo isso fez com que eu quisesse muito gostar desse livro. Mas infelizmente o livro é destruído pelos protagonistas bobos, pela enorme quantidade de mudança de pontos de vista, e pelo romance idiota que toma conta das páginas e obriga a trama da busca pela pedra mágica a ser compacta e ter resolução insatisfatória.

A curiosidade da vez é que a autora na verdade é portuguesa, Sara D’Almeida, e vive nos Estados Unidos escrevendo fantasia.

Heart of Light (2008) de Sarah A. Hoyt. Série Magical British Empire, Livro 1

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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