Cinder | Marissa Meyer

Lihn Cinder é uma ciborgue – uma humana que sofreu alterações drásticas no seu corpo pela tecnologia: ela tem um pé e uma mão metálicos, com fios dentro do seu cérebro que servem de ligações nervosas. Ela tem uma câmera nos olhos e uma conexão com a internet e um pequeno computador no cérebro. O mais legal de tudo é que seus sensores internos são programados para reconhecer quando alguém está mentindo. Mas na sociedade onde ela vive, após a quarta guerra mundial, ciborgues são considerados menos do que humanos e cidadãos de segunda classe. A Terra está sendo ameaçada de uma invasão iminente pelos inimigos Lunares e também sofre com uma doença misteriosa que mata pessoas em poucos dias.

Cinder foi adotada por um cientista que morreu da peste logo depois, deixando-a para ser criada por sua esposa Adri. Adri detesta ciborgues, culpa Cinder pela morte do marido e faz a garota trabalhar como mecânica para pagar as contas da família. Quando Peony, a irmã mais gente boa de Cinder, contrai a peste, Adri “voluntaria” Cinder para os testes de vacinas que os médicos imperiais estão fazendo. Porque, como a peste é uma ameaça problemática e urgente, e o próprio imperador contraiu a doença mortal, os médicos imperiais fazem um esquema de “sorteio” de ciborgues para testes tentando achar uma cura.

O charmoso príncipe Kai está com muitas coisas na cabeça. Além da doença do imperador seu pai, e da situação crítica da doença em New Beijing, ele também tem que se preocupar com a constante ameaça Lunar. Mas mesmo assim ele se sente estranhamente atraído pela jovem mecânica que o ajuda a concertar sua andróide e tenta conseguir uma amizade com ela a todo custo. Ela, por outro lado, acha Kai muito legal, mas tem certeza que ele vai querer que ela suma assim que ele descobrir que ela é uma ciborgue.

Quando Cinder é ‘voluntariada’ pela madrasta para ser testada com a vacina da peste, ela descobre ainda mais coisas sobre sua origem; coisas que podem colocá-la em perigo ou mesmo salvar o mundo.

Ultimamente tenho lido algumas releituras de contos de fadas e nem sempre foram agradáveis especialmente por causa da tendência à falta de originalidade. Felizmente esse não é o problema desse livro ótimo: original, inteligente e muito, muito divertido, é certamente um dos livros mais empolgantes que li recentemente.

A ideia, como pode ser sacado pelo nome, é ser uma releitura de Cinderela, mas a autora é esperta demais para se ater aos pontos exatos da trama do conto. Então tem sim uma órfã mal tratada pela madrasta e obrigada a trabalhar, tem as step sisters, tem um príncipe charmoso, e tem até o baile – mas felizmente as semelhanças acabam aí.

Cinderela ciborgue é um conceito legal demais, e isso, juntamente com a história movimentada, deixaram o livro impossível de largar. A autora criou um universo interessante, num futuro tecnológico meio decadente, que inclui controladores de mentes, andróides e ciborgues – uma mistura de Blade Runner com contos de fadas. E ainda por cima ficou muito bom!

Fora a ambientação genial, o livro também tem personagens interessantes, uma protagonista que não é mimimizenta, uma andróide FOFA que chama Iko e gosta de roupas, e uma história previsível mas que não deixa de ser boa por causa disso. (Ou vocês tinham alguma dúvida sobre quem seria a sobrinha misteriosa que morreu no incêndio mas talvez não?)

O pessoal da reclamação na internet tá dizendo que o livro é cheio de buracos na trama (tipo a mecânica esquecer dos freios e tal) e que a ambientação fica pouco explicada, mas eu não reparei em nenhum deles durante a leitura, só depois, o que é um ponto a favor do livro. Eu não fico muito lendo os comentários dos blogs porque tenho a mania de já chegar querendo não gostar quando o livro é famosete (tenho espírito de hipster), mas não achei nenhum dos problemas MORAIS aqui que achei em Across the Universe, por exemplo, apesar de gostar de ambas as ambientações e perceber problemas de trama em ambos os livros.

Acho que no fim das contas as melhores partes do livro são as que não remetem muito à história da Cinderela (que é bem idiota, vamos combinar) nem fica no romancezenho melequento dos protagonistas – ou seja, é uma adaptação de contos de fadas que não é muito fiel ao conto e um livro pra adolescentes bobocas que não é (tão) boboca. É uma boa diversão que termina de um jeito que me deixou super ansiosa para ler o próximo livro da série. Recomendo muito!

Cinder (2012) de Marissa Meyer. Série Crônicas Lunares Livro 1.

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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