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	<title>Ursula K. le Guin Archives - A Devoradora de Livros</title>
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	<title>Ursula K. le Guin Archives - A Devoradora de Livros</title>
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		<title>Série &#124; O Poder das Trevas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jul 2013 16:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Ursula K. le Guin]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu queria só lamentar pra todo o sempre que esse lixo tenha existido. Claro que muitos livros são adaptados pro cinema e quase nenhum autor tem liberdade pra auxiliar na produção. Isso faz com que os filmes sejam cortados e mudados. Mas depois de termos visto o primor de Peter Jackson com O Senhor dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu queria só lamentar pra todo o sempre que esse lixo tenha existido. Claro que muitos livros são adaptados pro cinema e quase nenhum autor tem liberdade pra auxiliar na produção. Isso faz com que os filmes sejam cortados e mudados. Mas depois de termos visto o primor de Peter Jackson com O Senhor dos Anéis, e o cuidado com a produção dos quatro Jogos Vorazes, fica claro que <em>é possível</em> fazer adaptações boas! E Terramar merecia algo minimamente digno.</p>
<p>A questão com essa incapacidade humana que é &#8216;O Poder das Trevas&#8217; é que é tudo <strong>muito</strong> ruim! Não é só questão de mudar TOTALMENTE tudo o que estava no livro, e quando eu digo tudo é TUDO. É também questão de que a série é <strong>péssima. </strong>Isso não devia ter sido pensado, escrito, produzido nem exibido! Eu fico realmente na dúvida achando que os produtores e roteiristas e diretores tinham algo pessoal contra a autora. Não é possível!</p>
<p>O filme começa com Ged na sua ilha natal, com uma minazinha que é sua namorada, sonhando em ser um mago, reclamando do pai que obriga ele a ser ferreiro. Quem faz ele é Shawn Ashmore que só foi relevante sendo o homem de gelo do X-Men pelo motivo simples de que ele é um péssimo ator. Daí aparece o Danny Glover meio do nada, como sendo o mestre mago de Ged, Ogion, e Ged lê um livro proibido em voz alta, e Ogion manda ele pra Roke, na escola dos magos. Até aí o Ged é só um moleque mala mimado que se acha e não faz nada de útil além de uma neblina idiota. É importante lembrar que esse lixo foi feito <em>depois</em> do Senhor dos Anéis. Não tem desculpa nenhuma pra cena da neblina ser tão estúpida.</p>
<p>Na escola, Ged fica inimigo do branco rico de sotaque britânico Jasper e amigo de um gordinho simpático alvo de todas as piadas gordofóbicas Vetch. Ged continua sendo um idiota, fazendo perguntas imbecis que o roteiro coloca pra tentar dar um pouco mais de substância à magia do filme (ou, como eles falam, &#8220;<em>wIzARd PoWEr</em>&#8220;). Ged cai na provocação do Jasper, traz um espírito de uma princesa branca e liberta um monstro que é o pior CG da história. O bichinho pula na cara de Ged e dá um arranhãozinho de nada na bochecha dele antes de sumir.</p>
<p>Enquanto isso, em Atuan, num convento onde as mocinhas protegem as chaves do labirinto onde todos os ouros monstrengos são mantidos, a sacerdotisa Thar está doente e tem que escolher sua sucessora. Tenar, a Kristin Kreuk se achando a maior atriz da geração, <em>tem a melhor nota na prova de sacerdotisa </em>e é escolhida em vez de Kossil; Kossil sendo a segunda no comando que está secretamente dando pro rei malvado. Apesar de Tenar ser a que fez o melhor TCC da universidade de sacerdotisas, ela acha que não é boa o bastante para ser <em>reitora. </em>Enquanto isso Kossil escolhe a menina mais burra da face da terra pra envenenar o chá da Thar falando que é <em>remédio</em>. O plano de Kossil e do rei é libertar os monstros e aprender a imortalidade com eles, então Kossil precisa: enfraquecer Thar pra fazer ela escolher uma sucessora e se certificar que Thar escolha Kossil como sucessora pra daí contar pra Kossil o &#8220;encantamento de soltar os monstros&#8221;. Tá vendo, a história sozinha não se sustenta, é só ideia lixo.</p>
<p>Durante todo esse tempo, Ged e Tenar sonham um com o outro e o rei malvado fica andando em vários navios de figurino de papelão dizendo que precisa encontrar o mago da profecia pra poder matar o mago. O tempo todo os personagens estão mencionando nomes relevantes do cenário mas de forma completamente inconsistente, numa hora eles falam de Roke como sendo algo que todo mundo conhece, depois falam de Havnor e o rei malvado não sabe do que se trata, a magia nunca é definida e os magos são completos inúteis.</p>
<p>Daí eles vão até uma ilha com um dragão totalmente aleatório, inexplicável e burro. O tipo de piada genial: Se eles souberem o nome verdadeiro do dragão ele vai responder três perguntas! Ged chuta o nome e acerta. O dragão diz &#8220;você tem duas perguntas&#8221;, e Ged &#8220;mas não era três&#8221; e o dragão ri e fala &#8220;justamente, agora que você me perguntou essa, você tem só duas&#8221;. O dragão responde umas quatro perguntas e fala que Ged precisa ir até Atuan achar &#8220;a runa da paz&#8221;, solta uma charada infantil e vai embora. Vetch e Ged passam por Roke que foi dominada pelo rei malvado, o arquimago que jamais morreu explica que o amuleto quebrado que a &#8220;tia&#8221; do Ged deu pra ele na verdade é metade da runa da paz! Oh!! E agora ele precisa ir pra Atuan que é muito perigoso pra achar a outra metade e juntar a runa. Porque sim. Chegam até Atuan, e Ged é preso imediatamente porque ele é um mago inútil. Ele encontra Tenar e tem aquele momento &#8220;eu sempre sonhei com você&#8221;. Eles vão até o centro do labirinto e soltam os bichos e o rei morre e eles juntam o &#8220;wizard power&#8221; de Ged com o poder da fé de Tenar, refazem o amuleto, sai uma luz pelo mundo e fim da história. E eles se beijam e o Danny Glover fala que o que aconteceu depois &#8220;é outra história&#8221;.</p>
<p>O filme é só um amontoado de todos os clichês do planeta, com atuações pífias, diálogos de passar vergonha, efeitos inaceitáveis. Isabella Rosselini pelo amor de tudo o que é mais sagrado o que você fez pra merecer isso. Danny Glover só podia estar sendo ameaçado por agiotas. Esse lixo não serve pra absolutamente nada e quem não leu os livros e diz que &#8220;ah mas até que dá pra se divertir&#8221; não tem a menor habilidade de interagir com entretenimento. O gordo é alvo de piada, a gostosa malvada dá muito enquanto a bonitinha boazinha é virginal, a idosa é burra e passa a história sendo vítima de envenenamento sem conseguir decidir nada além de &#8220;prendam eles e depois eu penso&#8221;, o nobre inglês branco é vilanesco, o rei malvado quer matar todo mundo e ficar imortal. As pinceladas que eles dão sobre nome verdadeiro, magia do equilíbrio, união de luz e sombra ficam só perdidos entre tanto clichê lixoso.</p>
<p>Se eu for começar a falar as diferenças entre livros e essa calamidade, não acabo nunca mais, mas pra constar vou falar pelo menos algumas, ou as mais revoltantes.</p>
<p>Todos em Terramar tem um <em>vulgo</em> que é o nome pelo qual são conhecidos. E todos em Terramar tem um nome secreto que só é contado para pessoas muito próximas porque esse nome tem poder. Gavião é o nome pelo qual o protagonista é conhecido justamente por ser um mago que se diverte se transformando em pássaro. Ged é o nome que Ogion dá pra ele na sua cerimônia de passagem pra vida adulta. E no filme eles trocam e Ged é o vulgo dele e Gavião é o nome verdadeiro. Parece mesmo que foi só pra irritar.</p>
<p>Ged e Tenar NUNCA tiveram um envolvimento romântico na época em que se conheceram, em Atuan. Tenar NUNCA foi parte de um &#8220;convento&#8221; cheio de menininhas rezando pela luz, como é mostrado no filme. Ela era sacerdotisa de um templo decadente e sombrio que louvava deuses antigos. Ela era a sacerdotisa mais importante e única, nunca teve ninguém competindo com ela.  O &#8220;domínio&#8221; dela era uma caverna onde luz era proibida e um labirinto de onde não se conseguia sair sem as instruções. Kossil era uma sacerdotisa de outro templo que era uma chata futriqueira descrente que atrapalhava a vida da Tenar. Tenar que inclusive teve o nome retirado dela durante o livro todo e só foi devolvido num momento importantíssimo.</p>
<p>Agora ao principal motivo de reclamação da própria autora: no livro, <strong>os personagens não são brancos</strong>. Ged tem pele marrom-avermelhada. Ogion é preto retinto. Vetch marrom escuro. Todos no arquipélago tem pele escura, vermelha, cor de cobre, amadeirado escuro. O único lugar onde as pessoas são brancas é no império Kargad, onde eles tem &#8220;pele branca e cabelo amarelo&#8221;. Eles também são teocratas fanáticos escravistas que não acreditam em magia. Interessante, não?</p>
<p>E aí os produtores dessa mini-série tenebrosa decidiram colocar Ged não só branco, mas LOIRO. E o único personagem negro do filme é o ancião respeitável <em>aka</em> negro mágico. E quando a autora reclamou, o pessoal da produção disse que &#8220;o público da tv é outro, ninguém vai nem reparar&#8221;. O nível de racismo é sem igual. Aliás, a autora foi TÃO sacaneada na hora de comprarem os direitos para a adaptação que ela ficou traumatizada pra sempre. Nunca mais quis que adaptassem nada. Os caras mentiram pra ela na maior, dizendo que a Philippa Boyens estava envolvida no projeto só pra autora ser convencida a assinar o contrato (e depois a Philippa nem tava); e o diretor dando entrevista que a autora tinha aprovado tudo mas ela nunca tinha sido consultada.</p>
<p>Pra continuar. O rei malvado não existe no livro. Os monstrengos não são monstrengos, são entidades de pura sombra que querem destruir a vida e a luz. Eles não tem forma e não tem nome. Em alguns lugares de Terramar, os homens idolatram esses seres, mas eles não são deuses e não atendem preces. Ged realmente &#8216;desperta&#8217; um ser maligno, mas este ser nada mais é do que a representação negativa do próprio Ged. Eu me recuso a falar sobre o dragão. No fim, quando Ged fica frente a frente com essa sombra, o nome que ele pronuncia é o dele mesmo, e a sombra se une a ele, fazendo dele um ser completo. No filme, a sombra vira um Voldemort imbecil falando de poder e vida eterna e se transforma em quem quiser, inclusive no pai do Ged choramingando &#8220;por que você não gosta de mim&#8221;. No segundo volume dos livros, Ged vai até Atuan para buscar a outra metade do amuleto de um mago ancestral, que se quebrou durante uma batalha. Metade do amuleto ficou no tesouro das Tumbas de Atuan. A outra metade Ged recebeu de uma idosa abandonada quando criança numa ilha deserta pelos familiares de família real Kargad. No filme, a metade de Atuan estava o tempo todo na chave que a Tenar carregava pra todo lado.</p>
<p>É tudo alterado pra ficar mais idiota, e o resultado é um roteiro sem pé nem cabeça, mal alinhado, sem graça, arrastado e chato. É a maior pena do mundo que uma obra tão sensacional e única como os livros tenham virado um aglomerado <em>genérico </em>e <em>racista.</em></p>
<p><span style="color: #674ea7;">The Legend of Earthsea (2004) </span><span style="color: #674ea7;">Mini-série de 2 episódios; de Robert Lieberman, com Shawn Ashmore, Kristin Kreuk, Isabella Rosselini, Danny Glover</span></p>
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		<title>A Praia Mais Longínqua &#124; Ursula K. Le Guin</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2013 16:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ursula K. le Guin]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nada melhor do que pegar livros da autora que na minha opinião melhor pensou os dragões: Ursula Le Guin. Esse livro é o terceiro da série Terramar e que por muitos anos foi o último. Depois disso ela escreveu mais um, Tehanu, e só muitos anos depois ela escreveu mais um livro e uma série [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nada melhor do que pegar livros da autora que na minha opinião melhor pensou os dragões: Ursula Le Guin.</p>
<p>Esse livro é o terceiro da série Terramar e que por muitos anos foi o último. Depois disso ela escreveu mais um, Tehanu, e só muitos anos depois ela escreveu mais um livro e uma série de contos.</p>
<p>Então temos a história. Arren, um jovem nobre do norte, vai até a capital dos bruxos em Terramar, a ilha de Roke, para pedir ajuda ao arquimago Gavião.</p>
<p>O problema é sério, pois aparentemente as pessoas que vivem nos confins de Terramar estão esquecendo a magia. Arren não é o primeiro a trazer tais notícias. A coisa é muito séria porque em Terramar as pessoas dependem da magia, e o fato de os magos estarem esquecendo as próprias palavras do idioma mágico demonstra que há algo muito ruim acontecendo.</p>
<p>Os magos de Roke acabam concordando que o único que pode resolver o problema é o próprio arquimago, primeiro porque ele é o mais viajado de todos e esteve nos confins de Terramar, e segundo porque ele é o único Senhor do Dragão ainda vivo.</p>
<p>Como criaturas feitas de magia, os dragões talvez possam dar informações essenciais para que o problema possa ser resolvido.</p>
<p>Gavião surpreendentemente resolve levar com ele o jovem Arren, que todos os magos concordam ter um destino grandioso à frente. Arren está mais do que impressionado com a figura do Arquimago, e concorda. O trajeto deles vai seguir pelo leste, adquirindo pistas sobre o desaparecimento da magia e ao mesmo tempo passando por várias aventuras que farão com que Arren amadureça. A trilha que seguem vai passar pela ilha natal de Arren, Narveduen, eventualmente levá-los até as ilhas conhecidas como <i>The Dragon&#8217;s Run</i>, onde o arquimago pode finalmente tentar conversar com um dragão.</p>
<p>Os primeiros livros de Terramar não são exatamente alegres (já que no primeiro, Gavião tem que destruir uma sombra maligna que pode acabar com o mundo ou morrer tentando, e no segundo Tenar é uma jovem que passou a vida inteira num cemitério), mas nesse a coisa fica ainda mais desanimadora. Não que o livro não seja bom. Muito pelo contrário. Gavião é um dos meus personagens favoritos no mundo inteiro, e nesse livro é o mais foda que ele já esteve. A jornada de amadurecimento de Arren é linda. Os dragões são fabulosos.</p>
<p>O problema é essa história de magia decadente. A autora cria cenas que são tocantes, desesperadoras e revoltantes, dependendo de onde os protagonistas estão. Afinal, se a magia é a força, a ética, a alma dos habitantes de Terramar, sem ela a coisa fica feia.</p>
<p>O livro é excelente, mas definitivamente uma fantasia mais sombria, e de leitura mais desafiadora. Enquanto nos dois primeiros livros a jornada pessoal dos personagens era o foco, nesse livro a jornada de Arren fica em segundo plano (mesmo a história sendo contada do ponto de vista dele) pois o que está em jogo é o próprio mundo em que vivem.</p>
<p>A autora consegue criar uma ambientação impecável, personagens memoráveis e dragões perfeitos. É um livro pesado, apesar de curto, e eu definitivamente não gostei do final.</p>
<p>Mas é uma obra prima da literatura fantasiosa, e uma excelente leitura.</p>
<p><b>The Farthest Shore </b><b>(1972) </b><b>De Ursula K. Le Guin | </b><b>Ciclo Terramar Livro 3</b></p>
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		<title>As Tumbas de Atuan &#124; Ursula K Le Guin</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Mar 2011 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ursula K. le Guin]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando Arha, a sacerdotisa do templo dos Sem Nome, morre, os templários do Rei Deus procuram a menina que nasceu no mesmo dia e hora da morte da sacerdotisa nas quatro ilhas do império Kargad Então eles vão até a casa da garota, e levam-na para a ilha de Atuan, onde fica o templo dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="clear: both; text-align: center;"></div>
<p>Quando Arha, a sacerdotisa do templo dos Sem Nome, morre, os templários do Rei Deus procuram a menina que nasceu no mesmo dia e hora da morte da sacerdotisa nas quatro ilhas do império Kargad</p>
<p>Então eles vão até a casa da garota, e levam-na para a ilha de Atuan, onde fica o templo dos Sem Nome. Lá, eles retiram o nome dado a ela por seus pais e entregam-na em sacrifício aos Sem Nome. Ela passa a ser a nova Arha, a devorada, sempre renascida.</p>
<p>Tenar foi uma dessas garotas, tirada de casa para viver pelo resto da vida no templo como sacerdotisa e renomeada. As duas sacerdotisas do templo do Rei Deus, Kossil e Thar, se encarregam de &#8216;relembrar&#8217; todos os rituais a Arha (afinal, ela é a mesma pessoa num corpo diferente). Enquanto isso, Arha tem uma infância parecida com a das garotas que serão sacerdotisas do templo do Rei Deus, mas ao mesmo tempo sabe que é mais importante: os Sem Nome vieram antes de tudo, antes do mundo, e são superiores aos reis.</p>
<p>Arha vive nas tumbas de Atuan, um lugar inóspito e desértico, onde ficam apenas os templos e as enormes pedras misteriosas que compõe as tumbas. Debaixo do templo dos Sem Nome há uma enorme caverna sagrada, onde nenhuma luz é permitida, e Thar passa todos as direções para que Arha entre lá e saiba contar as aberturas para chegar aos  lugares. Uma dessas aberturas dá para a porta do grande labirinto: uma série de túneis feita para impedir que ladrões bruxos do centro do arquipélago cheguem ao enorme tesouro dos Sem Nome.</p>
<p>A vida de Arha passa assim, com poucas novidades a não ser o sacrifício de alguns malfeitores em honra aos Sem Nome.<br />
Até que Arha vai um dia até a grande caverna escura e se depara com uma visão de tirar o fôlego: estalactites e estalagmites brilhantes, luzes refletindo-se na parede de cristal e um homem negro no centro de tudo, com sua luz mágica na ponta do cajado &#8211; um bruxo do arquipélago!</p>
<p>A partir daí a vida de Arha nunca mais será a mesma, porque apesar de saber que é seu dever entregar o intruso à ira dos Sem Nome, ela sente uma enorme curiosidade por este forasteiro de pele escura e cicatrizes na face. Ela simplesmente não consegue ficar longe dele, mesmo depois de tê-lo aprisionado no labirinto, e Kossil, a sacerdotisa do Rei Deus, suspeita de que algo está errado. Arha logo terá de decidir-se quanto ao destino daquele homem, que se diz um mago e admite estar em busca de um tesouro.</p>
<p>Um livro sombrio, lento e ao mesmo tempo empolgante, As Tumbas de Atuan é diferente de todos os livros de fantasia que você já leu. É como que uma continuação de O Mago de Terramar, mas segue a vida de um personagem diferente, e por isso mesmo tem um clima completamente diferente. Arha é uma jovem que não conhece nada além do tédio e da escuridão, e a vida de maravilhas que o mago lhe mostra é maior do que o seu temor pelos Sem Nome. E sua jornada em direção à vida adulta, junto com suas dúvidas religiosas, são extremamente reais e bem construídos. E ao mesmo tempo, nos diálogos sem esperança que ela tem com o mago &#8211; que perde forças a cada segundo, estando no território dos Sem Nome &#8211; temos uma visão do resto do mundo, longe de Atuan: um mundo fantástico, cheio de magia, cavaleiros e dragões. E nos congratulamos com as decisões de Arha.</p>
<p>Um livro original, interessante e diferente, As Tumbas de Atuan vale a pena ser lido mesmo sem o primeiro volume.</p>
<p>The Tombs of Atuan (1971) de Ursula K. Le Guin | Terramar livro 2</p>
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		<title>O Mago de Terramar &#124; Ursula K Le Guin</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Oct 2010 03:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ursula K. le Guin]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esse livro é um dos sempre aparece nas listas de melhores livros de fantasia. Essa autora é unanimidade entre os grandes da ficção científica. Ela também é famosa por colocar personagens não-héteros-cis-brancos nas histórias sem os leitores sequer perceberem pra ir lá reclamar. E esse também é um dos meus livros favoritos no mundo inteiro. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Esse livro é um dos sempre aparece nas listas de melhores livros de fantasia. Essa autora é unanimidade entre os grandes da ficção científica. Ela também é famosa por colocar personagens <em>não-héteros-cis-brancos</em> nas histórias sem os leitores sequer perceberem pra ir lá reclamar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E esse também é um dos meus livros favoritos no mundo inteiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O livro abre lembrando o leitor de que Gavião, um dos magos mais poderosos de toda Terramar, um dos  maiores viajantes que já existiu, e um dos poucos que pode ser chamado de Senhor dos Dragões, na verdade nasceu na pequena ilha de Gont, ao norte do Arquipélago. E que o livro vai contar a história dele antes da fama.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E entramos de cabeça num mundo mágico porém duro, fantástico porém comum, grandioso porém caseiro. A autora consegue, como nenhuma outra, descrever o ambiente de fantasia de forma perfeitamente normal, sem grandes explosões ou fogos de artifício. A magia em Terramar existe, óbvio. Mas fazer magia não é nem fácil nem tranquilo: Gavião logo descobre que a ambição dos magos nunca leva a nada de bom.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o leitor, que foi atrás de mais uma história de um garoto com poderes mágicos que foi para uma escola de bruxos, de repente se depara com uma longa perseguição sem esperança por mares ermos atrás de monstros desconhecidos, em uma trama onde não há vilão; onde a magia é contemplação e nomenclatura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os elementos da fantasia estão todos lá. A moça sedutora, o vilão que quer ver o herói se da mal, o mentor, e até um dragão de bônus. E no entanto não estão todos lá, porque o local de cada um dos elementos da trama é completamente diferente daqueles atribuídos a eles numa narrativa tradicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é tudo tão diferente dos livros de fantasia jamais escritos que até hoje, anos depois de tê-lo lido pela primeira vez, fico impressionada com a originalidade e frescor de cada cena.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Mago de Terramar é uma obra prima da literatura fantasiosa e mundial, que deve ser lido por qualquer pessoa que goste de ler. Fala dos anseios mais básicos como o de pertencer a um grupo, ou ser reconhecido como bem sucedido &#8211; e logo depois joga na nossa cara frases como &#8220;o perigo rodeia o poder assim como a sombra rodeia a luz&#8221; pra gente ficar pensando até o dia seguinte. Tem os discursos do mestre do Gavião no melhor estilo pouco compreensível de Yoda, e no capítulo seguinte aparece um dos dragões mais legais da história da fantasia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, ao mesmo tempo em que é um tratado de filosofia, consegue cativar o público juvenil! Um livro que posso ficar recomendando a vida toda, mesmo com a adaptação pavorosa que chegou nas telas e mesmo com as editoras racistas colocando Gavião branco na capa &#8211; sendo que tá escrito com todas as letras que ele é de pele escura.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><b>A Wizard of Earthsea (1968) de </b><b>Ursula K. Le Guin. </b><b>Série Terramar Livro 1</b></p>
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