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	<title>J.R.R. Tolkien Archives - A Devoradora de Livros</title>
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		<title>Guia de Capítulos &#124; As Duas Torres &#124; J.R.R. Tolkien</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 15:21:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É impressionante a quantidade de gente que me diz que desistiu de ler O Senhor dos Anéis porque &#8220;o começo é muito chato&#8221;. Em vez de me irritar eternamente, resolvi escrever um guia de capítulos pra você que tem preguiça poder ter a chance de pular algumas partes e ir logo pra onde interessa. Quando [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É impressionante a quantidade de gente que me diz que desistiu de ler O Senhor dos Anéis porque &#8220;o começo é muito chato&#8221;. Em vez de me irritar eternamente, resolvi escrever um guia de capítulos pra você que tem preguiça poder ter a chance de pular algumas partes e ir logo pra onde interessa. Quando chegamos no segundo volume da história, que é dividido em livro III e livro IV, a coisa já está avançando, a Sociedade do Anel está separada, e não tem nenhum capítulo que valha a pena pular.  A primeira parte segue a história de Aragorn, Gimli e Legolas (e depois Merry e Pippin), e a segunda parte segue Frodo e Sam.</p>
<h2>O Senhor dos Anéis &#8211; As Duas Torres</h2>
<h2>Livro III</h2>
<h3>I. A partida de Boromir</h3>
<p>Boromir morre de forma honrada; Aragorn interpreta os rastros de Frodo e faz a decisão importante de, com Legolas e Gimli, ir resgatar Merry e Pippin.</p>
<h3>II. Os cavaleiros de Rohan</h3>
<p>A corrida dos três perseguidores: Aragorn, Gimli e Legolas percorrem uma imensa distância correndo ininterruptamente, atrás do grupo de orcs que capturou os hobbits. Os três adentram a terra de Rohan, e encontram um grupo de cavaleiros liderados por Éomer, sobrinho do rei. Éomer diz que o grupo matou os orcs perto da floresta, comenta que não viram nenhum &#8220;hobbit&#8221;, e empresta dois cavalos pra eles.</p>
<h3>III. Os Uruk-hai</h3>
<p>Narrativa observa através dos olhos de Pippin o terror que foi a corrida dos orcs com os hobbits nos ombros. Pippin fica de ouvidos abertos e percebe que são pelo menos três grupos diferentes de orcs: os Uruk-Hai de Saruman, que querem levar os halflings para a torre do mago branco, os goblins de Moria que estão no rastro deles desde que o Gandalf morreu, e um grupo que segue &#8220;O Olho&#8221; e que Pippin se aterroriza ao deduzir que se trata de orcs vindos de Mordor. Os três grupos estão ficando cada vez mais preocupados com os cavaleiros que se aproximam, e estão também começando a brigar entre si. Um dos orcs de Mordor tenta revistar Pippin às escondidas e o hobbit manipula a conversa quando percebe que o orc sabe de algo sobre o anel através de Gollum. Os cavaleiros de Rohan atacam os orcs, há um grande combate, e Merry e Pippin conseguem fugir para a floresta.</p>
<h3>IV. Barbárvore</h3>
<p>Dentro da antiquíssima floresta de Fangorn, Merry e Pippin se recuperam dos dias terríveis que passaram, e logo sentem vontade de explorar. Sobem uma colina com o intuito de verem por onde estão, e conhecem o melhor personagem do livro todo: Treebeard, ou Fangorn, o líder dos <em>ents</em> (árvores que foram acordadas pelos elfos no início dos tempos e agora têm consciência). Treebeard é muito simpático e fica curiosíssimo com tudo o que os hobbits tem pra contar, e mesmo eles não tendo mencionado nada sobre o anel, fica claro que Saruman é um traidor. Treebeard convoca um <em>entmoot</em> para conversar com outros ents sobre lidar com o mago.</p>
<h3>V. O Cavaleiro Branco</h3>
<p>Aragorn, Legolas e Gimli chegam no local da luta dos cavaleiros de Rohan com os orcs de Isengard e de início ficam desolados com os corpos todos, achando que chegaram ao fim da jornada. Porém, as habilidades quase sobrenaturais de Aragorn para achar rastros o recompensa com a história dos hobbits, que fugiram do combate e entraram em Fangorn. Na velha floresta, eles encontram a prova definitiva: pegadas de dois halflings ao lado do rio. Antes que possam descobrir onde foram parar, no entanto, eles são encurralados por um velho mago de manto e chapéus brancos. E ficam imensamente surpresos quando o mago se revela como Gandalf!! Os quatro amigos se reúnem e Gandalf conta o que aconteceu com ele, mas o foco é em Sauron: eles precisam ajudar Rohan que está prestes a ser atacada por Saruman, para que Rohan consiga ajudar Gondor quando Sauron atacar.</p>
<h3>VI. O Rei do Palácio Dourado</h3>
<p>Gandalf, Aragorn, Legolas e Gimli vão até o palácio do rei dos cavaleiros, Meduseld. Lá eles encontram um rei idoso e pouco afável, completamente manipulado por Gríma, um conselheiro maléfico. Eles também conhecem Éowyn, a bela sobrinha do rei, que anseia por glórias da guerra. Gandalf consegue expulsar Gríma e convencer o rei Théoden a lutar. Um dos generais de Théoden está batalhando contra os exércitos de Saruman na fortaleza de Helm&#8217;s Deep, e Gandalf sugere que Théoden reúna todos os seus cavaleiros e rume para o campo de batalha. Éomer retorna para ajudar na luta. Gandalf diz que vai sair por aí pra achar mais gente.</p>
<h3>VII. O Abismo de Helm</h3>
<p>A batalha ocorre, e são hordas e mais hordas de homens e orcs seguidores de Saruman. Legolas e Gimli começam a competir pra ver quem matou mais inimigos. Gimli some no fim da noite. Aragorn convence Théoden a sair de cavalo. Gandalf um dia de manhã com um monte de cavaleiros que ele reuniu pelas planícies, rende os homens inimigos, e faz com que os orcs fujam.</p>
<h3>VIII. A estrada para Isengard</h3>
<p>Os orcs fugindo da batalha de Helm são confrontados por uma imensa floresta que surgiu da noite pro dia bem no caminho entre o campo de batalha e Isengard. Gandalf ordena que nenhum homem adentre pelas árvores, os orcs se desesperam e tentam fugir pela floresta. Ouve-se um barulho terrível de orcs morrendo esmagados. No dia seguinte, as árvores se abriram e há uma trilha larga por entre elas. A comitiva do rei passa por ali e os homens tem a impressão de que as árvores estão conversando entre elas. No caminho para Isengard, o rei encontra com vários sobreviventes e dá ordens para tentar reorganizar o reino. O objetivo é que todos se reúnam dali alguns dias para marchar para Gondor e auxiliar a grande cidade de Minas Tirith contra Mordor.</p>
<h3>IX. Escombros e destroços</h3>
<p>A comitiva do rei chega em Isengard e descobre tudo completamente destruído. Os membros originais da Sociedade do Anel finalmente se reúnem novamente, e Merry e Pippin recebem Aragorn, Legolas e Gimli em um almoço improvisado em cima dos escombros enquanto Gandalf e Théoden vão conversar com Barbárvore. Merry e Pippin narram o ataque impressionante dos ents contra Isengard algumas noites antes, que incluiu os ents mudando o curso de um rio para alagar todo o vale do mago.</p>
<h3>X. O &#8216;palantír&#8217;</h3>
<p>Todos vão falar com Saruman, que está dentro da sua torre. Saruman usa sua voz sedutora para convencer todo mundo a se odiar, mas não dá certo. Gríma joga uma pedra em Théoden mas erra, e Pippin pega a pedra do chão. É uma esfera perfeita que parece ao mesmo tempo ser sombria e reluzir. Gandalf pega a pedra da mão de Pippin e todos vão embora, deixando Barbárvore cuidando de Isengard. Durante o acampamento da noite, Pippin não resiste e pega a pedra enquanto Gandalf está dormindo. Pippin é imediatamente pego por Sauron, que é quem domina a pedra, e forçado a dizer o que sabe. Gandalf consegue interromper o acontecido, e decide levar Pippin pra Minas Tirith pra evitar mais problemas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Livro IV</h2>
<h3>I. Sméagol domado</h3>
<p>Frodo e Sam estão tentando passar pelas Emyn Muil, sem sucesso. Eles são atacados por Gollum, mas Frodo consegue convencer a criatura a ajudá-los. Obcecado com o anel, Gollum passa a ser o guia do grupo.</p>
<h3>II. A passagem dos pântanos</h3>
<p>Os três passam pelo pântano dos mortos, vêem luzes fantasmas e espíritos maléficos de batalhas antigas. Frodo está cada vez mais fraco.</p>
<h3>III. O Portão Negro está fechado</h3>
<p>Frodo tinha pedido pro Gollum levar eles até o portão de Mordor, mas chegando lá eles não conseguem dar conta de entrar. Gollum fica histérico e diz que se eles tentarem entrar pelo portão &#8220;ele vai ver&#8221; e &#8220;ele vai pegar o precioso pra ele&#8221;, e que eles devem ir por uma &#8220;passagem secreta&#8221; pra Mordor que ele, Gollum, descobriu sozinho. Sem muitas opções e apesar da relutância de Sam, Frodo concorda.</p>
<h3>IV. De ervas e coelho cozido</h3>
<p>Eles vão para o sul e passam por uma terra muito bonita, vêem uma batalha acontecendo entre homens do sul e homens de Gondor, comem coelho e são capturados por guardas de Gondor. Gollum não é visto. Frodo é levado ao capitão da guarda, Faramir, que não parece acreditar muito na história deles.</p>
<h3>V. A janela sobre o oeste</h3>
<p>Frodo e Sam são levados até um esconderijo dos homens de Gondor. Lá, Faramir conta que ele é irmão de Boromir e que Boromir morreu. Frodo está chocado, porém Sam fala demais e revela tudo sobre o anel e sobre Boromir ter tentado roubá-lo. Faramir demonstra tristeza pelo irmão, diz que não tem a intenção de ficar com o anel e que já tinha decidido ajudá-los.</p>
<h3>VI. O lago proibido</h3>
<p>Gollum é visto pelo pessoal de Gondor, e Faramir diz pro Frodo que se eles não conseguirem capturá-lo, terão de matá-lo. Frodo se vê obrigado a convencer Gollum a vir junto com ele, e Gollum é capturado pelos guardas. Faramir não gosta de Gollum e não confia no caminho que Gollum tem pra eles, mas não tem alternativa a não ser deixá-los ir.</p>
<h3>VII. Viagem até a Encruzilhada</h3>
<p>Gollum lidera o caminho e Frodo e Sam vão até Minas Morgul, uma cidade vizinha de Mordor. De lá, Gollum diz que dá pra subir uma escada secreta até a passagem secreta para a entrada secreta de Mordor. Frodo está praticamente um zumbi andando e Sam está racionando comida e água.</p>
<h3>VIII. As escadarias de Cirith Ungol</h3>
<p>Eles sobem escadarias intermináveis, observam as tropas de Minas Morgul saindo para a batalha, e chegam até um túnel maléfico e mal-cheiroso. Gollum logo some.</p>
<h3>IX. A Toca de Laracna</h3>
<p>Frodo e Sam são obrigados a passar pelo túnel, e são atacados um monstro gigante em forma de aranha. Frodo usa a luz de Galadriel pra espantar o bicho. Eles saem correndo mas a aranha usa uma passagem diferente para enfiar um ferrão nele. Frodo cai desacordado. Sam pega a espada e a luz de Frodo e ataca a aranhona. Ela se joga em cima dele para esmagá-lo com seu peso e nisso acaba se enfiando na espada élfica. Ela, que nunca tinha sentido tanta dor na vida, foge de ódio da luz e deixa os dois sozinhos.</p>
<h3>X. As escolhas de Mestre Samwise</h3>
<p>Sam está numa passagem escura perto de Minas Morgul. Frodo não reage, não responde e está ficando gelado. Sam começa a ouvir orcs vindo. Sem tempo pra decidir nada, Sam pega o anel e fica invisível. Os orcs chegam e pegam Frodo. Sam ouve os orcs conversando e um deles fala que Frodo não está morto, porque a aranha gosta de deixar as presas vivas pra poder sugar o sangue depois. Sam se desespera mas quando tenta chegar até Frodo os orcs já o levaram embora.</p>
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		<title>Adaptação &#124; O Hobbit &#8211; Uma Jornada Inesperada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Dec 2022 06:20:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1936, um pequeno livro infantil fez sucesso moderado no mercado editorial britânico. O sucesso foi o suficiente para que os editores pedissem ao autor que escrevesse uma continuação. Só que, como todos sabemos, a Segunda Guerra Mundial estourou lá por aquela época, e a continuação do livrinho infantil demorou mais de dez anos para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1936, um pequeno livro infantil fez sucesso moderado no mercado editorial britânico. O sucesso foi o suficiente para que os editores pedissem ao autor que escrevesse uma continuação. Só que, como todos sabemos, a Segunda Guerra Mundial estourou lá por aquela época, e a continuação do livrinho infantil demorou mais de dez anos para ser publicada &#8211; e quando chegou na editora, era bem diferente do que eles esperavam. Era, na verdade, um livro para adultos com quase mil páginas. Felizmente para todos, a continuação do livro infantil não só fez um enorme sucesso como também pavimentou o gênero da fantasia em ambientação medieval que teve sua era de ouro nas décadas de 60 a 80. O autor chegou a vender os direitos do livro para o cinema, mas até o final do século apenas uma animação de pouca qualidade havia sido feita.</p>
<p>Então veio Peter Jackson. Assim como o livro foi essencial para o sucesso da literatura fantasiosa, os filmes de Peter Jackson abriram as portas para que outras produções do gênero viessem para o cinema &#8211; mesmo que com menos qualidade e sucesso. As adaptações de Jackson não são perfeitas, mas certamente trouxeram a obra de Tolkien para um público bem mais extenso, são obras-primas da produção cinematográficas e continuam maravilhosas mesmo vinte anos depois. E aí, aquele livrinho infantil, escrito na década de 30, que mesmo tendo sido publicado antes é conhecido como &#8220;o prelúdio do Senhor dos Anéis&#8221;, acabou, através de várias reviravoltas, caindo nas mãos de Peter Jackson também. E alguém da produção decidiu que, já não tinham mais como faturar em cima da trilogia do Senhor dos Anéis no cinema, então porque não adaptar seu prelúdio? E por que não dividir <em>em três partes? </em>Aparentemente a ideia foi genial, já que O Hobbit foi uma das melhores bilheterias de primeiro final de semana nos EUA do ano de lançamento. Os fãs, como sempre, ficaram divididos. Muitos não gostaram, muitos idolatraram o diretor, muita gente não tem opinião formada e só foi ver mais um filme de ação e fantasia.</p>
<p>Amanhã faz dez anos que o primeiro filme saiu; então vou aproveitar para revisar as minhas anotações sobre ele.</p>
<p>Na minha visão, o filme sofre por ter características &#8220;tríades&#8221;. Primeiro por ser um filme de fantasia medieval que obviamente não vai terminar e que depende das suas continuações para ter fim. Isso já é um desafio por si só. Os personagens principais são habitantes de uma terra fantástica, e são eles anões, elfos e hobbits (que nem todo o expectador sabe o que é). Segundo que é um filme que foi feito pra ser prelúdio da trilogia de maior sucesso da década. Os fãs que assistiram os filmes querem ver a mesma pegada no cinema &#8211; querem os mesmos temas épicos, os mesmos personagens, a mesma Terra-Média. E terceiro, O Hobbit é uma adaptação de um livro que é muito do bom. Aqueles que leram o livro querem também ver uma adaptação fiel nas telas. Então é complicado. Em todos os pontos acima, O Hobbit tem suas vitórias e suas derrotas, e vou falar de cada uma delas.</p>
<h4>O filme por si só</h4>
<p>A primeira coisa que tem que ser dita sobre o filme é o elenco. Apesar de ser um grupo enorme de pessoas que estão perto do protagonista, a narrativa não fica confusa demais. Como apenas alguns anões têm momentos únicos na trama, dá pra seguir o que acontece sem maiores problemas. A tríade principal &#8211; Gandalf, Bilbo, Thorin &#8211; funciona às mil maravilhas: o entrosamento entre os três é excelente, os diálogos impecáveis e a atuação dos três atores é de tirar o chapéu. O roteiro, no entanto, fica um pouco complicado no começo, por ter cortes demais com informações que a gente só não se importa. O filme bom faz assim: apresenta os personagens principais e daí as coisas começam a acontecer. Esse filme fez &#8220;esses são os anões mas espera tem esse mago aqui e na verdade anos atrás teve essa guerra e agora voltamos ao presente e canta uma música e toma mais um flashback&#8221;. O corte para a luta em Moria e especialmente o corte de Radagast pra mim foram desnecessários e deram a impressão de que a história &#8220;principal&#8221; (Bilbo e os anões) não era interessante o suficiente para que o filme mostrasse o que estava acontecendo com eles. Não que eu seja contra a presença de Radagast. Só acho que ele deveria ter sido mostrado apenas contracenando com a comitiva. O arco de história que os roteiristas escolheram mostrar é bem claro: Bilbo é um bobo que precisa provar seu valor para os anões. As cenas em que ele faz isso são bem idiotas, mas de qualquer forma é um arco válido que tem começo, meio e fim. Apesar das cenas de conflito e perigo pelos quais a comitiva passam serem bem sem graça e sem ameaça real, já que o espectador em momento algum sente que talvez algum deles realmente morra em alguma luta, fica claro que a jornada de Bilbo para ser aceito por Thorin é o que importa.</p>
<h4>O filme como prelúdio de O Senhor dos Anéis</h4>
<p>Nesse quesito, acho que o principal problema &#8211; de novo &#8211; é o roteiro. Por um lado, a história segue a mesma estruturade O Senhor dos Anéis &#8211; A Sociedade do Anel: comitiva se reúne, passa a ser perseguida, momento de calma em Rivendell, depois goblins, momento olha que bonita a paisagem etc. Por outro lado, é mais do mesmo com o pequeno detalhe de que , enquanto O Senhor dos Anéis se beneficiou de uma pré-produção cuidadosa que durou anos, aqui absolutamente tudo é tela verde. E dá pra perceber a diferença entre uma câmera sobrevoando a Nova Zelândia e uma paisagem por computador como pano de fundo para vários orcs digitais lutando com dois atores multiplicados pelo gerador de imagem para parecer um exército .</p>
<p>E ainda tem o fato de que, enquanto Frodo e seus amigos querem salvar o mundo, Bilbo e seus companheiros querem recuperar um monte de dinheiro. Não é a mesma aventura épica, mas o filme <em>quer ser </em>épico. Então tentaram fazer os gigantes das rochas como sendo algo muito ameaçador, quando na verdade era só o Tolkien falando dos gigantes jogando pedra nas montanhas para explicar pro moleque filho dele de onde vem os trovões.</p>
<h4>A Adaptação.</h4>
<p>Lembra lá no começo do post, que eu falei que O Hobbit é um livro infantil? Tipo, pois é. Infantil igual a Nárnia. Com personagens bobos e engraçados. Com trama leve, sem violência e sem conflitos. Com momentos de fantasia para agradar ao paladar infantil, como trolls brigando para ver qual come qual perna dos protagonistas, um homem que vira urso nas horas vagas e precisa ser apresentado aos anões aos poucos pra não ficar bravo e um monstro das profundezas das montanhas que pode ser enganado usando uma competição de charadas. Aí o pessoal dos filmes vem querendo faturar e resolve transformar um livrinho de 300 páginas em uma trilogia épica cheia de efeitos, batalhas imensas, personagens conflitados e participação especial de Elrond e Galadriel.</p>
<p>Depois que a gente descobre que a produção foi toda torta, com várias trocas de equipe, roteiro todo recortado e conflito entre visão de diretores, dá pra entender um pouco a confusão do filme. Em alguns momentos, ele consegue ser épico. Em outros momentos ele consegue ser fiel ao livro. O resultado foi um pouco dos dois, e um filme bem do irregular.</p>
<p><span style="font-family: var(--global-body-font-family);">E agora já aviso que vou virar a fã ensandecida com spoilers e reclamação de tudo, que é minha forma favorita de consumir entretenimento. </span></p>
<h4>Comentário de Fã Maluca</h4>
<p>Eu não sei se vocês repararam em como eu sou louca nerd abismalmente fanática pelo universo do Senhor dos Anéis, mas se não repararam enfim. Tô falando agora. A primeira vez que assisti esse filme eu não pude evitar de reparar nas semelhanças e diferenças entre o filme e o livro, como eu sempre acabo fazendo quando assisto uma adaptação. E mesmo assim não pude deixar de reparar na irregularidade complicada do roteiro.</p>
<p>Da segunda vez que eu assisti, o filme ficou mais leve, até porque eu não estava comparando cada cena com o livro. Mas em ambas as vezes me deu a impressão de que é um filme assistível por leigos que não leram os livros mas que perde a metade da graça pra essa audiência. Ou seja, o filme é muito mais direcionado a fãs do que ao assistidor médio que provavelmente tentou ler O Senhor dos Anéis depois que o filme saiu e só ouviu falar do Hobbit por causa de Senhor dos Anéis ou quando muito leu O Hobbit há muitos anos. O filme  não é feito pros leigos. O filme é feito pros fãs. Dito isso, claro que muitos fãs já tão reclamando pela aí que Radagast parece uma princesa Disney porque ele fica falando com os animaizinhos. Mas O Hobbit sofre de problemas muito maiores do que a caracterização de um mago menor.</p>
<p>O Hobbit nunca vai ser considerado um filme por si só; ele não foi feito pra isso. Ele é uma adaptação de um livro famoso. Ele é prelúdio de um livro mais famoso ainda, que foi transformado nos filmes que trouxeram, junto com Harry Potter, a fantasia de volta ao cenário hollywoodiano. É muita expectativa pra um filme que na verdade já tinha o enorme desafio de transformar um livreco infantil de 200 páginas em três blockbusters épicos cheios de aventura. O principal problema do Hobbit, portanto, é o roteiro. Ao tentar balancear o tom do livro com o tom dos filmes anteriores que na verdade se passam depois (numa chateação digna de Star Wars), o roteiro enche o começo do filme com cenas desnecessárias, com personagens que não são interessantes e por motivos sem sentido.</p>
<h4>Quer ver?</h4>
<p>No começo do filme temos um prelúdio digno de A Sociedade do Anel mostrando-não-mostrando o ataque do dragão ao reino de Erebor. Legal muito da hora louco demais. Até aí, ok, é um prelúdio e não esperamos muito em termos de personagens. Daí temos uma cena que nos leva direto ao início da Sociedade do Anel e beleza, um filme é continuação do outro e tinham que dar uma ponta para o Frodo porque se não os fãs do filme do SdA não iam querer ver O Hobbit. Depois os anões chegam e fica bem legal. Mas aí, mal sabemos quem é Bilbo e o que os anões querem e já voamos para as portas de Moria, numa batalha épica que perde o sabor porque o espectador não se importa com nenhum dos dois lados e nem consegue distinguir quem é quem na confusão. Depois disso, temos mais uma ceninha na chuva e corta de novo para Radagast, que não sabemos quem é, não nos importamos com o que ele tá fazendo e não entendemos nada dessas aranhas.</p>
<p>Depois as coisas começam a dar certo novamente, com o filme quase que todo focado na sociedade comitiva de anões e nas suas aventuras, que mesmo sendo bobocas e infantis conseguiram dar um tom minimamente urgente para que nos preocupemos com nossos personagens. Mas aí tem o Conselho Branco, que é equivocado em tantos pontos que nem sei por onde começar mas vamos começar com Saruman.  Não é pra ele ser o velho malvado que tá agindo com Mordor. Teoricamente, durante os eventos do Hobbit, Saruman é o bonzinho, o legal, o super-sábio-do-universo. A única explicação para a reação do Gandalf quando Saruman aparece é que o roteiro ignorou a participação de Saruman no livro e resolveu que ele vai ser o malvado desde o início, assim como mudou a motivação de Saruman nos filmes. Mas mesmo que esse fosse o caso. O filme deixa claro que a Galadriel é fodona. Daí ela fala &#8220;nossa, isso é a faca do bruxão&#8221;. E o Elrond fala &#8220;nossa, é mesmo&#8221;. E o Saruman fala &#8220;que prova temos de que essa é a faca do cara? Nenhuma! <em>Your argument is invalid</em>!&#8221; Tipo. Nem no universo do filme essa colou. Não faz sentido interno o Saruman ignorar o que a Galadriel e o Elrond falam e nenhum dos dois fazer nada a respeito.<br />
E outra. Por que o Saruman precisa deixar ou não deixar os anões fazerem o que quer que seja? Ele é o &#8220;protetor&#8221; da Terra Média, mas o que isso significa? O filme não fala.  E por que que os orcs podem sair no sol tranquilo? Primeiro os orcs de Moria lutam com os anões no sol, o que já é um conceito bem estranho de um povo que não pôde perseguir a Sociedade porque estava de dia. E justamente, o Gandalf logo fala que só vão conseguir fugir das Misty Mountains se eles chegarem até a luz do sol. Mas antes, logo quando vão chegar em Rivendell, os goblins tão atrás deles em wargs em plena luz do dia! Alguém tinha que ter feito essa decisão, né. A cena das charadas podia ter sido tão melhor. A fuga palhacenta das montanhas parece Piratas do Caribe piorado e ainda por cima cansa.</p>
<p>Felizente, para compensar, temos o elenco. Então vamos falar do elenco! Hugh Weaving conseguiu balancear com perfeição o seu personagem, que agora não parece mais um Sr. Smith que fala élfico bem devagar. Ele está mais jovial, mais alegre e mais de acordo com o Elrond do livro Hobbit. Ian McKellen está perfeito. Ele se diverte muito como Gandalf, e o papel não exige tantos momentos &#8220;sou o sábio do universo dando conselhos com a musiquinha tema ao fundo&#8221; que nem em Senhor dos Anéis &#8211; e convenhamos o Gandalf do Hobbit é bem mais divertido. E agora preciso falar da obra prima  que é o duo Bilbo/Thorin, dois personagens difíceis e que foram magistralmente captados pelos atores. Cada cena dos dois é de bater palminhas. Os outros anões, infelizmente, têm pouco lugar na trama, até porque no livro tinham quase tanta personalidade quanto as espadas de Thorin e Gandalf.</p>
<p><span style="font-family: var(--global-body-font-family);">Outro ponto que merece ser mencionado. Tolkien era racista e misógino. Então nos livros dele os elfos brancos e loiros são a raça superior, e quanto mais moreno e mais escuro de pele mais pior você é, desde os Haradrim do sul até os orcs de Mordor. Já as mulheres devem ser belas e inatingíveis, com a exceção que confirma a regra de Éowyn. Não custa nada ler o livro &#8211; e ver o filme &#8211; já sabendo disso sobre o autor e já reparando nesse tipo de coisa. Isso não faz com que você seja obrigado a odiar o livro pra ser anti-racista (só se você quiser). O cinema tentou dar uma melhorada no quesito misoginia &#8211; colocando Galadriel com um papel que não existia em O Hobbit e colocando a Arwen com um papel que não existia em Senhor dos Anéis. Mas não fizeram absolutamente nada pelo racismo, que estranho. </span></p>
<p>Acho que por enquanto é isso, mas não garanto que eu tenha acabado.</p>
<p><b>O Hobbit &#8211; Uma Jornada Inexperada (2012) &#8211; </b><em><b>The Hobbit &#8211; An Unexpected Journey | </b></em><b>De Peter Jackson | </b><b>Com Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage, Cate Blanchett, Hugo Weaving, Christopher Lee, Ken Stott, Ian Holm, Elijahn Wood</b></p>
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		<title>Série &#124; O Senhor dos Anéis &#8211; Os Anéis de Poder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Dec 2022 22:55:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vinte anos atrás saiu a trilogia O Senhor dos Anéis, que hoje em dia tem status de clássico. Fez um enorme sucesso, foi bem recebido por críticos, ganhou vários Oscar (naquela época o prêmio tinha credibilidade); e faz aniversário com a convicção de uma adaptação feita com paixão e competência. Dez anos atrás saiu a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Vinte anos atrás saiu a trilogia O Senhor dos Anéis, que hoje em dia tem status de clássico. Fez um enorme sucesso, foi bem recebido por críticos, ganhou vários Oscar (naquela época o prêmio tinha credibilidade); e faz aniversário com a convicção de uma adaptação feita com paixão e competência.</p>
<p>Dez anos atrás saiu a trilogia O Hobbit. Foi menos bem recebida em partes, já que teve enorme sucesso comercial. Não envelheceu bem, já que a maior parte das cenas foi feita em CGI, o roteiro é esburacado e as mudanças na história para transformar um livro infantil de 300 páginas numa trilogia épica de quase 8 horas de duração não foram bem feitas, desagradando tanto fãs quanto críticos.</p>
<p>Agora em 2022 o pessoal achou que já estava na hora de fazer mais dinheiro com a marca e resolveu investir pesado na aquisição de mais material do Tolkien. Mas ele publicou apenas dois livros que se passam na Terra Média, e esses dois já foram adaptados. Se não é pra fazer refilmagem, como que os roteiristas vão trabalhar? Felizmente para todos, o Tolkien tem uma tonelada de material que ele não publicou: livros quase prontos que foram recusados pelas editoras, contos inacabados e várias versões anteriores de O Senhor dos Anéis que foram descartadas pelo autor quando terminou a obra. Então só o que os produtores dessa série tiveram que fazer foi comprar o direito de adaptar umas páginas que o Tolkien escreveu e roteirizar a partir disso. Pronto, problema resolvido!</p>
<p>Mas aí tem o seguinte. Alguém aí já leu alguma coisa que o Tolkien escreveu <em>sem ser</em> O Senhor dos Anéis e O Hobbit? Pode ser os apêndices de O Senhor dos Anéis, já aceito. Não? O Silmarillion, então. Alguém? Pois é. Já deu pra contar que são pouquíssimos. E todos nós sabemos o que os produtores e roteiristas tiveram que enfrentar na hora de inventar essa série de Os Anéis de Poder. Tolkien <em>é muito chato</em>. Ele escreve como se fosse uma enciclopédia sobre a história do mundo, só que o mundo dele é a Terra Média. Quase não tem diálogo, as ações são todas épicas<em>,</em> sérias, impressionantes e <em>chatas</em>. Teve um <em>motivo</em> para O Silmarillion ter sido recusado pelos editores, mesmo depois do sucesso de vendas que foi O Senhor dos Anéis: o livro é chato de ler!</p>
<p>Os herdeiros do Tolkien não são idiotas, e colocaram preços de um bilhão de trilhões no material dele, e mesmo assim a Amazon comprou, mesmo sendo quatro linhas, mesmo sendo chato, porque apostaram que o que vende é propriedade intelectual e não qualidade de roteiro. Vou ser legal aqui e dizer que, ao contrário de O Hobbit, a produção da série foi feita com muito esmero, e nesse ponto pude sentir aquele assombro ao me deparar com a beleza das roupas, das armas, dos cenários. Mas pra você adaptar umas quatro páginas de um texto de um cara que escreve <em>chato</em>, tem que ser um roteirista mais incrível que tudo. E o pessoal de Os Anéis de Poder falhou nessa tarefa.</p>
<p>O primeiro problema que eles enfrentaram foi a falta de hobbits. Se os hobbits foram descobertos pelos outros povos durante O Senhor dos Anéis, uma história que se passa centenas de anos antes não poderia ter hobbits interagindo com o resto, certo? A solução que eles acharam foi colocar antepassados dos hobbits na história sem que eles toquem remotamente a trama principal. Isso ficou sem graça por vários motivos. Se não tem ligação com a trama principal, por que eu deveria me importar com os personagens hobbits? A história delas deveria ser muito interessante para que eu sentisse aquela &#8220;uhul agora vou ver o que acontece com os hobbits finalmente&#8221; sendo que na verdade eu só senti tédio. Alguns momentos tocantes, como a música da caminhada ou a interação entre a família de Nori, não compensaram a total falta de conteúdo desse núcleo. Um cara aparece. Ele é o Gandalf mas a série finge que isso é um mistério. Ele não consegue falar, é um mendigão, as hobbits não querem ajudar ele mas ajudam, ele tem surtos de poder que fazem coisas incrivelmente poderosas como botar fogo numa árvore e matar uns vagalumes, e daí é isso. Se é pra forçar hobbit na história pra poder ter essa conexão com os filmes, que fosse uma trama que não fosse chata e previsível. Os atores fazem o que dá, mas é muito tempo de nada acontecendo para tantos episódios.</p>
<p>A segunda questão, que talvez eu devesse ter falado em primeiro devido o tamanho do buraco, é o protagonismo. Alguém decidiu que a Galadriel era uma boa protagonista, e foi um erro muito terrível. Como que vai ter uma protagonista interessante sendo que ela é a mais poderosa de todos os elfos maravilhosamente incríveis da história? O resultado de colocar ela no centro da história gerou uma série de problemas. Exemplo: se ela é a maior e melhor de todas, ela pode fazer tudo muito incrivelmente bem, certo? Então como que ela vai enfrentar qualquer perigo e <em>não</em> ganhar sempre? Resposta: sendo idiota e criando ela mesma os obstáculos, com mal criação e burrice. No começo a gente fica meio sem entender o que está acontecendo, já que estamos acostumados com a Galadriel sábia e altiva dos outros filmes. Mas depois da terceira ou quarta reação impetuosa e imatura de uma super elfa de centenas de anos de vida, aí já fica mais chato. É inverossímil dentro do próprio universo que eles criaram. Eu entendi que a expectativa foi tentar fazer a personagem mais crível e interessante quando deram essa <em>profundidade</em> pra ela; a realidade é que ela é perfeita a não ser quando vira outra pessoa e fica mimada. De novo, a atriz fez o que deu com o que tinha, mas no final das contas ficou alternando entre olhar altivo de guerreira eterna perfeita e olhar mimado de guerreira eterna perfeita que não aceita ser contrariada. Ela faz decisões que são tão inverossímeis que fica engraçado e vira meme: ela pula do barco no meio do oceano com o intuito de <em>nadar de volta</em> para o continente; trata mal a <em>rainha</em> da terra onde ela vai parar, chamando os humanos de Númenor de inferiores e <em>ordenando </em>que ela receba o que quer; <em>insiste </em>em confiar num aleatório que ela conhece numa jangadinha. Pra não falar da super <em>revelação final </em>que foi reveladora só pra ela que foi cega, porque a gente já sabia desde o terceiro episódio.</p>
<p>Aí tem o terceiro problema e terceiro núcleo da história: o controverso elfo negro e os humanos das Terras do Sul. Quando eu vi a polêmica sobre o elfo negro, pelo tamanho do choro, eu achei que eles tivessem transformado um dos elfos de Tolkien num elfo de pele escura. Mas nem isso! Eles inventaram um personagem aleatório que faz pouca coisa e decidiram que ele seria interpretado por um ator negro. <em>Nenhum </em>outro elfo na série é negro ou mesmo não-branco. Os outros atores que não são brancos são um ou dois anões e vários hobbits. Pra variar, o choro dos racistas foi muito maior do que a representatividade da história. Arondir consegue fazer quase nada, incluindo ser capturado e escravizado por orcs (olha que interessante que o único elfo não branco foi justamente o escravizado), ficar olhando os peitos de uma mulher que ele viu nascer e perder o objeto claramente mágico que poderia destruir tudo (spoiler: ele perde o objeto e tudo é destruído). O par romântico dele, a Bronwyn, sofre do mesmo problema que o Isildur no outro núcleo que eu já falo, que é a que todo mundo que leu os livros já sabe o que vai acontecer com o romance deles a não ser que a série fuja totalmente do material base e daí qual o objetivo de gastar milhões de dólares pra não adaptar certo etc. Além de ser a mãe-solteira-dramática-corajosa, a Bronwyn serve pra mandar o filho dela Theo fazer algo que ele vai desobedecer em seguida, lançar olhares lânguidos para o Arondir, e fazer discursos motivacionais em todos os episódios. O velho malvado é só um velho mala que fica sendo <em>velho</em> e no final tem a grande atitude de estragar tudo, e o moleque Theo é só criança em série: irritante. Quando finalmente as coisas começam a animar e a &#8220;guerra&#8221; começa, e o pessoal imediatamente aceita o novo rei, tem as duas piores cenas da temporada. Adar contra Galadriel e a criação de Mordor.</p>
<p>Considerando que Tolkien era maniqueísta e (vamos todos juntos agora) racista também, a gente tem a seguinte situação, escrita bonitinha lá nos livros pra ninguém duvidar: os elfos foram criados pelo deus bonzinho, eles são altos, loiros, lindos, inteligentes, imortais, poderosos, brilhantes; enfim, os maravilhosos seres de luz. Aí um seguidor poderoso desse deus bonzinho decidiu começar a seita dele, pegou os elfos e os torturou até transformá-los em seres corruptos e maléficos, que odeiam a luz e vivem na escuridão. Esses daí são os orcs ou goblins. Ele também pegou os ents, que foram acordados pelos elfos, e os corrompeu para criar os trolls; e em geral pegando todas as criações de luz e bondade e transformando em escuridão e maldade. Até aí, vocês podem discutir comigo que não é racista <em>só porque</em> os seres de luz são bons e os seres de escuridão são maus, já que esse maniqueísmo é tradicional em várias culturas etc. Só que aí o Tolkien veio e falou que &#8220;os povos do sul&#8221;, que são de pele escura, andam em <em>olifantes, </em>moram no deserto e são obviamente uma versão fantasiosa dos povos árabes e africanos, são justamente os povos que foram lutar ao lado de Sauron durante O Senhor dos Anéis. Ah, você diz, mas eles foram <em>enganados</em> por Sauron&#8230; e aí os homens de Gondor, os brancos ilustres, letrados e bondosos, não executaram os sobreviventes e em vez disso <em>ensinaram</em> eles sobre Sauron e tudo mais. Racismo, chama.</p>
<p>Mas essa segunda parte é um pouco distante do que eu quero falar; perdoa que se o assunto é Tolkien eu escrevo tese em vez de postagem. Eu estava falando sobre o maniqueísmo. Então elfo é bom e de luz, orc é mau e da escuridão. E aí na série eles colocam Adar, que é obviamente um elfo branco porém com umas cicatrizes, sendo chamado de <em>pai</em> pelos orcs, organizando uma terra para eles, e falando pra Galadriel que &#8220;todas as raças merecem viver&#8221; ou algo assim; e Galadriel branca linda com os cabelos loiríssimos gritando na cara dele que <em>não, todos vocês devem <strong>morrer</strong></em>! E então você pensa, &#8220;calma&#8221;. Então os orcs merecem viver? Eles sentem falta de uma terra deles? Eles <em>não são</em> só os seres de escuridão maligna dos filmes? O Adar chora quando um orc morre. A Galadriel está assassinando todos os orcs que ela vê. Quem é o mocinho?</p>
<p>Você pode me falar daí que os elfos do Tolkien são mesmo esses guerreiros arrogantes supremacistas raciais, algo que pode ser visto claramente em O Silmarillion. E a série mostra como o rei Gil Galad tem como principal objetivo a sobrevivência da raça dos elfos, mesmo que isso signifique causar conflito e talvez até guerra com os anões. Parece então que a ideia de criar os anéis de poder veio não só com o objetivo da sobrevivência dos elfos, mas também com um objetivo de <em>controle</em> e superioridade entre as raças, algo reforçado pela participação especial de Halbrand explicando os metais pro Celebrimbor. No fim das contas fiquei com a impressão de que teve uma tentativa de fazer vilões horríveis e malvados serem só <em>conflitados</em> nessa versão, como se eles estivessem tentando enganar a Galadriel com esse papo de &#8220;a gente é bonzinho, confia&#8221;. Mas aí o roteiro usa frases que pessoas reais falam para terem direitos básicos assegurados e eu fiquei tipo&#8230;?</p>
<p>E aí tem o vulcão. Gente. A Galadriel pular no meio do oceano foi sem noção mas deu pra aguentar. Mas o vulcão explodindo na cara das pessoas e só um pessoalzinho se machucou, galera, tá de boa; caiu uns telhados ali, as casas destruíram, foi um pouco triste e a moça ali até ficou cega. Quer dizer.</p>
<p>Mas agora vamos falar das coisas boas. Eu já falei que a série é maravilhosa de linda e que os figurinos são impecáveis. Já falei também que a comunidade dos hobbits é fofa (mesmo que eles meio que deixem os deficientes morrerem?). Mas para além disso, o arco dos anões e do Elrond é muito legal; os personagens em Moria são os mais interessantes; é a parte que eu fiquei mais empolgada e que mais me convenceu a continuar. O casal Disa e Durin é muito bom e roubou todas as cenas em que estavam, e mesmo o Elrond sendo um chatinho, o personagem ficou bem de acordo com o que vimos na trilogia de filmes. Apesar dos roteiristas não terem decidido o que fazer com os anéis e qual vai ser a mitologia real, já que o Tolkien deixou tudo bem no ar, a conversa deles e as motivações de Gil Galad, Celebrimbor e do rei dos anões é a parte que mais faz sentido. Halbrand é lindo demais, virei <em>fangirl</em> imediatamente e quero fanfic na minha mesa agora, toda cena que ele aparece é ótima me deixa. Míriel linda, adorei. Isildur, a irmã e os amigos primeiro que tive zero interesse em qualquer coisa que eles fizessem, segundo que nossa, <em>será</em> que o Isildur sobreviveu lá? E finalmente porém não menos importante, Elendil: maravilhoso, incrível, tudo o que eu esperava &#8211; caracterização impecável, cara lindo, cada cena que ele aparece me lembra da magnificência dos filmes de O Senhor dos Anéis, é só olhar pra ele que eu vejo os Argonath. Perfeito.</p>
<p>A série teve um sucesso moderado, e ter saído logo junto com House of the Dragon não ajudou. Na era do hype e hate pela internet, ter colocado atores não-brancos pra variar teve resultados mistos. Os racistas odiaram muito, aí o pessoal anti-racismo caiu em cima dizendo que era tudo racismo. Aí veio a série e tem pouquíssimos personagens negros, a maioria inventados só para a série. Disa e Marigold e Míriel estão bem, mas fiquei em cima do muro sobre o único elfo negro que é o único com arco romântico e por acaso também escravizado e o Sadoc é o negro mágico, desculpa. Os fãs hardcore dos livros reclamaram tanto quanto reclamaram na época do lançamento de A Sociedade do Anel vinte anos atrás, e sobre coisas igualmente idiotas como o design das orelhas dos elfos. A crítica especializada em geral gostou do visual e reclamou do roteiro lento e dos personagens rasos.</p>
<p>A produção tinha uma tarefa difícil, que era preencher as lacunas deixadas por alguns parágrafos de exposição do Tolkien. Fizeram algumas escolhas acertadas, mas em geral achei uma série irregular com visual maravilhoso, um pouco lenta mas sem incomodar. Saber as histórias originais é um pouco triste porque fica aquele gosto de &#8220;poderia ter sido tão melhor&#8221;. Mas, como sou a nova maior fã do Halbrand, e é ele andando sexy evil overlord justamente na última cena, e como eu sempre vou consumir O Senhor dos Anéis da mesma forma que eu assisto Star Wars mesmo que só pra reclamar, eu vou sim ver de novo e vou sim ver a segunda temporada. É mais forte do que eu.</p>
<p><strong>The Lord of the Rings &#8211; The Rings of Power (2022). Showrunners: J. D. Payne e Patrick McKay.</strong></p>
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		<title>Guia de Capítulos &#124; A Sociedade do Anel &#124; J.R.R. Tolkien</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jul 2021 02:37:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Segue uma resenha crítica por fã ensandecida, incluindo resumo de todos os capítulos do primeiro volume da série e bastante reclamação do Tom Bombadil. Um dos livros de fantasia mais famosos da história do planeta, esse clássico inspirou uma infinidade de outros autores e definiu o que é o ambiente de fantasia medieval em diversas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Segue uma resenha crítica por fã ensandecida, incluindo resumo de todos os capítulos do primeiro volume da série e bastante reclamação do Tom Bombadil.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos livros de fantasia mais famosos da história do planeta, esse clássico inspirou uma infinidade de outros autores e definiu o que é o ambiente de fantasia medieval em diversas mídias. Com personagens icônicos, uma trama simples e satisfatória, e uma ambientação tão maravilhosa que quase chega a ser perfeita, o livro ganhou popularidade imensa ao longo dos anos, teve uma adaptação para os cinemas que foi sucesso de público e crítica, e gerou dezenas de produtos que vão desde camisetas do Gandalf até sistemas de RPG, passando por quadrinhos, videogames, jogos de cartas, jogos de tabuleiro e uma equivocadíssima adaptação cinematográfica do outro livro do mesmo autor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas e o livro em si, hein, gente? Quem foi que leu essa gracinha com mais de mil páginas e nem estou falando das introduções e dos apêndices? E põe o dedo aqui quem foi lá com a maior boa vontade, comprou uma edição lindona, pegou o livro na convicção e dormiu logo no primeiro capítulo!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem é fã sabe (e eu sou das fã doente mesmo) que o principal problema do livro é que ele começa <em>muito lerdo</em>. Com exceção de alguns momentos mais empolgantes pouquinha coisa, o livro só começa a engrenar lá pelo capítulo NOVE. Na minha edição de bolso favorito, isso é na página 188. O que significa que o jovem incauto vai ter que ler <em>quase duzentas páginas</em> pro livro ficar legal, gente. Me ajuda. Se você for daqueles leitores com <em>mais </em>preguiça ainda, dá pra falar que a <em>primeira parte inteira </em>do livro é lerda e chata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente pode falar que o livro é <em>velho</em> e que antigamente as coisas era <em>lerda</em>, mas vamos comparar? Um Corpo na Biblioteca, da Agatha Christie, de 1942, começa com o corpo sendo encontrado (logicamente na biblioteca) na página UM do livro. Orgulho e Preconceito, da Jane Austen, de 1813, já manda a melhor citação da história da literatura na <em>primeira frase do livro</em>. E vou ser legal e mostrar que uma <em>outra </em>frase célebre da literatura, que todo mundo conhece, e que é considerada por críticos como sendo uma das melhores primeiras frases de um livro, aparece justamente naonde? No livro anterior a esse, o maravilhoso O Hobbit. Do mesmo autor, claro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então o que que rolou pro Tolkien resolver enlerdar e fazer a história começar só duzentas páginas depois do começo do livro?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro que nada é por acaso. Os hobbits são apresentados não só como os protagonistas da história como também a ligação do leitor com esse mundo estranho. Apesar de pequeninos, de viverem em buracos, e de terem pés peludos, os hobbits são descritos como afáveis, gorduchos, amantes da boa comida e da boa companhia, interessados em fofocas e fumar cachimbo, gregários e avessos à aventuras. Os hobbits somos nós leitores, enrolados no cobertor e lendo o livro no sofá, enquanto ouvimos o fogo crepitar na lareira e deixamos as aventuras bem, bem longe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O autor precisa muito que o leitor <em>entenda</em> os hobbits, porque tudo o que acontece no livro depois vai ser explicado por esse começo. O começo do livro é como uma mini-aventura, em que os hobbits saem pelo mundo sozinhos, sem a ajuda das Pessoas Grandes, com uma missão obscura e um objeto mágico que eles não sabem como funciona, perseguidos por monstros muito mais poderosos do que eles. O começo do livro é chato porque os hobbits fazem pouca coisa, e dependem de outras pessoas para conseguirem se safar dos problemas; isso vai ser colocado em oposição aos momentos finais do livro, em que eles estão sozinhos de novo em situações infinitamente mais difíceis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, apesar de ser possível explicar esse começo mais lento, não se pode negar que <em>é</em> lento, e para os leitores jovens e dinâmicos de hoje em dia pode ser muito difícil ultrapassar esse prelúdio na unha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como eu sou a sua leitora mais legal que vocês conhecem, vou não só falar do livro como também dar aquela resumida nos capítulos, pra vocês saberem qual capítulo pular. Prometo que tudo fica mais fácil depois do capítulo nove.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os incautos é importante mencionar que o livro é dividido em seis partes, que são chamadas de livro I, livro II e tal até o livro VI. As mais de mil páginas intimidaram os editores, que decidiram publicar a história em três partes: os livros I e II viraram A Sociedade do Anel; os livros III e IV viraram As Duas Torres; e os livros V e VI viraram O Retorno do Rei. Ou seja, quando eu falei acima que o livro demora pra engrenar, levem em conta que na minha opinião o livro I inteiro é bem difícil e as coisas começam a melhorar <em>mesmo</em> só no livro II.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Resumo completo de A Sociedade do Anel</h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Tradução / Nota à Edição Brasileira. </strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das primeiras coisas que geralmente aparecem no livro é alguma nota sobre a tradução. Eu conheço a tradução da Lenita e eu sei que ela foi cuidadosa, e ela e o Kyrmse se esforçaram para manter tudo lindo e fazem questão de falar disso nesse começo &#8211; e acredito que qualquer edição brasileira contemporânea tenha o mesmo cuidado. As notas sobre a tradução podem incluir decisões sobre nomes de pessoas e lugares, e geralmente falam sobre a questão dos alfabetos. O Tolkien lindinho inventou <em>um alfabeto </em>para os idiomas élficos da sua ambientação, e ele usa esse alfabeto para escrever em inglês em várias partes do livro. Os especialistas em Tolkien (por exemplo o Kyrmse) fizeram um trabalho muito legal adaptando esse alfabeto para o português.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Prefácio. </strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é o prefácio à segunda edição que o autor escreveu em 1965 (lembrando que o livro foi originalmente publicado entre 1954 e 1955). É aqui que ele explica que ele pensou no livro como continuação do seu outro livro, O Hobbit (publicado em 1937 e um sucesso tão grande que garantiu que os editores publicassem essa continuação tardia quase vinte anos depois), mas que o que ele queria mesmo escrever era sobre ‘o mundo antigo’ (que se tornou a coletânea O Silmarillion, publicada postumamente), e que a história daí foi se transformando em parte do que ele realmente queria escrever, só que com hobbits. Ele também fala da recepção do livro pelos fãs, e de como ele fica feliz com a atenção porém não gosta que entendam o livro como uma alegoria da Segunda Guerra Mundial. De novo, essa parte não é importante se você chegou agora, a não ser que você se interesse pelas motivações dos autores em geral quando escrevem seus livros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As versões atuais do livro tem a tendência de começar falando do histórico das edições, porque O Senhor dos Anéis tem uma característica que a maioria dos livros clássicos não tem: foi escrito por um acadêmico perfeccionista que fazia questão de que todas as partes do livro estivessem perfeitas. Considerando que foi um livro escrito à mão ao longo de mais de vinte anos; que foi datilografado e redatilografado por diferentes editores; e que contém nomes bizarros e idiomas inventados; não é à toa que ele fosse tão neurótico com isso. Mas claro que ser amigo dos editores – e ter vendido bilhões de cópias logo de início – ajudou bastante. Além disso, depois que ele morreu, um dos filhos dedicou a vida escrevendo uma série de livros documentando o o desenvolvimento da obra, e essa série se tornou outra campeã de vendas. Ou seja, não só a história do livro está documentada, como a história do processo criativo do autor está documentada – de uma forma que é pouco vista em outras obras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como você é um leitor casual que acabou de chegar, pode pular essa parte com tranquilidade porque ela só interessa aos fãs hardcore.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Prólogo</h3>



<p class="wp-block-paragraph">E só agora finalmente chegamos ao prólogo. Importante ressaltar que aqui o autor já está dentro da narrativa e fala como se estivesse escrevendo a história acadêmica dos hobbits como se tivesse realmente acontecido, já que, no universo do livro, O Senhor dos Anéis é uma tradução adaptada dos diários dos hobbits.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Parte 1: a respeito de hobbits.</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Se você leu O Hobbit, pode pular essa parte tranquilamente porque é um resumo do que são hobbits, seus costumes e história. Se você não leu O Hobbit e está sem vontade de ler um livro infantil escrito para ser lido para seus filhos antes deles dormirem, pode ler mas já aviso que é um monte de nomes de famílias (estabelecendo a preocupação provinciana dos hobbits com quem é primo de quem mas bastante entediante).</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Parte 2: a respeito da erva-de-fumo.</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Nem lê. Primeiro porque tem spoilers, segundo porque ninguém se importa. Resumo: hobbits gostam de fumar cachimbo e a erva que eles usam é famosa.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Parte 3: sobre a organização do Condado.</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">História das famílias que formam as aldeias dos hobbits. Talvez possa dar uma ideia sobre a personalidade dos personagens Merry e Pippin, mas em resumo: pula.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Parte 4: sobre o achado do anel. </strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Única parte importante do prólogo; primeiro porque é curta, segundo porque mesmo tendo lido O Hobbit não custa lembrar o momento em que esse livro vira continuação daquele – já que, afora alguns personagens e a ideia dos hobbits, um livro não tem nada a ver com o outro, já que a ambientação, os temas, a narrativa, são todos completamente diferentes. <em>Mas</em>, se você quiser pular, tá tudo bem, porque o livro fala disso de novo várias vezes.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Parte 5: Nota Sobre os Registros do Condado. </strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph"><em>V</em><em>ocês sabia </em>que O Senhor dos Anéis é escrito como se fosse uma tradução de uma coleção de diários dos hobbits que participaram da história? Então aqui o autor fala disso, da sua &#8220;tradução&#8221;, da forma como contam as datas no Condado e como o “Livro Vermelho” (nome dos diários dos hobbits) foi composto e preservado pelos elfos. Ou seja. Pula. E aí AGORA começamos com a história eeee!!</p>



<h2 class="wp-block-heading"><em><strong>A Sociedade do Anel</strong></em></h2>



<h2 class="wp-block-heading"><em><strong>Livro I</strong></em></h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 1: Uma Festa Muito Esperada.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Já começa pulando esse capítulo. Bilbo Baggins é o excêntrico do rolê; depois de sair pra ter aventuras e voltar rico, ele adota um primo distante chamado Frodo que é um jovem hobbit gente boa; os dois preparam uma festa super especial pra comemorar o aniversário de 111 anos do Bilbo e de 33 anos do Frodo; a família Gamgee é de jardineiros respeitáveis e pai e filho cuidam do jardim dos Baggins há quarenta anos; Gandalf é um mago amigo de Bilbo que aparece na festa pra fazer os fogos de artifício; a festa é mesmo o máximo mas no final o Bilbo faz um discurso constrangedor e desaparece num truque de mágica de mau gosto, deixando os convidados largados, assustados e com raiva lá na festa. Na casa de Bilbo, ele e Gandalf conversam em segredo: Bilbo fez a festa de aniversário para ser de despedida e pretende ir embora do Condado sem ninguém saber. Bilbo tem uns ataques de raiva bizarros, ele e Gandalf quase brigam porque Bilbo não quer deixar seu anel mágico pra trás, mas no fim Bilbo vai embora de mochila, deixando anel em um envelope endereçado para o Frodo. Quando Frodo volta da festa, depois de acalmar os ânimos dos convidados ultrajados, ele encontra Gandalf dizendo que Bilbo de fato foi embora e deixou tudo de herança pro Frodo, inclusive o anel mágico. Galdalf diz pro Frodo que ele está bem preocupado com o anel, diz que precisa encontrar várias respostas para perguntas sérias e diz que vai embora pra cuidar disso. Ele avisa pro Frodo não usar muito o anel e que quando der ele aparece de volta. Fim do capítulo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 2: A Sombra do Passado.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Esse daqui tem que ler. Explica todas as motivações que levam a história a acontecer e é um dos melhores capítulos do livro todo. Era uma vez um cara malvado que queria dominar todos os povos através de magia, e ele consegue isso criando um anel mágico. Parece bobagem, mas os três grandes povos poderosos do continente também têm anéis mágicos que controlam tudo: os elfos têm três anéis, os reis anões têm sete anéis e os governantes humanos tem nove anéis. Sauron, que é o malvado, consegue fazer um anel que é mais poderoso que os outros, e domina quase tudo. Ele domina os nove reis humanos. Ele destrói ou captura os anéis dos anões. E os três anéis dos elfos não são páreo para o poder do Um Anel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tá mas e daí né o que tem a ver esse monte de história com os hobbits, já que isso tudo é coisa de milhares de anos atrás? Bom, um dia os elfos e os humanos se juntaram para fazer frente ao Sauron, e Sauron matou o rei humano, e o rei elfo tava morto também, e Isildur, filho do rei dos humanos, cortou fora o anel da mão de Sauron e pegou o anel pra ele. Sem o poder do anel, Sauron foi derrotado e o mundo voltou a ter esperanças. Até aí, outro monte de velharia. Isildur famosamente morreu numa emboscada voltando dos campos de batalha para seu reino, e o anel de Sauron se perdeu. <em>Lembra</em> que quando o Bilbo tio do Frodo saiu pra se aventurar com os anões ele encontrou um bicho estranho no meio das cavernas e achou um anel aleatório no meio de um túnel abandonado? Lembra que esse anel deixa o portador invisível quando usado? Pois é, esse anel aí, que o Bilbo usou pra desaparecer na sua festa de aniversário e depois deixou no envelope pro Frodo antes de ir embora, é justamente o anel de Sauron. O Um Anel. O Anel para todos governar, o Um Anel para a todos encontrá-los e <em>na escuridão aprisioná-los</em>. Gandalf conta tudo isso para um jovem Frodo atônito, joga o anel no fogo da lareira e mostra as letras mágicas que aparecem quando o anel fica quente; as letras do verso maligno que o próprio Sauron criou junto com o anel nas forjas da Montanha da Perdição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gente, que capítulo maravilhoso. De arrepiar. O livro passa de uma historinha fofa com criaturinhas baixinhas que gostam de comida e de fofocas, e passa a ser uma narrativa séria, sombria, com raízes históricas e elementos fascinantes: os elfos, Sauron, Mordor, o Um Anel. É <em>disso</em> que a gente fala quando ficamos empolgadas com O Senhor dos Anéis; é <em>isso</em> que faz o livro ser o máximo; é <em>essa </em>ambientação grandiosa e fantasiosa que a gente ama!</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aí chega o capítulo três e tudo é sono de novo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 3: Três Não É Demais.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Pode pular sem culpa. Gandalf foi embora depois de colocar pânico nos hobbits. Frodo decide que vai levar o anel para longe, pra tentar dar um jeito de destruir o artefato. Sam é um pobre jardineiro que ouviu parte da história pela janela e é obrigado por Gandalf a ir junto com Frodo. Pippin é um parente distante de Frodo que vem para o Condado para ajudar na organização de tudo, já que Frodo decide vender a casa e falar pra todo mundo que vai se mudar para perto de Pippin, numa outra aldeia hobbit. Os três começam sua jornada para Valfenda. Eles descobrem que cavaleiros de preto estão fazendo perguntas sobre um Baggins. Eles encontram elfos que contam que faz tempo que Gandalf não é visto e que os cavaleiros negros são servos do inimigo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 4: Um Atalho Para Cogumelos.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Zero coisas interessantes acontecem aqui. Pode pular. O trio de hobbits anda pelas matas tentando chegar na balsa e um fazendeiro ajuda eles. Cavaleiros negros são assustadores. Bora.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 5: Conspiração Desmascarada.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Pula. Frodo cruza o rio de balsa, vê que escapou por pouco de um cavaleiro, descobre que seus amigos hobbits Merry e Pippin sabem de tudo sobre sua viagem e querem ir com ele. Ele aceita e eles decidem viajar pela floresta velha pra evitar a estrada e os cavaleiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os capítulos 3 a 5 são aquele problema que eu falei acima. Dá pra entender o objetivo de demonstrar a ameaça dos cavaleiros negros. Dá pra entender que o autor quis demonstrar como os hobbits são ao mesmo tempo indefesos e cheios de recursos que podem parecer bobos mas muitas vezes os salvam. Mas também dá pra pular.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 6: A Floresta Velha.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Olha, eu gosto desse capítulo, porque adoro a floresta velha. Mas se eu fosse você, eu pulava porque é um monte de hobbit sem noção andando no mato, aí eles são atacados por árvores malignas e são resgatados por um homem bizarro chamado Tom Bombadil. Ele usa botas amarelas e canta. E quando eu falo que ele <em>canta, </em>eu quero dizer isso mesmo: Tolkien adorava poesia e adorava música, e existe uma infinidade de poemas e canções ao longo do livro, muitas delas inclusive em <em>élfico</em>. Eu sempre pulo poesia em livro, então sou suspeita pra falar, mas se você curte, manda ver, tem de monte nesse capítulo e nos próximos dois. A minha birra com o Tom Bombadil é que ele poderia não existir que nada muda na história. E a outra parte chata é que, enquanto as canções dos elfos são todas melancólicas e belas, as do Tom Bombadil são assim, ó:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Ei boneca! Feliz neneca!</em><br /><em>Dingue-dongue dilo!</em><br /><em>Dingue-clongue! Não delongue!</em><br /><em>Largue logo aquilo! Tom Bom, jovial Tom, </em><br /><em>Tom Bombadillo!</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Desculpa, gente. Não dá. Para os puristas, nem em inglês rola, porque <em>hey, doll, merry doll, ring-a-dong-dillo</em> não melhora nada não. Eu nem sei se eu entendo qual é a do Bombadil; tem gente que ama e defende pra sempre; tem gente que tem altas teorias. Pra mim ele é só um idoso mala que tem uma loiraça em casa e canta as musiquinhas porque o Tolkien ainda não tinha decidido que O Senhor dos Anéis definitivamente não era pra criança e ainda estava tentando ser fofo. </p>
<h3>Capítulo 7: Na Casa de Tom Bombadil.</h3>
<p>Nada de relevante acontece aqui: os hobbits são recebidos na casa do Tom Bombadil, ele canta muito, ele ignora os poderes do anel, ele tem uma esposa linda e loira, ele dá conselhos sobre o caminho que eles devem seguir. Ele canta muito. A moça loira canta também. Fim.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 8: Névoa nas Colinas dos Túmulos.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Gosto. Mas pula. Os hobbits vacilam, são pegos por espíritos dos antigos reis mortos, são resgatados por Tom Bombadil e acompanhados por ele o resto do caminho até Bree. Importante: Tom dá a eles algumas espadas encontradas nos túmulos e isso é relevante no futuro. Eu poderia falar que o capítulo é importante só por isso; ou porque é arrepiante e dá um efeito de perigos horripilantes por todos os lados da ilha da fantasia do Bombadil, mas vamos ser realistas? Vamos. Lá na frente quando essas espadas forem importantes, a maioria dos leitores nem vai lembrar de onde elas vieram. O autor sabia disso e faz aquele remember esperto. Então pode pular aqui.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 9: No Pônei Saltitante. | Capítulo 10: Passolargo.</strong> | <strong>Capítulo 11: Uma Faca no Escuro.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Opaaa chegamos na parte bouaaaa urrul! Leiam esses porque vale a pena. Os hobbits chegam em Bree, a cidade onde hobbits e humanos convivem em harmonia, e vão jantar na estalagem do Pônei Saltitante, o lugar onde eles deveriam encontrar Gandalf. Nesse ponto, os hobbits estão preocupadíssimos com o atraso de Gandalf e com a perseguição dos cavaleiros negros. Frodo se sente observado por um cara estranho. Frodo ouve Pippin contando sobre a festa de aniversário do Bilbo e fica preocupado de alguém relacionar o desaparecimento mágico de Bilbo ao anel; decide subir na mesa pra cantar e desviar a atenção; ele tropeça, cai, o anel entra no dedo dele e ele desaparece. Geral fica atônito; mesmo ele saindo de debaixo da mesa depois como se nada tivesse acontecido, o pessoal fica desconfiadíssimo e Frodo acha que vai se ferrar. Os hobbits decidem ir pro quarto e ficar longe do tumulto. Aí chega <em>Strider</em>, ou Passolargo na tradução, um humano andarilho, que entra no quarto com eles e começa uma conversa muito suspeita. Sam se preocupa, achando que ele é inimigo. Nisso o taverneiro chega e entrega uma carta pro Frodo, que Gandalf pediu pro taverneiro mandar pro Condado meses antes. Na carta Gandalf está justamente falando pro Frodo que Passolargo é um amigo e um excelente companheiro. Os hobbits decidem aceitar a ajuda de Passolargo; a estalagem é atacada por cavaleiros negros mas graças a Passolargo ninguém se fere; eles decidem fugir no dia seguinte. Passolargo dá mais informações sobre os cavaleiros negros: eles são espectros malignos que são ligados ao Um Anel; são os nove reis humanos escravizados por Sauron tantos anos antes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Agora </em>a coisa começa a andar. Passolargo é um dos melhores personagens do livro, a apresentação dele é memorável, e a aventura aumenta de intensidade; os inimigos parecem que estão por todos os lados e os cavaleiros negros vão de ameaças imaginadas a criaturas muito reais mas não menos ameaçadoras. É um dos poucos monstros que não perde o apelo <em>depois </em>da revelação do que eles são. Tolkien é mestre em criar cenas tensas, e os cavaleiros negros são vilões muito apropriados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para fugir dos cavaleiros negros que estão patrulhando a estrada, Passolargo faz um atalho monstro pelos pântanos para levar os hobbits até um esconderijo dos elfos. Os cavaleiros estão na cola. Eu <em>adoro </em>a ambientação do Tolkien, então todas as descrições sobre as construções em ruínas feitas pelos povos antigos são fascinantes pra mim; entendo, no entanto, que para leitores <em>normais</em> elas sejam só chatas. Cena memorável: eles sobem num morro lá e os cavaleiros emboscam todo mundo e tem lutas e o Frodo é apunhalado por um dos cavaleiros!</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 12: Fuga Para o Vau.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Devo admitir que o fim do livro I é bem legal.  Eles escapam dos cavaleiros e passam dias andando pelos pântanos com o Frodo machucado ficando cada vez pior. Aí eles trombam com um elfo gente boa que troca umas novidades preocupantes com o Passolargo. Eles decidem arriscar uma última corrida. Cena memorável: o Frodo já quase delirante com a facada maligna sobe no cavalo do elfo e corre pela estrada, tentando chegar no rio. Passolargo e o elfo estão confiantes que assim que Frodo atravessar o vau, que é uma parte do rio que dá pra atravessar a cavalo, ele vai estar a salvo dos cavaleiros. Frodo olha pra trás e vê: nove cavaleiros na perseguição! Eles estão quase alcançando! Frodo está sem forças! À distância, ele vê Passolargo e um ser iluminado ao lado dele! Assim que Frodo atravessa o vau, o rio transborda. Os cavaleiros que estavam no rio são levados pra longe. Os cavaleiros que estavam na outra margem ficam com tanto medo do ser iluminado que preferem pular na água também. Frodo desmaia. Importante ressaltar a participação única e especial do Glorfindel, que mostra um pouquinho do quão poderosos os elfos são &#8211; que é algo que vemos raramente no restante do livro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><em><strong>Livro II</strong></em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda parte de A Sociedade do Anel tem dez capítulos e são todos impecáveis. A trama é boa, a ambientação é incrível, os personagens são maravilhosos, e os <em>plot twist</em> é tudo inteligente. Até agora eu falei dos livros cheio de spoiler mesmo, já que o intuito era que o leitor incauto chegasse aqui no começo do livro 2 com a história fresca na cabeça pra poder começar daqui. Mas se você não quer spoiler pra poder ler sozinha, esse é o momento de você deixar de ler aqui pra poder ir ler o livro lá, porque eu vou contar o que acontece no resto da história. <em>Ain mais eu vi os filmes! </em>Então beleza, bora; mas eu avisei.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 1: Muitos Encontros.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Bilbo está vivo e bem. Gandalf também! Os hobbits se divertem entre os elfos. Frodo descobre que o Bilbo e Passolargo são amigos. Todos têm tempo de relaxar, colocar a fofoca em dia, e no caso de Frodo se recuperar de um ferimento que quase matou ele.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 2: O Conselho de Elrond.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Conhecemos as raças que se unem contra Sauron, descobrimos o tamanho da ameaça que eles estão enfrentando, e finalmente chegamos na única solução possível: um grupo pequeno de pessoas deve se aventurar por metade do continente, ir até os domínios do próprio Sauron, e jogar o anel nas forjas da Montanha da Perdição, onde ele foi forjado e onde há o único fogo quente o suficiente pare derretê-lo. Eles podem contar com aliados em Lórien, uma floresta ao sul do outro lado das montanhas, mas não com Saruman, um mago que costumava ser legal mas agora está atrás do anel também.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 3: O Anel Vai para o Sul.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O grupo de pessoas que vai com o anel é: 1) Gandalf; 2) Passolargo que agora todo mundo chama de Aragorn; 3,4,5,6) os quatro hobbits; 7) Boromir, um príncipe dos humanos do sul que teve sonhos proféticos sobre um artefato que poderia ajudar na guerra contra Sauron e viajou centenas de quilômetros para descobrir o que tava pegando. Ele quer que o grupo leve o anel para Gondor, a capital dos homens, para que de lá eles decidam o que fazer. 8) Legolas, um príncipe elfo das florestas do norte, que vem com a excelente notícia de que Gollum, a criatura doida que tinha ficado anos com o anel antes de perdê-lo para Bilbo e que estava preso entre os elfos, na verdade escapou eeee; 9) Gimli, um dos anões da Montanha Solitária, filho de um dos antigos companheiros de Bilbo nas aventuras com o dragão. Essas nove pessoas viajam para o sul com o intuito de cruzar as montanhas por uma trilha no topo dos picos mais altos ou de viajar para o sul e passar pela terra de Rohan; mas depois da traição de Saruman, o pessoal está meio assim. Eles decidem atravessar pela passagem das montanhas, mas a montanha está de mal humor, neva muito, a passagem é bloqueada e eles são obrigados a voltar. Resta uma única opção: as minas de Moria.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 4: Uma Jornada no Escuro. | Capítulo 5: A Ponte de Khazad-Dûm.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Sem dúvida a melhor parte do livro inteiro. Durante a narrativa, os personagens passam por diversos locais, todos diferentes para os hobbits, e o autor se preocupou muito em criar as raças e culturas e idiomas do mundo dele. Mas a obra-prima vai sempre ser Moria. A imensa mina abandonada dos anões, com centenas de milhares de túneis escuros que se aprofundam pelas montanhas; o mistério do que aconteceu com a última expedição dos anões; a porta com o enigma; o guardião do lago; <em>drums in the deep</em>. E o momento mais triste da história, que me fez jogar o livro longe quando li pela primeira vez; que quase me fez largar a história pra sempre; é <em>impressionante</em> como o autor consegue fazer um personagem ser tão importante em tão pouco tempo e criar uma morte tão memorável. Ao contrário de <em>certos autores</em>, Tolkien não acredita em matar personagens só para chocar o leitor; as mortes são heroicas, emocionantes e <em>muito bem encaixadas </em>na narrativa. A cena do filme é maravilhosa e todo mundo já deve ter visto o meme; mas a experiência de ler a cena pela primeira vez; a construção do ambiente claustrofóbico; a corrida pelas escadas e pela ponte; <em>drums in the deep:</em> se você precisava de algum motivo para ler o livro, está aqui. Esses dois capítulos compensam todas as mil páginas e todas as descrições possivelmente chatas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expedição dos anões foi dizimada por goblins; os antigos construtores das minas foram destruídos por um demônio das profundezas antigas; o Pippin consegue atrair tudo isso de monstro pra cima deles porque é um moleque sem noção; todos fogem dos goblins; Gandalf se sacrifica para salvar todos do demônio e cai com o bicho numa cratera imemorial. Os outros conseguem fugir.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 6: Lothlórien. | Capítulo 7: O Espelho de Galadriel. | Capítulo 8: Adeus a Lórien.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Depois da tragédia, um pouco de poesia. Tolkien se inspirou na mitologia nórdica e druídica para criar a Terra Média, e ele tinha um profundo respeito pela natureza. Essas duas coisas aparecem aqui, com a cidade dos elfos. Ainda abalados com a morte de Gandalf, o resto da comitiva chega até Lórien, onde têm um último momento de paz. Lórien é uma floresta mágica que parece parada no tempo, ali só há sentimento de paz e tranquilidade. O mal do mundo não chega. Eles conhecem Senhora de Lórien, Galadriel. Ela usa seu espelho mágico para ajudar Frodo, passa mensagens para todos os membros da sociedade e dá presentes valiosos. Gimli, que é mal tratado por ser da raça dos anões, que sempre teve inimizade com os elfos, é não só muito bem tratado por Galadriel como também fica fascinado pela beleza da elfa e quando ela oferece um presente ele só pede um cacho dos seus cabelos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Capítulo 9: O Grande Rio. | Capítulo 10: O Rompimento da Sociedade.</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Para fechar essa primeira parte com chave de ouro, dois capítulos com várias animações. Gollum está vivo e perseguindo a comitiva. O grupo todo entra em desacordo sobre o que fazer e que caminho tomar. Boromir foi corrompido pelo anel e tenta atacar Frodo. Frodo foge e Sam vai com ele, eles atravessam o rio e decidem ir para Mordor sozinhos. Orcs atacam o restante da comitiva e levam Merry e Pippin embora. Boromir é morto tentando protegê-los. Aragorn, desconsolado, descobre que Frodo e Sam fugiram sem falar com ninguém e decide ir atrás de resgatar Merry e Pippin, deixando Frodo e Sam para continuarem o caminho sombrio sozinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse final excelente com o <em>cliffhanger</em> perfeito garante que ninguém que chegou até aqui consiga deixar de ir atrás do segundo volume &#8211; ou do livro III, dependendo da sua situação. A sociedade está dissipada, dois morreram e os que sobraram estão cada um num canto. Os caminhos dos dois vão para lugares completamente diferentes. Frodo e Sam vão tentar passar pelas escarpas afiadas e pelos pântanos dos mortos para chegarem até o portão de Mordor. Merry e Pippin estão sendo levados para o sul, talvez para Saruman? E Aragorn, Gimli e Legolas agora tem a impossível tarefa de perseguir um destacamento de orcs que tem horas de vantagem carregando os prisioneiros. O final mostra a angústia de Frodo, a lealdade de Sam, a insegurança de Aragorn e a corrupção de Boromir. Para quem é acusado de descrever mato e pedra, Tolkien é um excelente construtor de cenas de ação e personagens, mesmo que muitas vezes pareça rígido. Ele escreve como se estivéssemos lendo um livro de história, em vez de escrever literatura, e dá pra ver que o que faz os olhos dele brilharem são os povos antigos e a história do mundo que ele criou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se fosse só um amontoado de mato e pedra, o livro não teria sido tão essencial para a formação da fantasia contemporânea. O que é que ele fez de tão esperto? Os elfos serem altivos e tristes? Os humanos serem guerreiros honrados, inteligentes e orgulhosos? A mitologia da ambientação, que vaza pelas linhas a todo momento? Gandalf? <em>Moria?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fico por aqui com esses questionamentos, e volto logo com o segundo volume da trilogia. Até lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>The Lord of the Rings &#8211; The Fellowship of the Ring (1954) de JRR Tolkien. Trilogia O Senhor dos Anéis Volume 1</strong></p>
<p>The post <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/guia-de-capitulos-a-sociedade-do-anel-jrr-tolkien/">Guia de Capítulos | A Sociedade do Anel | J.R.R. Tolkien</a> appeared first on <a href="https://adevoradoradelivros.com.br">A Devoradora de Livros</a>.</p>
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		<title>Adaptação &#124; O Senhor dos Anéis &#8211; O Retorno do Rei</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 09:56:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Livro A terceira parte de O Senhor dos Anéis fecha todas as pontas soltas da narrativa. Frodo, Sam e Gollum finalmente chegam a Mordor. Aragorn resolve aceitar de vez seu destino grandioso, e os fiéis companheiros Gimli e Legolas o acompanham por um caminho que nenhum homem jamais tomou. Gandalf e Pippin, após um [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/adaptacao-o-senhor-dos-aneis-o-retorno-do-rei/">Adaptação | O Senhor dos Anéis &#8211; O Retorno do Rei</a> appeared first on <a href="https://adevoradoradelivros.com.br">A Devoradora de Livros</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2><b>O Livro</b></h2>
<p>A terceira parte de O Senhor dos Anéis fecha todas as pontas soltas da narrativa. Frodo, Sam e Gollum finalmente chegam a Mordor. Aragorn resolve aceitar de vez seu destino grandioso, e os fiéis companheiros Gimli e Legolas o acompanham por um caminho que nenhum homem jamais tomou. Gandalf e Pippin, após um incidente idiota com um Palantír, vão para Gondor, tentar preparar o terreno para a guerra que se aproxima. E Merry, deixado para trás em Rohan junto com Éowyn, não desistirá de participar dos eventos que mudarão seu mundo.</p>
<p>Enquanto em Gondor a tensão é seguida pela guerra, o trio de desesperados que adentra Mordor recebe cenas tocantes e também aflitivas. Sam nunca foi tão herói. Frodo nunca esteve tão cansado. Mas o livro tem tempo para tudo, desde batalhas épicas até o único romance que aparece nas páginas da história em si.</p>
<p>Os capítulos finais podem parecer um pouco arrastados após tanta ação, e eu ainda não me decidi sobre <i>The Scourge of the Shire</i>, mas dá pra entender o clima de fim de festa depois de tanta coisa pelo que passamos durante a leitura. O livro termina com uma explicação de quem o escreveu e deixa o último portador do anel na Terra Média feliz com a esposa e os filhos.</p>
<p>Uma conclusão digna para o mais famoso livro de fantasia medieval de todos os tempos.</p>
<h2><b>O Filme </b></h2>
<p>Enquanto os dois primeiros da trilogia impressionaram por sua ambientação e pelo grupo de atores competentes que o formou, esse recebeu aclamação da crítica ao ser indicado a 11 Oscar. O Retorno do Rei é um dos maiores sucessos de público e crítica de toda a história do cinema, e não é difícil ver porque. A batalha de Helm&#8217;s Deep é fichinha perto do que os realizadores fizeram com esse filme. O desespero de Frodo e Sam frente à escuridão de Mordor e a luta em frente às muralhas de Minas Tirith são apenas algumas cenas tocantes do filme, que ainda contém a canção de Pippin como a melhor cena de todos os três filmes juntos, Legolas destruindo um Olifante e Aragorn chegando nos navios corsários.<br />
Um espetáculo visual dos melhores, O Retorno do Rei foi bem sucedido ao concluir a trilogia que revolucionou o mundo da fantasia nos cinemas.</p>
<h2><b>Livro x Filme</b></h2>
<p>Vamos começar pelas partes boas.<br />
Algumas invenções do roteiro ficaram impecáveis, como a canção de Pippin já citada. As batalhas do filme são realmente fabulosas. Arwen recebe mais tempo de tela (peitos!) para justificar o romance dela com Aragorn, e na cena em que os dois se encontram para a coroação tudo é perdoado.<br />
Ian McKellen está o máximo como sempre, Sam segura as cenas de Mordor com o pé nas costas e Merry e Pippin finalmente deixam para trás o papel de alívio cômico. Denethor, um dos poucos personagens novos do filme, interpretado impecavelmente por John Noble, é um espetáculo à parte. Gostei muito da interpretação dele e do destaque que ele deu ao personagem.<br />
Mas.</p>
<p>Era uma vez que eu ouvi falar que na versão estendida do DVD tinha uma cena que chamava &#8220;As Casas de Cura&#8221;. Como uma das minhas cenas favoritas do livro é quando Éowyn e Faramir, dois dos personagens mais fodas, se apaixonam nas ditas casas, não descansei até conseguir por as mãos na versão estendida. Quem já teve a oportunidade de ver essas versões sabe que, enquanto As Duas Torres melhorou 50% (os outros 50% melhoraria se tivessem feito algo em relação ao papel idiota do Barbárvore), O Retorno do Rei não ganhou nada de mais. Ou seja. Continua faltando uma das melhores cenas do livro, com meus personagens favoritos.</p>
<p>Fora isso não acho que tenha acontecido tanta coisa que prejudicou o filme. <i>The Scourge of the Shire </i>foi tirado, e eu acho que gostei mais assim, mas Shelob começa o filme, e não sei se gostei disso. Quanto a comentários mais particulares, Elijah Wood parece que se cansou de atuar e ficou permanentemente com a expressão de coitado plantada na cara. No livro, ele acha forças e maturidade nas cenas finais, e quando ele finalmente se revolta é bem mais assustador do que o chororô que o filme mostra na Montanha da Destruição.<br />
Quanto às minhas outras reclamações, quase tudo que foi idiota nos outros filmes foi meio que resolvido nesse: Gimli não tem tempo de fazer palhaçada, Merry e Pippin recebem papéis mais sérios, Faramir tem cenas boas, apesar de não ter a melhor, e a cena da Éowyn ficou legal, apesar da falta de explicação sobre a espada de Merry.<br />
O filme sobrevive muito melhor do que o segundo, e a sensação de revolta pela adaptação não chegou a me sufocar. Uma vitória para o mundo do cinema.</p>
<p><strong>The Return of the King (2003) de Peter Jackson. Com Elijah Wood, Sean Astin, Viggo Mortensen, Ian McKellen, Karl Urban etc etc</strong></p>
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		<title>Adaptação &#124; O Senhor dos Anéis &#8211; As Duas Torres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 10:16:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje em dia que é Julho de 2025 e faz muitos anos, consigo olhar para as coisas de forma menos apaixonada. Peter Jackson fez o que tantos haviam achado impossível antes dele, adaptando uma obra de mais de mil páginas para o cinema de forma maestral. Tem problemas? Claro, toda adaptação tem. Mas não creio [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje em dia que é Julho de 2025 e faz muitos anos, consigo olhar para as coisas de forma menos apaixonada. Peter Jackson fez o que tantos haviam achado impossível antes dele, adaptando uma obra de mais de mil páginas para o cinema de forma maestral. Tem problemas? Claro, toda adaptação tem. Mas não creio que seja pra tanto choro quanto eu coloquei aqui na época. Apesar disso, se diminuir minhas expressões idiomáticas para algo menos revoltado, eu acho que dá pra concordar com os pontos que eu coloquei. Não tira o mérito do filme nem diminui a obra como um todo, só são coisas de fã-hardcore mesmo.</p>
<h4><strong>O Livro</strong></h4>
<p>Enquanto o primeiro volume desse épico da fantasia medieval nos apresentava os hobbits e alguns elfos, nesse segundo volume a ação fica principalmente a cargo dos humanos. E enquanto os hobbits são pequenos, algo bobos e muito ingênuos; e os elfos são graciosos, impressionantes e poderosos; os humanos da Terra Média são exatamente isso: humanos.</p>
<p>Na primeira metade do livro somos apresentados aos cavaleiros de Rohan, homens imponentes, senhores dos cavalos e donos de uma terra verdejante e dourada como o telhado do palácio de seu rei em Meduseld. Aragorn, Gimli e Legolas, com a ajuda de um misterioso senhor de branco, terão de ajudá-los antes de serem ajudados na iminente guerra contra o Senhor da Escuridão: nos tempos de guerra as coisas vão mal em Rohan. O rei Théoden pouco faz por seu povo, doente de luto pela morte de seu filho. Seu sobrinho Éomer, tentando substituir seu primo no controle dos exércitos, está foragido por causa de fofocas e intrigas na corte; e sua sobrinha Éowyn tem de se virar para sobreviver dentro da opressora escuridão que se abateu sobre as terras dos Rohirrim.</p>
<p>Enquanto isso, no lustre do castelo, Frodo e Sam encontram o guia mais improvável possível para levá-los até Mordor: o imprevisível e &#8220;levemente&#8221; esquizofrênico Gollum, que se divide entre lealdade a Frodo pela gentileza com que o trata e ódio por terem roubado dele o Anel de Poder.</p>
<p>Já Merry e Pippin, capturados por Uruk Hai para serem levados até Saruman, encontram-se de repente diante da mais interessante criatura &#8211; na minha opinião &#8211; de todo o livro: Fangorn, ou Treebeard, ou Barbárvore, dependendo da língua que você use.</p>
<p>Pela primeira vez no livro, vemos batalhas épicas, ação de tirar o fôlego, problemas humanos, uma pitada de romance e personagens tão originais que nem mesmo todas as obras que se basearam no Senhor dos Anéis tentaram imitá-los. Frodo e Sam e Gollum adquirem profundidade incrível, Aragorn é autor de feitos cada vez mais impressionantes &#8211; logo nos convencemos de sua real ascendência &#8211; e a única mulher a ter parte importante no livro, Éowyn, aparece e começa a mostrar a que veio.</p>
<p>Não só um livro que completa o primeiro, mas um livro que em muitos aspectos o supera.</p>
<h4><strong>O Filme</strong></h4>
<p>Temos sempre que lembrar que estamos falando de filmes, os quais raramente recebem uma sequência do nível do original &#8211; exceções como O Império Contra Ataca e Indiana Jones e o Templo da Perdição devem ser mencionadas &#8211; e infelizmente a adaptação do segundo volume de O Senhor dos Anéis sofreu o mesmo fim: não é tão bom quanto o primeiro.</p>
<p>Concordo que é complicado fazer um roteiro sem começo nem fim que se sustente no cinema, e certamente o filme se ressente disso. Por outro lado, a primeira batalha da história é muito bem feita, os Rohirrim são muito bem caracterizados &#8211; mostrando ao mundo Karl Urban e a fabulosa Miranda Otto, assim como o veterano e competentíssimo Bernard Hill &#8211; os orcs devidamente horríveis e Gollum um primor de tecnologia misturada à interpretação genial de Andy Serkis.</p>
<p>Somos apresentados a Faramir, o irmão de Boromir, que intercepta Frodo e companhia na fronteira de Gondor, e conhecemos mais um ator excelente que O Senhor dos Anéis desencavou.</p>
<p>No fim das contas, o filme ganha nas pequenas cenas, mas perde quando o analizamos como um todo: o roteiro é difícil de entender, o filme é curto demais para tudo o que quer contar (em comparação com seu antecessor, que tinha cenas que pareciam longas demais), e a melhor batalha de todas (ents x orthanc) recebe um tratamento pouco interessante: curtinha, com narração em voice over, logo antes do final.</p>
<p>Uma bela adição à trilogia, que compensa a falta de ritmo com as cenas empolgantes. O filme não deixa nada a desejar em relação ao primeiro e prepara bem o espectador para a próxima e última instância da trilogia.</p>
<h4><strong>Livro x Filme</strong></h4>
<p>Ok. Vamos primeiro lembrar aos queridos leitores que As Duas Torres é meu livro favorito no mundo inteiro. Certo? Então vai.<br />
Faramir.<br />
Ele é o herdeiro da regência de Gondor, e vive na sombra do irmão Boromir, mas nem por isso deixa de fazer seu dever para com seu pai e seu reino. Comanda o grupo de guerreiros que protege Ithilien das forças do mal, tromba com Frodo e sem querer o ajuda em sua busca.<br />
E ELE É O ÚNICO HUMANO QUE RESISTE O ANEL.<br />
Aragorn, O REI, pede a Frodo que não ofereça o anel a ele, pois seria uma tentação muito grande para resistir, e inclusive o encoraja a se separar da sociedade do anel porque o anel seria, fatalmente, uma influência maligna a todos os membros da comitiva. Boromir, como sabemos, sucumbe à tentação e tenta tomar o anel de Frodo à força. Denethor, o regente de Gondor, coloca muita gente de sua confiança atrás desse objeto de poder, querendo usá-lo contra o inimigo.<br />
E FARAMIR OLHA PARA O ANEL E FALA, &#8220;NÃO QUERO&#8221;.<br />
Isso não só dá esperança para a raça humana &#8211; já que todos os homens que sequer viram o anel tentaram matar todo mundo para consegui-lo &#8211; como também coloca Faramir acima ainda de Aragorn, que é não só o humano mais foda, como de linhagem superior a Faramir.<br />
Claro, isso no livro, antes de os roteiristas resolverem acabar com a personalidade dele POR RAZÃO NENHUMA. No filme, ele imita uma fala do Denethor e decide levar Frodo e o Anel para Gondor, para ser usado como arma. Isso vai TOTALMENTE contra a personalidade de Faramir, DESTRÓI completamente o personagem e ainda por cima deixa claro que isso não faz diferença alguma para a trama, já que depois que Frodo, numa cena muito estúpida que inventaram para o filme, tenta ENTREGAR O ANEL A UM NAZGUL (sem comentários) Faramir resolve que, no fim das contas, é melhor deixar Frodo ir embora destruir o anel. Nunca saberemos como que a decisão dele foi afetada por esse ato de imbecilidade extrema de Frodo &#8211; que deveria mostrar, se muito, que ele não era confiável perto dos Nazgul (que estavam, tipo, em todos os lugares em volta do caminho que ele teria que fazer).<br />
A aparição de Faramir na história fica totalmente sem sentido quando tirada desse contexto de valor, coragem e honra diante das adversidades e da solução fácil que seria o anel nas mãos de Gondor, e isso contrubui ainda mais para a confusão da trama.</p>
<p>E agora à minha heresia favorita.<br />
Fangorn, ou Barbárvore, como sempre o chamarei, é um Ent. Isso significa que ele é, a princípio, uma árvore que fala, mas na prática é muito mais fascinante e complexo do que isso. Ents são pastores das árvores. São seres antiquíssimos. Tem uma língua própria que lembra o ranger das árvores, e nessa língua tudo demora a ser dito porque o nome de cada coisa é a <em>história </em>dessa coisa &#8211; e além disso, eles perdem todo esse tempo falando porque, se eles decidiram falar alguma coisa é porque vale a pena gastar um bom tempo para falar e ouvir.<br />
Entenderam? E aí, quando Merry e Pippin contam a ele do xabú que está acontecendo na Terra Média, ele se irrita, resolve chamar<br />
os outros Ents e queimar Saruman com o mesmo fogo que Saruman anda queimando as árvores da floresta. Essas são as melhores cenas do livro &#8211; quando os Ents se reúnem e decidem atacar, já que para decidir alguma coisa eles demoram de dias a semanas conversando.</p>
<p>No filme, os Ents falam que as árvores não devem interferir, e que vão esperar toda a guerra acabar porque &#8220;árvores não podem fazer nada mesmo&#8221;.<br />
De novo, isso vai TOTALMENTE contra a idéia do autor de que Barbárvore é um cara simplesmente lento ao se decidir (lento MESMO, certo, já que é da natureza dos ents serem lentos e cuidadosos ao decidir as coisas), mas que no fim das contas decide esmagar com força todos os orcs que cortam árvores por aí. A cena da &#8220;floresta andante&#8221; depois da batalha de Helm&#8217;s Deep é sensacional, mas para isso não tiveram tempo no filme. Agora, para mostrar Pippin sendo esperto, enganando o ser mais sábio da face da terra e fazendo com que ele tome uma decisão importantíssima em menos de cinco segundos, PARA ISSO ELES TIVERAM TEMPO. Malditos.<br />
Ou seja. No livro ele decide matar todo mundo, mas tendo considerado cuidadosamente os prós e os contras de tal ação. No filme, ele decide NÃO PARTICIPAR, mas depois de uma ceninha, resolve matar todo mundo SEM PENSAR NEM POR UM MINUTO NAS CONSEQUENCIAS.<br />
Sou só eu que vejo isso como um desvio completamtente IDIOTA e DESNECESSÁRIO na personalidade do personagem????? Ódio.</p>
<p>E então temos Haldir. Que já havia causado risadinhas por todos os cinemas do mundo em sua primeira aparição no filme anterior por ser um elfo extremamente&#8230; hm. Afeminado.<br />
Mas enfim. Depois de ter acabado com a reputação de todos os elfos da Terra Média, acho que os roteiristas decidiram que seria legal dar mais uma chance para a masculinidade do garoto. Depois de um plot twist completamente desnecessário E incompreensível (como Lórien e Rivendell sabem da batalha de Helm&#8217;s Deep??? Como Elrond e Galadriel coneversam??? Os elfos são telepatas??? Haldir trabalha para Lórien E Rivendell?? a comitiva do anel chega em Rohan em semanas, e os elfos em horas. Eles voam???) Haldir morre numa cena idiota que não o deixa mais macho em nenhum sentido.</p>
<p>Por falar em elfos. Depois de tudo o que fizeram para deixar Legolas um arqueiro excepcionalmente fodástico, ele ERRA ao atacar o único orc carregando a tocha imensa para explodir as paredes da fortaleza??? Ele ESPIRROU na hora ou tinha um cisco no olho????? Inferno.</p>
<p>Arwen aparece do nada e vai embora do nada em cenas patéticas, de cílios postíços, lágrimas de cola líquida e sussurros sedutores &#8211; para o seu pai. Claro que aos poucos vamos entendendo o propósito dela na trama (peitos), e pelo menos temos uma razão plausível para Aragorn recusar Éowyn tão firmemente&#8230; oh, espera! No filme ele acha que a Arwen vai embora para Valinor! Ou seja, NÃO TEM NENHUMA RAZÃO PLAUSÍVEL para que ele recuse os charmes da Éowyn. No livro, pelo menos, SABEMOS que ele tem uma noiva bonitona esperando por ele, então não ficamos (tão) revoltados com o pé que a Éowyn leva.</p>
<p>Eu poderia desfiar décadas as besteiras homéricas que os roteiristas fizeram, e o pior é que muitas delas poderiam ter sido alteradas sem nenhum ônus para o filme. Enfim. Nunca saberemos o porquê dessas mudanças.<br />
Para mim, cujo livro favorito é justo esse, e cujos personagens favoritos são justo esses, foi uma tortura. Helm&#8217;s Deep foi legal, claro, e Gollum foi fabuloso, e o Gandalf, e os Rohirrim com tudo mais em Rohan foram perfeitos, bem construídos e ainda por cima fiéis.. Mas isso não compensa o roteiro estúpido e descaracterizado. Queimem o Peter Jackson na mesma fogueira que o George Lucas.</p>
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		<title>Adaptação &#124; O Senhor dos Anéis &#8211; A Sociedade do Anel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jun 2011 21:08:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Livro O Senhor dos Anéis &#8211; Parte 1: A Sociedade do Anel &#8211; J.R.R. Tolkien, 1954 Tolkien já era um escritor relativamente famoso quando publicou seu segundo livro e mudou a percepção do que era &#8216;fantasia&#8217; na literatura. O livro foi escrito para ser publicado em volume único, mas os editores da época acharam [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h4><b>O Livro</b></h4>
<p>O Senhor dos Anéis &#8211; Parte 1: A Sociedade do Anel &#8211; J.R.R. Tolkien, 1954</p>
<p>Tolkien já era um escritor relativamente famoso quando publicou seu segundo livro e mudou a percepção do que era &#8216;fantasia&#8217; na literatura.<br />
O livro foi escrito para ser publicado em volume único, mas os editores da época acharam que as muitas páginas desencorajariam os leitores e dividiram a obra em três partes.<br />
A história, se é que ela pode ser resumida em algumas linhas, é a de um grupo de <i>hobbits</i> que se encarrega de destruir a maior arma do Senhor do Mal para salvar o mundo, e nessa tarefa eles recebem ajuda de todos os povos. O grupo que dá nome ao livro, <i>a sociedade do anel</i>, é composta por quatro<i> hobbits</i>, um elfo, um anão, um mago e dois humanos, os quais farão muitos sacrifícios até que o fim da aventura seja contado.<br />
Contra os companheiros estão todas as forças de Sauron, o Senhor da Escuridão, e muitos outros inimigos que nem sempre servem a ele mas são igualmente terríveis.<br />
Nesse primeiro volume, a história demora a engatar &#8211; principalmente se você não tem o hábito de ler &#8211; mas se conseguir passar da primeira metade do livro, te garanto que você nunca mais vai querer largá-lo. A aventura, a fantasia e a ambientação do livro foram adaptados, usados e copiados vezes sem conta, e O Senhor dos Anéis é considerado sem dúvida uma das maiores obras da literatura fantasiosa de todos os tempos.</p>
<h4><b>O Filme </b></h4>
<p>O Senhor dos Anéis &#8211; A Sociedade do Anel, 2001 (de Peter Jackson. Com Ian McKellen, Elijah Wood, Viggo Mortensen, Liv Tyler, Orlando Bloom, Sean Bean, Hugo Weaving, Cate Blanchett)</p>
<p>Com elenco mais do que estelar (e muitos dos desconhecidos ganharam fama depois do filme), locações fabulosas na Nova Zelândia e produção primorosa, o filme O Senhor dos Anéis estourou nas bilheterias tanto por causa dos fãs ansiosos quanto por causa dos &#8216;civis&#8217; que se interessaram pela maior aventura fantástica jamais transposta para as telas.<br />
O filme é um espetáculo longo, no entanto, e já ouvi muitas pessoas reclamando de seu roteiro &#8216;sem fim&#8217;. Saber que a história continuava no filme seguinte não era consolo para todos os que se apaixonaram pelo filme e tiveram que esperar um ano para ver o próximo.<br />
O mundo da Terra Média criou vida diante de nossos olhos, e o filme foi bem recebido pela crítica e pelos espectadores em geral. As poucas mudanças feitas na transposição do livro para o filme receberam algumas críticas de fãs hardcore, o que não impediu que o filme faturasse uma fortuna.<br />
Os heróis do filme são humanos (mesmo sendo meros <i>hobbits</i>), os vilões são assustadores (não estou falando do olho flutuante, ok, mas dos cavaleiros negros) e o desafio parece intransponível. Mas graças a atuação do elenco e ao roteiro bem amarrado, o filme não deixou nada a desejar em matéria de história, ambientação e atuação. Para quem gosta do gênero, é um prato cheio.</p>
<h4><b>Livro x Filme</b></h4>
<p>Acontece que eu sou fã hardcore, e então vou falar mesmo. Nada se compara, nesse filme, às heresias cometidas em As Duas Torres (segundo filme da série), mas mesmo assim coisas têm de ser comentadas.</p>
<p>Vamos começar com os hobbits. Não se pode negar que Elijah Wood foi uma escolha perfeita para interpretar Frodo, assim como Sean Astin como Sam.<br />
Enquanto Pippin sempre foi o <i>comic relief</i> no livro, portanto dar esse papel a ele no filme é mais do que apropriado, Merry, no livro, é o pé-no-chão com habilidade para negócios e o responsável do grupo. No entanto, nesse filme ele não é mais do que apoio para as trapalhadas de Pippin, e isso é triste. Já o Bilbo de Ian Holm brilha durante todos os momentos em que aparece e ficamos tristes por ele ser velho demais para ser O Hobbit original.</p>
<p>Agora aos elfos.<br />
Representando a corte do Rei Elfo de Mirkwood, Legolas faz as garotas suspirarem por suas madeixas sem que elas sequer saibam que ele é um príncipe &#8211; imagina se soubessem.<br />
Em Valfenda &#8211; para usar a famosa tradução da Lenita &#8211; Hugo Weaving faz um bom trabalho como Elrond (especialmente na parte das memórias), por mais que tivéssemos a impressão de que ele ia fazer cara feia e murmurar &#8220;Mr. Anderson&#8221; a qualquer momento.<br />
Já o amor da vida de Aragorn, Arwen, que mal vemos no livro, faz sua aparição suspirante e sussurrante pela bela Liv Tyler, que obviamente ganhou mais do que as duas falas da personagem no livro por causa de um elemento muito interessante chamando &#8216;o apelo dos peitos no público masculino&#8217;. Na época em que vi o filme pela primeira vez, achei ridícula a participação dela, mas no fim das contas tenho que admitir que a história paralela de Arwen e Aragorn &#8211; que no livro não mereceu mais do que um apêndice &#8211; complementa bem o filme.<br />
O ponto fraco dos elfos no filme é infelizmente Lórien. Os fãs ficaram alegres ao saber que a grande Cate Blanchett interpretaria a grande Galadriel, mas no fim das contas não deu nada certo.<br />
Haldir é uma piada, Celeborn parece um ator de peça escolar e a floresta é obviamente uma montagem de isopor. A cena do anel com Galadriel é desnecessária, deixa escapar um detalhe importante da trama e usa efeitos especiais quando o próprio talento da atriz poderia ter sido utilizado.</p>
<p>Quanto aos humanos, não tenho muito a reclamar. Viggo Mortensen fez um bom trabalho como Aragorn e o Boromir de Sean Bean ficou ainda melhor do que o do livro.<br />
O anão Gimli ficou caricato demais, mas o carisma de John Rhys Davies compensa a falta de personalidade do anão, que só resmunga sobre bebida, comida e lutas.</p>
<p>Em relação à adaptação em si: gente, é um livro de mil páginas. Todos sabíamos que seria impossível transpor tudo para as telas. Algumas das escolhas do primeiro filme, na minha opinião, foram acertadas: nada justifica Tom Bombadil &#8211; ponto por terem tirado do filme &#8211; e Glorfindel, no correr das coisas, atrapalha a compreensão do cara que assiste &#8211; trocá-lo por Arwen deu mais cena para peitos e passamos a respeitar mais a garota que Aragorn escolheu.<br />
Já outras decisões, como fazer com que os Cavaleiros Negros não tivesse visão periférica e mostrar Sauron antes da cena da batalha, estragando a surpresa, são coisas pequenas que só os fãs percebem.<br />
Tudo é compensado pela cena da ponte.</p>
<p>A adaptação para o cinema em sua melhor forma.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O Hobbit &#124; J.R.R. Tolkien</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jun 2011 23:16:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[infantil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>In a hole in the ground there lived a hobbit. Com essa frase começa uma das sagas de fantasia mais famosas da literatura. O Hobbit foi publicado na década de 30, quando foi adorado pelos leitores, virou febre na Inglaterra e fez com que o autor recebesse diversas cartas pedindo continuações do livro. A história, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>In a hole in the ground there lived a hobbit.</em></p>
<p>Com essa frase começa uma das sagas de fantasia mais famosas da literatura. O Hobbit foi publicado na década de 30, quando foi adorado pelos leitores, virou febre na Inglaterra e fez com que o autor recebesse diversas cartas pedindo continuações do livro. A história, como o título entrega, é sobre um hobbit, uma criatura engraçada de menos de metro de altura, amor pela boa comida e de pés peludos, que se envolve numa aventura que inclui resgatar tesouros e enfrentar dragões.</p>
<p>Tudo começa quando Bilbo Baggins, um hobbit respeitado e bem de vida, irrita um mago que passa por sua porta e o mago, como vingança, pinta um sinal na casa de Bilbo que significa &#8220;ladrão procurando emprego&#8221;.</p>
<p>Na noite seguinte, então, treze anões aparecem na casa de Bilbo certos de que o hobbit quer fazer parte da aventura deles, que é ir até a Montanha Solitária no norte selvagem e resgatar o ouro dos anões que foi roubado por um dragão.</p>
<p>É um livro para crianças que agrada à todas as idades. O jeito do autor descrever o que acontece é simples e divertido, e ao mesmo tempo as aventuras das quais Bilbo participa com os anões são muito emocionantes: passando por trolls famintos, bandos de goblins maléficos, aranhas gigantes, e elfos pouco amigáveis, o pacato Bilbo vai aos poucos provando aos anões que é bem mais do que parece.</p>
<p>Um clássico da literatura que deve ser lido por todos os amantes da fantasia, já que reúne todos os elementos do gênero de forma fora do comum: em vez do grande herói com sua espada mágica lutando com o malvado dragão, temos o simpático hobbit, todo bom senso e saudades da sua mesa cheia, no meio de tudo e ao mesmo tempo deixado de lado nas grandes guerras dos povos maiores. A moral da história, é claro, é que mesmo sendo pequeno e aparentemente sem valor, podemos fazer uma enorme diferença no decorrer das coisas.</p>
<p>Importante lembrar que esse livro não tem absolutamente nada a ver com sua continuação, tanto em tom quanto em personagens: os temas são mais pessoais e menos grandiosos do que em O Senhor dos Anéis, os personagens me parece mais humanos &#8211; mesmo sendo anões e elfos &#8211; do que no famoso épico e, finalmente, o decidido Bilbo me parece mais atraente do que seu intelectual herdeiro Frodo. E, é claro, temos um livro fisicamente mais acessível, sem as infinitas páginas da sequência e com uma história igualmente cativante.</p>
<p>The Hobbit (1937) de J.R.R. Tolkien</p>
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		<title>O Senhor dos Anéis &#8211; O Retorno do Rei &#124; J.R.R. Tolkien</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Jun 2010 02:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eeebaa finalmente a resenha da última parte de O Senhor dos Anéis. Pra quem já leu os outros e só falta esse, o que acontece é o seguinte: as forças de Sauron se preparam para assolar o mundo dos homens. Saruman foi neutralizado, Theoden foi convencido a ajudar no combate contra Mordor unindo-se ao exército [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-family: inherit;">Eeebaa finalmente a resenha da última parte de O Senhor dos Anéis.</span></div>
<div></div>
<div><span style="font-family: inherit;">Pra quem já leu os outros e só falta esse, o que acontece é o seguinte: as forças de Sauron se preparam para assolar o mundo dos homens. Saruman foi neutralizado, Theoden foi convencido a ajudar no combate contra Mordor unindo-se ao exército de Minas Tirith. Enquanto isso, Frodo e Sam se arrastam pelas terras áridas de Mordor, fingindo fazer parte e um exército de orcs. Aragorn decide chegar a Minas Tirith por um caminho alternativo, acompanhado por Gimli e Legolas. Eowyn não se conforma em ser deixada para trás e Gandalf, acompanhado de Pippin, descobre que o regente de Gondor, Denethor, não é tão acessível quanto pede o momento. </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">É nesse volume que se concentram as maiores batalhas, os maiores feitos heróicos e aquele momento realmente de fechar o livro de nervoso pra ir tomar uma água e relaxar. A motivação dos personagens (pra não falar da identidade de alguns) fica revelada. O único &#8216;romance&#8217; do livro acontece. Os caras &#8216;do bem&#8217; estão encurralados e tentam uma última cartada desesperada. E Frodo e Sam, no pior lugar do mundo, são os que têm de fazer as piores decisões.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">Da primeira vez que eu li, não gostei que Éowyn teve o destino que teve. Agora, que sei que o humano mais foda de todos é o Faramir, acho que deu tudo certo no final. Portanto, fica minha opinião: enquanto o cenário mais legal é Rohan, o personagem mais legal é Barbárvore, o personagem mais foda é Gandalf&#8230; o personagem mais humano é Sam e o humano mais foda é Faramir. Não sei se deu pra entender.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">Esse livro encerra com maestria a trilogia (que na verdade é um livro só) mais famosa de fantasia. Todos os personagens têm seus destinos explicados, o que faz com que no final as coisas fiquem meio lerdas, mas isso era necessário para explicar de onde veio o livro. Afinal, Tolkien deixa bem claro que a história é verdadeira, ocorreu num passado distante do nosso mundo e foi escrita pelos hobbits, que repassaram o livro através de seus antepassados. </span></div>
<p><span style="font-family: inherit;">Obra-prima.</span></p>
<p><b><span style="font-family: inherit;">The Lord of the Rings &#8211; The Return of the King (1955)</span></b><br />
<b><span style="font-family: inherit;">De J.R.R. Tolkien (Reino Unido)</span></b><br />
<span style="font-family: inherit;"><b>Terceiro volume de O Senhor dos Anéis </b></span></p>
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		<title>O Senhor dos Anéis &#8211; As Duas Torres &#124; J.R.R Tolkien</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 16:09:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O livro, dividido em duas partes, fala da continuação da jornada da agora separada Sociedade do Anel. A primeira parte fala de Aragorn, Gimli, Legolas, Merry e Pippin, na tentativa de salvar a terra de Rohan do poder de Saruman na torre de Orthanc. A segunda parte mostra Frodo e Sam, com a ajuda de Gollum, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O livro, dividido em duas partes, fala da continuação da jornada da agora separada Sociedade do Anel.</p>
<p>A primeira parte fala de Aragorn, Gimli, Legolas, Merry e Pippin, na tentativa de salvar a terra de Rohan do poder de Saruman na torre de Orthanc. A segunda parte mostra Frodo e Sam, com a ajuda de Gollum, na sua jornada para entrar em Mordor pela cidade maléfica com a torre de Minas Morgul.</p>
<p>Enquanto Aragorn, Legolas e Gimli vão atrás dos hobbits Merry e Pippin, que foram raptados por orcs, Frodo e Sam vão através do labirinto dos montes escarpados das montanhas Emyn Muil em direção a Mordor.</p>
<p>Mas os orcs que raptaram os hobbits não são o que parecem; e as Emyn Muil são praticamente intransponíveis. Aragorn, Legolas e Gimli trombam com a tribo dos cavaleiros de Rohan; Frodo e Sam são obrigados a aceitar a ajuda de um guia no mínimo controverso.</p>
<p>Enquanto isso, Merry e Pippin vão parar na floresta Fangorn, imensamente enorme e antiga &#8211; e despertam uma força que ninguém esperava. E o trio de corredores acaba indo parar na capital de Rohan, onde o rei Théoden está malignamente sob a influência de um servo de Saruman.</p>
<p>Dos três livros em que O Senhor dos Anéis foi dividido, essa é a parte que eu mais gosto, porque adoro Rohan, Fangorn e o mago branco; e também tem meus personagens favoritos da trilogia inteira: Éowyn, princesa de Rohan, Barbárvore &#8211; a tradução do nome vai ficar pra sempre &#8211; e Faramir.</p>
<p>De qualquer forma, aqui toda a lerdeza aparente do início da história, em A Sociedade do Anel, desaparece por completo, e agora sabemos realmente qual a força da história e do mundo criados por Tolkien. É muito bonito a gente ler as descrições que ele faz dos elfos, mas é com o mundo verdadeiramente medieval fantástico da honra e da guerra em Rohan que percebemos os personagens mais interessantes da trilogia: os humanos.</p>
<p>The Lord of the Rings &#8211; The Two Towers (1954) | O Senhor dos Anéis &#8211; Parte 2</p>
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		<title>O Senhor dos Anéis &#8211; A Sociedade do Anel &#124; J.R.R. Tolkien</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2009 00:46:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pois bem, é até difícil saber por onde começar a falar desse livro. Eu podia falar que foi a Bel quem primeiro me emprestou, e que eu derramei sopa no livro do Felipe, e todo o resto. Mas eu diria que isso tudo não vem bem ao caso.   Só sei que eu já estava [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-family: inherit;">Pois bem, é até difícil saber por onde começar a falar desse livro.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">Eu podia falar que foi a Bel quem primeiro me emprestou, e que eu derramei sopa no livro do Felipe, e todo o resto. Mas eu diria que isso tudo não vem bem ao caso.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">Só sei que eu já estava <i>well into fantasy</i> quando a Bel veio falar que era um absurdo eu não ter lido o Senhor dos Anéis, e me tuchou o primeiro volume, daquela edição Europa-América que foi a de quase todo mundo que entrou em contato com a obra prima na década de 80 aqui no Brasil.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">Então não posso dizer que foi esse livro que iniciou minha paixão.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">Mas foi quase.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">E o que eu tenho a dizer ao leitor incauto é: não desista.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">Tudo bem, o livro consegue ser bastante mala, mas prometo que assim que passar do Livro II você não vai conseguir parar de ler (explicando que o SdA é um livro só, dividido em seis partes e muitas vezes editado em três volumes, dos quais A Sociedade do Anel é o primeiro).</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">A história é a de um jovem hobbit (criaturas engraçadas que têm baixa estatura, pés peludos, apetite insaciável e bom humor quase permanente) que descobre que aquele anel que herdou do seu tio é a chave para o poder do evil overlord da área, Sauron, que precisa apenas do anel para cobrir a terra de escuridão.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">Frodo, o protagonista, se une a mais outros hobbits, alguns humanos, um elfo, um anão e um mago para atravessar o mundo e tentar destruir o anel, o que só pode ser conseguido jogando-o no vulcão onde ele foi criado.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">É essa a premissa para O Clássico da literatura maravilhosa, que virou a base para todos os livros de fantasia medieval jamais criados.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">O problema é que o Tolkien, como criou o mundo onde se passa a história até os mínimos detalhes, faz questão de mostrá-los <span style="font-style: italic;">todos</span> ao leitor. Ou seja, passam-se parágrafos e mais parágrafos de descrições intermináveis sobre o caminhozinho que leva da aldeia até a floresta.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">Quando nos acostumamos com o estilo dele, nem reparamos mais nas descrições detalhadas, mas pra quem não tem o hábito da leitura admito que deva ser dose.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">De qualquer forma é um dos meus livros favoritos no mundo inteiro, e essa primeira parte tem um dos capítulos mais legais do livro todo (A Sombra do Passado), e tem Moria e Galadriel, que são fodas, e se o livro não demorasse 200 páginas pra engrenar seria bem melhor.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div><span style="font-family: inherit;">Felizmente isso foi resolvido n&#8217;As Duas Torres.</span></div>
<div><span style="font-family: inherit;"> </span></div>
<div>
<p><span style="font-family: inherit;">Lembrando sempre que o livro deveria ser lido com um todo, sem dividi-lo em volumes. Mas como a editora fez assim, eu também faço.</span></p>
<p><b><span style="font-family: inherit;">The Lord of the Rings &#8211; The Fellowship of the Ring (1954)</span></b><br />
<b><span style="font-family: inherit;">De J.R.R. Tolkien (Reino Unido)</span></b><br />
<span style="font-family: inherit;"><b>Primeiro volume de O Senhor dos Anéis &#8211; Série Terra Média Livro 2</b> </span></p>
</div>
<p>The post <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/o-senhor-dos-aneis-a-sociedade-do-anel-jrr-tolkien/">O Senhor dos Anéis &#8211; A Sociedade do Anel | J.R.R. Tolkien</a> appeared first on <a href="https://adevoradoradelivros.com.br">A Devoradora de Livros</a>.</p>
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