Um Gosto Mórbido por Ossos | Ellis Peters

O Prior Robert tinha um sonho. Vai ao País de Gales para buscar as ossadas de uma santa que fazia milagres. A ideia é que a Santa Winifred trará muito mais fama e visitações à Abadia de São Pedro e São Paulo, em Shrewsbury, onde vive o Prior – e a justificativa dada aos galeses é que ela conseguirá muito mais louvor e devoção na grande abadia do que no túmulo abandonado.

O Irmão Columbanus tinha uma ambição. Filho de uma nobre família normanda, até na clausura procura a fama – mesmo que seja de um modo pouco apropriado a um monge. Diz ter sido curado por Santa Winifred e fará de tudo para conseguir as vontades do Prior.

O Irmão John tinha um problema. O jovem estava bastante seguro da sua vida monástica, até chegar ao País de Gales e conhecer a bela Annest, filha do ferreiro. Por acaso, justamente aí que começaram suas dúvidas.

O Irmão Cadfael tinha um passado. Vivera por quarenta anos no mundo antes de se dedicar ao claustro, e agora era convocado como intérprete nessa viagem a seu país natal. Só que quando os aldeões de Gwytherin se recusam a deixar que a santa mude de lugar, o intérprete se vê concordando com seus compatriotas mas tendo de ser ao mesmo tempo fiel aos seus superiores na ordem.

O maior opositor dos monges é Rhisiart, um abastado senhor de terras da região. Ele é o mais vocal nas discussões, é o mais hábil ao perceber a ambição do prior, e o mais eloquente ao dar voz aos seus conterrâneos. Quando ele é encontrado morto logo após o início das negociações, o Prior brada que a santa fez seu desejo claro: ela destruiu o opositor à sua mudança!

Cabe ao Irmão Cadfael, com sua experiência nos campos de batalha na Palestina, mostrar a todos que Rhisiart foi morto não por raio divino, mas por uma flecha – atirada por mãos humanas.

E a lista de suspeitos parece se resumir a um estrangeiro, homem sem terra inglês apaixonado pela filha de Rhisiart. Mas Cadfael conhece bem demais seus colegas do claustro para descartar o envolvimento até mesmo dos mais fervorosos.

Primeiro dos livros do monge-detetive Irmão Cadfael, essa história passada no século XII consegue ser divertida, cativante e emocionante ao mesmo tempo em que parece retratar com fidelidade a época medieval.
Cadfael é cético sem ser ateu, sensato sem ser moderno e inteligente sem ser todo-poderoso. Nada de “nossa, como não tinha visto isso antes!” como seus colegas Poirot e Holmes. Cadfael é um detetive com imensas dificuldades: numa época em que as grandes descobertas científicas se resumiam à utilização das sementes de papoula pra induzir o sono, a criminalística forense era algo praticamente inexistente. Apesar disso, a autora consegue fazer com que as deduções do monge sejam extremamente verossímeis – partindo do princípio, é claro, que tanto o País de Gales, onde o personagem nasceu, quanto a Terra Santa, onde ele passou a juventude, eram infinitamente mais avançados na época do que a atrasada Inglaterra.

Um livro que vale a pena para quem gosta de romance policial e também para quem curte as histórias que se passam na Idade Média com base em momentos históricos reais, é uma leitura ágil, fácil e divertida. Recomendo imensamente!

A Morbid Taste for Bones (1977) de Ellis Peters. As Crônicas do Irmão Cadfael – Livro 1

Leia também minha resenha do livro 2.

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

6 thoughts on “Um Gosto Mórbido por Ossos | Ellis Peters

  1. Ahhhh que resenha ótima!!! Tinha ficado super curiosa à respeito do irmão Cadfael (vc tinha comentado no meu blog), eu adoro romances policiais e com este misto de história como “plus”, fica realmente interessante!!!!!Vou procurar na estante virtual!bj

  2. Adorei sua resenha!Me deixou curiosa quando disse que é para quem gosta de romance policial.Adoro ler romance policial um dia quero conseguir escrever um decentemente rs os autores desse gênero são incríveis!Beeijo =)

  3. AH! Eu sou apaixonada por ficção histórica, estou com livros p/ ler que são uma maratona!! “Mundo sem Fim” tem 1000 pags, mas tenho até medo de pega-lo pa ler. rsrsObrigado pela dica!bjs

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