Trono de Vidro | Sarah J. Maas

Celaena Sardothien é a maior e mais famosa assassina de Adarlan. Após ser presa e condenada a trabalhar pro resto da vida nas minas de sal de Endovier, é só por um milagre que ela continua viva depois do primeiro ano – e aí o príncipe herdeiro do trono, Dorian, faz uma oferta: ela pode participar de uma competição com diversos outros assassinos, ladrões e soldados onde o vencedor se tornará o Campeão do Rei. Se ela vencer a competição e se ela servir bem ao rei, ao término de quatro anos todos os seus crimes serão perdoados e ela será livre.

Apesar de o rei de Adarlan representar tudo o que ela mais odeia – afinal, ele foi responsável pela morte dos pais de Celaena, pela destruição da magia no mundo e pela opressão e morte de centenas de milhares de povos conquistados – ela aceita a proposta do príncipe Dorian, pois sabe que não será capaz de sobreviver mais um ano naquele horror que são as minas de sal.

Quando ela é apresentada à corte como Lady Lillian, ela provoca um rebuliço entre as damas por estar tão próxima do príncipe e os outros competidores pelo posto de Campeão do Rei não a levam a sério por ser uma garota, mas logo Celaena descobre coisas interessantes: o príncipe Dorian está cada vez mais interessado nela; alguém está convocando monstros para matar outros competidores; uma princesa de um dos reinos conquistados se mostra uma amiga inusitada… Celaena pode até ser a melhor assassina, mas a vida na corte fará com que ela tenha que usar habilidades além da espada. E o capitão Westfall, que insiste em tratá-la mal durante os treinamentos, por outro lado parece ser o único que realmente a entende.

A Ambientação.

O livro tem uma ambientação que me deixou curiosa por ser um pouco diferente do tradicional mundo-com-magia, e o primeiro volume da série deixa mistérios interessantes em aberto em relação a isso. Ela colocou um toque nórdico/saxão bem bolado, e a narrativa deixa claro que Celaena tem mais possibilidades no futuro – então se ela se mostrar a salvadora de todo o universo e a chosen one, pelo menos as dicas já estão aqui. E daí acaba as partes boas.

Celaena é perfeita demais – bonita demais, magra demais, loira demais, habilidosa demais – já falei que ela é bonita demais? Peitos, cabelo maravilhoso, pernas incríveis = sono. Quando ela dá alguma mancada o livro até me deixava surpresa, porque ela é tão boa em tudo que as merdas que ela faz parecem inverossímeis. Por outro lado, ela é divertida, independente e geniosa, ao mesmo tempo em que é bem tapada em vários momentos. Isso compensa um pouco a perfeição mas também fiquei com cara de ‘essa daí é a maior assassina do rolê e dá dessas?”. No fim das contas, deu vontade de saber o que vai acontecer com ela nos próximos volumes da série.

O Triângulo Amoroso.

O triângulo amoroso me deixou irritada no começo por ser aquele clichezaço, mas eu gostei tanto do Dorian e do Chaol – e da princesa Nehemia, de longe a melhor personagem – que isso foi um pouco compensado. Só que os diálogos são ruins, hein. Ruins como eu nunca vi em um suposto best-seller. E enquanto a premissa do livro é incrível de verdade verdadeira, eu demorei dias pra terminar o livro, porque nada acontece.

O mistério dos caras que vão morrendo não é misterioso droga nenhuma, ninguém no castelo inteiro parece se preocupar com o fato de que tem uma besta monstra à solta e Chaol, apesar de gato, é com certeza o chefe da guarda mais incompetente que já existiu. Os outros competidores, com pouquíssimas exceções, não merecem nem nome e muito menos descrição – juro que tem horas que a narrativa manda “fulano, sicrano e um outro soldado“. Mano, não era pra ser uma super competição incrível? Não era pra ser Jogos Vorazes encontra Senhor dos Anéis? Não era pra ser foda?

Pois bem, não é.

O rei malvadão sequer aparece pra ver a competição, o livro nem descreve as provas direito. Além disso tem páginas e mais páginas criando um triângulo amoroso lixo. Isso tira o foco da parte mais importante que são as tais marcas mágicas, os monstros e os sonhos bizarros que a menina tem. A autora conta na orelha do livro que ela passou dez anos criando o mundo, e dá pra ver: tudo no mundo faz sentido, os nomes, as nacionalidades, os idiomas.

Mas ela só esqueceu de pensar numa trama boa, e gastou um livro inteiro pra introduzir personagens, o que dava pra fazer em dois capítulos. Celaena passa o livro mais preocupada com sua beleza e suas roupas do que com ganhar o inferno da competição; gasta horas reclamando: da comida, de acordar cedo, de treinar, de que tratam ela mal (mesmo ela sendo tipo a maior assassina do mundo), de que o príncipe trata ela como piece of ass, e choro, choro choro.

Aí de repente tem umas cenas de lembranças violentas que não fazem o menor sentido (oi, ele quebrou a mão dela pra obrigar ela a lutar com a esquerda? Por que não simplesmente amarrar o braço? E ela ainda gosta do cara. Afe). E mais roupas, e mais Chaol e Dorian achando ela gostosa, mas ela é perigosa então precisamos ficar longe dela, mas ela é atraente e feminina, mas ela é perigosa – e esse é basicamente o drama todo dos personagens. E claro, a leitura. Celaena está prestes a ganhar sua liberdade, desde que ela recupere o tempo perdido sendo escrava numa mina de sal – e aí ela passa as noites lendo romances que o príncipe recomendou pra ela em vez de dormir.

Parece uma boa, não?

A ambientação daora e a premissa incrível me fizeram terminar o livro, mas viu? Tem muito mais fantasia por aí que vale a pena. Eu fico triste que uma ideia tão boa caiu no clichê do triângulo amoroso, mas no fim das contas a autora estava é certa. Com enormes números de vendas e aplausos do público, não se pode negar que triângulo é o que vende mesmo. Pena.

(PS – como fala o nome dessa mina? Não faz sentido em nenhum idioma conhecido, e eu simplesmente desisti e resolvi que ela chama Selena. Fim.) – 2023 e parece que é se-LEIN-na ahaha

Throne of Glass (2012) de Sarah J. Maas. Série Throne of Glass Livro 1

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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