Bobby Jones, filho do pastor de uma pequena aldeia inglesa, está jogando golfe com um amigo quando uma das bolinhas cai no penhasco. Ele vai buscá-la e para sua surpresa encontra um homem caído numa das saliências: ele imagina que o pobre homem, sem conhecer a região e no meio do nevoeiro, caiu no penhasco.
O amigo de Bobby vai buscar um médico e Bobby fica encarregado que ficar perto do acidentado, que está desacordado. Mas logo antes do médico chegar, o homem faz uma coisa muito estranha: ele recupera a consciência subitamente, olha para Bobby e pergunta, claramente: “Por que não pediram a Evans?”
E aí ele morre.
É claro que Bobby fica curioso. Ele procura uma carteira ou algo assim nos bolsos do moço pra ver se consegue identificá-lo, mas só encontra uma fotografia de uma mulher. Uma bela, loira e angelical moça, com expressão cativante. Ele coloca a foto de volta, mas está preocupado porque vai se atrasar para ajudar o pai. Felizmente, um transeunte simpático, que se apresenta como Roger Bassinton-ffrench (com dois ff minúsculos) aparece. Bobby explica a situação, e o homem prontamente se oferece para ficar com o corpo até a polícia chegar.
Depois disso, Bobby fica sabendo que a fotografia no bolso foi essencial para identificar o morto: a irmã do falecido diz ser ela a fotografada, e vai até a casa de Bobby saber mais sobre a morte do pobre irmão. E quando ela chega, é uma velha feia!
Velha, velha, também não. Mas de meia idade, vulgar, sem educação. Muito diferente da lady que Bobby tinha visto na fotografia. Será que a moça tinha envelhecido tão mal assim?
Sua amiga Lady Frances Derwent, Frankie para os íntimos, acha que o cara foi na verdade é empurrado do penhasco. E convence Bobby a ajudá-la a investigar o caso.
Mas por quê alguém teria empurrado o homem para a morte? E o que significava aquela pergunta que o homem tinha na cabeça? Afinal, quem é Evans?
Essa é a premissa para um dos meus livros favoritos da Agatha Christie. Não há detetives pomposos cheios de deduções: há Bobby, seu atrapalhado amigo Badger e a bela e aventureira Lady Frances Derwent, Frankie, para os íntimos, que fica interessadíssima no caso e decide ajudar. Além isso há o simpático Roger, que eles conhecem durante as “investigações”, e a bela Moira, a moça da tal fotografia, casada com o sinistro Dr. Nicholson. O que Bobby e Frankie descobrem é uma trama complexa de roubo e alteração de testamentos de um milionário, assassinatos e sequestradores.
O livro é extremamente divertido, inteligente e dinâmico; é fácil ver os personagens na sua frente, e “o assassino” descoberto no final é bastante surpreendente. Se qualquer livro da Agatha Christie não é de se jogar fora, uma das obras primas dela é uma leitura que não deve faltar na lista de ninguém.
Why Didn’t They Ask Evans? (1934) Agatha Christie