Amante Liberto | J.R. Ward

Vishious se apaixona por uma médica humana que o salva da morte. Mas o amor dos dois é impedido por mais do que a diferença entre as raças. Além desse ser um guerreiro vampiro da Irmandade da Adaga Negra, constantemente em guerra contra mortos-vivos malignos que querem exterminar os vampiros da face da terra, ele tem visões geralmente desesperadoras sobre o futuro, ele acaba de descobrir uma notícia aterradora sobre sua ancestralidade, ele é um sadomasoquista e, como se não bastasse, é convocado pela Virgem-Escriba – deusa dos vampiros – para ser o próximo elo na continuidade da espécie.

Ou seja, ele vai ter que ser o pai da próxima geração de guerreiros. E para isso vai ter de se deitar com todas as Escolhidas da Virgem, um grupo de vinte e tantas vampiras que vivem à sua espera.

É engraçado que esse livro é sem dúvida o pior da série até agora, mas tem o protagonista que é um dos meus brothers favoritos.
Vishious é um cara complicado – bissexual, semi-castrado, vidente, adepto de BDSM, destruidor de energia negativa: você pode fazer uma lista de porque esse guerreiro vampiro não é uma pessoa tranquila de se lidar.

A história segue as reviravoltas pelas quais Vishious passa quando se apaixona pela Dra. Jane, uma médica humana.

O problema não é a Dra. Jane. Eu sei que tem muita mulher que chia quando o protagonista favorito arranja uma namoradinha – por exemplo as loucas que xingam a Ginny por aí – mas eu não sou dessas. Eu acho que um herói forte merece um par romântico à altura, e a Dra. Jane é uma excelente parceira para Vishious: inteligente, de personalidade forte, guerreira etc etc.

E mesmo que eu tenha achado as primeiras cenas de “romance” entre os dois mega hot – MEGA HOT – eu achei a coisa toda bastante inverossímil. Tudo bem o V querer que levassem a Jane com ele, afinal o “animal interior” dele estava gritando por ela. E tudo bem o Wrath concordar, já que V é praticamente indispensável. Mas sabe quando dá a impressão de que poderia tudo ter sido mais bem bolado? Não é como se a autora não tivesse capacidade.

Eu acho que é porque eu gosto tanto do V que meio que EXIGIA que esse livro fosse o melhor de todos, e qualquer falha pequena me irritou muito.

Além disso, a Jane entrou tão rápido na bizarrice dele… eu não sei vocês, mas não é porque estou completamente apaixonada por um cara que vou começar a curtir BDSM só porque ele gosta, sabe?

Daí tem o problema do Butch. Eu super achava que os dois deveriam ficar juntos, e até a autora parece que achava isso (tipo que ela não quis arriscar perder leitores tão cedo e resolveu esperar até o décimo primeiro volume da série pra começar a falar de romance homo), e o romance entre Butch e Vishious tem razão de ser, é bem construído e não tem como não torcer pra que eles fiquem juntos. Daí vem essa Jane do nada e quer tomar o lugar do Butch? Pô. E daí a autora tem que vir com essa história de “instinto” dos vampiros pra explicar esse “amor à primeira vista”. Me irritou.

E, claro, aí entra o maior problema de todos.

Contém spoilers.

Cêjura que ela virou… um fantasma? Que se materializa na hora que quiser e pode fazer sexo e pode curar as pessoas pra sempre? Que porra é essa? Eu acho que se era pra chutar o balde de uma vez, que ela fosse morta pela Directrix (ou sei lá o nome da louca) pra se vingar do V, porque aí ia ser culpa da Virgem e ela ia se sentir na obrigação de ajudar o filho. Mas ela ser morta por um *lesser* e depois a Virgem simplesmente transformá-la num fantasma foi demais da conta. Foi tipo a Mary mas mil vezes pior. E ainda teve aquela cena do John choramingando que “se a Jane pode, porque a Wellsie não pode” e eu super concordo. Tá que a Virgem Escriba é super parcial, mas ela tá virando um artifício de narrativa meio batido: a mocinha quase morre e aparece a Virgem toda poderosa pra salvá-la. Me surpreende que os *brothers* simplesmente não já tomem isso como certo.

Fim dos spoilers.

Então, na verdade, não chega a ser um livro ruim. É só o pior da série até agora, e considerando a espectativa que o Vishious tinha comigo, acabou sendo pior que a encomenda. E como se não bastassem os furos na história, ainda tem o final lixão.
É tão triste isso. O V merecia um livro tão melhor…

Lover Unbound (2007) de J.R. Ward
Série Irmandade da Adaga Negra Livro 5

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

2 thoughts on “Amante Liberto | J.R. Ward

  1. Concordo com vc. O V merecia um livro melhor, e tbm fiquei “bege” com o final da Jane. Achei ridículo, na verdade. Mas se prepare… tem coisa pior ainda. Pelo menos para mim, o livro do Phury foi o mais fraco. Um verdadeiro porre! mas teve gente que curtiu… Vai de gosto. kkkBjo

  2. Eu tenho sentimentos bem contraditórios sobre esse livro… por um lado, amei a forma narrativa! Passar pela historia do Jhon e do Phury deixou tudo mais interessante, falar mais do Darius que parecia completamente esquecido até então… foi ótimo. Por outro lado…. eita historia preguiçosa! Gente, a Ward andou fumando o baseado do Phury, só pode! Pq só com muita fumaça vermelha na cabeça pra ela pensar naquele final horrendo!

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