Adaptação | The Dresden Files

Eu nem sei daonde tirei Storm Front, primeiro volume da série de livros The Dresden Files, mas o fato é que li, gostei, viciei e já era. Em pouco tempo descobri que os livros tinham originado uma série de TV, que na época passou no Sci-Fi Channel (os imbecis não se contentaram em demolir Terramar, também cancelaram essa pérola logo de início.).

É bom mencionar que acho que a série é uma das melhores transposições do livro pra tela que eu já vi.

A série conta as aventuras e desventuras de Harry Dresden, um detetive particular em Chicago que é também um bruxo. Outros personagens recorrentes são Bob, o espírito de um bruxo que ajuda Harry, a tenente Murphy, policial de Chicago que contrata Harry para resolver casos sobrenaturais e Morgan, um ‘policial dos bruxos’ que vive na cola de Harry, já que este não tem um passado exatamente exemplar.

A idéia é a de que existe todo um mundo sobrenatural escondido do nosso, e quando as coisas não são bem o que parecem o departamento de investigações especiais da polícia tem que jogar tudo pra baixo do tapete. Mas antes disso a tentente Murphy sempre acaba chamando Dresden, pra ver se ele tem alguma coisa a fazer pra descobrir que raios aconteceu.

Harry é interpretado por Paul Blackthorne. A primeira foto que eu vi dele me deixou meio desapontada, eu sempre imaginei um Harry mais charmoso. Mas como a maior parte dos homens charmosos, Blackthorne só demonstra a que veio quando vemos o homem atuar. E pra mim ele é perfeito. Ele demonstra uma enormidade de emoções com poucas palavras, parece sempre ao mesmo tempo sem jeito e cheio de idéias e tem uma cara de ‘sujo’ que toda mulher adora. As magias que ele faz são em geral bastante sutis: achei uma sacada boa do roteiro. No livro, o Dresden é bem pouco sutil nas magias que faz, e prédios incendiados e carros voando são comuns no seu dia a dia. Na série, e acho que isso fez bem pro orçamento, as magias de Dresden são pequenas, de encontrar, amarrar, fechar e mostrar, e são feitas com poucos truques de câmera. Quando eu vi o piloto da série, com todas as explosões, estranhei aquilo tudo e senti falta da sutileza dos outros episódios. A história não é focada na magia, e sim no roteiro inteligente e nos personagens secundários.

A tentente Connie Murphy é interpretada por Valerie Cruz. Ela é completamente diferente da personagem do livro e ao mesmo tempo muito parecida. Ela é bonita, durona e não deixa o Dresden se safar de nenhuma piada infame. A idéia é de que Dresden a está protegendo do conhecimento sobrenatural para que ela não se meta em ainda mais problemas, mas pra mim a única falha do roteiro está aí. Se Dresden não conta nada pra ela, como é que ela acredita nas ‘magias’ dele? Mas enfim. Achei uma falha pequena numa série que em geral achei muito boa.

Os episódios geralmente seguem um padrão: 1. algum crime é cometido de forma sobrenatural, a polícia não consegue entender nada e chama Dresden pra resolver ou 2. alguma pessoa em perigo sobrenatural vai parar no escritório de Dresden pedindo ajuda.

As histórias são muito boas, e os personagens coadjuvantes também. O clima meio ‘noir moderno’, com narrativa em off de Dresden, também é muito bem feito. Meus episódios favoritos são o dos meninos que usam um artefato mágico para atravessar paredes e roubar bancos e o da detetive particular cujo chefe foi morto de forma muito estranha.

Achei muito bom que a série não se prendeu aos roteiros dos livros de modo algum. Em vez de ficar dando reviravoltas para adaptar coisas, eles simplesmente mudaram completamente vários elementos da narrativa, mas o fizeram com tal cuidado que tudo faz sentido interno. Um pequeno exemplo é a personagem de Bianca, a vampira. Nos livros ela é totalmente diferente. Claro que podiam ter escolhido um outro nome pra mulher e pronto, já que as únicas coisas que ela tem em comum com a personagem do livro é a cor do cabelo e a profissão. Mas a personagem da série é tão rica e cativante que nem dá tempo da gente reclamar das mudanças.

Eu sou suspeita pra falar, porque sou viciada nos livros – se bem que, pra todos os efeitos, são coisas completamente diferentes – mas a série vale muito a pena. Os personagens são bem construídos, as histórias dos episódios são boas e do jeito que eu gosto, com direito a quem matou e tudo, e o clima do ‘mundo’ da série é muito bem criado. Outra coisa que funciona muito bem é Bob, magistralmente interpretado por Terrence Mann. A química entre ele e Harry rende cenas absolutamente hilárias.

Mas, como sempre, algum executivo das tevês achou que ela não era boa o bastante. Na verdade, ouvi dizer que a série até que tava indo bem, mas o problema foi que ela ‘não alcançava a faixa etária correta’. O que quer que isso queira dizer. Pena.

The Dresden Files – 2007
com Paul Blackthorne, Valerie Cruz, Terrence Mann, Conrad Coates

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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