Game Changer | Rachei Reid

Scott Hunter é um jogador americano de hockey que está numa fase ruim. Kip Grady é um barista num hiato estudantil, já que não consegue pagar a dívida da graduação nem juntar dinheiro pra uma pós, e fica vendo a vida passar enquanto serve café numa lojinha de rua.

Um dia, Scott Hunter entra na cafeteria e pede um smoothie, e Kip acha ele um gato, e os dois começam um flerte que vira romance com bastante meteção. O problema é que Scott está inteiramente no armário devido homofobia no mundo do esporte, e Kip vira basicamente um bonitão troféu que fica em casa esperando o macho chegar. Enquanto isso, a estrela de Scott está em ascensão e ele começa uma fase ótima nos jogos.

Kip finalmente se cansa dessa vida difícil de ser sustentado por um astro do hockey e fala que não quer mais ser um segredo. E Scott decide que o amor que ele sente por Kip é mais importante do que sua reputação no hockey. Quando ele ganha a taça Stanley (prêmio da principal liga de hockey do mundo), Scott chama Kip no gelo e beija o namorado na frente de todo mundo. Depois Scott faz um discurso de vencedor falando que dedica o prêmio ao amor da vida dele que é o Kip.

Veja, não é que eu queria mais homofobia no livro, porque homofobia é sempre ruim. Mas é que toda a trama gira em torno de Scott estar no armário por ter medo das consequências de sair. E as consequências que o livro mostra são: zero. Todos os amigos do Scott aceitam numa boa, o coach faz um discurso sobre como é importante a representação, o Scott nem tem família pra se importar; o máximo que acontece é o agente do Scott falar “não sai não, vai ser ruim com os patrocinadores” e o Scott ignora ele e pronto. Eu acho isso ótimo e fofo, mas tira um pouco do drama. Se era tão fácil assim, então todo o medo do Scott era injustificado, e ele fica parecendo só um mimado paranoico e o Kip tava certo de dar o chilique dele.

Esse livro me fez pensar nos papéis de gêneros em histórias de romance. Por que será que tantas mulheres ficaram obcecadas por esse livro? Se por um lado o casal tem papéis bem definidos que podem ser comparados a Scott sendo o homem hétero e Kip sendo a mulher hétero (Scott ganha o dinheiro, Kip fica em casa; Scott ‘não pode assumir’ o romance, Kip se sente ‘invisível’; Kip ‘não quer se aproveitar’ do dinheiro do Scott), por outro lado o sexo é rápido, fácil e sem julgamentos. Não existe choramingo da mulher não querendo dar porque vai ser taxada de fácil; não existe pudor em transar no primeiro encontro; não existe nada de possessividade, nem ciúme de ex, nem preocupação com virgindades. Muito diferente dos romances modernos héteros.

A trama de romance segue todos os pontos clichês de um romance hétero: homem bonitão e rico se interessa por um “qualquer” que “não sabe que é bonito”. Os dois começam um relacionamento porém há um conflito. Eles brigam do meio pro final, o rico bonitão pede desculpas com um gesto ultra-romântico, e o casal volta a ficar junto dessa vez pra sempre. Não vi diferença entre um livro de hétero e um livro de gay, talvez porque justamente a autora e o público alvo feminino queira a mesma coisa só que com… sexo sem culpa?

Dito isso, foi um entretenimento válido e vou atrás do próximo volume.

Eu preciso só comentar que eu acho muito estranho essas capas infantilizadas com carinha de adolescente num livro que é um pornozão gay.

Game Changer (2018) de Rachel Reid | Game Changers #1

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top