Filme | Malévola

A lenda da Bela Adormecida: o rei e a rainha queriam filhos e quando finalmente nasce a criança eles resolvem convidar todo mundo do planeta pra vir no batizado, mas por uma pequena falta de noção acabam convidando somente doze fadas (talvez pra ficar um belo número par, não é mesmo) e a décima terceira aparece indignada por não ter sido convidada e resolve causar. As fadas estavam dando belos presentes para a recém-nascida: uma voz incrível, cabelo bom, personalidade agrada-macho, enfim. Pra ela poder casar bem. E a décima terceira, mal amada, diz que quando a pirralha fizer dezesseis anos, vai enfiar o dedo num fuso de roca e vai morrer.

Acontece que uma das doze outras fadas não tinha dado ainda o presente mágico, e resolve a situação da seguinte maneira: ela não teria poder para contrapor a maldição da outra fada, mas mudou um pouquinho e dessa forma a moça, em vez de morrer com o fuso, ia só dormir por cem anos até ser acordada por um beijo de amor verdadeiro.

A versão do conto dos Irmãos Grimm procede com o príncipe ouvindo falar de uma bela princesa presa por uma maldição e indo lá ver o que tá pegando; ele se apaixona pela jovena, acontece o beijo e eles vivem felizes pra sempre.

Os estúdios Disney fizeram uma bela adaptação do conto, com algumas alterações: as fadas agora são três, com nomes próprios e vestidos de cor diferente. Fauna, a fada rosa, Flora, a fada verde, e Primavera, a fada azul. E a fada má virou bruxa DIVA INCRÍVEL, usa um vestido preto e roxo FABULOSO, é completamente blasé e fina, e é uma bruxa mesmo, com cajado de pedra verde, corvo e lacaios porcosos. E o nome dela, pra ninguém se confundir, é MALEFICENT, ou Malévola, na excelente tradução. Além disso, depois que Primavera altera a maldição, as fadas resolvem criar a princesa Aurora como camponesa na floresta, ela conhece o príncipe Felipe por acaso e eles cantam muito, mas ela logo é levada para picar o dedo na roca e tal.

E aí a Disney descobriu a mina de ouro e resolveu fazer uma nova versão da história deles mesmos, numa auto-homenagem. Só que no filme a Malévola, apesar desse nome que significa SOU MÁ, não era má nada, só ficou assim depois que homem deixou ela triste. Ok, foi bem ruim o que ele fez, mas né. Primeiro que com esse nome ela era boazinha naonde e segundo que por que sempre precisa ser mal comida pra ser malvada. Saco.

Daí que a tal Malévola-nova-má-mas-lógico-não-tão-má-assim acaba gostando da tal mocinha que é filha do seu inimigo mortal e – num PLOT TWIST que não foi assim tão interessante – resolve que vai “cuidar da menina pra ela sobreviver até o dia da maldição”.

Então temos: atuações boas, homenagem fofa a um filme que foi o favorito de muita gente (tipo eu) na infância, efeitos incríveis que fazem um filme bem bonito, e a Malévola maravilhosa, diva, incrível, sou fã, amo.

MAS. O roteiro ficou bem mais ou menos, o final é pífio, e se não fosse a presença de tela da protagonista e a cena maravilhosa do batizado (que conseguiu quase que ser palavra-por-palavra igual a do desenho, mas com todos os novos significados), ia ser totalmente sem graça e idiota. Pra quem gostava do desenho, pra quem curte fantasia e ação, e pra quem curte a Jolie: SIM. Pra quem faz questão de um filme que faz um certo sentido, não muito.

Maleficent (2014) De Robert Stromberg. Com Angelina Jolie, Elle Fanning, Imelda Staunton.

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