Magic Flutes | Eva Ibbotson

Guy Farne foi encontrado na rua quando bebê. Ele é criado num orfanato e aos doze anos ele é aceito por Mrs. Hodge. Muito determinado e bastante desenvolto, Guy cresce e se torna um jovem bonito e inteligente. Ele vai para Viena, de onde volta com o coração partido e uma única ambição: ficar milionário para conseguir se casar com Nerine, a mulher que ama.

Com habilidade, sorte e sagacidade típicos do mais afortunado dos protagonistas, Guy em pouco tempo consegue chegar ao seu primeiro milhão. Dali pra frente é só sucesso financeiro, e ele chega em Viena com a intenção de comprar um castelo para oferecer à sua amada.

A Viena de 1922, logo após o fim da primeira guerra, é um local propício para se comprar um castelo. A Áustria pós-guerra tem uma série de nobres empobrecidos que não tem como se manter mais em suas construções infinitas. O secretário do Mr. Farne então faz o que precisa ser feito e adquire um belo espécime, o belo castelo Pfaffenstein. As duas nobres senhoras idosas que lá moram inclusive são convidadas a continuar morando lá até um certo evento ocorrer.

O evento é uma apresentação da ópera A Flauta Mágica no teatro do castelo, que é quando Guy espera poder conseguir o ‘sim’ da sua amada quando ele a pedir em casamento.

Enquanto isso, a companhia de teatro que Guy vai contratar está em situação crítica. Afinal, é preciso muito dinheiro para manter uma companhia, e dinheiro anda em falta em Viena naquele momento. Felizmente, o grupo tem uma fada: a jovem Tessa. Ela é a assistente do diretor, sempre trabalhando de graça e sempre a mais do que precisa. Sem ela, o maestro não teria seu botão da sorte (porque ele sempre perde), a cantora principal não teria sua peruca (porque Tessa corta seu próprio cabelo para a confecção), e o diretor não saberia como funcionar.

Ao visitar a produção para contratar o grupo, Guy conhece Tessa e fica impressionado com a paixão dela pela ópera, pelo teatro e pela música.

Quando finalmente conhecemos a belíssima Nerine, o leitor logo fica sabendo que ela não é o que Guy imagina. Ela é linda, claro, mas também é fútil, só se importa com sua beleza, seu bem estar e seu dinheiro, está muito desapontada que não conseguiu casar com ninguém da nobreza ainda, e só aceita ser cortejada novamente por Guy porque ele claramente é um endinheirado – mesmo que ela mantenha um conde escocês na geladeira.

Além disso, também descobrimos que Tessa é ninguém mais ninguém menos que a princesa de Pfaffenstein, que saiu da casa das tias-avós pra poder viver no teatro porque ela não acredita em nobreza e sim na democracia republicana. Ela também cansou de ser princesa, não gosta da ‘prisão aristocrática’ e não tem o menor interesse em se casar com Maxxie, um jovem da nobreza com quem estava destinada, de acordo com os pais de ambos.

Então o livro alterna entre a) preparação para A Flauta Mágica; b) Tessa e Guy se conhecendo e evitando perceber que são perfeitos um pro outro; c) Nerine sendo nojenta enquanto Guy é incapaz de perceber; d) Maxxie tentando sem muito entusiasmo pedir Tessa em casamento. Quando Guy descobre que Tessa é a princesa de Pfaffenstein, ele reage mal, e Tessa passa pela fase “o que eu fiz pra que ele esteja tão bravo comigo”.

O que me incomodou no livro foi o tipo de clichê irritante. Tessa não se importa com a própria aparência mas por acaso ela também é de uma beleza diáfana impecável. Nerine é a vilã que se importa só com sua própria beleza e com roupas caras e títulos de nobreza. Guy é o milionário grosso que consegue tudo o que quer. Claro que Tessa fica muito insegura com Guy porque Nerine é ‘voluptuosa’ enquanto Tessa se sente ‘reta como uma tábua’.

Tirando isso, o livro é muito fofo. A autora claramente é apaixonada por Viena e por Mozart, a história é divertida, com uma escrita leve. Os coadjuvantes são muito engraçados e a narrativa tem um humor característico da autora. Esse foi o primeiro livro dela que eu li que não é para o público infantil, tem uma pegada mais ‘jovem-adulto’. Achei uma ótima pedida. Recomendo.

Magic Flutes (1982) de Eva Ibbotson – Reino Unido

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