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	<title>fantasia Archives - A Devoradora de Livros</title>
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	<title>fantasia Archives - A Devoradora de Livros</title>
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		<title>Ensaio &#124; Mas Harry Potter Nem Era Bom</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 14:11:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J. K. Rowling]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O maior fenômeno literário da nossa época é um aglomerado de ideias reacionárias permeado por tramas furadas e precisamos superar isso. O discurso em volta dos livros do Harry Potter parece que nunca some. Primeiro a autora ficava voltando atrás pra contar pra gente coisas que eram verdade mesmo que não estivessem no texto, pra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>O maior fenômeno literário da nossa época é um aglomerado de ideias reacionárias permeado por tramas furadas e precisamos superar isso.</h2>
<p>O discurso em volta dos livros do Harry Potter parece que nunca some. Primeiro a autora ficava voltando atrás pra contar pra gente coisas que eram verdade mesmo que não estivessem no texto, pra continuar na mídia e se fazer de progressista. Depois ela decidiu fazer a cruzada contra mulheres trans e se fazer de vítima após a reação da internet. E claro, os estúdios não viram a hora de lucrar em cima dos livros, e os filmes de Hollywood se transformaram num espetáculo à parte. Agora estão produzindo uma série remake e a discussão em 2026 é que querem fazer Snape negro e Voldemort mulher. Na era da pós-verdade, só vou acreditar quando sair a série.</p>
<p>É impressionante como os livros e os filmes ficaram no imaginário coletivo dos millenials como sendo cristais intocados de boa literatura. A conversa é sempre &#8220;devemos separar o artista da arte&#8221;, &#8220;não vou consumir as obras porque não concordo com a autora mas ela nunca vai conseguir destruir minha memória afetiva&#8221;, &#8220;nunca vou perdoar ela por ter estragado meu fandom favorito&#8221;.</p>
<p>Será que não daria pra gente dar uma olhada nas obras com a nossa idade atual e perceber que não eram livros tão bons assim? A memória afetiva pode existir mas a gente também pode olhar pra trás criticamente. Os livros ajudaram toda uma geração a ler mais, se sentir melhor sobre si, fazer parte de um coletivo. Mas também são livros de trama simplificada, elementos fantasiosos mal colocados e moral duvidosa. Não era o livro que era bom, era a gente que era tonha. Já passou da hora da gente deixar a obra cair no esquecimento <em>não só</em> pra deixar de dar dinheiro pra ela <em>como também </em>porque nem é uma obra que mereça ser reapresentada para as novas gerações.</p>
<h2>A trama é mal feita</h2>
<p>Quando a gente é criança, não temos a habilidade de perceber furos nas histórias. Daí a gente cresce, conhece mais da vida, lê mais coisa, assiste filme bom. E assiste muito dos filmes do Harry Potter também. E compara as coisas. Eu era a criança mais chata do rolê e com sete anos reclamava que &#8220;o livro era melhor&#8221;, então é óbvio que fui assistir o primeiro filme com o pé atrás porque &#8220;o livro ia ser melhor&#8221; (e era mesmo). Mas isso aos poucos me fez ver que os problemas do filme eram muitos, mas vários vinham do próprio livro.</p>
<blockquote><p><em>Deus ex machina</em>: expressão em latim vinda do teatro grego que significa literalmente &#8220;deus surgiu da máquina&#8221;, utilizada para indicar uma solução inesperada/mirabolante (magicamente providenciada por uma divindade) para terminar uma obra ficcional.<br />
Com o tempo, o uso da expressão tornou-se amplo e passou a referir-se também não apenas ao surgimento de divindades, mas também de personagens, artefatos, ou eventos inesperados, artificiais ou improváveis, introduzidos repentinamente na trama com o mesmo objetivo: resolver uma situação intransponível ou simplificar o enredo.</p></blockquote>
<h3>A Pedra Filosofal</h3>
<p>O conto de fadas virando realidade: o garoto mal tratado que mora embaixo da escada descobre não só que na realidade faz parte de um mundo fantasioso incrível como também descobre que ele é nada mais nada menos que a pessoa mais especial desse mundo. Ele é o mais rico, o mais famoso, herdeiro de uma fortuna imensa e de pais sem defeitos. Ele não tem dificuldade alguma em fazer amigos, tem habilidade sobrenatural com o esporte do rolê, consegue escolher em qual grupo ficar, e o único conflito qu ee ele tem de início é que tem um professor que não gosta muito dele. Ele arranja um amigo que explica o mundo bruxo pra ele, e arranja uma amiga que faz a lição de casa dele.</p>
<p>A ideia do livro é ser uma história onde as crianças resolvem tudo enquanto os adultos são um bando de inúteis, o que é bastante comum em vários livros infantis. A narrativa bem humorada da autora pincelada com elementos fantasiosos funciona bem, e o livro certamente é divertido.</p>
<p>Mas não dá pra deixar de perceber que o Harry é um baita de um mimado privilegiado assim que ele pisa no mundo bruxo; Dumbledore é um incompetente de trazer a pedra pra Hogwarts; Hagrid não deveria ser responsável por coisa alguma; Harry escapou por que o livro quis;  e Dumbledore privilegia a Grifinória sem nenhuma vergonha.</p>
<p>Harry 0 x 1 <em>Deus ex machina </em>amor de mãe</p>
<h3>A Câmara Secreta</h3>
<p>Conhecemos os supremacistas bruxos escravocratas, tem também a irmã do Rony que existe pra ser obcecada pelo Harry, e descobrimos que a escola foi construída por um bruxo que queria assassinar os próprios alunos. Aparentemente nada foi feito pra encontrar a câmara secreta em todo esse tempo.</p>
<p>O ministério da magia sabe quando fazem magia na casa de um bruxo menor de idade mas não sabe quem fez essa magia. Um membro do ministério faz experimentos ilegais com invenções humanas mas é incapaz de ajudar o amigo do filho que está em cárcere privado.  Uma escola permite que um charlatão seja professor da matéria mais perigosa. Hermione descobre tudo mais uma vez, Hagrid dá mais pistas de que é um incompetente que não deveria ser responsável por nada, Dumbledore não consegue resolver coisa alguma e Harry é salvo por um chapéu e um passarinho.</p>
<p>Harry 0 x 2 <em>Deus ex machina</em> Fawkes</p>
<h3>O Prisioneiro de Azkaban</h3>
<p>Não nego que é o melhor livro da série, mas também é o final mais troncho. Sirius Black foi preso &#8220;em flagrante&#8221; injustamente e ficou na prisão por anos, mas ninguém usou <em>veritaserum</em> nele. Hermione quer fazer todas as matérias disponíveis e em vez de ter uma orientação acadêmica pra ajudar ela a escolher (já que na primeira semana ela já percebe que na verdade não se identifica com uma matéria), eles dão pra ela uma máquina do tempo.</p>
<p>O mapa do maroto mostra Pettigrew pro Lupin mas os gêmeos passaram anos sem perceber um maluco na cama com o Rony. Dumbledore contrata um lobisomem como professor e Lupin prontamente <em>esquece</em> de tomar a poção e ataca alunos. Dumbledore permite que monstros sugadores de almas fiquem passeando pela escola. Hagrid <em>novamente</em> sendo um profissional tenebroso.</p>
<p>Hermione resolve tudo com o giratempo (que nunca mais é visto), enquanto Harry percebe que quem salvou o dia foi ele mesmo com um pouco menos de ansiedade.</p>
<p>Harry 0 x 3 <em>Deus ex machina </em>Harry do futuro</p>
<h3>O Cálice de Fogo</h3>
<p>Vamos rever o plano do vilão? Vamos.</p>
<p>O Voldemort precisa voltar usando o Harry. Eles precisam que o Harry encoste na chave de portal que vai levar ele pro mato onde o Voldemort tá fazendo o ritual. O plano então é: sequestrar um professor, colocar um maluco disfarçado no lugar dele (mas o professor precisa estar constantemente preso desacordado pro impostor conseguir pegar cabelo dele pra poção de disfarce), o impostor vai obrigar o Harry a participar do torneio, o impostor vai ajudar o Harry a ganhar o torneio, e o Harry vai encostar na taça e ser levado pro Voltemort.</p>
<p>Desconsiderando as milhares de oportunidades que o vilão teria de fazer o Harry encostar num objeto qualquer; ignorando o RH de Hogwarts que é incapaz de perceber a diferença entre um professor qualificado e um psicopata que passou a vida escondido pela família; que tipo de plano imbecil incluiria ter que fazer um moleque idiota mais novo que todo o resto passar por provas impossíveis? E se o Dumbledore simplesmente falasse &#8220;não sabemos como esse doidinho colocou o nome no cálice de fogo, a segurança do torneio está em jogo, vamos reconsiderar&#8221;? E se o Harry não fosse ajudado por toda a escola (incluindo o infeliz do Cedrico) e fosse incapaz de chegar na final?</p>
<p>Que plano idiota senhor.</p>
<p>Harry 0 x 4 <em>Deus ex machina </em>varinha mística</p>
<h3>A Ordem da Fênix</h3>
<p>Na época que saiu o livro, o Harry revoltado com tudo me encantou. Adoro gente revoltada que odeia tudo. Mas aí mataram meu personagem favorito de maneira estúpida. Sacanagem.</p>
<p>O ministério da magia quer destruir a reputação do Harry então resolve expulsar o garoto da escola mesmo diante de uma situação óbvia de legítima defesa. Daí o ministério coloca uma psicopata torturadora de crianças dentro de Hogwarts (não se preocupem que ela vai ser devidamente est*pr@da por centauros depois).</p>
<p>A Ordem da Fênix está lutando contra os supremacistas bruxos mas mantém escravos (ele não quer ser libertado, deixa ele) pra daí o escravo ir lá e mentir ahahaha bem feito. Harry passa o livro ouvindo que tem que ignorar as visões do Voldemort, daí ele não ignora e coloca tudo a perder. Sirius é um mimado que deveria ter passado o tempo na prisão refletindo sobre as merdas que fez e não fazendo bullying com o Snape de novo.</p>
<p>Harry começa a fazer aula de oclumência mas é um inútil. Ele e Cho estão tendo um namorico mas Harry não tem paciência, ela só chora. Uma amiga da Cho trai o grupo que o Harry formou (aparentemente o talento dele é ser professor de defesa contra as artes das trevas). Dumbledore escapa com facilidade dos guardas do ministério da magia e deixa seus aluninhos à mercê de Umbridge.</p>
<p>Harry cai no conto do Voltemort e vai para o ministério, onde prontamente é cercado por comensais da morte. Felizmente a Ordem da Fênix aparece para salvar o dia mas a Bellatrix mata o Sirius, Harry sai atrás dela sozinho, Voltemort possui o Harry na intenção de fazer Dumbledore matar o Harry. Daí o Harry pensa no Sirius e Voldemort desiste porque &#8220;não conseguia suportar o contato com uma mente preenchida com amor&#8221;.</p>
<p>Harry 0 x 5 <em>Deus ex machina </em>o poder do amor</p>
<h3>O Enigma do Príncipe</h3>
<p>Dumbledore é incapaz de contratar um professor sem ajuda de um <em>aluno</em>. Harry acha um livro super suspeito mas ignora todas as tentativas da Hermione de avisá-lo. Dumbledore encarrega <em>um aluno</em> de descobrir a verdade sobre uma memória de um professor sobre o bruxo mais perigoso da terra. Dumbledore sai por aí com <em>um aluno</em> para destruir horcruxes.</p>
<p>Harry começa a namorar a Gina porque ela não é como as outras garotas: ela até gosta de esportes! E certamente não se importa dele passar o tempo livre mais com os amigos do que com ela, porque ela <em>entende</em>.</p>
<p>Malfoy tenta matar Dumbledore mas quem faz isso é Snape. Harry sai correndo atrás do Snape pra tentar se vingar pela morte de Dumbledore. Ainda não sabemos mas Snape é o maior herói da história e não mata o Harry porque foi apaixonado pela mãe dele. Na verdade todo o final desse livro só vai fazer sentido quando lermos o próximo (se é que <em>fazer sentido</em> é o termo correto nesse caso).</p>
<p>Harry 0 x 6 <em>Deus ex machina </em>o grande plano de Dumbledore</p>
<h3>As Relíquias da Morte</h3>
<p>Harry sai por aí procurando horcruxes junto com Rony e Hermione de forma mal organizada, sem contato com notícias correntes e sem planejamento. A &#8216;sorte&#8217; (objetos mágicos, pessoas ajudando do nada, pistas deixadas por Dumbledore, visões do Harry, etc) está sempre com eles e eles conseguem destruir o horcrux medalhão do Salazar Slytherin, o horcrux taça da Helga Hufflepuff e o horcrux diadema da Rowena Ravenclaw.</p>
<p>Durante a busca pelos horcruxes, o trio descobre sobre &#8216;as relíquias da morte&#8217;, cujo dono poderia dominar o mundo. As relíquias da morte seriam o manto da invisibilidade (que Harry convenientemente herdou do pai), a varinha das varinhas (que estaria com Dumbledore e teria sido roubada por Snape), e a pedra da ressurreição (que Dumbledore achou e entregou pro Harry via mensagem póstuma).</p>
<p>Harry vê Voltemort matando Snape e chega a tempo de pegar as memórias de Snape, descobrindo tudo o que rolou no passado desse pobre bruxo conflitado que levou um fora da mãe do Harry e se vingou virando nazista. Harry descobre todo o plano elaborado de Dumbledore que incluía não contar nada pro Harry e deixar o Harry crescer sem saber do poder do amor, do possível horcrux e do passado de Snape.</p>
<p>Sabendo de tudo isso, Harry resolve se entregar pro Voldemort, que mata ele. Porém na <em>realidade </em>o que rolou foi que Voldemort matou <em>o próprio horcrux dentro do Harry,</em> conforme Dumbledore explica pro Harry numa visão/sonho/experiência pós morte. Neville mata a cobra Nagini que é o último horcrux e agora Voldemort é mortal como qualquer outro homem. Começa a batalha de Hogwarts, muita gente mata e morre, e o confronto final de Harry com Voltemort tem o inimaginável resultado de que a varinha das varinhas nunca foi de Voldemort porque quem desarmou Dumbledore foi Draco que foi desarmado por Harry então quem é o verdadeiro dono da varinha é o Harry.</p>
<p>Harry 0 x <em>Deus ex machina </em>varinha técnica</p>
<h2>O final é lamentável</h2>
<p>E aí temos o infame epílogo. Harry Potter decide virar policial de bruxo, Hermione casa com o moleque burro que passou anos zoando com a cara dela por ela ser anti-escravidão (!), Ginny sai parindo vários filhos que vão ter nomes que o Harry escolheu (irmão dela que morreu protegendo o Harry certamente não merece nome de filho), e a história acaba &#8216;onde começou&#8217;, com as crianças entrando no trem pra Hogwarts.</p>
<p>Detalhe que o nome do infeliz do filho mais novo é Albus Severus &#8220;em homenagem aos bruxos mais corajosos que eu conheci&#8221; meu amigo um deles foi nazista que só resolveu ser agente duplo depois que a moça que ele queria foi assassinada pelos nazistas e o outro fez uma criança de cobaia por anos pra transformar ele numa arma depois. Vai fazer seu filho sofrer bullying a vida toda por ter nome ridículo e essa é sua motivação?</p>
<p>Claramente a autora achou que esse seria um final feliz pra sempre, porque na cabeça <em>late boomer</em> dela era isso que qualquer pessoa ia querer: casamento, filhos e vida estável. Mas ela estava escrevendo para os millenials, que viram o mundo pegar fogo, fazendo com que essa vida seja impossível pra gente.  Crescemos vendo que <em>vida padrão</em> não é necessariamente <em>vida melhor</em>, que casamento é terrível pras mulheres, que policiais são armas do sistema, e que lutar pelo que é certo não inclui estabilidade.</p>
<p>Mesmo eu que amava os livros fiquei com gosto amargo na boca quando li o epílogo na época da publicação.</p>
<h2>Gordofobia, machismo, racismo, e as tentativas posteriores</h2>
<p>Todos os gordos são nojentos, engraçados, ou simplesmente pessoas malvadas. Todas as mulheres são &#8220;femininas bocós&#8221; ou &#8220;inteligentes que não-são-como-as-outras-garotas&#8221;. Todos os bruxos são supremacistas que querem ser superiores aos trouxas ou bonzinhos condescendentes que entendem que não é culpa dos trouxas que eles são inferiores. O sistema bruxo é escravagista e os elfos domésticos <em>gostam </em>de ser escravos e <em>não querem</em> ser liberados. Qualquer criatura não-humana no mundo dos bruxos ou não tem direitos ou é serviçal. O sistema bruxo é capitalista hereditário e Hogwarts perpetua e encoraja isso.</p>
<p>E aí depois que tudo foi publicado a autora veio falar que <em>na verdade </em>Dumbledore <em>sempre foi homossexual</em>. Veio dizer que <em>na verdade</em> ela nunca tinha falado de raça no livro mas se quiser enxergar a Hermione como negra fica à vontade. A Hermione. Que foi a única a defender elfos domésticos e foi ridicularizada por isso. Cuja única característica remotamente &#8216;não-branca&#8217; é que ela tem cabelo <em>armado</em>. Que na primeira oportunidade alisa o cabelo pra <em>ficar bonita</em>. Ela que é pra gente pensar que &#8216;sempre foi&#8217; negra. Enquanto que o cara do ministério da magia que de fato foi descrito como negro tem o nome de Kingsley&#8230; <em>Shackle</em>bolt.</p>
<p>Os livros do Harry Potter são reflexos da época em que foram escritos, e tá tudo bem. O que precisa mudar é essa falta de memória coletiva que coloca a obra como sendo intocável por causa da nostalgia enquanto ignora problemas que hoje não passariam no crivo dos mesmo leitores agora maduros.</p>
<p>O livro não é um pilar de ensinamentos para os jovens, mas é lembrado como tendo sido. O livro é um aglomerado de ideias fantasiosas e mitológicas jogadas sem crivo algum, com personagens adultos muito questionáveis, e personagens jovens totalmente criminosos (até os fãs mais fervorosos são incapazes de passar pano pra poção do amor dos Weasley).</p>
<p>Tem muita coisa boa nova sendo escrita, muitos autores fora do eixo branco do oeste global produzindo fantasia relevante. E tem muita coisa boa antiga não sendo lembrada. Vamos reler <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/ursula-k-le-guin/">Ursula Le Guin</a>, <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/robin-hobb/">Robin Hobb</a>, <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/diana-wynne-jones/">Diana Wynne Jones</a>, <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/suzanne-collins/">Suzanne Collins</a>.</p>
<p>E sobretudo vamos olhar para os livros do passado com senso crítico.</p>
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		<title>O Amuleto de Samarkand &#124; Jonathan Stroud</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 22:29:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Jonathan Stroud]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nathaniel é um jovem aprendiz de mago que vive em Londres. O cenário é o mundo moderno, porém os magos detém todo o poder, e o império Britânico domina o planeta. Portanto, Nathaniel é um jovem que aprende que, se fizer tudo corretamente e for um excelente serviçal do império, poderá até mesmo se tornar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nathaniel é um jovem aprendiz de mago que vive em Londres. O cenário é o mundo moderno, porém os magos detém todo o poder, e o império Britânico domina o planeta. Portanto, Nathaniel é um jovem que aprende que, se fizer tudo corretamente e for um excelente serviçal do império, poderá até mesmo se tornar um dos membros do parlamento mais poderoso da terra. A forma como os magos conseguem poder é ao conjurar demônios usando círculos de convocação, obrigando os seres a virem do plano elemental onde habitam para o plano material. Conforme os magos vão adquirindo a habilidade de dominar demônios cada vez mais fortes, eles adquirem o poder que permite que subam pelos degraus do império.</p>
<p>A narrativa mostra a vida miserável de Nathaniel, que foi entregue aos cinco anos à família de um mago para aprender o ofício. Acontece que seu mestre, Underwood, é um mago medíocre, muito pouco capaz e praticamente ignorado nos corredores do governo, que não se importa com a educação de Nathaniel e trata o garoto com indiferença e negligência. Enquanto Nathaniel aprende tudo o que pode na intenção de impressionar o mestre, a única pessoa que trata Nathaniel com humanidade é Martha, a esposa de Underwood.</p>
<p>Aos dez anos, no entanto, Nathaniel é humilhado pelo jovem mago Lovelace sem que Underwood faça nada para impedi-lo. Esfumando de raiva, Nathaniel usa todas as suas forças para conseguir convocar Bartimaeus, um djinni de mais de 5000 anos de idade que não tem paciência nenhuma para quem está começando. A ordem que Nathaniel dá deixa o djinni intrigado: Nathaniel quer que Bartimaeus roube o Amuleto de Samarkand da coleção de Lovelace.</p>
<p>Isso faz com que Nathaniel acabe trombando com uma conspiração gigante que pretende simplesmente substituir todo o corpo governamental do império.</p>
<p>A trama do livro é interessante e divertida, e a rapidez da história é o suficiente para deixar a leitura ágil. Mas nada disso importa porque o livro é Bartimaeus.</p>
<p>A cada capítulo, a narrativa muda para primeira pessoa, e a voz de Bartimaeus &#8211; sarcástico, inteligente, independente e maravilhosamente irônico &#8211; dá a versão dele dos fatos, deixando bem claro para o leitor que o regime dos magos é nada mais do que escravidão para os espíritos dos planos elementais para dar poder aos humanos ambiciosos. Bartimaeus é um narrador divertidíssimo que faz com que o livro seja infinitamente melhor, deixando tudo memorável.</p>
<p>Quando Nathaniel o chama pela primeira vez, Bartimaeus pergunta cadê o mago poderoso que te mandou ser boi de piranha. Quando Nathaniel é obrigado a fugir de casa, Bartimaeus fica o tempo todo relembrando o garoto que ele vai morrer de fome na rua porque magos são inúteis. Quando Nathaniel é roubado por uma gangue de crianças de rua lideradas por uma menina estranha, Bartimaeus ri dele e fala que ele perdeu pra <em>uma garota</em>.</p>
<p>Enquanto a narrativa pelos olhos de Nathaniel é sombria e meio depressiva, Bartimaeus entremeia sua história com lembranças dos tempos antigos, quando foi chamado por outros magos em outras guerras, sempre com comentários irônicos a cada frase e notas de rodapé explicando as piadas dele.</p>
<p>A situação vai ficando mais crítica, porque Lovelace não aceita ser roubado tão facilmente: ele simplesmente mata Underwood e sua esposa, e manda demônios muito mais poderosos que Bartimaeus atrás de Nathaniel. Apesar de detestar todos os magos, Bartimaeus começa a ter certa simpatia pela perseverança do garoto, que jamais desiste mesmo diante das piores adversidades.</p>
<p>A ambientação do livro é muito interessante, a trama é bem feita, e Bartimaeus é um dos narradores mais divertidos que já li. Um excelente livro de fantasia juvenil que recomendo fortemente.</p>
<p><strong>The Amulet of Samarkand (2003) de Jonathan Stroud (Reino Unido). Série Bartimaeus Livro 1</strong></p>
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		<title>Guia de Capítulos &#124; As Duas Torres &#124; J.R.R. Tolkien</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 15:21:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É impressionante a quantidade de gente que me diz que desistiu de ler O Senhor dos Anéis porque &#8220;o começo é muito chato&#8221;. Em vez de me irritar eternamente, resolvi escrever um guia de capítulos pra você que tem preguiça poder ter a chance de pular algumas partes e ir logo pra onde interessa. Quando [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É impressionante a quantidade de gente que me diz que desistiu de ler O Senhor dos Anéis porque &#8220;o começo é muito chato&#8221;. Em vez de me irritar eternamente, resolvi escrever um guia de capítulos pra você que tem preguiça poder ter a chance de pular algumas partes e ir logo pra onde interessa. Quando chegamos no segundo volume da história, que é dividido em livro III e livro IV, a coisa já está avançando, a Sociedade do Anel está separada, e não tem nenhum capítulo que valha a pena pular.  A primeira parte segue a história de Aragorn, Gimli e Legolas (e depois Merry e Pippin), e a segunda parte segue Frodo e Sam.</p>
<h2>O Senhor dos Anéis &#8211; As Duas Torres</h2>
<h2>Livro III</h2>
<h3>I. A partida de Boromir</h3>
<p>Boromir morre de forma honrada; Aragorn interpreta os rastros de Frodo e faz a decisão importante de, com Legolas e Gimli, ir resgatar Merry e Pippin.</p>
<h3>II. Os cavaleiros de Rohan</h3>
<p>A corrida dos três perseguidores: Aragorn, Gimli e Legolas percorrem uma imensa distância correndo ininterruptamente, atrás do grupo de orcs que capturou os hobbits. Os três adentram a terra de Rohan, e encontram um grupo de cavaleiros liderados por Éomer, sobrinho do rei. Éomer diz que o grupo matou os orcs perto da floresta, comenta que não viram nenhum &#8220;hobbit&#8221;, e empresta dois cavalos pra eles.</p>
<h3>III. Os Uruk-hai</h3>
<p>Narrativa observa através dos olhos de Pippin o terror que foi a corrida dos orcs com os hobbits nos ombros. Pippin fica de ouvidos abertos e percebe que são pelo menos três grupos diferentes de orcs: os Uruk-Hai de Saruman, que querem levar os halflings para a torre do mago branco, os goblins de Moria que estão no rastro deles desde que o Gandalf morreu, e um grupo que segue &#8220;O Olho&#8221; e que Pippin se aterroriza ao deduzir que se trata de orcs vindos de Mordor. Os três grupos estão ficando cada vez mais preocupados com os cavaleiros que se aproximam, e estão também começando a brigar entre si. Um dos orcs de Mordor tenta revistar Pippin às escondidas e o hobbit manipula a conversa quando percebe que o orc sabe de algo sobre o anel através de Gollum. Os cavaleiros de Rohan atacam os orcs, há um grande combate, e Merry e Pippin conseguem fugir para a floresta.</p>
<h3>IV. Barbárvore</h3>
<p>Dentro da antiquíssima floresta de Fangorn, Merry e Pippin se recuperam dos dias terríveis que passaram, e logo sentem vontade de explorar. Sobem uma colina com o intuito de verem por onde estão, e conhecem o melhor personagem do livro todo: Treebeard, ou Fangorn, o líder dos <em>ents</em> (árvores que foram acordadas pelos elfos no início dos tempos e agora têm consciência). Treebeard é muito simpático e fica curiosíssimo com tudo o que os hobbits tem pra contar, e mesmo eles não tendo mencionado nada sobre o anel, fica claro que Saruman é um traidor. Treebeard convoca um <em>entmoot</em> para conversar com outros ents sobre lidar com o mago.</p>
<h3>V. O Cavaleiro Branco</h3>
<p>Aragorn, Legolas e Gimli chegam no local da luta dos cavaleiros de Rohan com os orcs de Isengard e de início ficam desolados com os corpos todos, achando que chegaram ao fim da jornada. Porém, as habilidades quase sobrenaturais de Aragorn para achar rastros o recompensa com a história dos hobbits, que fugiram do combate e entraram em Fangorn. Na velha floresta, eles encontram a prova definitiva: pegadas de dois halflings ao lado do rio. Antes que possam descobrir onde foram parar, no entanto, eles são encurralados por um velho mago de manto e chapéus brancos. E ficam imensamente surpresos quando o mago se revela como Gandalf!! Os quatro amigos se reúnem e Gandalf conta o que aconteceu com ele, mas o foco é em Sauron: eles precisam ajudar Rohan que está prestes a ser atacada por Saruman, para que Rohan consiga ajudar Gondor quando Sauron atacar.</p>
<h3>VI. O Rei do Palácio Dourado</h3>
<p>Gandalf, Aragorn, Legolas e Gimli vão até o palácio do rei dos cavaleiros, Meduseld. Lá eles encontram um rei idoso e pouco afável, completamente manipulado por Gríma, um conselheiro maléfico. Eles também conhecem Éowyn, a bela sobrinha do rei, que anseia por glórias da guerra. Gandalf consegue expulsar Gríma e convencer o rei Théoden a lutar. Um dos generais de Théoden está batalhando contra os exércitos de Saruman na fortaleza de Helm&#8217;s Deep, e Gandalf sugere que Théoden reúna todos os seus cavaleiros e rume para o campo de batalha. Éomer retorna para ajudar na luta. Gandalf diz que vai sair por aí pra achar mais gente.</p>
<h3>VII. O Abismo de Helm</h3>
<p>A batalha ocorre, e são hordas e mais hordas de homens e orcs seguidores de Saruman. Legolas e Gimli começam a competir pra ver quem matou mais inimigos. Gimli some no fim da noite. Aragorn convence Théoden a sair de cavalo. Gandalf um dia de manhã com um monte de cavaleiros que ele reuniu pelas planícies, rende os homens inimigos, e faz com que os orcs fujam.</p>
<h3>VIII. A estrada para Isengard</h3>
<p>Os orcs fugindo da batalha de Helm são confrontados por uma imensa floresta que surgiu da noite pro dia bem no caminho entre o campo de batalha e Isengard. Gandalf ordena que nenhum homem adentre pelas árvores, os orcs se desesperam e tentam fugir pela floresta. Ouve-se um barulho terrível de orcs morrendo esmagados. No dia seguinte, as árvores se abriram e há uma trilha larga por entre elas. A comitiva do rei passa por ali e os homens tem a impressão de que as árvores estão conversando entre elas. No caminho para Isengard, o rei encontra com vários sobreviventes e dá ordens para tentar reorganizar o reino. O objetivo é que todos se reúnam dali alguns dias para marchar para Gondor e auxiliar a grande cidade de Minas Tirith contra Mordor.</p>
<h3>IX. Escombros e destroços</h3>
<p>A comitiva do rei chega em Isengard e descobre tudo completamente destruído. Os membros originais da Sociedade do Anel finalmente se reúnem novamente, e Merry e Pippin recebem Aragorn, Legolas e Gimli em um almoço improvisado em cima dos escombros enquanto Gandalf e Théoden vão conversar com Barbárvore. Merry e Pippin narram o ataque impressionante dos ents contra Isengard algumas noites antes, que incluiu os ents mudando o curso de um rio para alagar todo o vale do mago.</p>
<h3>X. O &#8216;palantír&#8217;</h3>
<p>Todos vão falar com Saruman, que está dentro da sua torre. Saruman usa sua voz sedutora para convencer todo mundo a se odiar, mas não dá certo. Gríma joga uma pedra em Théoden mas erra, e Pippin pega a pedra do chão. É uma esfera perfeita que parece ao mesmo tempo ser sombria e reluzir. Gandalf pega a pedra da mão de Pippin e todos vão embora, deixando Barbárvore cuidando de Isengard. Durante o acampamento da noite, Pippin não resiste e pega a pedra enquanto Gandalf está dormindo. Pippin é imediatamente pego por Sauron, que é quem domina a pedra, e forçado a dizer o que sabe. Gandalf consegue interromper o acontecido, e decide levar Pippin pra Minas Tirith pra evitar mais problemas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Livro IV</h2>
<h3>I. Sméagol domado</h3>
<p>Frodo e Sam estão tentando passar pelas Emyn Muil, sem sucesso. Eles são atacados por Gollum, mas Frodo consegue convencer a criatura a ajudá-los. Obcecado com o anel, Gollum passa a ser o guia do grupo.</p>
<h3>II. A passagem dos pântanos</h3>
<p>Os três passam pelo pântano dos mortos, vêem luzes fantasmas e espíritos maléficos de batalhas antigas. Frodo está cada vez mais fraco.</p>
<h3>III. O Portão Negro está fechado</h3>
<p>Frodo tinha pedido pro Gollum levar eles até o portão de Mordor, mas chegando lá eles não conseguem dar conta de entrar. Gollum fica histérico e diz que se eles tentarem entrar pelo portão &#8220;ele vai ver&#8221; e &#8220;ele vai pegar o precioso pra ele&#8221;, e que eles devem ir por uma &#8220;passagem secreta&#8221; pra Mordor que ele, Gollum, descobriu sozinho. Sem muitas opções e apesar da relutância de Sam, Frodo concorda.</p>
<h3>IV. De ervas e coelho cozido</h3>
<p>Eles vão para o sul e passam por uma terra muito bonita, vêem uma batalha acontecendo entre homens do sul e homens de Gondor, comem coelho e são capturados por guardas de Gondor. Gollum não é visto. Frodo é levado ao capitão da guarda, Faramir, que não parece acreditar muito na história deles.</p>
<h3>V. A janela sobre o oeste</h3>
<p>Frodo e Sam são levados até um esconderijo dos homens de Gondor. Lá, Faramir conta que ele é irmão de Boromir e que Boromir morreu. Frodo está chocado, porém Sam fala demais e revela tudo sobre o anel e sobre Boromir ter tentado roubá-lo. Faramir demonstra tristeza pelo irmão, diz que não tem a intenção de ficar com o anel e que já tinha decidido ajudá-los.</p>
<h3>VI. O lago proibido</h3>
<p>Gollum é visto pelo pessoal de Gondor, e Faramir diz pro Frodo que se eles não conseguirem capturá-lo, terão de matá-lo. Frodo se vê obrigado a convencer Gollum a vir junto com ele, e Gollum é capturado pelos guardas. Faramir não gosta de Gollum e não confia no caminho que Gollum tem pra eles, mas não tem alternativa a não ser deixá-los ir.</p>
<h3>VII. Viagem até a Encruzilhada</h3>
<p>Gollum lidera o caminho e Frodo e Sam vão até Minas Morgul, uma cidade vizinha de Mordor. De lá, Gollum diz que dá pra subir uma escada secreta até a passagem secreta para a entrada secreta de Mordor. Frodo está praticamente um zumbi andando e Sam está racionando comida e água.</p>
<h3>VIII. As escadarias de Cirith Ungol</h3>
<p>Eles sobem escadarias intermináveis, observam as tropas de Minas Morgul saindo para a batalha, e chegam até um túnel maléfico e mal-cheiroso. Gollum logo some.</p>
<h3>IX. A Toca de Laracna</h3>
<p>Frodo e Sam são obrigados a passar pelo túnel, e são atacados um monstro gigante em forma de aranha. Frodo usa a luz de Galadriel pra espantar o bicho. Eles saem correndo mas a aranha usa uma passagem diferente para enfiar um ferrão nele. Frodo cai desacordado. Sam pega a espada e a luz de Frodo e ataca a aranhona. Ela se joga em cima dele para esmagá-lo com seu peso e nisso acaba se enfiando na espada élfica. Ela, que nunca tinha sentido tanta dor na vida, foge de ódio da luz e deixa os dois sozinhos.</p>
<h3>X. As escolhas de Mestre Samwise</h3>
<p>Sam está numa passagem escura perto de Minas Morgul. Frodo não reage, não responde e está ficando gelado. Sam começa a ouvir orcs vindo. Sem tempo pra decidir nada, Sam pega o anel e fica invisível. Os orcs chegam e pegam Frodo. Sam ouve os orcs conversando e um deles fala que Frodo não está morto, porque a aranha gosta de deixar as presas vivas pra poder sugar o sangue depois. Sam se desespera mas quando tenta chegar até Frodo os orcs já o levaram embora.</p>
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		<title>Mesinha-Te-Arruma, Burro-de-Ouro e Pula-Porrete &#124; Contos de Fadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Jul 2025 14:15:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grimm]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com nomes alternativos como &#8220;Mesinha põe-te, burro de ouro e bordão sai-do-saco&#8221; ou &#8220;A mesa mágica, o asno que cuspia ouro e o porrete dentro do saco&#8221;, essa é mais uma das histórias favoritas da minha infância. Apesar de querer muito a mesa e o burrico, não dá pra descartar a maravilha que seria ter [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com nomes alternativos como &#8220;Mesinha põe-te, burro de ouro e bordão sai-do-saco&#8221; ou &#8220;A mesa mágica, o asno que cuspia ouro e o porrete dentro do saco&#8221;, essa é mais uma das histórias favoritas da minha infância. Apesar de querer muito a mesa e o burrico, não dá pra descartar a maravilha que seria ter um porrete desses.</p>
<p>Um homem com três filhos pede que eles levem a cabra para pastar. O filho mais velho, depois de deixar a cabra pastar à vontade, pergunta a ela se está satisfeita. Ela responde que está tão satisfeita que não consegue comer mais nem uma folha. Chegando em casa, o pai pergunta para a cabra se ela comeu bem. A cabra chora que não comeu nada e está passando fome. Enfurecido, o pai manda o filho mais velho embora de casa por ter maltratado a cabra. Isso acontece com os outros dois filhos.</p>
<p>Estando agora sozinho, o pai leva a cabra para pastar, e pergunta no fim do dia se ela está satisfeita. A cabra repete o show: fala que está ótima e quando chega em casa mente dizendo que não comeu nada. O pai fica desolado por ter mandado os filhos embora e dá uma punição apropriada para a cabra mentirosa.</p>
<p>Enquanto isso, os três filhos saem por aí procurando o que fazer.</p>
<h4>O irmão mais velho</h4>
<p>O mais velho vira aprendiz de marceneiro. Ao fim do seu aprendizado, o mestre, muito contente com seu trabalho, lhe dá como recompensa uma mesa mágica. Quando estiver com fome, o jovem precisa apenas montar a mesa e dizer &#8220;mesinha: te arruma!&#8221; e um verdadeiro banquete vai aparecer.</p>
<p>O jovem, feliz com sua aquisição, resolve voltar para a casa do pai com seu presente, para ver se com banquetes eternos o pai resolve perdoá-lo. Parando numa estalagem durante a viagem, ele exibe sua magnífica mesa para os presentes. O estalajadeiro, invejoso, troca a mesa mágica por uma comum enquanto o jovem dorme.</p>
<p>Chegando em casa, o jovem pede que o pai chame todos os vizinhos e parentes. Ele grita &#8220;mesinha: te arruma!&#8221; mas a mesa não faz nada, ele passa vergonha e os parentes vão embora.</p>
<h4>O irmão do meio</h4>
<p>A mesma coisa acontece com o irmão do meio. Ele vira aprendiz de moleiro, ganha um asno mágico. Quando ele precisar, é só dizer &#8220;Briclebrit!&#8221; que o asno soltaria moedas de ouro. Ele passa pela mesma estalagem voltando pra casa do pai. O estalajadeiro espia o garoto dizendo &#8220;Briclebrit!&#8221; para o burrico nos estábulos e vê as moedas saindo. Quando o garoto dorme, o estalajadeiro troca o asno por um normal. Chegando em casa, o segundo irmão passa a mesma vergonha do primeiro. Todos os vizinhos vão ver o burro de ouro mas nada acontece!</p>
<h4>O irmão mais novo</h4>
<p>O terceiro irmão virou aprendiz de torneiro. Ele havia recebido cartas dos irmãos mais velhos, contando dos infortúnios e da certeza que seus itens mágicos haviam sido substituídos de alguma forma na estalagem. O terceiro irmão, ao fim do seu aprendizado, recebeu um bordão dentro de um saco. Pra que serve? Quando precisar, é só gritar &#8220;pula porrete!&#8221; e o pedaço de pau sai do saco e espanca todo mundo.</p>
<p>Com esse novo objeto, o terceiro irmão vai para a casa do pai. Na estalagem, ele fala pra todo mundo que tem algo infinitamente maravilhoso dentro do seu saco, um item que jamais fora visto. Ambicioso, o estalajadeiro espera o jovem dormir e tenta surrupiar o que há dentro do saco. O jovem, que estivera apenas fingindo, grita &#8220;pula porrete!&#8221; e o porrete mágico espanca o estalajadeiro até ele jurar que vai devolver o burro de ouro e a mesinha mágica.</p>
<p>O irmão mais novo chega na casa do pai triunfante com a mesa e o burro. Dessa vez os familiares e vizinhos não se desapontam quando chegam para o banquete e a chuva de moedas de ouro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i>Tischlein deck dich, Goldesel und Knüppel aus dem Sack</i></p>
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		<title>Crepúsculo da Magia &#124; Hugh Lofting</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jul 2025 21:51:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hugh Lofting]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[infantil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Giles e Anne são irmãos gêmeos de nove anos. O pai deles está em dificuldades financeiras. Uma noite, olhando pela janela, eles veem Agnes, a vendedora de maçãs, uma idosa da aldeia que os adultos chamam de feiticeira. Giles e Anne se perguntam se Agnes é mesmo uma feiticeira, e se ela sabe ler mentes. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Giles e Anne são irmãos gêmeos de nove anos. O pai deles está em dificuldades financeiras. Uma noite, olhando pela janela, eles veem Agnes, a vendedora de maçãs, uma idosa da aldeia que os adultos chamam de feiticeira.</p>
<p>Giles e Anne se perguntam se Agnes é mesmo uma feiticeira, e se ela sabe ler mentes. Um gato preto faz movimentos muito estranhos no telhado. Agnes dá o grito oferecendo maçãs. Giles olha para uma bela maçã no carrinho de Agnes e pensa que está com água na boca. Agnes olha pra cima, sorri, e joga para eles exatamente a maçã que Giles tinha desejado.</p>
<p>A partir daí a história nos leva para um mundo medieval onde a magia só existe nas lendas, ou será que é de verdade? Agnes é gentil e prática, e diz que seus gatos são apenas animais inteligentes. Mas e a concha que ela entrega a eles, será que é mágica ou é explicável? Pois a concha esquenta quando alguém está falando sobre quem a possui, e ao colocá-la no ouvido é possível ouvir o que estão falando.</p>
<p>Durante toda a narrativa, não sabemos se estamos vendo magia, ou assombrações, ou imaginação. Mas certamente a concha é de verdade. E quando Giles consegue entregar a concha para o jovem rei, ele ouve o duque tramando contra ele. Isso não só salva a vida do rei como impede que o reino todo entre em uma terrível guerra, e alça Giles a uma posição de confiança na corte do rei.</p>
<p>O livro é maravilhoso. O mistério de Agnes, e as aventuras de Giles, além do hotel mal assombrado, e a égua meia-noite.</p>
<p>Eu amava tudo isso quando era criança, e a releitura adulta não tirou a graça: é um livro infantil mágico, inteligente e um tanto triste. Recomendo.</p>
<p>The Twilight of Magic (1930) de Hugh Lofting</p>
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		<title>Filme &#124; Cinderela</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Jun 2025 01:28:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[contos de fadas reimaginados]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ella é uma jovem linda de família rica que perde a mãe, aí o pai casa de novo com uma mulher que já tem duas filhas, depois morre e Ella é obrigada pela madrasta a virar empregada da casa. A madrasta e as step sisters são super más e tratam a mocinha muito mal – [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Ella é uma jovem linda de família rica que perde a mãe, aí o pai casa de novo com uma mulher que já tem duas filhas, depois morre e Ella é obrigada pela madrasta a virar empregada da casa. A madrasta e as step sisters são super más e tratam a mocinha muito mal – inclusive a chamam de Cinderella porque ela fica toda suja de cinzas por dormir na frente da lareira etc etc.</p>
<p>Um dia, Cinderella está passeando na floresta e conhece um bonitão que também acha ela maravilhosa e rola amor à primeira vista. Quando tem o baile e a Cinderella fica feliz de ir, a madrastas e as irmãs rasgam o vestido dela e tal, e vem a fada madrinha, enfim. Igual no desenho da Disney – que testou a nova moda de homenagear seus clássicos com Malévola, deu super, super certo e agora vai ter mais adaptações homenageantes vindo por aí.</p>
<p>Coisas boas: o filme é visualmente maravilhoso. A história é bem contada. Os personagens são menos pastéis do que no desenho. Passa no teste de Bechdel com honras!</p>
<p>Coisas não tão boas: a história não é nada nova. O duque é mais malvado pouquinha coisa, a madrasta é claramente uma velha invejosa, a fada é chata – tudo igual o desenho. O povo teve a oportunidade de acrescentar, deixar a coisa talvez um pouco menos trouxa, mas preferiram fazer uma versão muito próxima do conto de Perrault com os adendos do desenho de 1950. Vamos repetir? Mil novecentos e cinquenta. A mesma história. Só que mais bonito.</p>
<p>Teve gente falando que o filme é uma boa porque mostra que características ditas femininas – delicadeza, gentileza, passividade, calma perseverança, etc – também são desejáveis numa heroína, já que hoje em dia só as características masculinas de agressividade, impetuosidade e que tais são valorizadas. Então, de acordo com essa galera ae, falar que a Cinderella é uma idiota porque tem essas características seria diminuir a importância da feminilidade e blás. Mas vamos com calma? Vamos. Essas lindas características femininas de docilidade e bobice eram desejadas às moças de 1950 – por mil motivos históricos que não vêm ao caso porque daí ainda mais textão – e o desenho da Disney reforçava o estereótipo. Até aí, ok. A Cinderella é uma das ‘princesas’ mais chatas pra mim especialmente por causa dessa apatia e eterna felicidade diante da adversidade – e a adversidade é importante e quero foco nisso agora. Ela é transformada em escrava. A situação dela é horrorosa nas duas versões da Disney. No filme eles até dão mais motivos para ela não fugir – a casa era dos pais, e ela quer continuar ali porque memórias, amor e tal – mas em ambas as versões ela passa frio, fica sem comida, é abusada verbal e fisicamente. Tudo isso sem perder o rebolado e as esperanças, e tudo isso sem dizer uma palavra descortês às suas algozes. Perceberam a perversidade?</p>
<p>Cinderella não é só uma moça boazinha que trata os animaizinhos bem. Ela é uma moça boazinha que é tratada como lixo e em troca é gentil com suas ‘donas’. E isso é recompensado. É um conselho que ela recebe da mãe – ‘seja sempre gentil’ – e que ela leva pra vida toda, mesmo diante das adversidades. Admirável? Sem dúvida. Um exemplo pas criança? Bem provável. Uma babaca que não consegue desapegar de uma casa e prefere sofrer na mão da madrasta em vez de sair e conseguir ajuda? Certamente. É muito bonito falar que ‘características femininas estão sendo valorizadas’ quando essas mesmas características são marteladas na nossa mente desde criancinha: “mulher de verdade” cuida dos outros, é sempre carinhosa, afável, não ergue a voz nem fala palavrão etc sono. Isso causa desde mulheres em relacionamentos abusivos receberem da sociedade a resposta de que “se você fosse mais de boa ele não seria tão agressivo” até mulheres serem condicionadas a empregos de cuidar, limpar e agradar os outros.</p>
<p>Ser boa e gentil não é necessariamente um conselho ruim. É o “sempre” que é o problema.</p>
<p>Para não me alongar ainda mais, fica o resumo: Um filme visualmente incrível, com boas atuações (especialmente Cate Blanchett, se divertindo bastante), uma fada chata que não deveria ter ficado nas mãos da Helena Boham Carter e um roteiro óbvio.</p>
<p>Bom pra quem gosta de contos de fadas, era apaixonada pelo desenho da Disney ou tem menos de dez anos.</p>
<p>2015 – De Kenneth Branagh. Com Cate Blanchett, Helena Boham Carter, Lily James, Richard Madden, Stellan Skarsgard.</p>
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		<title>Adaptação &#124; Peter Pan (2003)</title>
		<link>https://adevoradoradelivros.com.br/adaptacao-peter-pan-2003/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jun 2025 13:20:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[J.M. Barrie]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[infantil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesse filme de 2003, P.J. Hogan adapta a obra de J.M. Barrie sobre o menino que não queria crescer. Peter Pan é uma peça escrita por James M. Barrie no começo do século 20 que conta de um menino que não queria crescer e fugiu com as fadas pra morar na Terra do Nunca, onde [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nesse filme de 2003, P.J. Hogan adapta a obra de J.M. Barrie sobre o menino que não queria crescer.</p>
<p style="clear: both; text-align: left;">Peter Pan é uma peça escrita por James M. Barrie no começo do século 20 que conta de um menino que não queria crescer e fugiu com as fadas pra morar na Terra do Nunca, onde vive com os meninos perdidos e combate os piratas do Capitão Gancho. A peça foi transformada em livro pelo próprio Barrie, e foi traduzida para o cinema diversas vezes, as mais famosas sendo &#8216;Peter Pan&#8217;, desenho da Disney de 1953, e o filme de 2003, dirigido por P.J. Hogan, que comento aqui. O IMDB dá 8 resultados exatos, fora os dois já citados, e sem contar com &#8216;Hook&#8217;, de Steven Spielberg, imaginando como seria se Peter Pan crescesse, e &#8216;Finding Neverland&#8217;, filme de Marc Foster sobre a vida de James Barrie.</p>
<h4>O livro</h4>
<p>Peter Pan foi o primeiro livro que eu li. Na verdade, minha mãe lia pra mim antes de dormir, e depois que ela saía do quarto eu ficava lá, brigando com as palavras. Até hoje eu tenho a edição com a tradução da Ana Maria Machado, que tem uma bolinha feita de canetinha no fim do segundo parágrafo do livro. Era pra eu não esquecer onde eu tinha parado de ler na noite anterior.</p>
<p>Eu falava pra minha mãe, &#8216;se amanhã você vier no meu quarto e eu não estiver, é porque eu fui com o Peter pra Terra do Nunca&#8217;. E não, eu não consigo ler o livro sem chorar.</p>
<p>Portanto pra mim é muito complicado separar o filme do livro e assisti-lo sem nenhum preconceito. Acho que se nunca tivesse lido o livro teria achado o filme um bom filme infanto-juvenil de aventura fantástica, já que a direção e os atores estão muito bem conectados. Tendo dito isso, tentarei passar minha opinião de leitora ávida do livro sobre o filme.</p>
<h4>O filme</h4>
<p>Primeiro de tudo é necessário falar que o Jeremy Sumpter É o Peter Pan. Sem mais comentários. E o resto dos personagens também deram certo. E sim, pra mim a Tia Millicent é total e completamente dispensável, mas entendo porque os roteiristas colocaram ela lá. Eu não gostei da maneira exagerada com que ela empurra Wendy pra vida adulta, falando abertamente do &#8216;beijo&#8217;. O &#8216;beijo&#8217; pra mim é algo exclusivamente da Senhora Darling, e que se não tinham meio melhor de expô-lo do que fazer Tia Millicent dar o chilique no começo do filme, melhor tirá-lo do filme. E outra coisa, que meleca foi aquela dela chorar pra um menino perdido, que eu não lembro qual era, falando algo como &#8216;eu sou sua mãe&#8217; e tal? Nada, nada a ver. Na história original, nunca houve pressão em casa para que as crianças Darling crescessem. João e Miguel na verdade se divertiram à beça durante a aventura, apenas Wendy, por ser menina e mais velha, percebeu realmente o que se passava em relação ao conflito &#8216;crescer X ficar criança pra sempre&#8217;.</p>
<p>Legal o Jason Issacs ser tanto o Senhor Darling quanto o Capitão Gancho, algo que o próprio Barrie sugeria ser feito nas montagens da peça. Fora que ele É o Capitão Gancho. Algo que me irritou profundamente no desenho da Disney foi a visão de caricatura do vilão. Eu sei que os vilões engraçados são mais&#8230; engraçados, e temos que pensar nas crianças (lembrando que a peça não foi escrita para as crianças, apenas pensando nelas), mas não precisavam fazer ele ridículo. Eu tenho orgulho de ter medo do Capitão Gancho, já que ele representa tudo de ruim que os adultos podem se tornar, e a real razão pela qual não queremos crescer: ele não acredita em nada que não o &#8216;bom tom&#8217;, não gosta de fazer nada que lembre algo da sua infância, não tem compaixão pelos outros e sempre quer ser o melhor de todos. Ele não odeia Peter apenas por Peter ser uma criança (e por ter cortado sua mão e a jogado ao crocodilo hehe); mas porque Peter consegue fazer coisas sem o menor bom tom e não se sentir nem um pouco preocupado com isso. Porque Peter, por outro lado, com sua alegria e despreocupação, representa algo que vai contra tudo o que Gancho acredita. Gancho é o tempo, inexorável e infalível, e Peter é o que temos de manter em algum lugar dentro de nós, ou realmente nos tornaremos um Capitão Gancho. Jason Issacs consegue sintetizar o personagem na cena em que ele olha pra uma fada e diz &#8216;eu não acredito em fadas&#8217;, e a fada morre! Porque sempre que alguém diz que não acredita em fadas, uma fada morre em algum lugar. Mas quantas pessoas no mundo conseguiriam &#8216;não acreditar&#8217; numa fada num lugar como a Terra do Nunca, com uma fada na sua frente? Só o Capitão Gancho.</p>
<h4>O beijo</h4>
<p>Na verdade o que mais me irritou no filme foi a história do beijo. Primeiro que o Capitão Gancho consegue de alguma forma tirar a alegria do Peter, e Peter não consegue mais voar. Gente, o Peter não ser mais alegre e não conseguir mais voar, só se ele morresse. Porque a alegria faz parte dele de tal forma, que ele prefere sair do lugar e esquecer tudo do que enfrentar a realidade. Fora que o Capitão Gancho conseguiu fazer Peter &#8216;não voar&#8217; falando algo do tipo &#8216;Wendy não gosta de você, ela prefere crescer do que ficar com você&#8217;. Peter nunca se importaria muito com isso, porque ele despreza todos os que querem crescer, e ficaria magoado por um minuto e depois esqueceria. Ele é uma criança egoísta, afinal de contas, e seu amor por Wendy não vai além de uma amizade especial. Wendy, sim, podemos considerar que tinha um crush em Peter, e por isso ficava tão indecisa entre voltar pra casa e crescer (e casar e ter filhos) ou ficar na Terra do Nunca com Peter.</p>
<p>Mas o fato é, de tão feliz que Gancho fica, <span style="font-style: italic;">ele também voa!</span> COMO ASSIM. Não é só birra por Gancho nunca ter voado no livro, é simplesmente porque voar é <span style="font-style: italic;">completamente</span> <span style="font-style: italic;">contra </span>a personalidade básica de Gancho. Ele<i> nunca</i> conseguiria voar usando o pensamento feliz &#8216;eu vou derrotar Peter Pan&#8217;. Mas voltando à cena, Wendy dá um beijo na boca de Peter, ele fica feliz e volta a voar e eles derrotam Gancho. Como se a história fosse sobre sexualidade, meninas crescem mais rápido do que meninos, vilões e mocinhos e &#8216;quem consegue ter o pensamento mais feliz por mais tempo&#8217;.</p>
<p>Sim, a sexualidade <span style="font-style: italic;">está</span> presente em todo o livro, ou Wendy e Peter não seriam &#8216;casados&#8217; e pais dos outros meninos perdidos na brincadeira de faz-de-conta. Mas o que ficou mais do que claro pra mim, no livro, é que Barrie considerava fator-regra para crescer o fato de ter filhos, e não a sexualidade. Wendy fica balançada sobre se deve ou não voltar pra casa por causa da vontade dela de ser mãe. É o que ela pede quando os meninos perdidos vão fazer a casinha pra ela: &#8216;uma casa com janelas e bebês olhando por elas&#8217;. Ela não quer ser criança pra sempre porque um dia ela quer ser mãe. Lembrem-se de que Wendy era <span style="font-style: italic;">menina</span> e tinha sensatez suficiente pra perceber que a vida dos meninos perdidos era completamente desorganizada sem uma &#8216;mãe&#8217;, e que Peter não era boa companhia por esquecer de tudo toda hora e só pensar em aventura e tal. Ele era <span style="font-style: italic;">criança</span>, com todas as partes ruins que isso traz.</p>
<p>Uma frase do começo do livro é &#8216;a sra. Darling tinha a impressão de já ter visto a expressão de Peter em outros lugares antes, em alguns rostos de mulheres que não tiveram filhos&#8217;. Para Barrie, a &#8216;adultice&#8217; só chega quando se tem filhos. É algo que Spielberg capturou muito bem em seu filme &#8216;Hook&#8217;, e que infelizmente Hogan deixou passar.</p>
<h4>Partes boas</h4>
<p>De qualquer forma, o filme capturou a maior parte do espírito da aventura, algo que o filme da Disney não tinha chegado nem perto de fazer. A fantasia e a magia estão com certeza presentes no filme, e com as atuações convincentes do elenco e a direção de Hogan, é um ótimo filme que conseguiu capturar a maior parte do universo de Peter &#8211; principalmente considerando que não é uma história exclusiva para crianças.</p>
<p style="font-family: Georgia, &quot;;">Um outro ponto que o filme não mostra e que faz toda a diferença pra mim. O filme acaba com Wendy pedindo pra Peter não esquecer dela, e depois falando que ela nunca mais o viu mas contou a história para seus filhos. Engraçado que o próprio filme fez com que Peter se importasse um monte com Wendy &#8211;  a ponto de não voar por estar triste que ela ia embora, e a ponto dela dar &#8216;o beijo&#8217; pra ele &#8211; e acaba desse jeito, sem ele nem voltar pra vê-la.</p>
<p>No livro, (algo que o filme de Spielberg também resgata), Peter fala que vai voltar toda primavera, pra levar ela pra Terra do Nunca e ter mais um monte de aventuras. Ele lembra, de vez em quando. Pula algumas primaveras, mas aparece. Esquece a maior parte das aventuras que eles tiveram da primeira vez (&#8216;quem é Sininho?&#8217;), mas aparece. Até que encontra Wendy adulta esperando por ele.</p>
<h4>O final do livro</h4>
<blockquote><p>Depois, acendeu a luz e Peter viu. Deu um grito de dor. E quando aquela criatura alta e bonita se aproximou para pegá-lo o colo, ele recuou abruptamente.<br />
&#8211; Que foi que aconteceu?- perguntou de novo.<br />
Ela teve que contar.<br />
&#8211; Fiquei mais velha, Peter. Já passei muito dos vinte. E cresci há muito tempo.<br />
&#8211; Mas você prometeu não crescer.<br />
&#8211; Não dava pra evitar. Eu casei, Peter.<br />
&#8211; Não! Não casou&#8230;<br />
&#8211; Casei, sim. E a menininha que está na cama é minha filha.<br />
&#8211; Não é, não.<br />
Mas achou que era. E deu um passo em direção à criança adormecida, com a adaga levantada. É claro que não deu golpe nenhum. Em vez disso, sentou-se no chão e soluçou. Wendy não sabia o que fazer para consolá-lo, embora antigamente pudesse fazer isso com tanta facilidade. Mas agora ela era apenas uma mulher e saiu do quarto correndo, para tentar pensar.<br />
Peter continuou a chorar. Daí a pouco seus soluços acordaram Jane. A menina se sentou na cama, e logo ficou interessada.<br />
&#8211; Menino &#8211; perguntou -, por que é que você está chorando?<br />
Peter se levantou e fez uma curvatura, saudando-a, e ela o cumprimentou da cama.<br />
&#8211; Olá &#8211; disse ele.<br />
&#8211; Olá &#8211; disse ela.<br />
&#8211; Meu nome é Peter Pan.<br />
&#8211; Eu sei.<br />
&#8211; Eu vim buscar minha mãe, para ela ir comigo para a Terra do Nunca.<br />
&#8211; Eu sei &#8211; disse ela &#8211; E já estava te esperando.<br />
Quando Wendy voltou, insegura, encontrou Peter sentado no pé da cama, dando um cocoricó glorioso, enquanto Jane, de camisola, dava voltas pelo quarto, em êxtase.<br />
&#8211; Ele precisa tanto de uma mãe&#8230; &#8211; explicou Jane.<br />
&#8211; Eu sei &#8211; admitiu Wendy, numa mistura de tristeza e saudade. &#8211; Ninguém sabe disso melhor do que eu.<br />
&#8211; Tchau&#8230; &#8211; disse Peter para Wendy, levantando vôo em companhia de Jane, perfeitamente à vontade. Para ela, já era a maneira mais fácil de ir de um lado para outro.<br />
&gt;Wendy correu para a janela.<br />
&#8211; Não! Não! &#8211; gritou.<br />
&#8211; É só agora na primavera, mamãe, para dar uma limpeza geral &#8211; explicou ela. &#8211; Ele quer que eu sempre vá ajudar na faxina da primavera.<br />
&#8211; Eu queria tanto ir com vocês&#8230; &#8211; suspirou Wendy.<br />
&#8211; Mas você não pode mais voar, não está vendo? &#8211; disse Jane.<br />
É claro que, no fim, Wendy deixou os dois irem. A última vez que olhamos para ela vemos que está junto da janela, vendo os dois irem cada vez mais longe no céu, até ficarem pequenininhos, do tamanho das estrelas.</p>
<p>Se você olhar para Wendy agora, vai ver o cabelo dela ficando grisalho e seu vulto se encolhendo, porque tudo isso aconteceu há muito tempo. Jane agora é uma adulta comum e tem uma filha chamada Margaret. Toda primavera, quando é hora da faxina &#8211; a não ser quando ele esquece &#8211; Peter vem buscar Margaret e a leva para a Terra do Nunca, onde ela conta histórias dele mesmo, que ele ouve deliciado, com a maior atenção. Quando Margaret crescer, vai ter uma filha, e vai ser a vez dela ser a mãe de Peter. E assim por diante. Enquanto as crianças forem alegres, inocentes e sem coração.*</p></blockquote>
<div style="font-family: Georgia, &quot;;"></div>
<div style="font-family: Georgia, &quot;;"><span style="color: #000000;"><b>Peter Pan (idem) &#8211; 2003 | </b><b>de P.J. Hogan | </b></span><span style="color: #cc0000;"><span style="color: #000000;"><b><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;">com: Jeremy Sumpter, Rachel Hurd-Wood, Jason Issacs, Lynn Redgrave, Olivia Williams</span></b></span> <br style="font-family: Georgia, &quot;;" /><span style="color: black; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 78%;">trecho do livro Peter Pan, de J.M. Barrie e tradução de Ana Maria Machado, exceto pela última frase, que ela traduziu de forma diferente.*</span><br />
</span></div>
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		<title>Elric de Melniboné &#124; Michael Moorcock</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jun 2025 00:25:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Michael Moorcock]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Elric de Melniboné é um clássico da fantasia curtinho com uma andada rápida que deixa fácil de ler. É o primeiro livro com o personagem, apesar dele ter aparecido em diversos contos antes dessa publicação. Elric é o imperador albino e feiticeiro. Ele é líder de uma civilização que já chegou a dominar o mundo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Elric de Melniboné é um clássico da fantasia curtinho com uma andada rápida que deixa fácil de ler. É o primeiro livro com o personagem, apesar dele ter aparecido em diversos contos antes dessa publicação.</p>
<p>Elric é o imperador albino e feiticeiro. Ele é líder de uma civilização que já chegou a dominar o mundo através de magia, carnificina, escravidão e guerras. Elric no entanto tem preguiça de tudo, anda por aí cansado, filosofando que nada vale a pena, tomando uns remédios pra conseguir ficar vivo porque a albinisse dele também deixa ele fraco. Ele não quer dominar o mundo. Ele não quer governar. Ele também não quer deixar o trono pra outra pessoa &#8211; tipo o primo sanguinário dele, Yrkoon, que vive conspirando contra o Elric porque ele acha que o Elric é um fraco que não tem interesse em dominar os outros povos. E, no caso, o Elric de fato não tem interesse. As filosofias na cabeça dele são sempre &#8220;até que ponto o povo de Melniboné é superior aos humanos; até que ponto temos a obrigação de liderar por sermos superiores; será que fica chato a gente escravizar os outros&#8221; e essas coisas.</p>
<p>Elric é apaixonado pela prima dele, a bonitona Cymoril, que apesar de não entender muito bem as filosofadas do Elric, gosta dele de volta e já disse que se ele quiser casar ela topa. Mas ele tá sempre enrolando porque tá pensando nas filosofias e nas dúvidas.</p>
<p>Aí o Yrkoon resolve fazer alguma coisa mais concreta e usa um ataque à ilha deles pra matar o Elric, que cai no fundo do mar mas usa magia pra pedir ajuda dos seres elementais. Daí Elric recebe ajuda do deus do mar e volta à sua terra natal, mas Yrkoon escapa levando a Cymoril. Elric faz um pacto com um deus-demônio e consegue pegar um navio mágico que anda na terra pra perseguir Yrkoon e resgatar Cymoril.</p>
<p>O livro tem menos de 200 páginas. A história alterna entre uma aventura tradicional de fantasia e uma energia de contos de fadas. Me senti lendo um livro de <em>fairytale retellings </em>só que pra meninos. Elric é o herói alternativo sensível e filósofo que na década de 60, quando ele apareceu nas publicações, era um contraste imenso com os gigantes agressivos tipo o Conan. Elric é fisicamente fraco, detesta violência, não gosta do poder. Mesmo assim ele é alto, musculoso, tem olhos vermelhos e longas madeixas brancas.</p>
<p>Eu gostei do livro, só que fiquei com um pouco de preguiça de toda a pretensão do protagonista. Entendo que muito da minha irritação vem de eu não ser o público alvo do livro. Além disso, fiquei com aquela sensação de que já li tantas coisas parecidas só que o original foi esse e os outros que foram cópias.</p>
<p>Por ser quase um conto de tão curto e ter elementos interessantes, o livro é um sólido três estrelas e as continuações estão na minha lista.</p>
<p><strong>Elric of Melniboné | Michael Moorcock | 1972</strong></p>
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		<title>Adaptação &#124; A Viagem do Peregrino da Alvorada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2025 12:12:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[C S Lewis]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[infantil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesse terceiro filme da série de adaptações dos livros de Nárnia, temos uma história de ação e fantasia competente com bons atores. Lucy e Edmund estão na casa dos tios, durante a guerra, enquanto Peter se alista no exército e Susan fica com os pais na América. Lucy e Edmund estão cada vez menos empolgados com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div></div>
<div>Nesse terceiro filme da série de adaptações dos livros de Nárnia, temos uma história de ação e fantasia competente com bons atores. Lucy e Edmund estão na casa dos tios, durante a guerra, enquanto Peter se alista no exército e Susan fica com os pais na América. Lucy e Edmund estão cada vez menos empolgados com o mundo real  e cada vez com mais saudades de Nárnia, mas o primo chatonildo deles, Eustace, além de ser um mala que só fica lembrando os dois de que devem tudo a ele por estarem sendo recebidos na sua casa, também impede que os irmãos possam conversar à vontade sobre suas antigas aventuras.</div>
<p style="text-align: left;">E então um quadro alaga o quarto e os três são transportados a Nárnia, onde são resgatados pelo Peregrino da Alvorada, navio do Príncipe (agora Rei) Caspian.</p>
<p style="text-align: left;">Caspian está mais gato do que nunca, com a personalidade nova dele pro filme deixando ele mais atraente. E Lucy se lembra muito bem do quanto ele gostava de Susan, e Edmund se lembra muito bem de quão bom era Peter, e Eustace é o melhor ator mirim da sua geração e dá uma outra pegada ao filme quando interpreta o garoto mimado que se recusa a aceitar que está em Nárnia.</p>
<p style="text-align: left;">O navio tem que ir até uma ilha perdida para encontrar antigos lordes que haviam jurado lealdade ao pai de Caspian, e no caminho terão de enfrentar o maior medo e a maior tentação de cada um. São essas as cenas mais legais do filme, com os homens invisíveis, e Lucy tentando virar a irmã, e Edmund tendo de provar a si mesmo o quanto é capaz, e Eustace passando pela maior das provações. A narrativa repetitiva do livro que remete aos contos de fadas é organizada de forma mais fluida para o filme.</p>
<p style="text-align: left;">É claro que ainda é Nárnia, com o cristianismo permeando tudo, e com o limite entre fantástico e fantasioso que eu sempre fico desconfortável (afinal, aquilo tudo aconteceu <i>mesmo</i> ou só na imaginação das crianças e tal) e com o final que sempre é triste porque alguns deles nunca mais vão voltar. As passagens mais infantis do livro foram transformadas numa história para jovens mais maduros.</p>
<p style="text-align: left;">Mas o elenco mirim dá conta do recado, o roteiro é muito bem feito e o filme funciona muito bem.</p>
<div style="color: #990000;">A Viagem do Peregrino da Alvorada (The Voyage of the Dawn Treader) &#8211; 2010 | de Michael Apted | <span style="color: #990000;">com Georgie Henley, Skandar Keynes, Ben Barnes, Will Poulter</span></div>
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		<title>Tress &#8211; A Garota do Mar Esmeralda &#124; Brandon Sanderson</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2024 20:59:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brandon Sanderson]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um mundo fantasioso onde há várias luas e os mares são de esporos que explodem em contato com a água, Tress é uma garota comum. Ela limpa janelas, cozinha para os pais e é apaixonada por Charlie, o jardineiro da casa do duque. Só que Charlie na verdade, e ela sabe disso, é o [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/tress-a-garota-do-mar-esmeralda-brandon-sanderson/">Tress &#8211; A Garota do Mar Esmeralda | Brandon Sanderson</a> appeared first on <a href="https://adevoradoradelivros.com.br">A Devoradora de Livros</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um mundo fantasioso onde há várias luas e os mares são de esporos que explodem em contato com a água, Tress é uma garota comum. Ela limpa janelas, cozinha para os pais e é apaixonada por Charlie, o jardineiro da casa do duque.</p>
<p>Só que Charlie na verdade, e ela sabe disso, é o filho do duque. E ele vai ter que casar com alguma nobre apontada pelo rei. E quando o duque o obriga a sair da ilha para procurar uma noiva, ele promete a Tress que vai ser o mais entediante de todos os pretendentes. Quando nenhuma princesa quiser se casar com ele, ele vai voltar para Tress.</p>
<p>Alguns meses depois da partida, o duque retorna com seu herdeiro casado! Mas ele não é Charlie, e sim um primo distante. Charlie na verdade foi raptado pela Feiticeira, um ser terrível que vive no mar da meia noite. Tress então não tem outra escolha senão partir da ilhota onde vive para resgatar Charlie das garras da feiticeira.</p>
<p>Apesar de descobrir que seu navio é um navio de contrabandistas, a coisa fica ainda mais séria quando os contrabandistas são atacados por piratas, e Tess não tem escolha senão juntar-se a eles.</p>
<p>Eu poderia dizer que a história do livro é &#8220;só&#8221; essa jornada, já que as coisas vão acontecendo de forma previsível no sentido de que tudo acaba bem. Mas como assim, são quase quinhentas páginas contando uma simples viagem do mar esmeralda até o mar da meia noite?</p>
<h3>Fantasia e ficção científica &#8211; com piratas</h3>
<p>Brandon Sanderson conseguiu uma narrativa única, cheia de particularidades engraçadas, e ao mesmo tempo nojentas. Se bem que ele pede desculpas, dependendo da cena, por ter contado essa parte). A ideia de que é um livro que conta a história de Tress mas também está em primeira pessoa &#8211; e só sabemos quem é o narrador lá pelo primeiro terço do livro &#8211; é muito original, nunca tinha visto antes. Assim como o mar de esporos que caem das luas e explodem. Inclusive é assim que conseguem criar &#8220;armas de fogo&#8221;, com mecanismos de explosão de esporos em contato com a água.</p>
<p>Tress é uma garota fora do comum também justamente por aprender a mexer com esses esporos. Eu tenho que admitir que não entendi absolutamente nada da parte &#8220;científica&#8221; do livro, quando ela se mete a experimentar com os esporos. Sou mais da área da magia &#8211; gostei muito dos esporos da meia noite.</p>
<p>O que me atraiu a esse livro foi quando me disseram que seria inspirado por O Noivo da Princesa. Fui cética e quebrei a cara: a narrativa é uma modernização excelente de William Goldman, com o ponto exato entre estranho, fantasioso e divertido. Adorei o estilo conto de fadas, achei a ambientação fascinante e me apaixonei pela protagonista. Recomendo.</p>
<p>Tress of the Emerald Sea (2023)</p>
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		<title>Scorned Prince &#124; Brady Hunsaker</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jan 2024 11:54:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brady Hunsaker]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[ficção científica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesse livro de aventura, fantasia e uma pitada de ficção científica, dois jovens se unem contra tudo para conseguir paz após 400 anos de conflito entre seus povos. Migo Rikaydian é o príncipe herdeiro, criado por sua mãe para ser a arma perfeita e eliminar todos os shamans da face do planeta. Katsi Danan é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nesse livro de aventura, fantasia e uma pitada de ficção científica, dois jovens se unem contra tudo para conseguir paz após 400 anos de conflito entre seus povos.</p>
<p>Migo Rikaydian é o príncipe herdeiro, criado por sua mãe para ser a arma perfeita e eliminar todos os shamans da face do planeta. Katsi Danan é uma garota órfã após seus pais shamans terem sido executados na sua frente pela rainha Rikaydian, mãe de Migo.</p>
<p>Katsi gosta muito de Damani, um fazendeiro gentil que a ajudou quando estava tentando sobreviver. Ela compartilha da visão dos seus pais, de que a paz era o melhor caminho. Por isso, ela se recusa a viver com sua tribo de <em>shamanfolk</em> porque eles também estão completamente obcecados com a ideia de guerra.</p>
<p>Tudo isso ocorre numa ambientação fascinante de um planeta que não gira. Está sempre com a mesma face voltada para o sol, fazendo com que metade do mundo seja uma geleira e a outra metade um deserto. As pessoas vivem num &#8216;anel&#8217; de poucos quilômetros de largura onde a temperatura é mais amena e é possível o plantio de comida. Ainda assim, há constantes tempestades terríveis de areia e gelo.</p>
<p>Katsi aos poucos vai aprendendo a controlar sua magia, e precisa justamente da ajuda dos shamans para isso. Enquanto isso, Migo precisa sobreviver não só às batalhas terríveis com os shamans mas também sua própria rainha, que tem um plano de mandar assassinos atrás dele.</p>
<h3>Jovem Adulto</h3>
<p>O livro acompanha a saga desses dois jovens que ainda não têm vinte anos, carregando o peso da paz nos ombros, e tendo que lidar com seus próprios preconceitos. Katsi é de longe a mais madura, não só pela vida que teve mas também pela capacidade de ver os dois lados do problema. Migo, por outro lado, é um garoto ao mesmo tempo mimado e destruído pelo ódio da mãe.</p>
<p>Aliás essa mãe achei o único problema da trama. Ela é tão maléfica e terrível que fiquei até na dúvida se no final ela teria um outro papel, mas no fim das contas ela era só má mesmo. Talvez eu esteja esperando demais ao querer uma vilã menos clichê, justamente num livro juvenil. De qualquer forma, ela continua sendo previsivelmente maléfica. Isso não chega a atrapalhar o livro, foi só algo que me desapontou um tico.</p>
<p>O livro tem partes bem violentas, e as cenas de ação são muito bem descritas. Migo é um excelente combatente.</p>
<p>Achei a ambientação maravilhosa e quero voltar pra esse mundo. Gostei dos personagens, adorei o relacionamento dos dois. Não é um livro muito complexo nem muito cheio de nuances, e tudo o que eu achava que ia acontecer aconteceu. No entanto, foi uma leitura rápida, agradável e divertida, que prendeu minha atenção e que me fez querer saber mais. Grandes chances de eu achar o segundo volume.</p>
<p>Scorned Prince (2023) Ringdweller Series Book 1</p>
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		<title>Bluebeard and the Outlaw &#124; Tara Grayce</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jan 2024 02:53:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Tara Grayce]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[contos de fadas reimaginados]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nessa releitura de Robin Hood misturado com O Barba Azul, Robin é uma moça, a mais velha entre vários irmãos. Ela é filha de guardas florestais e, junto com seus irmãos mais novos, luta contra o Duke Guy de Gisborne. Ele é um governante cruel que taxa seus súditos até a penúria e além disso [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nessa releitura de Robin Hood misturado com O Barba Azul, Robin é uma moça, a mais velha entre vários irmãos. Ela é filha de guardas florestais e, junto com seus irmãos mais novos, luta contra o Duke Guy de Gisborne. Ele é um governante cruel que taxa seus súditos até a penúria e além disso assassinou três esposas.</p>
<p>De alguma forma ele consegue se livrar de ser acusado de qualquer coisa, já que alega que as esposas se suicidaram. Robin fica sabendo que o duque está procurando uma nova vítima. Decidida a completar seu plano mais audacioso, Robin explica suas intenções para seus irmãos.</p>
<p>Ela vai fingir ser uma nobre da distante província de Locksley, para se casar com o duque, e aí, quando ele eventualmente vier matá-la, ela vai matá-lo em legítima defesa. Dessa forma, estando casada com o duque, Robin vai poder descobrir onde ele guarda suas riquezas, permitindo assim que seus irmãos façam um roubo extraordinário. Além disso, depois de matar o duque, ela vai herdar tudo o que ele tem.</p>
<p>Apesar de toda essa história de assassinatos e mortes, o livro segue uma narrativa leve e divertida. Robin é audaciosa e viciada em adrenalina. O duque rapidamente se mostra um cara sensato que foi pego numa armadilha mágica.</p>
<p>No caso, no mundo do livro, a floresta Greenwood é permeada de portais mágicos para o reino dos <em>fae</em>, de onde saem monstros e criaturas ainda mais perigosas. Os guardas florestais protegiam a região dos monstros mágicos, até que, dez anos antes, logo após a morte misteriosa dos pais da Robin, o duque desfez a sociedade dos guardas florestais.</p>
<h3>No spice.</h3>
<p>Claro que existe ali uma tensão romântica entre Robin e o duque &#8211; esse é o título do livro, afinal &#8211; mas a narrativa é completamente <em>no spice. </em>Ou seja, nenhuma cena picante. Por um lado isso deixou as coisas mais ágeis porque não precisamos perder tempo com tensões sexuais. Mas por outro lado deixou alguns momentos mais inverossímeis, porque simplesmente ignora a consumação do casamento. Não chega a ser uma coisa que atrapalha a narrativa.</p>
<p>Achei tudo muito rápido. Novamente, por um lado é tranquilo e divertido de ler, quase como se fosse um conto. Por outro lado, as decisões e atitudes tomadas parecem um pouco rápido <em>demais</em> e quando você viu, já foi. De qualquer forma prendeu minha atenção e foi uma leitura fofa. Foi o primeiro livro de 2024, achei um início digno.</p>
<p>Bluebeard and the Outlaw (2021), de Tara Grayce</p>
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