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	<title>fantasia Archives - A Devoradora de Livros</title>
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	<description>Diário de leituras</description>
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	<title>fantasia Archives - A Devoradora de Livros</title>
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		<title>Mrs. Covington&#8217;s &#124; K.R.R. Lockhaven</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 14:06:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[KRR Lockhaven]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mrs. Covington&#8217;s é o nome de um pub velho e cansado que é comprado por um jovem que quer tentar um novo modelo de negócios. Jacob é um jovem de vinte e poucos anos que é filho de um homem rico. Jacob não concorda com o jeito mercenário do pai, e quer ter a chance [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Mrs. Covington&#8217;s é o nome de um pub velho e cansado que é comprado por um jovem que quer tentar um novo modelo de negócios. Jacob é um jovem de vinte e poucos anos que é filho de um homem rico. Jacob não concorda com o jeito mercenário do pai, e quer ter a chance de mostrar por pai que é possível viver a vida sendo amável e gentil, em vez de um malvado que só quer saber de lucro.</p>
<p>Jacob chega numa nova ilha, usando um nome novo, pra ver se consegue dar conta de ser adulto. Ele entra no Mrs. Covington&#8217;s e impulsivamente decide comprar o lugar. O dono entrega o pub junto com um papel antigo com uma caça ao tesouro.</p>
<p>Tem esse gênero novo que o povo tem chamado de &#8220;cozy fantasy&#8221;, que é pra ser uma história num mundo de fantasia com uma ideia de &#8220;aconchegante&#8221;. Teoricamente um livro &#8220;cozy&#8221; é pra ser &#8220;low-stakes&#8221; (algo que não é muito perigoso e que não demanda grandes aventuras para resolver), com temas como família escolhida, conflitos pequenos, cenários reconfortantes, e cenas de conversas agradáveis em vez de guerras épicas. Tudo isso em um ambiente de fantasia tradicional com dragões, elfos, orcs, magos, etc.</p>
<p>Mrs. Covington&#8217;s é um exemplar bem claro do que se espera de uma cozy fantasy. Jacob precisa dar um jeito de fazer o pub dar dinheiro. A capivara mascote do lugar está infeliz então eles decidem roubar um namorado pra ela. A caça ao tesouro inclui uma poesia que eles precisam trabalhar juntos para decifrar. A garçonete está de namorico com o entregador e Jacob quer muito que eles fiquem juntos. O maior proprietário da ilha também quer o tesouro, será que eles vão conseguir achar o local sem que o malvadão e seus capangas descubram?</p>
<p>Algumas coisas me incomodaram no livro. Jacob é um mala, com o maior coração do mundo, autoestima inexistente, uma ingenuidade irritante e incapaz de fazer decisões úteis. A única coisa de inteligente que ele faz é colocar os dois funcionários como sócios pros dois poderem resolver o pub. E, vários momentos o livro pára tudo o que está fazendo pra mostrar uns monólogos internos do Jacob que são desinteressantes e inúteis.</p>
<p>Outra coisa sem graça é a fantasia em si. O mundo tem magia, mas Jacob não sabe usar. A garçonete sabe, mas muito pouco porque ela é iniciante. A garçonete e mais alguns personagens são <em>ciguapas</em>, inspirados nos seres do folclore da República Dominicana. No livro, eles tem pele azul e usam tatuagens que dão poderes mágicos básicos de ilusão. Aí tem os orcs, que no livro são muito grandes e fortes. E <em>faunos</em>, que são metade de cima humano, metade de baixo bode, e no livro não parecem ter nada de mágico. Fora a mistureba, que me incomoda por questões pessoais, é tudo meio sem graça. Os conflitos são todos muito realistas (a <em>fauna</em> não tem dinheiro pra pagar o senhorio e pode perder o restaurante dela, Jacob não sabe se vai conseguir fazer o pub dar lucro, o dono da ilha quer expulsar todo mundo que não concorda com ele), e são resolvidos de forma simplista.</p>
<p>A última coisa que vou reclamar é a inserção de coisas modernas em um mundo claramente fantasioso de época &#8220;piratas do Caribe&#8221;. A tecnologia parece do século XVIII, certo? Incluindo lutas de espadas, navios singrando os mares, sociedades insulares. Daí parte do livro é Jacob e seus amigos inventando coisas &#8220;revolucionárias&#8221; que são da nossa realidade. Um pão assado feito de farinha com queijo ralado em cima colocado no forno pra derreter e cortado em pedaços na hora de servir? Revolucionário! Vamos chamar de &#8220;nacia&#8221; porque é o nome da cozinheira. Os frequentadores do bar escrevem o nome da música num papelzinho falando qual música querem cantar e a banda toca enquanto um cliente canta? Que incrível, como ninguém pensou nisso antes? Vamos chamar de &#8220;noite do VOCÊ CANTA&#8221; Eu entendo a ideia do livro, eu só achei sem graça mesmo.</p>
<p>A caça ao tesouro é divertida, e as capivaras são fofas. Mas junta o protagonista insosso, a resolução simplista, a falta de magia, e a vida real se intrometendo, ficou um livro que não foi pra mim.</p>
<p><strong>Mrs. Covington&#8217;s (2023) de K.R.R. Lockhaven</strong></p>
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		<title>Beth&#8217;s Acceptance &#124; Tracy Cooper-Posey</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 23:21:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Tracey Cooper-Posey]]></category>
		<category><![CDATA[contemporâneo]]></category>
		<category><![CDATA[erótico]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[sobrenatural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ela é linda mas é pobre, trabalha de garçonete e mal consegue pagar as contas. Tem um cliente bonitão que tá muito na dela e o nome dele é Zachariah. Já perdi tudo aqui né. Que nome imbecil. O cara me surgiu da onde, do velho testamento? Tem também o Luke que é um outro gostosão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Ela é linda mas é pobre, trabalha de garçonete e mal consegue pagar as contas. Tem um cliente bonitão que tá muito na dela e o nome dele é <em>Zachariah</em>. Já perdi tudo aqui né. Que nome imbecil. O cara me surgiu da onde, do velho testamento? Tem também o Luke que é um outro gostosão que fica atrás dela na biblioteca (ela tem dois empregos porque é pobre).</p>
<p>Beth descobre que ela é a escolhida rainha paranormal líder que vai unificar todos os povos. Zach e Luke são um vampiro e um <em>elfo </em>(é tecnicamente um <em>fae</em> porque é o mesmo tipo de shadow daddy de ACOTAR mas ela chama de elfo, eu achei ótimo). E a forma dela <em>unificar</em> vocês já sabem qual é, né. Beth não parece gastar tempo duvidando da existência de vampirão e elfo querendo comer ela, e no máximo fica com dúvidas normais de uma moça de 32 anos que se comporta como se tivesse vinte (&#8220;será que vou dar conta de ser rainha do universo&#8221;). Os dois bonitões logo falam que ela já está sim se comportando como rainha.</p>
<p>O livro é curtíssimo, cerca de 100 páginas, e até que dá conta de inventar uma ambientação válida no pouquinho que sobra depois de descrever todas as cenas de sexo. Eu achei engraçadíssimo, só erótica sobrenatural pra passar o tempo. Pontos extras por ter um menage de mulher com dois homens.</p>
<p>E olha essa capa! <em>&#8220;Vampire menage urban fantasy romance&#8221; </em>AHAHAHAHAHAHAHA</p>
<p><strong>Beth&#8217;s Acceptance (2009) de Tracy Cooper-Posey | Destiny&#8217;s Trinities #1</strong></p>
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		<title>Tehanu &#124; Ursula K. Le Guin</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 10:40:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ursula K. le Guin]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cerca de 25 anos depois dos eventos em As Tumbas de Atuan, e meros dias após o fim de A Última Praia, Goha é uma viúva vivendo placidamente na sua fazenda em Gont. Seus dois filhos  já são adultos, a mais velha com o marido na cidade, e o mais novo por aí marinheiro. Dois [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Cerca de 25 anos depois dos eventos em <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/as-tumbas-de-atuan-ursula-k-le-guin/">As Tumbas de Atuan</a>, e meros dias após o fim de <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/a-praia-mais-longinqua-ursula-k-leguin/">A Última Praia</a>, Goha é uma viúva vivendo placidamente na sua fazenda em Gont. Seus dois filhos  já são adultos, a mais velha com o marido na cidade, e o mais novo por aí marinheiro.</p>
<p>Dois homens e uma mulher acampam fora da aldeia. Os dois obrigam a mulher a pedir dinheiro e se prostituir. As mulheres da aldeia tentam ajudá-la, mas, aterrorizada, a mulher sempre voltava pra eles. Um dia, um dos homens vai até a bruxa da aldeia, pedindo ajuda, pra que alguém vá salvar &#8220;a criança&#8221;. Os aldeões vão até o acampamento improvisado dos três e encontram uma menina de sete ou oito anos jogada na fogueira. Os adultos haviam fugido. As mulheres da aldeia fazem o possível pela criança, que sobrevive. Com metade do corpo queimado, cega de um olho, uma das mãos ressequida em uma garra esquelética. Goha fica com a garota, e a chama de Therru.</p>
<p>Goha não é uma fazendeira normal. Além de ser uma estrangeira em Gont, de pele branca, vinda das ilhas Kargad, ela conhece pessoalmente Ogion, o mago das montanhas. Ninguém que ela conhece sabe, mas ela havia sido a sacerdotisa única dos poderes sombrios em Atuan, e fora para a grande ilha de Havnor portando o Anel de Erreth-Akbe. Seu nome verdadeiro, que havia sido tirado dela quando criança, fora devolvido a ela pelo mago Gavião: Tenar.</p>
<p>Um mensageiro chega na fazenda, dizendo que Ogion mandou por Tenar: o velho mago está morrendo. Tenar vai com Therru ajudar na passagem, e logo antes de falecer, Ogion dá um suspiro, dizendo que está tudo certo agora, que tudo vai melhorar. Alguns dias depois, um enorme dragão vem do oeste, carregando o corpo desfalecido do arquimago das ilhas. Kalessin deixa que Tenar suba nele para resgatar Ged. E voa pra longe.</p>
<p>A vida de Tenar se muda para a casinha de Ogion, perto da cidade de Re Albi. Ela, Therru, Ged em recuperação, a bruxa da aldeia Tia Musgo, e Érica, a pastora de cabras. Mas o arquimago perdeu seus poderes, homens maléficos frequentam a casa do Senhor de Re Albi, e o homem que abusou de Therru está rondando.</p>
<p>Escrito quase vinte anos depois do anterior da série, Tehanu é uma história de fantasia muito diferente tanto do resto da série quanto do resto dos livros de fantasia. É uma história contida, trágica, tensa, onde não há viagens ou grandes feitos. Tenar conversa muito, com Tia Musgo, com Ged, e até com o rei.  Tenar quer entender porque homens são feiticeiros respeitados e estudados enquanto mulheres são bruxas ignorantes nas aldeias. Quer entender porque Ged perdeu os poderes. Quer ajudar sua filha Therru a ter um lugar no mundo. Dá pra ver que os personagens estão discutindo temas que a própria autora passou anos organizando.</p>
<p>Eu li a série pela primeira vez na juventude, e esse livro não me desceu. Achei difícil, lento, complexo e triste. Eu não quis aceitar o fim da história, simplesmente não estava pronta pra ver Ged e Tenar daquele jeito. Mas eu tinha quinze anos. Os protagonistas dessa história passaram dos quarenta. Não era um livro escrito pra mim.</p>
<p>Dessa vez, que eu estou mais próxima da idade deles, o livro passou voando. Continua complexo, tenso e triste, mas a tensão faz a leitura ágil e a tristeza é mais fácil de lidar hoje. A história é sobre envelhecimento, maturidade, decisões difíceis; a autora quer discutir gênero, abuso, violência dos poderosos, fragilidade dos idosos. Eu consigo hoje dar conta de acompanhar, mas nunca vai ser um livro fácil; não foi a intenção dela ser fácil, e sim acompanhar onde estava o mundo de Terramar tantos anos depois.</p>
<p>Depois de Tehanu, ela publicou mais dois livros da série, dez anos depois. Eu não queria ter deixado Terramar no ponto em que Tehanu terminou. Então não sei se eu que fiquei mais madura mesmo ou se os outros dois livros me acalmaram o suficiente para eu conseguir reler tudo agora.</p>
<p><strong>Tehanu (1990) de Ursula K. Le Guin | Ciclo Terramar #4</strong></p>
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		<title>Paladin&#8217;s Grace &#124; T. Kingfisher</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 13:56:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[T. Kingfisher]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Stephen é um ex-paladino porque seu deus morreu. Três anos depois da morte do deus, ele presta serviço para o Templo do Rato, vivendo um dia após o outro sem energia para nada, junto com alguns companheiros da fé perdida. Grace é uma perfumista que divide casa com uma espiã. Ela tem um bicho de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Stephen é um ex-paladino porque seu deus morreu. Três anos depois da morte do deus, ele presta serviço para o Templo do Rato, vivendo um dia após o outro sem energia para nada, junto com alguns companheiros da fé perdida.</p>
<p>Grace é uma perfumista que divide casa com uma espiã. Ela tem um bicho de estimação que é uma mistura de teixugo com gato, ela é nerd dos cheiros, e ela não quer saber de homem nenhum depois do trauma que passou com o ex.</p>
<p>Enquanto o livro navega pelo início do romance, que é chato e clichê, ficamos conhecendo a parte boa do livro, que são os coadjuvantes. A bispa do rato e seus asseclas, os colegas paladinos de Stephen, a espiã amiga da Grace. Se não fosse eles, eu não tinha chegado no primeiro terço do livro, porque Stephen e Grace são <em>muito chatos</em>. Grace não entende porque alguém acharia ela atraente, afinal ela anda aí de calças manchadas de produtos perfumísticos. Ela fica obcecada pelo Stephen porque ele tem cheiro de gengibre. E ela é incapaz de falar qualquer coisa sem se arrepender em itálico imediatamente depois. Stephen se sente culpado por tudo, se sente culpado por querer fazer sexo com a Grace, se sente culpado por olhar os peitos dela, se sente culpado por falar qualquer coisa.</p>
<p>Aí quando finalmente a história começa a andar, porque tem assassinatos, prisões injustas, espiões andando por aí, e todos os coadjuvantes chamando Grace e Stephen de molengas e lerdos por não transarem logo, o livro fica mais ágil. E quando finalmente rola o sexo, já é o fim do livro, tudo se resolve de forma bem fácil, e agora eles são um casal e não precisam ficar se perguntando em itálico toda hora se eles falaram alguma besteira um pro outro.</p>
<p>Eu não sei se pessoas adultas se comportam dessa forma, sempre na dúvida, sempre com insegurança, sempre achando que o outro não está interessado (eu só sei que eu não sou assim). Então o que me incomodou principalmente foi a falta de maturidade dos protagonistas. Ele tem mais de trinta anos. Já passaram por coisas terríveis. Ele é um <em>berserker</em> que sai por aí matando pessoas, ela tinha um marido nojento que tentava obrigar ela a fazer sexo com outras mulheres. E o livro deixa claro que faz anos que os dois passaram por essas provações, não foi <em>ontem</em>. Mas eles se comportam como se tivessem 20 anos, começando a vida agora.</p>
<p>Não adianta virem falar que esse é um romance com protagonista acima dos 30 se eles se comportam como adolescentes. A trama não ser tão original incomoda pouco, porque o livro é curtinho. Mas foi surpreendente ver a quantidade de choramingo num livro de gente adulta. Especialmente se ambos são bonitos, inteligentes e bem sucedidos. Eu entendi que a autora quis colocar os dois como traumatizados porque morreu o deus e o ex era péssimo, mas isso não explica a imaturidade dos diálogos e o choramingo adolescente.</p>
<p>Literalmente, ele chega na loja de perfume dela, ela fala &#8220;você parece cansado&#8221;. E o itálico chega imediatamente &#8220;<em>nossa porque fui dizer isso que incapaz que eu sou preciso pensar em falar outra coisa&#8221;</em>. Isso acontece em todos os diálogos. É bem cansativo. Detesto protagonista linda, magra, peituda, que fica toda molenga &#8220;não, ele não deve estar interessado em mim, certeza que não está, ele está olhando pra minha amiga, eu sou feia&#8221;.</p>
<p>Dito isso, como a ambientação me interessou, e aparentemente outros livros da autora não são necessariamente tão bobocas, vou dar mais chance.</p>
<p><strong>Paladin&#8217;s Grace (2020) de T. Kingfisher. The Saint of Steel #1</strong></p>
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		<title>Ensaio &#124; Mas Harry Potter Nem Era Bom</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 14:11:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J. K. Rowling]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O maior fenômeno literário da nossa época é um aglomerado de ideias reacionárias permeado por tramas furadas e precisamos superar isso. O discurso em volta dos livros do Harry Potter parece que nunca some. Primeiro a autora ficava voltando atrás pra contar pra gente coisas que eram verdade mesmo que não estivessem no texto, pra [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>O maior fenômeno literário da nossa época é um aglomerado de ideias reacionárias permeado por tramas furadas e precisamos superar isso.</h2>
<p>O discurso em volta dos livros do Harry Potter parece que nunca some. Primeiro a autora ficava voltando atrás pra contar pra gente coisas que eram verdade mesmo que não estivessem no texto, pra continuar na mídia e se fazer de progressista. Depois ela decidiu fazer a cruzada contra mulheres trans e se fazer de vítima após a reação da internet. E claro, os estúdios não viram a hora de lucrar em cima dos livros, e os filmes de Hollywood se transformaram num espetáculo à parte. Agora estão produzindo uma série remake e a discussão em 2026 é que querem fazer Snape negro e Voldemort mulher. Na era da pós-verdade, só vou acreditar quando sair a série.</p>
<p>É impressionante como os livros e os filmes ficaram no imaginário coletivo dos millenials como sendo cristais intocados de boa literatura. A conversa é sempre &#8220;devemos separar o artista da arte&#8221;, &#8220;não vou consumir as obras porque não concordo com a autora mas ela nunca vai conseguir destruir minha memória afetiva&#8221;, &#8220;nunca vou perdoar ela por ter estragado meu fandom favorito&#8221;.</p>
<p>Será que não daria pra gente dar uma olhada nas obras com a nossa idade atual e perceber que não eram livros tão bons assim? A memória afetiva pode existir mas a gente também pode olhar pra trás criticamente. Os livros ajudaram toda uma geração a ler mais, se sentir melhor sobre si, fazer parte de um coletivo. Mas também são livros de trama simplificada, elementos fantasiosos mal colocados e moral duvidosa. Não era o livro que era bom, era a gente que era tonha. Já passou da hora da gente deixar a obra cair no esquecimento <em>não só</em> pra deixar de dar dinheiro pra ela <em>como também </em>porque nem é uma obra que mereça ser reapresentada para as novas gerações.</p>
<h2>A trama é mal feita</h2>
<p>Quando a gente é criança, não temos a habilidade de perceber furos nas histórias. Daí a gente cresce, conhece mais da vida, lê mais coisa, assiste filme bom. E assiste muito dos filmes do Harry Potter também. E compara as coisas. Eu era a criança mais chata do rolê e com sete anos reclamava que &#8220;o livro era melhor&#8221;, então é óbvio que fui assistir o primeiro filme com o pé atrás porque &#8220;o livro ia ser melhor&#8221; (e era mesmo). Mas isso aos poucos me fez ver que os problemas do filme eram muitos, mas vários vinham do próprio livro.</p>
<blockquote><p><em>Deus ex machina</em>: expressão em latim vinda do teatro grego que significa literalmente &#8220;deus surgiu da máquina&#8221;, utilizada para indicar uma solução inesperada/mirabolante (magicamente providenciada por uma divindade) para terminar uma obra ficcional.<br />
Com o tempo, o uso da expressão tornou-se amplo e passou a referir-se também não apenas ao surgimento de divindades, mas também de personagens, artefatos, ou eventos inesperados, artificiais ou improváveis, introduzidos repentinamente na trama com o mesmo objetivo: resolver uma situação intransponível ou simplificar o enredo.</p></blockquote>
<h3>A Pedra Filosofal</h3>
<p>O conto de fadas virando realidade: o garoto mal tratado que mora embaixo da escada descobre não só que na realidade faz parte de um mundo fantasioso incrível como também descobre que ele é nada mais nada menos que a pessoa mais especial desse mundo. Ele é o mais rico, o mais famoso, herdeiro de uma fortuna imensa e de pais sem defeitos. Ele não tem dificuldade alguma em fazer amigos, tem habilidade sobrenatural com o esporte do rolê, consegue escolher em qual grupo ficar, e o único conflito qu ee ele tem de início é que tem um professor que não gosta muito dele. Ele arranja um amigo que explica o mundo bruxo pra ele, e arranja uma amiga que faz a lição de casa dele.</p>
<p>A ideia do livro é ser uma história onde as crianças resolvem tudo enquanto os adultos são um bando de inúteis, o que é bastante comum em vários livros infantis. A narrativa bem humorada da autora pincelada com elementos fantasiosos funciona bem, e o livro certamente é divertido.</p>
<p>Mas não dá pra deixar de perceber que o Harry é um baita de um mimado privilegiado assim que ele pisa no mundo bruxo; Dumbledore é um incompetente de trazer a pedra pra Hogwarts; Hagrid não deveria ser responsável por coisa alguma; Harry escapou por que o livro quis;  e Dumbledore privilegia a Grifinória sem nenhuma vergonha.</p>
<p>Harry 0 x 1 <em>Deus ex machina </em>amor de mãe</p>
<h3>A Câmara Secreta</h3>
<p>Conhecemos os supremacistas bruxos escravocratas, tem também a irmã do Rony que existe pra ser obcecada pelo Harry, e descobrimos que a escola foi construída por um bruxo que queria assassinar os próprios alunos. Aparentemente nada foi feito pra encontrar a câmara secreta em todo esse tempo.</p>
<p>O ministério da magia sabe quando fazem magia na casa de um bruxo menor de idade mas não sabe quem fez essa magia. Um membro do ministério faz experimentos ilegais com invenções humanas mas é incapaz de ajudar o amigo do filho que está em cárcere privado.  Uma escola permite que um charlatão seja professor da matéria mais perigosa. Hermione descobre tudo mais uma vez, Hagrid dá mais pistas de que é um incompetente que não deveria ser responsável por nada, Dumbledore não consegue resolver coisa alguma e Harry é salvo por um chapéu e um passarinho.</p>
<p>Harry 0 x 2 <em>Deus ex machina</em> Fawkes</p>
<h3>O Prisioneiro de Azkaban</h3>
<p>Não nego que é o melhor livro da série, mas também é o final mais troncho. Sirius Black foi preso &#8220;em flagrante&#8221; injustamente e ficou na prisão por anos, mas ninguém usou <em>veritaserum</em> nele. Hermione quer fazer todas as matérias disponíveis e em vez de ter uma orientação acadêmica pra ajudar ela a escolher (já que na primeira semana ela já percebe que na verdade não se identifica com uma matéria), eles dão pra ela uma máquina do tempo.</p>
<p>O mapa do maroto mostra Pettigrew pro Lupin mas os gêmeos passaram anos sem perceber um maluco na cama com o Rony. Dumbledore contrata um lobisomem como professor e Lupin prontamente <em>esquece</em> de tomar a poção e ataca alunos. Dumbledore permite que monstros sugadores de almas fiquem passeando pela escola. Hagrid <em>novamente</em> sendo um profissional tenebroso.</p>
<p>Hermione resolve tudo com o giratempo (que nunca mais é visto), enquanto Harry percebe que quem salvou o dia foi ele mesmo com um pouco menos de ansiedade.</p>
<p>Harry 0 x 3 <em>Deus ex machina </em>Harry do futuro</p>
<h3>O Cálice de Fogo</h3>
<p>Vamos rever o plano do vilão? Vamos.</p>
<p>O Voldemort precisa voltar usando o Harry. Eles precisam que o Harry encoste na chave de portal que vai levar ele pro mato onde o Voldemort tá fazendo o ritual. O plano então é: sequestrar um professor, colocar um maluco disfarçado no lugar dele (mas o professor precisa estar constantemente preso desacordado pro impostor conseguir pegar cabelo dele pra poção de disfarce), o impostor vai obrigar o Harry a participar do torneio, o impostor vai ajudar o Harry a ganhar o torneio, e o Harry vai encostar na taça e ser levado pro Voltemort.</p>
<p>Desconsiderando as milhares de oportunidades que o vilão teria de fazer o Harry encostar num objeto qualquer; ignorando o RH de Hogwarts que é incapaz de perceber a diferença entre um professor qualificado e um psicopata que passou a vida escondido pela família; que tipo de plano imbecil incluiria ter que fazer um moleque idiota mais novo que todo o resto passar por provas impossíveis? E se o Dumbledore simplesmente falasse &#8220;não sabemos como esse doidinho colocou o nome no cálice de fogo, a segurança do torneio está em jogo, vamos reconsiderar&#8221;? E se o Harry não fosse ajudado por toda a escola (incluindo o infeliz do Cedrico) e fosse incapaz de chegar na final?</p>
<p>Que plano idiota senhor.</p>
<p>Harry 0 x 4 <em>Deus ex machina </em>varinha mística</p>
<h3>A Ordem da Fênix</h3>
<p>Na época que saiu o livro, o Harry revoltado com tudo me encantou. Adoro gente revoltada que odeia tudo. Mas aí mataram meu personagem favorito de maneira estúpida. Sacanagem.</p>
<p>O ministério da magia quer destruir a reputação do Harry então resolve expulsar o garoto da escola mesmo diante de uma situação óbvia de legítima defesa. Daí o ministério coloca uma psicopata torturadora de crianças dentro de Hogwarts (não se preocupem que ela vai ser devidamente est*pr@da por centauros depois).</p>
<p>A Ordem da Fênix está lutando contra os supremacistas bruxos mas mantém escravos (ele não quer ser libertado, deixa ele) pra daí o escravo ir lá e mentir ahahaha bem feito. Harry passa o livro ouvindo que tem que ignorar as visões do Voldemort, daí ele não ignora e coloca tudo a perder. Sirius é um mimado que deveria ter passado o tempo na prisão refletindo sobre as merdas que fez e não fazendo bullying com o Snape de novo.</p>
<p>Harry começa a fazer aula de oclumência mas é um inútil. Ele e Cho estão tendo um namorico mas Harry não tem paciência, ela só chora. Uma amiga da Cho trai o grupo que o Harry formou (aparentemente o talento dele é ser professor de defesa contra as artes das trevas). Dumbledore escapa com facilidade dos guardas do ministério da magia e deixa seus aluninhos à mercê de Umbridge.</p>
<p>Harry cai no conto do Voltemort e vai para o ministério, onde prontamente é cercado por comensais da morte. Felizmente a Ordem da Fênix aparece para salvar o dia mas a Bellatrix mata o Sirius, Harry sai atrás dela sozinho, Voltemort possui o Harry na intenção de fazer Dumbledore matar o Harry. Daí o Harry pensa no Sirius e Voldemort desiste porque &#8220;não conseguia suportar o contato com uma mente preenchida com amor&#8221;.</p>
<p>Harry 0 x 5 <em>Deus ex machina </em>o poder do amor</p>
<h3>O Enigma do Príncipe</h3>
<p>Dumbledore é incapaz de contratar um professor sem ajuda de um <em>aluno</em>. Harry acha um livro super suspeito mas ignora todas as tentativas da Hermione de avisá-lo. Dumbledore encarrega <em>um aluno</em> de descobrir a verdade sobre uma memória de um professor sobre o bruxo mais perigoso da terra. Dumbledore sai por aí com <em>um aluno</em> para destruir horcruxes.</p>
<p>Harry começa a namorar a Gina porque ela não é como as outras garotas: ela até gosta de esportes! E certamente não se importa dele passar o tempo livre mais com os amigos do que com ela, porque ela <em>entende</em>.</p>
<p>Malfoy tenta matar Dumbledore mas quem faz isso é Snape. Harry sai correndo atrás do Snape pra tentar se vingar pela morte de Dumbledore. Ainda não sabemos mas Snape é o maior herói da história e não mata o Harry porque foi apaixonado pela mãe dele. Na verdade todo o final desse livro só vai fazer sentido quando lermos o próximo (se é que <em>fazer sentido</em> é o termo correto nesse caso).</p>
<p>Harry 0 x 6 <em>Deus ex machina </em>o grande plano de Dumbledore</p>
<h3>As Relíquias da Morte</h3>
<p>Harry sai por aí procurando horcruxes junto com Rony e Hermione de forma mal organizada, sem contato com notícias correntes e sem planejamento. A &#8216;sorte&#8217; (objetos mágicos, pessoas ajudando do nada, pistas deixadas por Dumbledore, visões do Harry, etc) está sempre com eles e eles conseguem destruir o horcrux medalhão do Salazar Slytherin, o horcrux taça da Helga Hufflepuff e o horcrux diadema da Rowena Ravenclaw.</p>
<p>Durante a busca pelos horcruxes, o trio descobre sobre &#8216;as relíquias da morte&#8217;, cujo dono poderia dominar o mundo. As relíquias da morte seriam o manto da invisibilidade (que Harry convenientemente herdou do pai), a varinha das varinhas (que estaria com Dumbledore e teria sido roubada por Snape), e a pedra da ressurreição (que Dumbledore achou e entregou pro Harry via mensagem póstuma).</p>
<p>Harry vê Voltemort matando Snape e chega a tempo de pegar as memórias de Snape, descobrindo tudo o que rolou no passado desse pobre bruxo conflitado que levou um fora da mãe do Harry e se vingou virando nazista. Harry descobre todo o plano elaborado de Dumbledore que incluía não contar nada pro Harry e deixar o Harry crescer sem saber do poder do amor, do possível horcrux e do passado de Snape.</p>
<p>Sabendo de tudo isso, Harry resolve se entregar pro Voldemort, que mata ele. Porém na <em>realidade </em>o que rolou foi que Voldemort matou <em>o próprio horcrux dentro do Harry,</em> conforme Dumbledore explica pro Harry numa visão/sonho/experiência pós morte. Neville mata a cobra Nagini que é o último horcrux e agora Voldemort é mortal como qualquer outro homem. Começa a batalha de Hogwarts, muita gente mata e morre, e o confronto final de Harry com Voltemort tem o inimaginável resultado de que a varinha das varinhas nunca foi de Voldemort porque quem desarmou Dumbledore foi Draco que foi desarmado por Harry então quem é o verdadeiro dono da varinha é o Harry.</p>
<p>Harry 0 x <em>Deus ex machina </em>varinha técnica</p>
<h2>O final é lamentável</h2>
<p>E aí temos o infame epílogo. Harry Potter decide virar policial de bruxo, Hermione casa com o moleque burro que passou anos zoando com a cara dela por ela ser anti-escravidão (!), Ginny sai parindo vários filhos que vão ter nomes que o Harry escolheu (irmão dela que morreu protegendo o Harry certamente não merece nome de filho), e a história acaba &#8216;onde começou&#8217;, com as crianças entrando no trem pra Hogwarts.</p>
<p>Detalhe que o nome do infeliz do filho mais novo é Albus Severus &#8220;em homenagem aos bruxos mais corajosos que eu conheci&#8221; meu amigo um deles foi nazista que só resolveu ser agente duplo depois que a moça que ele queria foi assassinada pelos nazistas e o outro fez uma criança de cobaia por anos pra transformar ele numa arma depois. Vai fazer seu filho sofrer bullying a vida toda por ter nome ridículo e essa é sua motivação?</p>
<p>Claramente a autora achou que esse seria um final feliz pra sempre, porque na cabeça <em>late boomer</em> dela era isso que qualquer pessoa ia querer: casamento, filhos e vida estável. Mas ela estava escrevendo para os millenials, que viram o mundo pegar fogo, fazendo com que essa vida seja impossível pra gente.  Crescemos vendo que <em>vida padrão</em> não é necessariamente <em>vida melhor</em>, que casamento é terrível pras mulheres, que policiais são armas do sistema, e que lutar pelo que é certo não inclui estabilidade.</p>
<p>Mesmo eu que amava os livros fiquei com gosto amargo na boca quando li o epílogo na época da publicação.</p>
<h2>Gordofobia, machismo, racismo, e as tentativas posteriores</h2>
<p>Todos os gordos são nojentos, engraçados, ou simplesmente pessoas malvadas. Todas as mulheres são &#8220;femininas bocós&#8221; ou &#8220;inteligentes que não-são-como-as-outras-garotas&#8221;. Todos os bruxos são supremacistas que querem ser superiores aos trouxas ou bonzinhos condescendentes que entendem que não é culpa dos trouxas que eles são inferiores. O sistema bruxo é escravagista e os elfos domésticos <em>gostam </em>de ser escravos e <em>não querem</em> ser liberados. Qualquer criatura não-humana no mundo dos bruxos ou não tem direitos ou é serviçal. O sistema bruxo é capitalista hereditário e Hogwarts perpetua e encoraja isso.</p>
<p>E aí depois que tudo foi publicado a autora veio falar que <em>na verdade </em>Dumbledore <em>sempre foi homossexual</em>. Veio dizer que <em>na verdade</em> ela nunca tinha falado de raça no livro mas se quiser enxergar a Hermione como negra fica à vontade. A Hermione. Que foi a única a defender elfos domésticos e foi ridicularizada por isso. Cuja única característica remotamente &#8216;não-branca&#8217; é que ela tem cabelo <em>armado</em>. Que na primeira oportunidade alisa o cabelo pra <em>ficar bonita</em>. Ela que é pra gente pensar que &#8216;sempre foi&#8217; negra. Enquanto que o cara do ministério da magia que de fato foi descrito como negro tem o nome de Kingsley&#8230; <em>Shackle</em>bolt.</p>
<p>Os livros do Harry Potter são reflexos da época em que foram escritos, e tá tudo bem. O que precisa mudar é essa falta de memória coletiva que coloca a obra como sendo intocável por causa da nostalgia enquanto ignora problemas que hoje não passariam no crivo dos mesmo leitores agora maduros.</p>
<p>O livro não é um pilar de ensinamentos para os jovens, mas é lembrado como tendo sido. O livro é um aglomerado de ideias fantasiosas e mitológicas jogadas sem crivo algum, com personagens adultos muito questionáveis, e personagens jovens totalmente criminosos (até os fãs mais fervorosos são incapazes de passar pano pra poção do amor dos Weasley).</p>
<p>Tem muita coisa boa nova sendo escrita, muitos autores fora do eixo branco do oeste global produzindo fantasia relevante. E tem muita coisa boa antiga não sendo lembrada. Vamos reler <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/ursula-k-le-guin/">Ursula Le Guin</a>, <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/robin-hobb/">Robin Hobb</a>, <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/diana-wynne-jones/">Diana Wynne Jones</a>, <a href="https://adevoradoradelivros.com.br/category/suzanne-collins/">Suzanne Collins</a>.</p>
<p>E sobretudo vamos olhar para os livros do passado com senso crítico.</p>
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		<title>O Amuleto de Samarkand &#124; Jonathan Stroud</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 22:29:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Jonathan Stroud]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[juvenil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nathaniel é um jovem aprendiz de mago que vive em Londres. O cenário é o mundo moderno, porém os magos detém todo o poder, e o império Britânico domina o planeta. Portanto, Nathaniel é um jovem que aprende que, se fizer tudo corretamente e for um excelente serviçal do império, poderá até mesmo se tornar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nathaniel é um jovem aprendiz de mago que vive em Londres. O cenário é o mundo moderno, porém os magos detém todo o poder, e o império Britânico domina o planeta. Portanto, Nathaniel é um jovem que aprende que, se fizer tudo corretamente e for um excelente serviçal do império, poderá até mesmo se tornar um dos membros do parlamento mais poderoso da terra. A forma como os magos conseguem poder é ao conjurar demônios usando círculos de convocação, obrigando os seres a virem do plano elemental onde habitam para o plano material. Conforme os magos vão adquirindo a habilidade de dominar demônios cada vez mais fortes, eles adquirem o poder que permite que subam pelos degraus do império.</p>
<p>A narrativa mostra a vida miserável de Nathaniel, que foi entregue aos cinco anos à família de um mago para aprender o ofício. Acontece que seu mestre, Underwood, é um mago medíocre, muito pouco capaz e praticamente ignorado nos corredores do governo. Ele não se importa com a educação de Nathaniel e trata o garoto com indiferença e negligência. Enquanto Nathaniel aprende tudo o que pode na intenção de impressionar o mestre, a única pessoa que é gentil com Nathaniel é Martha, a esposa de Underwood.</p>
<p>Aos dez anos, no entanto, Nathaniel é humilhado pelo jovem mago Lovelace sem que Underwood faça nada para impedi-lo. Espumando de raiva, Nathaniel usa todas as suas forças para conseguir convocar Bartimaeus, um djinni de mais de 5000 anos de idade que não tem paciência nenhuma para quem está começando. A ordem que Nathaniel dá deixa o djinni intrigado: Nathaniel quer que Bartimaeus roube o Amuleto de Samarkand da coleção de Lovelace.</p>
<p>Isso faz com que Nathaniel acabe trombando com uma conspiração gigante que pretende simplesmente substituir todo o corpo governamental do império.</p>
<p>A trama do livro é interessante e divertida, e a rapidez da história é o suficiente para deixar a leitura ágil. Mas nada disso importa porque o livro é Bartimaeus.</p>
<p>A cada capítulo, a narrativa muda para primeira pessoa, e a voz de Bartimaeus &#8211; sarcástico, inteligente, independente e maravilhosamente irônico &#8211; dá a versão dele dos fatos, deixando bem claro para o leitor que o regime dos magos é nada mais do que escravidão para os espíritos dos planos elementais para dar poder aos humanos ambiciosos. Bartimaeus é um narrador divertidíssimo que faz com que o livro seja infinitamente melhor, deixando tudo memorável.</p>
<p>Quando Nathaniel o chama pela primeira vez, Bartimaeus pergunta cadê o mago poderoso que te mandou ser boi de piranha. Quando Nathaniel é obrigado a fugir de casa, Bartimaeus fica o tempo todo relembrando o garoto que ele vai morrer de fome na rua porque magos são inúteis. Quando Nathaniel é roubado por uma gangue de crianças de rua lideradas por uma menina estranha, Bartimaeus ri dele e fala que ele perdeu pra <em>uma garota</em>.</p>
<p>Enquanto a narrativa pelos olhos de Nathaniel é sombria e meio depressiva, Bartimaeus entremeia sua história com lembranças dos tempos antigos, quando foi chamado por outros magos em outras guerras, sempre com comentários irônicos a cada frase e notas de rodapé explicando as piadas dele.</p>
<p>A situação vai ficando mais crítica, porque Lovelace não aceita ser roubado tão facilmente: ele simplesmente mata Underwood e sua esposa, e manda demônios muito mais poderosos que Bartimaeus atrás de Nathaniel. Apesar de detestar todos os magos, Bartimaeus começa a ter certa simpatia pela perseverança do garoto, que jamais desiste mesmo diante das piores adversidades.</p>
<p>A ambientação do livro é muito interessante, a trama é bem feita, e Bartimaeus é um dos narradores mais divertidos que já li. Um excelente livro de fantasia juvenil que recomendo fortemente.</p>
<p><strong>The Amulet of Samarkand (2003) de Jonathan Stroud (Reino Unido). Série Bartimaeus Livro 1</strong></p>
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		<title>Guia de Capítulos &#124; As Duas Torres &#124; J.R.R. Tolkien</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 15:21:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[J.R.R. Tolkien]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É impressionante a quantidade de gente que me diz que desistiu de ler O Senhor dos Anéis porque &#8220;o começo é muito chato&#8221;. Em vez de me irritar eternamente, resolvi escrever um guia de capítulos pra você que tem preguiça poder ter a chance de pular algumas partes e ir logo pra onde interessa. Quando [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É impressionante a quantidade de gente que me diz que desistiu de ler O Senhor dos Anéis porque &#8220;o começo é muito chato&#8221;. Em vez de me irritar eternamente, resolvi escrever um guia de capítulos pra você que tem preguiça poder ter a chance de pular algumas partes e ir logo pra onde interessa. Quando chegamos no segundo volume da história, que é dividido em livro III e livro IV, a coisa já está avançando, a Sociedade do Anel está separada, e não tem nenhum capítulo que valha a pena pular.  A primeira parte segue a história de Aragorn, Gimli e Legolas (e depois Merry e Pippin), e a segunda parte segue Frodo e Sam.</p>
<h2>O Senhor dos Anéis &#8211; As Duas Torres</h2>
<h2>Livro III</h2>
<h3>I. A partida de Boromir</h3>
<p>Boromir morre de forma honrada; Aragorn interpreta os rastros de Frodo e faz a decisão importante de, com Legolas e Gimli, ir resgatar Merry e Pippin.</p>
<h3>II. Os cavaleiros de Rohan</h3>
<p>A corrida dos três perseguidores: Aragorn, Gimli e Legolas percorrem uma imensa distância correndo ininterruptamente, atrás do grupo de orcs que capturou os hobbits. Os três adentram a terra de Rohan, e encontram um grupo de cavaleiros liderados por Éomer, sobrinho do rei. Éomer diz que o grupo matou os orcs perto da floresta, comenta que não viram nenhum &#8220;hobbit&#8221;, e empresta dois cavalos pra eles.</p>
<h3>III. Os Uruk-hai</h3>
<p>Narrativa observa através dos olhos de Pippin o terror que foi a corrida dos orcs com os hobbits nos ombros. Pippin fica de ouvidos abertos e percebe que são pelo menos três grupos diferentes de orcs: os Uruk-Hai de Saruman, que querem levar os halflings para a torre do mago branco, os goblins de Moria que estão no rastro deles desde que o Gandalf morreu, e um grupo que segue &#8220;O Olho&#8221; e que Pippin se aterroriza ao deduzir que se trata de orcs vindos de Mordor. Os três grupos estão ficando cada vez mais preocupados com os cavaleiros que se aproximam, e estão também começando a brigar entre si. Um dos orcs de Mordor tenta revistar Pippin às escondidas e o hobbit manipula a conversa quando percebe que o orc sabe de algo sobre o anel através de Gollum. Os cavaleiros de Rohan atacam os orcs, há um grande combate, e Merry e Pippin conseguem fugir para a floresta.</p>
<h3>IV. Barbárvore</h3>
<p>Dentro da antiquíssima floresta de Fangorn, Merry e Pippin se recuperam dos dias terríveis que passaram, e logo sentem vontade de explorar. Sobem uma colina com o intuito de verem por onde estão, e conhecem o melhor personagem do livro todo: Treebeard, ou Fangorn, o líder dos <em>ents</em> (árvores que foram acordadas pelos elfos no início dos tempos e agora têm consciência). Treebeard é muito simpático e fica curiosíssimo com tudo o que os hobbits tem pra contar, e mesmo eles não tendo mencionado nada sobre o anel, fica claro que Saruman é um traidor. Treebeard convoca um <em>entmoot</em> para conversar com outros ents sobre lidar com o mago.</p>
<h3>V. O Cavaleiro Branco</h3>
<p>Aragorn, Legolas e Gimli chegam no local da luta dos cavaleiros de Rohan com os orcs de Isengard e de início ficam desolados com os corpos todos, achando que chegaram ao fim da jornada. Porém, as habilidades quase sobrenaturais de Aragorn para achar rastros o recompensa com a história dos hobbits, que fugiram do combate e entraram em Fangorn. Na velha floresta, eles encontram a prova definitiva: pegadas de dois halflings ao lado do rio. Antes que possam descobrir onde foram parar, no entanto, eles são encurralados por um velho mago de manto e chapéus brancos. E ficam imensamente surpresos quando o mago se revela como Gandalf!! Os quatro amigos se reúnem e Gandalf conta o que aconteceu com ele, mas o foco é em Sauron: eles precisam ajudar Rohan que está prestes a ser atacada por Saruman, para que Rohan consiga ajudar Gondor quando Sauron atacar.</p>
<h3>VI. O Rei do Palácio Dourado</h3>
<p>Gandalf, Aragorn, Legolas e Gimli vão até o palácio do rei dos cavaleiros, Meduseld. Lá eles encontram um rei idoso e pouco afável, completamente manipulado por Gríma, um conselheiro maléfico. Eles também conhecem Éowyn, a bela sobrinha do rei, que anseia por glórias da guerra. Gandalf consegue expulsar Gríma e convencer o rei Théoden a lutar. Um dos generais de Théoden está batalhando contra os exércitos de Saruman na fortaleza de Helm&#8217;s Deep, e Gandalf sugere que Théoden reúna todos os seus cavaleiros e rume para o campo de batalha. Éomer retorna para ajudar na luta. Gandalf diz que vai sair por aí pra achar mais gente.</p>
<h3>VII. O Abismo de Helm</h3>
<p>A batalha ocorre, e são hordas e mais hordas de homens e orcs seguidores de Saruman. Legolas e Gimli começam a competir pra ver quem matou mais inimigos. Gimli some no fim da noite. Aragorn convence Théoden a sair de cavalo. Gandalf um dia de manhã com um monte de cavaleiros que ele reuniu pelas planícies, rende os homens inimigos, e faz com que os orcs fujam.</p>
<h3>VIII. A estrada para Isengard</h3>
<p>Os orcs fugindo da batalha de Helm são confrontados por uma imensa floresta que surgiu da noite pro dia bem no caminho entre o campo de batalha e Isengard. Gandalf ordena que nenhum homem adentre pelas árvores, os orcs se desesperam e tentam fugir pela floresta. Ouve-se um barulho terrível de orcs morrendo esmagados. No dia seguinte, as árvores se abriram e há uma trilha larga por entre elas. A comitiva do rei passa por ali e os homens tem a impressão de que as árvores estão conversando entre elas. No caminho para Isengard, o rei encontra com vários sobreviventes e dá ordens para tentar reorganizar o reino. O objetivo é que todos se reúnam dali alguns dias para marchar para Gondor e auxiliar a grande cidade de Minas Tirith contra Mordor.</p>
<h3>IX. Escombros e destroços</h3>
<p>A comitiva do rei chega em Isengard e descobre tudo completamente destruído. Os membros originais da Sociedade do Anel finalmente se reúnem novamente, e Merry e Pippin recebem Aragorn, Legolas e Gimli em um almoço improvisado em cima dos escombros enquanto Gandalf e Théoden vão conversar com Barbárvore. Merry e Pippin narram o ataque impressionante dos ents contra Isengard algumas noites antes, que incluiu os ents mudando o curso de um rio para alagar todo o vale do mago.</p>
<h3>X. O &#8216;palantír&#8217;</h3>
<p>Todos vão falar com Saruman, que está dentro da sua torre. Saruman usa sua voz sedutora para convencer todo mundo a se odiar, mas não dá certo. Gríma joga uma pedra em Théoden mas erra, e Pippin pega a pedra do chão. É uma esfera perfeita que parece ao mesmo tempo ser sombria e reluzir. Gandalf pega a pedra da mão de Pippin e todos vão embora, deixando Barbárvore cuidando de Isengard. Durante o acampamento da noite, Pippin não resiste e pega a pedra enquanto Gandalf está dormindo. Pippin é imediatamente pego por Sauron, que é quem domina a pedra, e forçado a dizer o que sabe. Gandalf consegue interromper o acontecido, e decide levar Pippin pra Minas Tirith pra evitar mais problemas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Livro IV</h2>
<h3>I. Sméagol domado</h3>
<p>Frodo e Sam estão tentando passar pelas Emyn Muil, sem sucesso. Eles são atacados por Gollum, mas Frodo consegue convencer a criatura a ajudá-los. Obcecado com o anel, Gollum passa a ser o guia do grupo.</p>
<h3>II. A passagem dos pântanos</h3>
<p>Os três passam pelo pântano dos mortos, vêem luzes fantasmas e espíritos maléficos de batalhas antigas. Frodo está cada vez mais fraco.</p>
<h3>III. O Portão Negro está fechado</h3>
<p>Frodo tinha pedido pro Gollum levar eles até o portão de Mordor, mas chegando lá eles não conseguem dar conta de entrar. Gollum fica histérico e diz que se eles tentarem entrar pelo portão &#8220;ele vai ver&#8221; e &#8220;ele vai pegar o precioso pra ele&#8221;, e que eles devem ir por uma &#8220;passagem secreta&#8221; pra Mordor que ele, Gollum, descobriu sozinho. Sem muitas opções e apesar da relutância de Sam, Frodo concorda.</p>
<h3>IV. De ervas e coelho cozido</h3>
<p>Eles vão para o sul e passam por uma terra muito bonita, vêem uma batalha acontecendo entre homens do sul e homens de Gondor, comem coelho e são capturados por guardas de Gondor. Gollum não é visto. Frodo é levado ao capitão da guarda, Faramir, que não parece acreditar muito na história deles.</p>
<h3>V. A janela sobre o oeste</h3>
<p>Frodo e Sam são levados até um esconderijo dos homens de Gondor. Lá, Faramir conta que ele é irmão de Boromir e que Boromir morreu. Frodo está chocado, porém Sam fala demais e revela tudo sobre o anel e sobre Boromir ter tentado roubá-lo. Faramir demonstra tristeza pelo irmão, diz que não tem a intenção de ficar com o anel e que já tinha decidido ajudá-los.</p>
<h3>VI. O lago proibido</h3>
<p>Gollum é visto pelo pessoal de Gondor, e Faramir diz pro Frodo que se eles não conseguirem capturá-lo, terão de matá-lo. Frodo se vê obrigado a convencer Gollum a vir junto com ele, e Gollum é capturado pelos guardas. Faramir não gosta de Gollum e não confia no caminho que Gollum tem pra eles, mas não tem alternativa a não ser deixá-los ir.</p>
<h3>VII. Viagem até a Encruzilhada</h3>
<p>Gollum lidera o caminho e Frodo e Sam vão até Minas Morgul, uma cidade vizinha de Mordor. De lá, Gollum diz que dá pra subir uma escada secreta até a passagem secreta para a entrada secreta de Mordor. Frodo está praticamente um zumbi andando e Sam está racionando comida e água.</p>
<h3>VIII. As escadarias de Cirith Ungol</h3>
<p>Eles sobem escadarias intermináveis, observam as tropas de Minas Morgul saindo para a batalha, e chegam até um túnel maléfico e mal-cheiroso. Gollum logo some.</p>
<h3>IX. A Toca de Laracna</h3>
<p>Frodo e Sam são obrigados a passar pelo túnel, e são atacados um monstro gigante em forma de aranha. Frodo usa a luz de Galadriel pra espantar o bicho. Eles saem correndo mas a aranha usa uma passagem diferente para enfiar um ferrão nele. Frodo cai desacordado. Sam pega a espada e a luz de Frodo e ataca a aranhona. Ela se joga em cima dele para esmagá-lo com seu peso e nisso acaba se enfiando na espada élfica. Ela, que nunca tinha sentido tanta dor na vida, foge de ódio da luz e deixa os dois sozinhos.</p>
<h3>X. As escolhas de Mestre Samwise</h3>
<p>Sam está numa passagem escura perto de Minas Morgul. Frodo não reage, não responde e está ficando gelado. Sam começa a ouvir orcs vindo. Sem tempo pra decidir nada, Sam pega o anel e fica invisível. Os orcs chegam e pegam Frodo. Sam ouve os orcs conversando e um deles fala que Frodo não está morto, porque a aranha gosta de deixar as presas vivas pra poder sugar o sangue depois. Sam se desespera mas quando tenta chegar até Frodo os orcs já o levaram embora.</p>
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		<title>Mesinha-Te-Arruma, Burro-de-Ouro e Pula-Porrete &#124; Contos de Fadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Jul 2025 14:15:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grimm]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com nomes alternativos como &#8220;Mesinha põe-te, burro de ouro e bordão sai-do-saco&#8221; ou &#8220;A mesa mágica, o asno que cuspia ouro e o porrete dentro do saco&#8221;, essa é mais uma das histórias favoritas da minha infância. Apesar de querer muito a mesa e o burrico, não dá pra descartar a maravilha que seria ter [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com nomes alternativos como &#8220;Mesinha põe-te, burro de ouro e bordão sai-do-saco&#8221; ou &#8220;A mesa mágica, o asno que cuspia ouro e o porrete dentro do saco&#8221;, essa é mais uma das histórias favoritas da minha infância. Apesar de querer muito a mesa e o burrico, não dá pra descartar a maravilha que seria ter um porrete desses.</p>
<p>Um homem com três filhos pede que eles levem a cabra para pastar. O filho mais velho, depois de deixar a cabra pastar à vontade, pergunta a ela se está satisfeita. Ela responde que está tão satisfeita que não consegue comer mais nem uma folha. Chegando em casa, o pai pergunta para a cabra se ela comeu bem. A cabra chora que não comeu nada e está passando fome. Enfurecido, o pai manda o filho mais velho embora de casa por ter maltratado a cabra. Isso acontece com os outros dois filhos.</p>
<p>Estando agora sozinho, o pai leva a cabra para pastar, e pergunta no fim do dia se ela está satisfeita. A cabra repete o show: fala que está ótima e quando chega em casa mente dizendo que não comeu nada. O pai fica desolado por ter mandado os filhos embora e dá uma punição apropriada para a cabra mentirosa.</p>
<p>Enquanto isso, os três filhos saem por aí procurando o que fazer.</p>
<h4>O irmão mais velho</h4>
<p>O mais velho vira aprendiz de marceneiro. Ao fim do seu aprendizado, o mestre, muito contente com seu trabalho, lhe dá como recompensa uma mesa mágica. Quando estiver com fome, o jovem precisa apenas montar a mesa e dizer &#8220;mesinha: te arruma!&#8221; e um verdadeiro banquete vai aparecer.</p>
<p>O jovem, feliz com sua aquisição, resolve voltar para a casa do pai com seu presente, para ver se com banquetes eternos o pai resolve perdoá-lo. Parando numa estalagem durante a viagem, ele exibe sua magnífica mesa para os presentes. O estalajadeiro, invejoso, troca a mesa mágica por uma comum enquanto o jovem dorme.</p>
<p>Chegando em casa, o jovem pede que o pai chame todos os vizinhos e parentes. Ele grita &#8220;mesinha: te arruma!&#8221; mas a mesa não faz nada, ele passa vergonha e os parentes vão embora.</p>
<h4>O irmão do meio</h4>
<p>A mesma coisa acontece com o irmão do meio. Ele vira aprendiz de moleiro, ganha um asno mágico. Quando ele precisar, é só dizer &#8220;Briclebrit!&#8221; que o asno soltaria moedas de ouro. Ele passa pela mesma estalagem voltando pra casa do pai. O estalajadeiro espia o garoto dizendo &#8220;Briclebrit!&#8221; para o burrico nos estábulos e vê as moedas saindo. Quando o garoto dorme, o estalajadeiro troca o asno por um normal. Chegando em casa, o segundo irmão passa a mesma vergonha do primeiro. Todos os vizinhos vão ver o burro de ouro mas nada acontece!</p>
<h4>O irmão mais novo</h4>
<p>O terceiro irmão virou aprendiz de torneiro. Ele havia recebido cartas dos irmãos mais velhos, contando dos infortúnios e da certeza que seus itens mágicos haviam sido substituídos de alguma forma na estalagem. O terceiro irmão, ao fim do seu aprendizado, recebeu um bordão dentro de um saco. Pra que serve? Quando precisar, é só gritar &#8220;pula porrete!&#8221; e o pedaço de pau sai do saco e espanca todo mundo.</p>
<p>Com esse novo objeto, o terceiro irmão vai para a casa do pai. Na estalagem, ele fala pra todo mundo que tem algo infinitamente maravilhoso dentro do seu saco, um item que jamais fora visto. Ambicioso, o estalajadeiro espera o jovem dormir e tenta surrupiar o que há dentro do saco. O jovem, que estivera apenas fingindo, grita &#8220;pula porrete!&#8221; e o porrete mágico espanca o estalajadeiro até ele jurar que vai devolver o burro de ouro e a mesinha mágica.</p>
<p>O irmão mais novo chega na casa do pai triunfante com a mesa e o burro. Dessa vez os familiares e vizinhos não se desapontam quando chegam para o banquete e a chuva de moedas de ouro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i>Tischlein deck dich, Goldesel und Knüppel aus dem Sack</i></p>
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		<title>Crepúsculo da Magia &#124; Hugh Lofting</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jul 2025 21:51:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Hugh Lofting]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[infantil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Giles e Anne são irmãos gêmeos de nove anos. O pai deles está em dificuldades financeiras. Uma noite, olhando pela janela, eles veem Agnes, a vendedora de maçãs, uma idosa da aldeia que os adultos chamam de feiticeira. Giles e Anne se perguntam se Agnes é mesmo uma feiticeira, e se ela sabe ler mentes. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Giles e Anne são irmãos gêmeos de nove anos. O pai deles está em dificuldades financeiras. Uma noite, olhando pela janela, eles veem Agnes, a vendedora de maçãs, uma idosa da aldeia que os adultos chamam de feiticeira.</p>
<p>Giles e Anne se perguntam se Agnes é mesmo uma feiticeira, e se ela sabe ler mentes. Um gato preto faz movimentos muito estranhos no telhado. Agnes dá o grito oferecendo maçãs. Giles olha para uma bela maçã no carrinho de Agnes e pensa que está com água na boca. Agnes olha pra cima, sorri, e joga para eles exatamente a maçã que Giles tinha desejado.</p>
<p>A partir daí a história nos leva para um mundo medieval onde a magia só existe nas lendas, ou será que é de verdade? Agnes é gentil e prática, e diz que seus gatos são apenas animais inteligentes. Mas e a concha que ela entrega a eles, será que é mágica ou é explicável? Pois a concha esquenta quando alguém está falando sobre quem a possui, e ao colocá-la no ouvido é possível ouvir o que estão falando.</p>
<p>Durante toda a narrativa, não sabemos se estamos vendo magia, ou assombrações, ou imaginação. Mas certamente a concha é de verdade. E quando Giles consegue entregar a concha para o jovem rei, ele ouve o duque tramando contra ele. Isso não só salva a vida do rei como impede que o reino todo entre em uma terrível guerra, e alça Giles a uma posição de confiança na corte do rei.</p>
<p>O livro é maravilhoso. O mistério de Agnes, e as aventuras de Giles, além do hotel mal assombrado, e a égua meia-noite.</p>
<p>Eu amava tudo isso quando era criança, e a releitura adulta não tirou a graça: é um livro infantil mágico, inteligente e um tanto triste. Recomendo.</p>
<p>The Twilight of Magic (1930) de Hugh Lofting</p>
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		<title>Filme &#124; Cinderela</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Jun 2025 01:28:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ella é uma jovem linda de família rica que perde a mãe, aí o pai casa de novo com uma mulher que já tem duas filhas, depois morre e Ella é obrigada pela madrasta a virar empregada da casa. A madrasta e as step sisters são super más e tratam a mocinha muito mal – [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Ella é uma jovem linda de família rica que perde a mãe, aí o pai casa de novo com uma mulher que já tem duas filhas, depois morre e Ella é obrigada pela madrasta a virar empregada da casa. A madrasta e as step sisters são super más e tratam a mocinha muito mal – inclusive a chamam de Cinderella porque ela fica toda suja de cinzas por dormir na frente da lareira etc etc.</p>
<p>Um dia, Cinderella está passeando na floresta e conhece um bonitão que também acha ela maravilhosa e rola amor à primeira vista. Quando tem o baile e a Cinderella fica feliz de ir, a madrastas e as irmãs rasgam o vestido dela e tal, e vem a fada madrinha, enfim. Igual no desenho da Disney – que testou a nova moda de homenagear seus clássicos com Malévola, deu super, super certo e agora vai ter mais adaptações homenageantes vindo por aí.</p>
<p>Coisas boas: o filme é visualmente maravilhoso. A história é bem contada. Os personagens são menos pastéis do que no desenho. Passa no teste de Bechdel com honras!</p>
<p>Coisas não tão boas: a história não é nada nova. O duque é mais malvado pouquinha coisa, a madrasta é claramente uma velha invejosa, a fada é chata – tudo igual o desenho. O povo teve a oportunidade de acrescentar, deixar a coisa talvez um pouco menos trouxa, mas preferiram fazer uma versão muito próxima do conto de Perrault com os adendos do desenho de 1950. Vamos repetir? Mil novecentos e cinquenta. A mesma história. Só que mais bonito.</p>
<p>Teve gente falando que o filme é uma boa porque mostra que características ditas femininas – delicadeza, gentileza, passividade, calma perseverança, etc – também são desejáveis numa heroína, já que hoje em dia só as características masculinas de agressividade, impetuosidade e que tais são valorizadas. Então, de acordo com essa galera ae, falar que a Cinderella é uma idiota porque tem essas características seria diminuir a importância da feminilidade e blás. Mas vamos com calma? Vamos. Essas lindas características femininas de docilidade e bobice eram desejadas às moças de 1950 – por mil motivos históricos que não vêm ao caso porque daí ainda mais textão – e o desenho da Disney reforçava o estereótipo. Até aí, ok. A Cinderella é uma das ‘princesas’ mais chatas pra mim especialmente por causa dessa apatia e eterna felicidade diante da adversidade – e a adversidade é importante e quero foco nisso agora. Ela é transformada em escrava. A situação dela é horrorosa nas duas versões da Disney. No filme eles até dão mais motivos para ela não fugir – a casa era dos pais, e ela quer continuar ali porque memórias, amor e tal – mas em ambas as versões ela passa frio, fica sem comida, é abusada verbal e fisicamente. Tudo isso sem perder o rebolado e as esperanças, e tudo isso sem dizer uma palavra descortês às suas algozes. Perceberam a perversidade?</p>
<p>Cinderella não é só uma moça boazinha que trata os animaizinhos bem. Ela é uma moça boazinha que é tratada como lixo e em troca é gentil com suas ‘donas’. E isso é recompensado. É um conselho que ela recebe da mãe – ‘seja sempre gentil’ – e que ela leva pra vida toda, mesmo diante das adversidades. Admirável? Sem dúvida. Um exemplo pas criança? Bem provável. Uma babaca que não consegue desapegar de uma casa e prefere sofrer na mão da madrasta em vez de sair e conseguir ajuda? Certamente. É muito bonito falar que ‘características femininas estão sendo valorizadas’ quando essas mesmas características são marteladas na nossa mente desde criancinha: “mulher de verdade” cuida dos outros, é sempre carinhosa, afável, não ergue a voz nem fala palavrão etc sono. Isso causa desde mulheres em relacionamentos abusivos receberem da sociedade a resposta de que “se você fosse mais de boa ele não seria tão agressivo” até mulheres serem condicionadas a empregos de cuidar, limpar e agradar os outros.</p>
<p>Ser boa e gentil não é necessariamente um conselho ruim. É o “sempre” que é o problema.</p>
<p>Para não me alongar ainda mais, fica o resumo: Um filme visualmente incrível, com boas atuações (especialmente Cate Blanchett, se divertindo bastante), uma fada chata que não deveria ter ficado nas mãos da Helena Boham Carter e um roteiro óbvio.</p>
<p>Bom pra quem gosta de contos de fadas, era apaixonada pelo desenho da Disney ou tem menos de dez anos.</p>
<p>2015 – De Kenneth Branagh. Com Cate Blanchett, Helena Boham Carter, Lily James, Richard Madden, Stellan Skarsgard.</p>
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		<title>Adaptação &#124; Peter Pan (2003)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jun 2025 13:20:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[J.M. Barrie]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[infantil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesse filme de 2003, P.J. Hogan adapta a obra de J.M. Barrie sobre o menino que não queria crescer. Peter Pan é uma peça escrita por James M. Barrie no começo do século 20 que conta de um menino que não queria crescer e fugiu com as fadas pra morar na Terra do Nunca, onde [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nesse filme de 2003, P.J. Hogan adapta a obra de J.M. Barrie sobre o menino que não queria crescer.</p>
<p style="clear: both; text-align: left;">Peter Pan é uma peça escrita por James M. Barrie no começo do século 20 que conta de um menino que não queria crescer e fugiu com as fadas pra morar na Terra do Nunca, onde vive com os meninos perdidos e combate os piratas do Capitão Gancho. A peça foi transformada em livro pelo próprio Barrie, e foi traduzida para o cinema diversas vezes, as mais famosas sendo &#8216;Peter Pan&#8217;, desenho da Disney de 1953, e o filme de 2003, dirigido por P.J. Hogan, que comento aqui. O IMDB dá 8 resultados exatos, fora os dois já citados, e sem contar com &#8216;Hook&#8217;, de Steven Spielberg, imaginando como seria se Peter Pan crescesse, e &#8216;Finding Neverland&#8217;, filme de Marc Foster sobre a vida de James Barrie.</p>
<h4>O livro</h4>
<p>Peter Pan foi o primeiro livro que eu li. Na verdade, minha mãe lia pra mim antes de dormir, e depois que ela saía do quarto eu ficava lá, brigando com as palavras. Até hoje eu tenho a edição com a tradução da Ana Maria Machado, que tem uma bolinha feita de canetinha no fim do segundo parágrafo do livro. Era pra eu não esquecer onde eu tinha parado de ler na noite anterior.</p>
<p>Eu falava pra minha mãe, &#8216;se amanhã você vier no meu quarto e eu não estiver, é porque eu fui com o Peter pra Terra do Nunca&#8217;. E não, eu não consigo ler o livro sem chorar.</p>
<p>Portanto pra mim é muito complicado separar o filme do livro e assisti-lo sem nenhum preconceito. Acho que se nunca tivesse lido o livro teria achado o filme um bom filme infanto-juvenil de aventura fantástica, já que a direção e os atores estão muito bem conectados. Tendo dito isso, tentarei passar minha opinião de leitora ávida do livro sobre o filme.</p>
<h4>O filme</h4>
<p>Primeiro de tudo é necessário falar que o Jeremy Sumpter É o Peter Pan. Sem mais comentários. E o resto dos personagens também deram certo. E sim, pra mim a Tia Millicent é total e completamente dispensável, mas entendo porque os roteiristas colocaram ela lá. Eu não gostei da maneira exagerada com que ela empurra Wendy pra vida adulta, falando abertamente do &#8216;beijo&#8217;. O &#8216;beijo&#8217; pra mim é algo exclusivamente da Senhora Darling, e que se não tinham meio melhor de expô-lo do que fazer Tia Millicent dar o chilique no começo do filme, melhor tirá-lo do filme. E outra coisa, que meleca foi aquela dela chorar pra um menino perdido, que eu não lembro qual era, falando algo como &#8216;eu sou sua mãe&#8217; e tal? Nada, nada a ver. Na história original, nunca houve pressão em casa para que as crianças Darling crescessem. João e Miguel na verdade se divertiram à beça durante a aventura, apenas Wendy, por ser menina e mais velha, percebeu realmente o que se passava em relação ao conflito &#8216;crescer X ficar criança pra sempre&#8217;.</p>
<p>Legal o Jason Issacs ser tanto o Senhor Darling quanto o Capitão Gancho, algo que o próprio Barrie sugeria ser feito nas montagens da peça. Fora que ele É o Capitão Gancho. Algo que me irritou profundamente no desenho da Disney foi a visão de caricatura do vilão. Eu sei que os vilões engraçados são mais&#8230; engraçados, e temos que pensar nas crianças (lembrando que a peça não foi escrita para as crianças, apenas pensando nelas), mas não precisavam fazer ele ridículo. Eu tenho orgulho de ter medo do Capitão Gancho, já que ele representa tudo de ruim que os adultos podem se tornar, e a real razão pela qual não queremos crescer: ele não acredita em nada que não o &#8216;bom tom&#8217;, não gosta de fazer nada que lembre algo da sua infância, não tem compaixão pelos outros e sempre quer ser o melhor de todos. Ele não odeia Peter apenas por Peter ser uma criança (e por ter cortado sua mão e a jogado ao crocodilo hehe); mas porque Peter consegue fazer coisas sem o menor bom tom e não se sentir nem um pouco preocupado com isso. Porque Peter, por outro lado, com sua alegria e despreocupação, representa algo que vai contra tudo o que Gancho acredita. Gancho é o tempo, inexorável e infalível, e Peter é o que temos de manter em algum lugar dentro de nós, ou realmente nos tornaremos um Capitão Gancho. Jason Issacs consegue sintetizar o personagem na cena em que ele olha pra uma fada e diz &#8216;eu não acredito em fadas&#8217;, e a fada morre! Porque sempre que alguém diz que não acredita em fadas, uma fada morre em algum lugar. Mas quantas pessoas no mundo conseguiriam &#8216;não acreditar&#8217; numa fada num lugar como a Terra do Nunca, com uma fada na sua frente? Só o Capitão Gancho.</p>
<h4>O beijo</h4>
<p>Na verdade o que mais me irritou no filme foi a história do beijo. Primeiro que o Capitão Gancho consegue de alguma forma tirar a alegria do Peter, e Peter não consegue mais voar. Gente, o Peter não ser mais alegre e não conseguir mais voar, só se ele morresse. Porque a alegria faz parte dele de tal forma, que ele prefere sair do lugar e esquecer tudo do que enfrentar a realidade. Fora que o Capitão Gancho conseguiu fazer Peter &#8216;não voar&#8217; falando algo do tipo &#8216;Wendy não gosta de você, ela prefere crescer do que ficar com você&#8217;. Peter nunca se importaria muito com isso, porque ele despreza todos os que querem crescer, e ficaria magoado por um minuto e depois esqueceria. Ele é uma criança egoísta, afinal de contas, e seu amor por Wendy não vai além de uma amizade especial. Wendy, sim, podemos considerar que tinha um crush em Peter, e por isso ficava tão indecisa entre voltar pra casa e crescer (e casar e ter filhos) ou ficar na Terra do Nunca com Peter.</p>
<p>Mas o fato é, de tão feliz que Gancho fica, <span style="font-style: italic;">ele também voa!</span> COMO ASSIM. Não é só birra por Gancho nunca ter voado no livro, é simplesmente porque voar é <span style="font-style: italic;">completamente</span> <span style="font-style: italic;">contra </span>a personalidade básica de Gancho. Ele<i> nunca</i> conseguiria voar usando o pensamento feliz &#8216;eu vou derrotar Peter Pan&#8217;. Mas voltando à cena, Wendy dá um beijo na boca de Peter, ele fica feliz e volta a voar e eles derrotam Gancho. Como se a história fosse sobre sexualidade, meninas crescem mais rápido do que meninos, vilões e mocinhos e &#8216;quem consegue ter o pensamento mais feliz por mais tempo&#8217;.</p>
<p>Sim, a sexualidade <span style="font-style: italic;">está</span> presente em todo o livro, ou Wendy e Peter não seriam &#8216;casados&#8217; e pais dos outros meninos perdidos na brincadeira de faz-de-conta. Mas o que ficou mais do que claro pra mim, no livro, é que Barrie considerava fator-regra para crescer o fato de ter filhos, e não a sexualidade. Wendy fica balançada sobre se deve ou não voltar pra casa por causa da vontade dela de ser mãe. É o que ela pede quando os meninos perdidos vão fazer a casinha pra ela: &#8216;uma casa com janelas e bebês olhando por elas&#8217;. Ela não quer ser criança pra sempre porque um dia ela quer ser mãe. Lembrem-se de que Wendy era <span style="font-style: italic;">menina</span> e tinha sensatez suficiente pra perceber que a vida dos meninos perdidos era completamente desorganizada sem uma &#8216;mãe&#8217;, e que Peter não era boa companhia por esquecer de tudo toda hora e só pensar em aventura e tal. Ele era <span style="font-style: italic;">criança</span>, com todas as partes ruins que isso traz.</p>
<p>Uma frase do começo do livro é &#8216;a sra. Darling tinha a impressão de já ter visto a expressão de Peter em outros lugares antes, em alguns rostos de mulheres que não tiveram filhos&#8217;. Para Barrie, a &#8216;adultice&#8217; só chega quando se tem filhos. É algo que Spielberg capturou muito bem em seu filme &#8216;Hook&#8217;, e que infelizmente Hogan deixou passar.</p>
<h4>Partes boas</h4>
<p>De qualquer forma, o filme capturou a maior parte do espírito da aventura, algo que o filme da Disney não tinha chegado nem perto de fazer. A fantasia e a magia estão com certeza presentes no filme, e com as atuações convincentes do elenco e a direção de Hogan, é um ótimo filme que conseguiu capturar a maior parte do universo de Peter &#8211; principalmente considerando que não é uma história exclusiva para crianças.</p>
<p style="font-family: Georgia, &quot;;">Um outro ponto que o filme não mostra e que faz toda a diferença pra mim. O filme acaba com Wendy pedindo pra Peter não esquecer dela, e depois falando que ela nunca mais o viu mas contou a história para seus filhos. Engraçado que o próprio filme fez com que Peter se importasse um monte com Wendy &#8211;  a ponto de não voar por estar triste que ela ia embora, e a ponto dela dar &#8216;o beijo&#8217; pra ele &#8211; e acaba desse jeito, sem ele nem voltar pra vê-la.</p>
<p>No livro, (algo que o filme de Spielberg também resgata), Peter fala que vai voltar toda primavera, pra levar ela pra Terra do Nunca e ter mais um monte de aventuras. Ele lembra, de vez em quando. Pula algumas primaveras, mas aparece. Esquece a maior parte das aventuras que eles tiveram da primeira vez (&#8216;quem é Sininho?&#8217;), mas aparece. Até que encontra Wendy adulta esperando por ele.</p>
<h4>O final do livro</h4>
<blockquote><p>Depois, acendeu a luz e Peter viu. Deu um grito de dor. E quando aquela criatura alta e bonita se aproximou para pegá-lo o colo, ele recuou abruptamente.<br />
&#8211; Que foi que aconteceu?- perguntou de novo.<br />
Ela teve que contar.<br />
&#8211; Fiquei mais velha, Peter. Já passei muito dos vinte. E cresci há muito tempo.<br />
&#8211; Mas você prometeu não crescer.<br />
&#8211; Não dava pra evitar. Eu casei, Peter.<br />
&#8211; Não! Não casou&#8230;<br />
&#8211; Casei, sim. E a menininha que está na cama é minha filha.<br />
&#8211; Não é, não.<br />
Mas achou que era. E deu um passo em direção à criança adormecida, com a adaga levantada. É claro que não deu golpe nenhum. Em vez disso, sentou-se no chão e soluçou. Wendy não sabia o que fazer para consolá-lo, embora antigamente pudesse fazer isso com tanta facilidade. Mas agora ela era apenas uma mulher e saiu do quarto correndo, para tentar pensar.<br />
Peter continuou a chorar. Daí a pouco seus soluços acordaram Jane. A menina se sentou na cama, e logo ficou interessada.<br />
&#8211; Menino &#8211; perguntou -, por que é que você está chorando?<br />
Peter se levantou e fez uma curvatura, saudando-a, e ela o cumprimentou da cama.<br />
&#8211; Olá &#8211; disse ele.<br />
&#8211; Olá &#8211; disse ela.<br />
&#8211; Meu nome é Peter Pan.<br />
&#8211; Eu sei.<br />
&#8211; Eu vim buscar minha mãe, para ela ir comigo para a Terra do Nunca.<br />
&#8211; Eu sei &#8211; disse ela &#8211; E já estava te esperando.<br />
Quando Wendy voltou, insegura, encontrou Peter sentado no pé da cama, dando um cocoricó glorioso, enquanto Jane, de camisola, dava voltas pelo quarto, em êxtase.<br />
&#8211; Ele precisa tanto de uma mãe&#8230; &#8211; explicou Jane.<br />
&#8211; Eu sei &#8211; admitiu Wendy, numa mistura de tristeza e saudade. &#8211; Ninguém sabe disso melhor do que eu.<br />
&#8211; Tchau&#8230; &#8211; disse Peter para Wendy, levantando vôo em companhia de Jane, perfeitamente à vontade. Para ela, já era a maneira mais fácil de ir de um lado para outro.<br />
&gt;Wendy correu para a janela.<br />
&#8211; Não! Não! &#8211; gritou.<br />
&#8211; É só agora na primavera, mamãe, para dar uma limpeza geral &#8211; explicou ela. &#8211; Ele quer que eu sempre vá ajudar na faxina da primavera.<br />
&#8211; Eu queria tanto ir com vocês&#8230; &#8211; suspirou Wendy.<br />
&#8211; Mas você não pode mais voar, não está vendo? &#8211; disse Jane.<br />
É claro que, no fim, Wendy deixou os dois irem. A última vez que olhamos para ela vemos que está junto da janela, vendo os dois irem cada vez mais longe no céu, até ficarem pequenininhos, do tamanho das estrelas.</p>
<p>Se você olhar para Wendy agora, vai ver o cabelo dela ficando grisalho e seu vulto se encolhendo, porque tudo isso aconteceu há muito tempo. Jane agora é uma adulta comum e tem uma filha chamada Margaret. Toda primavera, quando é hora da faxina &#8211; a não ser quando ele esquece &#8211; Peter vem buscar Margaret e a leva para a Terra do Nunca, onde ela conta histórias dele mesmo, que ele ouve deliciado, com a maior atenção. Quando Margaret crescer, vai ter uma filha, e vai ser a vez dela ser a mãe de Peter. E assim por diante. Enquanto as crianças forem alegres, inocentes e sem coração.*</p></blockquote>
<div style="font-family: Georgia, &quot;;"></div>
<div style="font-family: Georgia, &quot;;"><span style="color: #000000;"><b>Peter Pan (idem) &#8211; 2003 | </b><b>de P.J. Hogan | </b></span><span style="color: #cc0000;"><span style="color: #000000;"><b><span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;">com: Jeremy Sumpter, Rachel Hurd-Wood, Jason Issacs, Lynn Redgrave, Olivia Williams</span></b></span> <br style="font-family: Georgia, &quot;;" /><span style="color: black; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 78%;">trecho do livro Peter Pan, de J.M. Barrie e tradução de Ana Maria Machado, exceto pela última frase, que ela traduziu de forma diferente.*</span><br />
</span></div>
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		<title>Elric de Melniboné &#124; Michael Moorcock</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jun 2025 00:25:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Michael Moorcock]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Elric de Melniboné é um clássico da fantasia curtinho com uma andada rápida que deixa fácil de ler. É o primeiro livro com o personagem, apesar dele ter aparecido em diversos contos antes dessa publicação. Elric é o imperador albino e feiticeiro. Ele é líder de uma civilização que já chegou a dominar o mundo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Elric de Melniboné é um clássico da fantasia curtinho com uma andada rápida que deixa fácil de ler. É o primeiro livro com o personagem, apesar dele ter aparecido em diversos contos antes dessa publicação.</p>
<p>Elric é o imperador albino e feiticeiro. Ele é líder de uma civilização que já chegou a dominar o mundo através de magia, carnificina, escravidão e guerras. Elric no entanto tem preguiça de tudo, anda por aí cansado, filosofando que nada vale a pena, tomando uns remédios pra conseguir ficar vivo porque a albinisse dele também deixa ele fraco. Ele não quer dominar o mundo. Ele não quer governar. Ele também não quer deixar o trono pra outra pessoa &#8211; tipo o primo sanguinário dele, Yrkoon, que vive conspirando contra o Elric porque ele acha que o Elric é um fraco que não tem interesse em dominar os outros povos. E, no caso, o Elric de fato não tem interesse. As filosofias na cabeça dele são sempre &#8220;até que ponto o povo de Melniboné é superior aos humanos; até que ponto temos a obrigação de liderar por sermos superiores; será que fica chato a gente escravizar os outros&#8221; e essas coisas.</p>
<p>Elric é apaixonado pela prima dele, a bonitona Cymoril, que apesar de não entender muito bem as filosofadas do Elric, gosta dele de volta e já disse que se ele quiser casar ela topa. Mas ele tá sempre enrolando porque tá pensando nas filosofias e nas dúvidas.</p>
<p>Aí o Yrkoon resolve fazer alguma coisa mais concreta e usa um ataque à ilha deles pra matar o Elric, que cai no fundo do mar mas usa magia pra pedir ajuda dos seres elementais. Daí Elric recebe ajuda do deus do mar e volta à sua terra natal, mas Yrkoon escapa levando a Cymoril. Elric faz um pacto com um deus-demônio e consegue pegar um navio mágico que anda na terra pra perseguir Yrkoon e resgatar Cymoril.</p>
<p>O livro tem menos de 200 páginas. A história alterna entre uma aventura tradicional de fantasia e uma energia de contos de fadas. Me senti lendo um livro de <em>fairytale retellings </em>só que pra meninos. Elric é o herói alternativo sensível e filósofo que na década de 60, quando ele apareceu nas publicações, era um contraste imenso com os gigantes agressivos tipo o Conan. Elric é fisicamente fraco, detesta violência, não gosta do poder. Mesmo assim ele é alto, musculoso, tem olhos vermelhos e longas madeixas brancas.</p>
<p>Eu gostei do livro, só que fiquei com um pouco de preguiça de toda a pretensão do protagonista. Entendo que muito da minha irritação vem de eu não ser o público alvo do livro. Além disso, fiquei com aquela sensação de que já li tantas coisas parecidas só que o original foi esse e os outros que foram cópias.</p>
<p>Por ser quase um conto de tão curto e ter elementos interessantes, o livro é um sólido três estrelas e as continuações estão na minha lista.</p>
<p><strong>Elric of Melniboné | Michael Moorcock | 1972</strong></p>
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