O comissário Montalbano está investigando a morte do senhor Lapecora, que levou uma facada no elevador do prédio onde morava. A esposa do morto diz sem preâmbulos que quem matou o velho foi a amante. O velho ainda mantinha o escritório aberto, mesmo aposentado, e ia lá três vezes por semana, receber “a puta”.
Em outro caso, um pesqueiro que estaria pescando em águas internacionais foi interceptado por uma patrulha tunisina, que abriu fogo e matou um dos tripulantes do pesqueiro italiano. Montalbano não quer ser enfiado nesse caso de jeito nenhum, já que detesta publicidade e políticos. Ele quer é o morto do elevador.
Ele descobre que a moça que visitava o escritório de Lapecora se chama Karima, uma imigrante tunisina que trabalhava como faxineira. Montalbano vai até onde ela morava, conhece Aisha, uma senhora que vive no andar de baixo do ‘cafofo’, só pra ouvir que tanto Karima quanto o filhinho de quatro anos, François, estão sumidos há dias.
Depois que pede que seu amigo jornalista mostre a foto de Karima no telejornal, Montalbano recebe informações de outros clientes de Karima, que claramente cobrava extra por serviços extras. Ele também fica conhecendo a digníssima senhorita Vasile-Cozzo, uma professora aposentada paraplégica que mora na frente do escritório de Lapecora. Ela revela a Montalbano que viu muitas coisas curiosas acontecendo no escritório em vários momentos da noite. Aparentemente Lapecora havia sido obrigado a reabrir sua firma como laranja pra uma operação com ramificações internacionais.
E aí um dia Montalbano é chamado para capturar um ladrão de merendas: moleques de escola estão sendo abordados por um garoto estrangeiro, que não fala italiano. Ele ataca os meninos e rouba as merendas. De início o comissário acha a história engraçada, até sua noiva falar ‘coitadinho do menino que está roubando os lanches, deve estar morrendo de fome’. Fulminado por uma realização, Montalbano monta uma verdadeira operação para capturar o ladrão de merendas, que é obviamente o filhinho de Karima, François.
Livia, a noiva de Montalbano, que fala francês fluente, se apega ao garoto e ele a ela. E logo no dia seguinte, quando estão mostrando o tunisino morto pela patrulha no barco, François aponta o dedinho para a TV e fala: “mon oncle!”.
E aí Montalbano não tem escolha a não ser mergulhar na investigação fedorenta desse assassinato no meio do mar.
Além dos momentos gastronômicos e dos momentos engraçados, o livro é tocante, inteligente e muito interessante. Montalbano é um personagem muito humano, e o sul da Itália, mesmo que fictício, que o autor cria, é fascinante. Recomendo muito!
Il ladro di merendine (1996) de Andrea Camilleri | Montalbano #3