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	<title>Rudyard Kipling Archives - A Devoradora de Livros</title>
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		<title>Os Irmãos de Mogli &#124; Rudyard Kipling</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jul 2021 18:50:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Esse é um daqueles livros mais famosos do planeta que ninguém leu. Todo mundo conhece a história do menino lobo na Índia que tem amigo pantera negra e urso gente boa e luta com um tigre malvado. Mas como ninguém leu o livro, as pessoas acham que é isso aí mesmo e já era. Mas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Esse é um daqueles livros mais famosos do planeta que ninguém leu. Todo mundo conhece a história do menino lobo na Índia que tem amigo pantera negra e urso gente boa e luta com um tigre malvado. Mas como ninguém leu o livro, as pessoas acham que é isso aí mesmo e já era.</p>
<p>Mas como eu sou a chata que acha o livro melhor que o filme desde que eu tenho sete anos, estou aqui para tirar todas as dúvidas. Apesar de ter mais de dez adaptações para o cinema, a mais conhecida é o desenho da Disney de 1967, que acertou a história nos seguintes aspectos: a história é na Índia, Mowgli mora com os lobos e daí aparece vários bichos. Pretendo falar mais sobre essas adaptações no futuro, mas por enquanto é importante ressaltar: o livro é de 1894. Na época não existia <em>literatura infantil</em>, então o autor mandou ver nos animais falantes e nas morais de comportamento e tó, livro pra criança. Hoje em dia, no entanto, é importante avisar aos pais incautos que a história tem momentos sombrios e violentos; os temas falam sobre ganância, exclusão social, amadurecimento e perda. Super dá pra criança ler, mas importante ter aquela supervisão básica.</p>
<p>O autor nasceu na Índia e passou a primeira infância lá. Depois ele voltou adulto já, como jornalista correspondente. Esse livro, segundo ele, foi baseado nas memórias dele quando criança e nas histórias e lendas indianas. Apesar do Kipling ser um colonialista insuportável, essa posição raramente aparece no livro, e tem até momentos que dá pra perceber que ele tem uma admiração relutante pela cultura dos indianos. Como noventa por cento do livro acontece no mundo dos animais e os humanos sequer aparecem, as questões morais são mais relevantes do que as questões sociais, e a leitura é relevante até hoje.</p>
<p>O livro é uma coletânea de contos que foi publicada em dois volumes. Quase metade desses contos tem o menino Mowgli como protagonista e segue a trajetória dele dos zero aos dezoito anos. Os outros contos são em sua maioria sobre animais de diferentes regiões.</p>
<p>O Livro da Selva &#8211; Volume I (The Jungle Book)</p>
<p>Os contos que formam esse volume foram publicados em diferentes periódicos e reunidos em coleção pela primeira vez em 1984. Os três primeiros contos são histórias do Mowgli, que foram usadas bem superficialmente para compor a maioria das adaptações cinematográficas.</p>
<p><strong>Os Irmãos de Mowgli</strong></p>
<p>A história começa com Pai Lobo e Mãe Loba na caverna com quatro lobinhos. Eles são visitados melo desagradável chacal Tabaqui, que os informa da fofoca que Shere Khan, o tigre, vai estar usando essa parte da selva pra caçar. Mãe Loba xinga Shere Khan de aleijado (ele é manco de uma perna) e Pai Lobo reclama que o tigre tá invadindo território alheio. Nisso eles ouvem o rugido de um tigre ali perto, e Mãe Loba se espanta: mas o tigre está caçando <em>homem!</em></p>
<p>Como que ela sabe disso? Porque o rugido do tigre mudou para uma espécie de rosnar baixo que parece vir de todos os pontos cardeais, algo utilizado pelos grandes felinos justamente quando querem confundir os humanos no meio do mato. Os lobos ficam horrorizados, pois pela lei da Jângal é expressamente proibido caçar homens: isso ameaça a vida de todos porque toda vez que um tigre mata homem os outros homens vem pra selva com archotes e destroem tudo.</p>
<p>Ouvindo de longe, os lobos seguem a história: o tigre atacou um acampamento de ciganos e pulou em cima da fogueira, queimando as patas. Pai Lobo sai da caverna para investigar. Ouve um barulho. Se prepara para atacar!</p>
<p>E é um bebê humano, que ainda engatinha. Mãe Loba pede pra ver a criança, já que nunca viu um filhote de homem antes. O bebê se aninha no calor dos lobinhos e começa a mamar na loba. E aí já era, ela quer ficar com ele.</p>
<p>Shere Khan aparece e fala que o filhote é dele. Mãe Loba manda ele sair fora. Nem Shere Khan estava a fim de atacar uma loba defendendo seus filhotes no território dela, e ele sai reclamando que isso não vai ficar assim.</p>
<p>A lei da Jângal diz que todo filhote precisa ser aprovado pelo conselho da alcateia. Seguindo as regras à risca, Pai Lobo e Mãe Loba levam seus quatro lobinhos mais o filhote de homem para a reunião da alcateia, para que os lobos possam aprová-los. Akela, o chefe da alcateia, nem pisca quando um bebê humano é colocado no centro da roda; só continua repetindo que os lobos precisam olhar para os filhotes para decidirem aprovar sua permanência na alcateia.</p>
<p>Shere Khan aparece e fala que ele quer comer o filhote de homem. Akela ignora ele. Alguns lobos mais jovens reclamam que o tigre está certo e que deixar um humano fazer parte da alcateia não faz sentido, e Akela então segue a lei da Jângal: quando a permanência de um filhote é questionada, dois lobos que não sejam seus pais precisam falar por ele.</p>
<p>O primeiro a falar é Baloo. Ele é um urso pardo tranquilão que ensina a lei da Jângal aos filhotes dos lobos, e é a única criatura que os lobos permitem que opine nas reuniões. Ele diz que ele fala pelo garoto e que ele se compromete a ensinar a lei da Jângal pra criança.</p>
<p>Akela pergunta quem mais vai falar. Mãe Loba se prepara para lutar até a morte para salvar seu novo filhote.</p>
<p>Aparece Bagheera, a pantera negra. Ele lembra a todos que a lei da Jângal permite que a vida de um filhote seja comprada por um preço; que ele acabou de matar um touro ali perto; e que ele pode dar esse touro para a alcateia em troca da permanência do filhote de homem. Os lobos jovens se empolgam, falam que tanto faz, a criança vai se afogar no rio ou morrer de insolação mesmo, e correm para comer o touro. Shere Khan vai embora putasso.</p>
<p>O filhote de homem passa a fazer parte da alcateia, e seus pais lobos lhe dão o nome de Mowgli (a rã).</p>
<p>Esse início de história é uma fofura, e com exceção da discussão da alcateia que eu acho linda e não entendo porque a Disney não quis, é seguida à risca em quase todas as adaptações (o que significa que quase todo mundo já conhece). É uma introdução impecável à história, mostrando as nuances de todos os personagens, já estabelece os vilões e os aliados, e coloca o leitor num mundo fantasioso e ao mesmo tempo realista.</p>
<p>Passa dez anos, e Mowgli está correndo por aí sendo criança na selva, quando aos poucos vai percebendo que o cerco de Shere Khan está se fechando contra ele. Akela perde a liderança da alcateia por trapaça dos outros lobos. Shere Khan é idolatrado pelos lobos mais jovens, que odeiam Mowgli por ele ser um homem. Bagheera dá o conselho: se Mowgli for até a aldeia dos homens e conseguir um pouco da flor vermelha, Mowgli poderá usá-la contra Shere Khan e ter alguma chance de escapar dessa.</p>
<p>Mowgli corre até os arredores da aldeia e rouba um pote de brasas de um moleque. Ele volta para a caverna dos pais lobos e passa o dia alimentando sua flor vermelha. Na reunião da alcateia em que um lobo desafiante deve lutar com Akela até a morte pela liderança, Shere Khan aparece e fala que ninguém se importa com um lobo caquético e que é para eles darem Mowgli pra ele. Mowgli se levanta e fala que os lobos não deram permissão pra Shere Khan falar. Shere Khan fala que Mowgli não é lobo, é homem, e que também não faz parte do grupo, e prepare-se pra ser devorado.</p>
<p>Os lobos demonstram que concordam com Shere Khan, tratam Mowgli mal e falam que ele não é lobo, que ele não pertence ao grupo e que ele pode ir embora. Mowgli fica muito chateado e acende um galho imenso nas brasas que ele levou para a reunião. Os animais ficam morrendo de medo. Mowgli dá com o galho queimando na cara do tigre, e fala que já que os lobos estão falando que ele é homem é agora mesmo que ele vai se comportar como um, fala que Akela não deve ser tocado, ameaça todos eles com o fogo, diz que ele são só uns cachorros,  e fala que ele vai embora para a aldeia dos humanos.</p>
<p>Shere Khan e os lobos jovens fogem, e sobra só Mowgli, Akela, uns dez lobos que ainda o apioavam, e Bagheera. Mowgli começa a chorar pela primeira vez na vida e não sabe o que está acontecendo. Depois ele se despede da família de lobos e vai embora para a aldeia dos homens.</p>
<p>Impressionante como um conto com cerca de vinte páginas influenciou tanta coisa e tanta gente. O que será que foi, né? O tema da criança criada por lobos, que cresce na selva longe da civilização, me parece ser atraente para crianças de todas as idades. O momento dos maus tratos que Mowgli sofre dos lobos é bastante cruel, e a luta com o tigre até que assustadora, se a gente pensar que o menino tem dez anos e se ele perder vai ser comido vivo apenas. A narrativa do Kipling sendo super formal sempre me interessou, já que pressupõe uma sociedade respeitosa entre os animais, com noções de hierarquia e do que é apropriado &#8211; algo que o autor certamente pegou emprestado da sua formalidade e propriedade da Inglaterra da época, que tentava empurrar à força seus modos de vida nos indianos.</p>
<p>É uma daquelas histórias que não cansa de ler, favorita cem por cento.</p>
<p>The Jungle Book &#8211; Mowgli&#8217;s Brothers, 1894</p>
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		<title>O Livro da Selva &#8211; Parte 2 &#124; Contos &#124; Rudyard Kipling</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Sep 2012 23:51:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Já falei sobre um dos contos do primeiro Livro da Selva, e como ele é o livro que inspirou todos os filmes e desenhos de Mogli, o menino lobo. O Livro da Selva foi originalmente publicado em dois volumes, o primeiro contendo histórias que hoje são mais conhecidas e o segundo com histórias que eu considero [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Já falei sobre um dos contos do primeiro Livro da Selva, e como ele é o livro que inspirou todos os filmes e desenhos de Mogli, o menino lobo.</p>
<p>O Livro da Selva foi originalmente publicado em dois volumes, o primeiro contendo histórias que hoje são mais conhecidas e o segundo com histórias que eu considero tão boas quanto as outras, mas que são talvez mais adultas.</p>
<h3>Histórias de Mowgli</h3>
<h4><b>Como Apareceu O Medo</b></h4>
<p>Essa história se passa antes do primeiro conto, quando Mowgli ainda vivia com os animais na selva. É tempo de seca e todos os animais se reúnem no Poço da Paz, um dos poucos locais que acumulam água e onde a caça é proibida e todos, carnívoros ou herbívoros, vão até ali sem medo para beber.</p>
<p>Shere Khan perturba a paz reinante e Hathi, o elefante, o animal mais sábio da floresta, resolve contar a história de como, por culpa de um tigre, o medo surgiu entre os animais.</p>
<p>Eu pessoalmente acho esse um dos contos mais sem graça do livro, apesar de reconhecer seu valor como lenda indiana coletada pelo autor.</p>
<p>Os personagens nada fazem na história a não ser ouviu o conto de Hathi, e sinceramente isso não é das coisas mais empolgantes.</p>
<h4><b>O Avanço da Selva</b></h4>
<p>Ó a polêmica e o spoiler ae. Depois que Mowgli é expulso da aldeia dos homens &#8211; fato descrito no conto Tigre! Tigre! &#8211; ele resolve deixar as coisas como estão e voltar para a selva, onde ele agora acredita que pertence pelo resto da vida. Mas aí ele e seus amigos lobos ouvem o caçador Buldeo conversando numa trilha com alguns carvoeiros, e Mowgli descobre que a aldeia vai queimar o casal que o acolheu como feiticeiros por terem abrigado o menino-demônio.</p>
<p>Enfurecido, Mowgli vai até a aldeia e conversa com Messua, a mulher que o acolheu, e a encontra machucada e amarrada dentro de uma casa. O marido dela explica &#8211; mas Mowgli não entende bem &#8211; que o motivo real pelo qual estão sendo acusados é que ele é um dos homens mais ricos da aldeia, e se ele for queimado como feiticeiro todos os seus bens serão redistribuídos.</p>
<p>O cheiro do sangue de Messua faz com que Mowgli tome a decisão definitiva. Ele planeja resgatar ela e o marido, arranjar uma &#8220;escolta&#8221; até a cidade mais próxima onde os ingleses têm base &#8211; os ingleses não aceitam essa bobagem de queimar vivos os acusados de feitçaria &#8211; e destruir toda a cidade.</p>
<p>Para isso ele pede a ajuda de Hathi, o elefante, que já participou de uma destruição semelhante, quando foi pego por uma armadilha e resolveu se vingar dos homens que a tinham armado.</p>
<p>O conto aí já tem um climão, né gente. Não estamos falando de um simples duelo entre dois seres que são inimigos. Estamos falando da destruição de casas e fazendas de dezenas de pessoas para a vingança pessoal de um garoto.</p>
<p>Pesado.</p>
<p>E o pior &#8211; ou melhor &#8211; é que é tudo baseado em história real: existem relatos na Índia de elefantes enfurecidos com um indivíduo, por terem sido atacados durante caçadas, que voltaram para a cidade do tal e destruíram tudo. Tudo! Sabe Godzilla em Tókio? Pois é.</p>
<p>Muito da hora, vai.</p>
<p>Destaque para a cena de Bagheera bocejando.</p>
<h4><b>O Ankus do Rei</b></h4>
<p>Muito favorito!<br />
A história pode ser dividida em duas partes, a primeira com Mowgli e Kaa e a segunda com Mowgli e Bagheera.</p>
<p>Primeira parte: o que eu chamo de A Cobra Branca.</p>
<p>Mowgli e Kaa estão brincando de se espancar &#8211; é normal, gente, amizade &#8211; e Mowgli, depois de perder da cobra, reclama que está entediado. Kaa se lembra de uma colega muito estranha que encontrou nos subterrâneos das Tocas Frias e decide levar o colega até lá.</p>
<p>Sem muito spoiler, o fato é que Kaa sai dali mais do que certa que sua colega descolorida é completamente louca e Mowgli sai segurando uma peça que ele gostou muito: um cetro com um gancho na ponta, decorado com coisas brilhantes e desenhos de elefantes, que atraem Mowgli imensamente porque o lembram de seu amigo Hathi.</p>
<p>A segunda parte, que eu chamo de A Caçada, é quando Mowgli, ao conversar com Bagheera (que já viveu entre os homens), descobre pra que serve o tal cetro: é um ankus, usado por rajás para enfiar na cabeça dos elefantes que cavalgam para fazê-los andar mais rápido &#8211; o equivalente a esporas. Mowgli fica horrorizado que aquilo tenha sido usado para machucar animais e o joga longe, mas Bagheera o alerta de que se cair em mãos erradas &#8211; ou seja, nas mãos de homens &#8211; vai dar problema. Mowgli, que não entende porque os rubis e esmeraldas, dos quais ele nem sabe o nome, encrustados no ankus são interessantes, ignora o aviso e vai dormir.</p>
<p>No dia seguinte, o ankus não está mais onde ele o havia jogado, e pelas pegadas o objeto foi pego por um homem. Curiosos, Mowgli e Bagheera passam a seguir os rastros.</p>
<p>Aqui a crítica social fica mais do que clara. E, além dela, tem a história da Cobra Branca, ou Thuu, como Mowgli a apelida, que é de uma graça só dela: os tesouros perdidos dos antigos rajás da Índia são para qualquer criança dar asas à imaginação.</p>
<h4><b>Os Cães Vermelhos</b></h4>
<p>Outro dos meus favoritos no mundo inteiro!<br />
Eu sei, parece que todos são meus favoritos, mas esse é, sem dúvida, o melhor conto de Mowgli. Juro, esse, quando eu contei pras crianças no acampamento, foi o que elas ficaram sem piscar de tanta tensão.</p>
<p>Porque os dholes, os cães vermelhos das planícies indianas, estão invadindo a selva, e eles vêm em excursão sangrenta, para matar tudo o que vêem.</p>
<p>Do começo perfeito, com o pheeal (grito de morte de um lobo) deixando a todos de cabelo em pé, passando pelo meio, quando o conselho de Kaa faz com que Mowgli arrisque sua vida como nunca antes, até o final, com a batalha épica contra os cães vermelhos, esse é sem dúvida a obra prima do livro: aterrorizante, desesperador, épico, o conto poderia fechar a série da vida de Mowgli com maestria.</p>
<p>Só lendo para experienciar esse conto que impressiona de tão genial.</p>
<h4><b>O Despertar da Primavera</b></h4>
<p>E Mowgli chega à idade adulta. Quase todos os que conhecia na selva já estão mortos. Os que sobraram estão pouco se importanto com sua crise existencial, já que é primavera e todos estão ocupados com seus afazeres.</p>
<p>Entediado, deprimido e irrequieto, Mowgli vaga pela floresta sem saber o que lhe acomete.</p>
<p>O conto é mais introspectivo, menos divertido, e é sem dúvida o conto mais sério de Mowgli. É muito tocante, mas demorei a perceber sua qualidade pelo motivo simples de que eu não entendia o tema da história quando era mais nova &#8211; claro, se o tema é a passagem para a vida adulta, o que uma menina de doze anos ia entender?</p>
<p>Mas o conto faz o necessário: termina a história de Mowgli de forma tocante, simples e direta, com elementos simbólicos permeando tudo.</p>
<h3>Outros Contos</h3>
<h4><b>O Milagre de Purun Baghat</b></h4>
<p>Olha, vou dizer que esse é um conto meio deslocado no livro, e é pelo seguinte: mesmo que os outros contos sejam um pouco mais adultos, eles ainda são obviamente escritos para crianças, com tramas e aventuras de acordo.<br />
Só que esse conto fala de como um bem sucedido funcionário do governo indiano &#8220;morre&#8221; &#8211; ou seja, abandona a vida material &#8211; e vira um monge sem casta, indo viver numa casinha nas montanhas.</p>
<p>É um conto mais complexo, que não é fácil de entender, e que tem aquela característica do autor quando ele escre<br />
ve as coisas como os indianos entendem e só depois explica o que está acontecendo pros leitores normais.</p>
<p>Não é uma história ruim, muito pelo contrário, mas tem um clima bem diferente, e merece ser lida depois que a criança leitora tiver crescido.</p>
<h4><b>Jacala, o Crocodilo</b></h4>
<p>Outro conto dos mais favoritos, esse é de um sarcasmo e crítica sociais intensos, mesmo sendo um diálogo entre três animais.<br />
O nome do conto em inglês é muito mais pertinente (The Undertakers é algo como Os Coveiros, mas Undertaker em inglês é o agente funerário também), porque a conversa é entre um crocodilo, um chacal e um tipo de cegonha, todos eles sobrevivendo da carniça encontrada num grande rio da Índia.</p>
<p>O crocodilo, ancião, é obviamente o mais venerável entre os três, por ter vivido tanto, e o chacal e a cegonha se limitam a concordar com as reclamações dele e fazer comentários quando o bichão não está escutando.</p>
<p>A idade do crocodilo e as histórias que ele conta fazem com que o leitor tenha uma idéia muito boa do desenvolvimento da Índia sob o governo inglês.</p>
<h4><b>Quiquern</b></h4>
<p>Duas crianças inuits (esquimós) saem pelas planícies ermas do pólo norte numa busca desesperada por comida para salvar sua aldeia.<br />
No caminho eles são guiados pelo espírito Quiquern, de oito patas e duas cabeças.</p>
<p>Assim como em A Foca Branca, conto do livro anterior, Kipling sai da Índia e vai para o norte, com contos que lembram muito a pegada do contemporâneo Jack London.</p>
<p>Mesmo saindo do seu &#8220;habitat natural&#8221;, o autor não fica sem graça, e a história é sempre empolgante.</p>
<p><b><br />
</b><b>The Second Jungle book (1895)</b><br />
<b>de Rudyard Kipling (Reino Unido)</b></p>
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		<title>O Livro da Selva &#124; Contos &#124; Rudyard Kipling</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Sep 2012 22:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Rudyard Kipling]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acho que todos já ouviram falar de Mogli, o menino lobo. Foram várias adaptações cinematográficas (especialmente a da Disney) as responsáveis pelo personagem ganhar a posteridade. Mas inicialmente tivemos O Livro da Selva, às vezes publicado em dois volumes e às vezes em um só, que é um dos maiores clássicos da literatura mundial. Àqueles [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que todos já ouviram falar de Mogli, o menino lobo. Foram várias adaptações cinematográficas (especialmente a da Disney) as responsáveis pelo personagem ganhar a posteridade. Mas inicialmente tivemos O Livro da Selva, às vezes publicado em dois volumes e às vezes em um só, que é um dos maiores clássicos da literatura mundial.</p>
<p>Àqueles que pensam que é só um livro infantil sem maiores atrativos, é necessário que eu gaste meu francês. Esse livro foi escrito para as crianças sim, mas não tem nada de bobo ou engraçadinho: as histórias são maduras, tensas e amedrontadoras.</p>
<p>O Livro da Selva, além disso, é mais do que somente a história de Mogli &#8211; que, em si, fala do ato de crescer, do amadurecimento e dos ritos de passagem para a vida adulta &#8211; mas é também uma série de contos com diversos protagonistas e poesias que são uma declaração de amor aos animais, à natureza e à própria Índia.</p>
<p>É impressionante como uma história escrita há tanto tempo (foi publicado em 1893, e baseado em fatos de 1850/60) consegue manter os leitores de hoje completamente interessados no que vai acontecer. Vou falar de cada conto do primeiro volume do livro, porque cada um é único e tem o clima diferente.</p>
<h2>Contos de Mowgli</h2>
<h3><b>Os Irmãos de Mowgli</b></h3>
<p>Essa é a história que todo mundo conhece: Mowgli é um bebê achado por um casal de lobos e criado como um deles na matilha no coração da Índia.<br />
Somos apresentados a Baloo, o urso que ensina a Lei da Selva aos lobinhos. Conhecemos Bagueera, a pantera negra, e Akela, o líder da matilha. E não podemos esquecer da minha personagem favorita, Mãe Loba, conhecida na juventude como Raksha, a demônia.</p>
<p>O conto narra como Mowgli chega e como ele vai embora, dez anos depois, quando o tigre que sonha em jantá-lo passa a ter influência demais na matilha a que ele pertence.<br />
Bagueera aconselha Mowgli a usar fogo contra o tigre e contra os lobos que o apóiam, e Mowgli ganha a batalha e foge para a &#8220;matilha dos homens&#8221;.</p>
<p>O conto é delicioso, pois cada personagem, apesar de ser um animal, tem personalidade única e cativante &#8211; com excessão talvez de três dos irmãos de Mowgli, que não são discerníveis &#8211; e a trama é muito interessante. Além da originalidade da história, temos o garoto inocente e despreocupado de um lado e o tigre &#8211; mais forte, mais ágil e maior &#8211; tramando para comê-lo.<br />
A narrativa, impecável, faz com que o leitor não consiga largar do livro antes de terminar a história.</p>
<p>Eu só tenho a dizer que entendo por que, por mais que me impressione com o fato, esse conto que tem menos de trinta páginas influenciou tanta gente e fez tanto sucesso.</p>
<h3><b>As Caçadas de Kaa</b></h3>
<p><span style="font-family: var(--global-body-font-family);">O conto começa com Mowgli, antes de sair da selva e ir para a vida na cidade, com apenas sete anos de idade e aprendendo sobre a lei da selva com o amável urso Baloo. Entediado até os ossos, Mowgli some de vez em quanto para se aventurar pela selva, e numa dessas escapadas encontra com os Bandar-Log, os macacos das árvores.</span></p>
<p>Os Bandar-Log são ignorados por todos os povos da selva e fazem o possível para chamar a atenção deles, muitas vezes jogando nozes e frutas secas em suas cabeças. Até que fazem o impensável e resolvem raptar o precioso filhote de homem.</p>
<p>Quando isso acontece, Baloo e Bagheera ficam sem saber o que fazer, já que não têm idéia de onde os macacos pode ter-se metido. Resta a eles apelar para o maior inimigo dos macacos: a dissimulada serpente Kaa, uma píton que bota medo nos macacos pela sua habilidade de fingir ser um galho seco até que o próximo deles seja imprudente o suficiente para cair no seu abraço.</p>
<p>Os protetores de Mowgli fazem o pedido com cortesia e muitas ofertas de presentes. Kaa aceita ajudá-los, mas afirma que também não sabe onde os macacos ficam. É aí que a providencial educação de Mowgli entra em cena, pois ele é capaz de avisar Chil, o abutre, na língua dos pássaros, sobre a direção que os macacos parecem estar tomando.</p>
<p>O conto é excelente. Kaa é uma personagem enigmática. No fim das contas ela fica amiga de Mowgli, e não existe possibilidade dela se virar contra ele; mas não é por isso que ela será amiga dos amigos dele. O autor, dessa forma, soube muito bem descrever o que seria uma criatura de sangue frio. A batalha nas Tocas Frias, a cidade em ruínas onde os macacos escondem Mowgli, é um show à parte, com os novos amigos que Mowgli faz, Bagheera fazendo o inusitado, e a maquiavélica dança final de Kaa.<br />
<b></b></p>
<h3><b>Tigre! Tigre!</b></h3>
<p>Sim, Mowgli voltou à &#8220;alcatéia dos homens&#8221;, depois de ter derrotado Shere Khan ao humilhá-lo com um galho pegando fogo. E nesse conto o autor nos mostra o que aconteceu depois: como Mowgli foi &#8220;aceito&#8221; na aldeia, como ele foi acolhido por uma família e como ele arranjou a profissão de cuidador de gado.</p>
<p>Ele não se esqueceu de forma alguma da intenção de Shere Khan de matá-lo, e precisa da ajuda do seu irmão Lobo Gris e do antigo líder da matilha, Akela, para acertar as contas com o tigre.</p>
<p>Essa parte da história já tem outro tom. O autor, com a descrição da hierarquia de uma aldeia indiana, já começa a fazer com mais incisão suas críticas à sociedade da época. Enquanto isso, a coisa fica mais séria, já que, enquanto no primeiro conto Mowgli estava escapando da morte usando um estratagema quase infantil de tão simples, aqui ele já está com convicções mais adultas e intençoões mais pesadas.</p>
<p>O tom de humor também tem seu lugar, já que Buldeo, o caçador da aldeia, tem uma visão cômica dos elementos da selva; e Messua, a mulher que aceita Mowgli como filho, é responsável pelo tocante apelo emocional.<br />
<b></b></p>
<h2><b>Outros Contos do Livro </b></h2>
<p>Entre os contos que falam da vida de Mowgli, o autor colocou outros, que em geral também têm a ver com a Índia, e que de maneira alguma deixam a peteca cair. Entre eles estão comédias levinhas, dramas complexos e narrativas de tradicionais lendas e contos da Índia e de outros lugares.</p>
<h3><b>A Foca Branca</b></h3>
<p>Kotick sempre pensou que seria importante um dia, já que nasceu branco. Mas até sua juventude ele nunca tinha sentido tanta revolta. Os homens chegaram até sua ilha e mataram e tiraram a pele de todas as focas. Revoltado, Kotick perguntou às focas mais velhas porque eles não se mudavam de ilha, mas a resposta foi que sempre havia sido assim e sempre seria: um dia o<br />
homem vem e mata todo mundo.</p>
<p>O conto narra a história da busca desesperada de Kotick por uma ilha onde o homem não tenha chegado e nem possa chegar. Comovente e simples, a narrativa consegue fazer o leitor se identificar com o personagem da foca e faz um trabalho excelente de conscientização do abuso do homem.</p>
<h3><b>Rikki-Tikki-Tavi</b></h3>
<p>Um conto muito fofo que fala de Rikki-Tikki-Tavi. Ela (sempre vai ser ela pra mim) é uma mangusta que vai parar num bangalô inglês. Estando lá, toma para ela a missão de proteger o casal e o moleque que vivem ali.</p>
<p>Ela então começa sua cruzada épica para cuidar do jardim. Sua primeira missão: impedir que as perigosas cobras najas que vivem no buraco do muro consigam executar seu plano maligno. Para isso, ela conta com a ajuda de colegas inestimáveis. O tagarela pássaro alfaiate Darzee e sua companheira dão avisos importantes. Além disso há o rato mosqueado Chuchundra, que vive criando coragem para andar pelo meio dos corredores mas nunca tem.</p>
<p>Esse sim é um conto bastante infantil, onde nada é muito complexo e a aventura lembra coisas fofas do tipo Redwall e O Ratinho Detetive. As mangustas são realmente fofas, mas tenta ver uma delas brincando de comer cobras vivas pra você ver a graça que é.</p>
<p>Como dizem no Cracked.com, as mangustas caçam cobras. Why? Because fuck snakes, that&#8217;s why. Elas não comem cobras. As cobras não as atacam. Elas simplesmente têm essa guerra infindável contra as cobras como missão de vida. Kipling fez um trabalho encantador ao contar a história de uma dessas mangustas.<br />
<b></b></p>
<h3><b>Toomai dos Elefantes</b></h3>
<p>O velho Toomai dos Elefantes foi o homem que capturou Kala Nag, excelente elefante que serviu o marajá por sessenta anos. Toomai Pai guia Kala Nag pelas planícies para ajudar a capturar elefantes selvagens. E o jovem Toomai, de menos de dez anos, vive correndo pelo acampamento e se balançando na tromba de Kala Nag. Isso causa o desespero do pai, que não que ele se meta com os selvagens caçadores de elefantes.</p>
<p>Uma noite, quando estão tentando domar um dos elefantes capturados, o jovem Toomai entra no cercado e joga uma corda que havia se soltado para um dos domadores. Kala Nag, alarmado, não hesita em pegar o garoto com a tromba e colocá-lo fora do perigo.</p>
<p>O Sahib responsável pelo acampamento vê o garoto sendo salvo pelo elefante e, divertido, vai conversar com o menino. Toomai, tímido porém decidido, diz que quando crescer quer ser um caçador, como eles. Todos em volta riem, e o Sahib diz que Toomai poderá ser um caçador quando tiver visto os elefantes dançarem. Isso causa mais gargalhadas, pois ninguém jamais viu A Dança dos Elefantes. De vez em quando, caçadores encontram enormes clareiras, criadas por centenas de elefantes selvagens pisoteando o chão.</p>
<p>Mas o pequeno Toomai e o sábio Kala Nag terão uma surpresa para todos.</p>
<p>Eu adoro elefantes, sempre gostei, e é tudo culpa de Kala Nag. Ele é o conto todo e um personagem cheio de inteligência, sensibilidade e esperteza.<br />
Toomai, o garoto, é quase um coadjuvante. O conto é excelente, com uma história simples e ao mesmo tempo tão cativante.</p>
<h3><b>Os Servos de Sua Majestade</b></h3>
<p>O Vice-Rei da Índia recebe a visita do rei selvagem do Afeganistão. Para essa célebre ocasião, organizaram uma parada de milhares de soldados para mostrar o poderio do governante.<br />
Mas para uma parada dessa magnitude, precisaram reunir uma série de animais: os elefantes, mulas, cavalos, bois, camelos&#8230; enfim, animais de carga de diversos tipos.<br />
Todas as noites havia algum estampido e os animais saíam disparados pelo acampamento, destruindo barracas e colocando tudo numa grande confusão.</p>
<p>O conto narra uma dessas noites, em que vários animais perdidos por causa da confusão se reúnem. Por acaso, eles estão perto da barraca do narrador, um soldado inglês que entende a língua dos animais. Dois bois, um camelo, duas mulas, um cavalo, um elefante e uma cadelinha discutem seus papéis num exército. Eles seguem falando sobre seus medos e suas habilidades, até que os bois decidem se retirar e a festa acaba.</p>
<p>Um conto dos mais divertidos, também é interessante por mostrar para que eram usados tantos animais num exército enorme como o anglo-indiano no século XIX.</p>
<p><b><br />
</b><b>The Jungle Book (1894) </b><b>de Rudyard Kipling (Reino Unido)</b></p>
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		<title>Adaptação &#124; O Livro da Selva (1967)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jun 2011 13:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Rudyard Kipling]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[infantil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu vi outro dia num site cômico porém confiável a lista de 7 filmes da Disney baseados em histórias para maiores de 18 anos. Um deles era The Jungle Book, que no Brasil virou Mogli, O Menino Lobo. E eu vou explicar o fato desse desenho tão bonitinho ser tão absolutamente diferente do livro em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu vi outro dia num site cômico porém confiável a lista de <a href="http://www.cracked.com/article_18589_7-classic-disney-movies-based-r-rated-stories.html">7 filmes da Disney baseados em histórias para maiores de 18 anos</a>. Um deles era The Jungle Book, que no Brasil virou Mogli, O Menino Lobo. E eu vou explicar o fato desse desenho tão bonitinho ser tão absolutamente diferente do livro em que foi baseado.</p>
<h4><b>O Livro</b></h4>
<p>O livro conhecido como &#8220;The Jungle Book&#8221; é na verdade uma coleção de contos que depois foi publicada em forma de livro. Entre os contos, se destacavam os que contavam a história de Mowgli, um bebê indiano que foi adotado por lobos.<br />
O autor do livro, que viveu na Índia por quase 10 anos como correspondente de um jornal inglês, inspirou-se em lendas locais &#8211; e em fatos reais &#8211; para criar sua história sobre o menino-lobo. O conto mais famoso chama-se &#8220;Os Irmãos de Mowgli&#8221; e é a história de como o garoto foi achado por lobos após seus pais terem fugido do ataque de um tigre, e como ele é aceito na alcatéia de lobos através das palavras de Bagueera, a pantera negra, e Baloo, o urso que ensina as leis da selva aos filhotes de lobo.<br />
Ao final do conto, dez anos depois, Mowgli não é mais aceito entre os lobos, que,  influenciados por Shere Khan, o tigre, querem matá-lo ou expulsá-lo da selva. Sob as instruções de Bagueera, Mowgli rouba  um pote de carvão em brasa da aldeia de homens mais próxima e o usa para espantar Shere Khan e salvar a vida dos lobos que o acolheram.<br />
Depois ele diz que já que seus irmãos lobos não o querem mais, ele partirá para a aldeia e tentará ser um homem.</p>
<p>O Livro da Selva é um dos meus livros favoritos, não só pelas histórias fascinantes que estão ali mas também pelo incrível talento do autor, que apesar de ter idéias controversas para hoje em dia, foi um dos maiores escritores da sua geração. Outros contos igualmente bons permeiam o livro, nem todos eles sobre Mowgli, mas a história do garoto é a única que se continua através dos contos, e podemos ver a dificuldade de Mowgli de crescer, enfrentar o mundo e descobrir afinal a que mundo pertence como sendo a de cada um de nós. Uma obra prima da literatura universal.</p>
<h4><b>O Filme: The Jungle Book (Disney &#8211; 1967)</b></h4>
<p>Inúmeros filmes foram feitos baseados nos contos &#8211; inclusive um muito legal que aproveita a trama de um dos meus contos favoritos e coloca Mowgli numa caverna de tesouros de um marajá numa cidade perdida &#8211; mas sem dúvida o mais famoso deles é a versão em animação da Disney, cheia de músicas e personagens divertidos.<br />
Mogli é encontrado por lobos, que o salvam do tigre Shere Khan, e é criado entre os lobinhos. O urso Baloo ensina a ele que a vida será mais fácil se nos preocuparmos com &#8220;somente o necessário&#8221;, os macacos dançam e cantam para dizer que na verdade são como humanos e os abutres e Kaa, a píton hipnótica, se aliam a Shere Khan para transformar o garoto em comida de tigre.<br />
No final, Mowgli espanta o tigre com um galho que pega fogo por causa de um raio, conhece uma garotinha no meio da floresta e a segue para dentro da aldeia, enquanto Bagueera e Baloo lamentam e aplaudem essa decisão ao mesmo tempo.<br />
O filme é adorado por crianças no mundo inteiro, e a Disney faz um trabalho muito bom de deixar a vida na selva com uma cara muito divertida. Afora as críticas sobre &#8211; de novo &#8211; racismo, que mencionam o fato de que os macacos são dublados por negros (&#8220;somos como você&#8221;, diz a letra&#8230;) o filme é em geral considerado um belo desenho sobre o processo de crescer e descobrir o seu lugar no mundo, e tem atuações de vozes memoráveis.</p>
<h4><b>Livro x Filme</b></h4>
<p>Devo dizer que o tema do filme acaba sendo o mesmo do livro: o personagem principal quer apenas encontrar seu lugar no mundo.<br />
Mas, fora isso, houve a tradicional mudança de índole de diversos personagens (Kaa, a serpente, é uma das melhores amigas de Mowgli no livro, e Hathi, o elefante, é considerado o animal mais sábio da floresta).<br />
É claro que não se pode esperar o mesmo clima de vida selvagem num livro para adultos e num desenho para crianças da Disney, e eu acredito que, como desenho para crianças, o filme é bastante competente. Mas para quem é apaixonada pelo livro, como eu, não dá pra negar que muitas das mudanças eram desnecessárias, e que manter os personagens do livro era talvez ainda mais interessante.<br />
Mas é claro que não culpo a Disney. Traduzo o artigo do site Cracked.com para aqueles que não se importam com <i>spoilers</i>, e desafio qualquer um de vocês a sugerir uma adaptação válida, para crianças, no estilo Disney, de uma história como essa.</p>
<h4 style="text-align: left;"><i><b>O Final Feliz da Disney</b></i></h4>
<div style="text-align: left;"><i>O filme segue a história de Mowgli, um bebê que acaba na floresta é vira amigo de predadores falantes. Depois de evitar o mundo dos humanos por anos e passar a maior parte de sua infância sendo maneiro na floresta, Mowgli tropeça numa aldeia e é instantaneamente seduzido por uma garotinha de olhos bonitos. A garota dá uma piscadela e Mowgli desaparece na aldeia para sempre, vivendo feliz pra sempre com seu próprio povo e deixando Baloo o urso e Bagheera a pantera negra comendo poeira.</i></div>
<div style="text-align: left;"><i>Sobem os créditos!<b> </b></i></div>
<div style="text-align: right;"></div>
<h4 style="text-align: left;"><i><b>O Final Original</b></i></h4>
<div style="text-align: left;"><i>O Livro da Selva original é um conto por Rudyard Kipling, um homem com uma intolerância surpreendente a qualquer coisa que lembre o espírito Disney. </i></div>
<div style="text-align: left;"><i>Na versão de Kipling, quando Mowgli decide retornar à sociedade, a sociedade não está tão certa de que o quer de volta. A aldeia para a qual Mowgli tenta retornar manda-o de volta à floresta, e o casal que foi gentil ao recebê-lo como filho é torturado como feiticeiros.</i></div>
<div style="text-align: left;"><i>Em resposta, Mowgli recruta o elefante Hathi para ajudá-lo. Mas a questão é que no livro Hathi não é o major esquecido e fofo do filme.</i></div>
<div style="text-align: left;"><i>Não, ele é um velho elefante cheio de cicatrizes e sede de sangue, que só quer saber de se vingar dos humanos por um velho ferimento recebido numa armadilha. A &#8220;ajuda&#8221; que Mowgli recebe de seu velho amigo é a destruição de toda a aldeia. É isso aí. O adorável garoto protagonista cujas palhaçadas te fizeram rir quando era criança recruta seu amigo elefante para, juntamente com Bagherra e um grupo de lobos, descer na aldeia como uma tempestade e destruir tudo até o último tijolo.</i></div>
<div style="text-align: left;"><i>Todas as casas são pisoteadas até virar pó, mantimentos são destruídos, os lobos fazem o gado todo fugir e a querida Bagheera mata os cavalos.</i></div>
<div style="text-align: right;"></div>
<div style="text-align: left;">No final das contas, são não somente mídias diferentes como públicos-alvo completamente diferentes. Mas o que eu posso dizer é que cresci ouvindo a história original &#8211; com direito a destruição de aldeias e tudo &#8211; e sou uma pessoa perfeitamente normal. Acho.</div>
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