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	<title>Elly Griffiths Archives - A Devoradora de Livros</title>
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	<description>Diário de leituras</description>
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		<title>The Crossing Places &#124; Elly Griffiths</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 13:45:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Elly Griffiths]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Historinha de como eu cheguei nesse livro. Eu tava no freds que é a nova rede social dos millenials reclamões e tinha uma moça pedindo indicação de livros policiais de época que tivessem romance &#8220;slow burn&#8221;. Tipo a série da Miss Fisher [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Historinha de como eu cheguei nesse livro. Eu tava no <em>freds </em>que é a nova rede social dos millenials reclamões e tinha uma moça pedindo indicação de livros policiais de época que tivessem romance &#8220;slow burn&#8221;. Tipo a série da Miss Fisher (sim, avisaram nos comentários que nos livros a Miss Fisher e o policial nunca nem se olha). Daí apareceu de tudo: medieval, muita coisa do século XIX, e até uns livros de fantasia. Eu anotei os nomes pra ver depois e me interessei por esse: Reino Unido, ela é arqueóloga, ele é policial, tem assassinatos. Não me pareceu &#8220;de época&#8221; mas né, a gente tá aceitando.</p>
<h4>A gorda</h4>
<p>Ruth Galloway tem 39 anos, é doutora em arqueologia e dá aula na universidade da cidade dela. Ela mora no meio de um pântano (ela ama), tem dois gatos, é o início dos anos 2000s. E ela é gorda e solteira. Essa parte é bem relevante pra ela, é a primeira coisa que ela conta pra gente: que ela tem &#8220;olhos azuis apagados&#8221;, &#8220;cabelos sem graça&#8221;, e é gorda e por isso só usa roupa larga e escura. Eu já tava irritada, lógico, mas veja, anos 2000 era barra pesada essa história de gorda, a gente tem que ser feminista e não odiar imediatamente a gordofobia internalizada das mulheres e &#8211; ela tem 80 quilos. A Ruth FALA quanto ela pesa, e ela pesa IMENSOS INIMAGINÁVEIS INCONTÁVEIS&#8230; oitenta. Quilos.</p>
<p>Então veja, além da gordofobia que eu fui obrigada a ler o livro todo (que as pessoas acham ela gorda, que ela entra no carro e se sente gorda, que ela vai comer e sente que as pessoas estão olhando, que todo mundo acha que ela devia ter ficado com o ex dela porque ela é gorda e nunca mais vai achar ninguém), ainda por cima AINDA POR CIMA ela nem é gorda. É desesperador.</p>
<h4>O mistério me intrigou</h4>
<p>Eu decidi terminar o livro por dois motivos: 1) o mistério me intrigou, junto com a ambientação de pântano na beira do mar onde você não pode se perder ou pode cair num buraco que enche com a maré e morre afogado. E 2) eu queria saber se a autora tava sendo gordofóbica com um objetivo, tipo &#8220;olha como ela tem auto estima baixa porque gorda sofre preconceito mas na verdade ela aprende e fica com auto estima melhor&#8221; que é o fim daquele outro livro onde a gorda não é gorda (&#8220;Tamanho 42 Não É Gorda&#8221;, da Meg Cabot).</p>
<p>O resultado é que eu perdi meu tempo porque a resolução do mistério é idiota e a Ruth só anda pra trás, cometendo as piores decisões da face da terra.</p>
<p>Importante avisar que MORRE BICHO nesse livro, e é justamente o começo do término da qualquer opinião que eu pudesse ter sobre essa mulher: o assassino mata a gata dela DEGOLA A GATA E DEIXA O CORPO NA FRENTE DA PORTA DELA e ela chora muito porém imediatamente vai embora pra casa da amiga e LARGA O OUTRO GATO DELA SOLTO EM CASA. Larga. O gato. Pra trás.</p>
<p>Mas beleza, tem as ossadas de uma criança, ela é chamada pra ajudar a polícia, conhece o policial que é <em>tão alto. </em>A ossada é de milhares de anos atrás. O policial tá obcecado com uma criança que sumiu faz dez anos; ele recebe cartas anônimas provocando ele de ser um policial péssimo, mas as cartas tem um tom professoral bíblico arqueológico que fazem com que ele entregue as cartas pra Ruth analisar.</p>
<p>Alguns dias depois, some mais uma criança. E o policial recebe outra carta. E encontra mais ossos, e pede pra Ruth ajudar com os ossos de novo. Era osso velho. Parte do livro me enganou porque eu fiquei achando que a Ruth ia ser arqueóloga e pesquisar sobre os ossos antigos, e decifrar tipo um mistério de eras passadas. Mas não, são é só osso velho e ela não faz nada com eles.</p>
<p>Ela analisa as cartas anônimas e descobre onde estão os ossos da criança que sumiu hoje em dia, e decide que o melhor a fazer com essa informação é prontamente transar com o policial casado. Porque eles estavam meio chateados de achar os ossos da criança e tal.</p>
<h4>Na força do ódio</h4>
<p>A partir daí eu já tava lendo na força do ódio, queria logo descobrir quem matou a criança, quem mandou as cartas e quem matou o gato. Depois de uma perseguição completamente idiota e uma reviravolta inútil, a Ruth encontra a garota que sumiu dez anos antes, ela tava presa num porão da segunda guerra no meio do pântano. E aí a Ruth, que passou o livro inteiro &#8220;sem entender a dor&#8221; da mãe que perdeu a filha (porque ela não teve filho e então claro que não consegue conceber) decide que a partir daquele momento ela vai ser como uma mãe pra garota que ela encontrou.</p>
<p>E no fim do livro ainda solta que &#8220;ela não tá gorda, ela tá é grávida&#8221;. Sim. Ela engravidou do casado e tá toda feliz, terminando livro falando que finalmente vai ser mãe e que vai contar pro cara &#8220;quando for o momento certo.&#8221;</p>
<p>Então bora. Ela é uma arqueóloga incompetente. Ela é tapada em todos os relacionamentos dela. O vizinho que ela achou que era gentil é na verdade um psicopata. O mentor que ela achava o maior gênio do mundo é na verdade um abusador obcecado. A melhor amiga que ela achava uma doidinha cheia de namorados é na verdade uma vítima de abuso porque o casado de quem ela engravidou obrigou ela abortar. Ela encontra os ossos da criança atual na intuição, e descobre a sequestrada por acidente. Ela conta tudo da investigação pra quem quiser saber. Ela larga o gato depois do outro ter sido assassinado. E ela engravida de um casado que ela conhece há dois meses.</p>
<p>Acredito que o adjetivo atual para definir essa moça seja TONHA. Que mulher imbecil. E que livrinho besta.</p>
<p>Em tempo, &#8220;The Crossing Places&#8221; porque todas as mortes acontecem numa área de pântano que seria uma &#8220;área de passagem&#8221; entre a terra e o mar (de acordo com os antigos). O livro é cheio dessas paradas new age, druidas, símbolos sagrados antigos. De qualquer forma não leva a nada, não ficamos sabendo de nada de pra que que existe nada, porque &#8220;estudiosos não chegaram num consenso&#8221;. Que ódio.</p>
<p>The Crossing Places (2009) de Elly Griffiths | Série Ruth Galloway #1</p>
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