As Tumbas de Atuan | Ursula K Le Guin

Quando Arha, a sacerdotisa do templo dos Sem Nome, morre, os templários do Rei Deus procuram a menina que nasceu no mesmo dia e hora da morte da sacerdotisa nas quatro ilhas do império Kargad

Então eles vão até a casa da garota, e levam-na para a ilha de Atuan, onde fica o templo dos Sem Nome. Lá, eles retiram o nome dado a ela por seus pais e entregam-na em sacrifício aos Sem Nome. Ela passa a ser a nova Arha, a devorada, sempre renascida.

Tenar foi uma dessas garotas, tirada de casa para viver pelo resto da vida no templo como sacerdotisa e renomeada. As duas sacerdotisas do templo do Rei Deus, Kossil e Thar, se encarregam de ‘relembrar’ todos os rituais a Arha (afinal, ela é a mesma pessoa num corpo diferente). Enquanto isso, Arha tem uma infância parecida com a das garotas que serão sacerdotisas do templo do Rei Deus, mas ao mesmo tempo sabe que é mais importante: os Sem Nome vieram antes de tudo, antes do mundo, e são superiores aos reis.

Arha vive nas tumbas de Atuan, um lugar inóspito e desértico, onde ficam apenas os templos e as enormes pedras misteriosas que compõe as tumbas. Debaixo do templo dos Sem Nome há uma enorme caverna sagrada, onde nenhuma luz é permitida, e Thar passa todos as direções para que Arha entre lá e saiba contar as aberturas para chegar aos  lugares. Uma dessas aberturas dá para a porta do grande labirinto: uma série de túneis feita para impedir que ladrões bruxos do centro do arquipélago cheguem ao enorme tesouro dos Sem Nome.

A vida de Arha passa assim, com poucas novidades a não ser o sacrifício de alguns malfeitores em honra aos Sem Nome.
Até que Arha vai um dia até a grande caverna escura e se depara com uma visão de tirar o fôlego: estalactites e estalagmites brilhantes, luzes refletindo-se na parede de cristal e um homem negro no centro de tudo, com sua luz mágica na ponta do cajado – um bruxo do arquipélago!

A partir daí a vida de Arha nunca mais será a mesma, porque apesar de saber que é seu dever entregar o intruso à ira dos Sem Nome, ela sente uma enorme curiosidade por este forasteiro de pele escura e cicatrizes na face. Ela simplesmente não consegue ficar longe dele, mesmo depois de tê-lo aprisionado no labirinto, e Kossil, a sacerdotisa do Rei Deus, suspeita de que algo está errado. Arha logo terá de decidir-se quanto ao destino daquele homem, que se diz um mago e admite estar em busca de um tesouro.

Um livro sombrio, lento e ao mesmo tempo empolgante, As Tumbas de Atuan é diferente de todos os livros de fantasia que você já leu. É como que uma continuação de O Mago de Terramar, mas segue a vida de um personagem diferente, e por isso mesmo tem um clima completamente diferente. Arha é uma jovem que não conhece nada além do tédio e da escuridão, e a vida de maravilhas que o mago lhe mostra é maior do que o seu temor pelos Sem Nome. E sua jornada em direção à vida adulta, junto com suas dúvidas religiosas, são extremamente reais e bem construídos. E ao mesmo tempo, nos diálogos sem esperança que ela tem com o mago – que perde forças a cada segundo, estando no território dos Sem Nome – temos uma visão do resto do mundo, longe de Atuan: um mundo fantástico, cheio de magia, cavaleiros e dragões. E nos congratulamos com as decisões de Arha.

Um livro original, interessante e diferente, As Tumbas de Atuan vale a pena ser lido mesmo sem o primeiro volume.

The Tombs of Atuan (1971) de Ursula K. Le Guin | Terramar livro 2

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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