Adaptação | A Marca do Zorro (1920)

Na Califórnia Espanhola, no final do século XIX, um aventureiro mascarado aparece vestido de preto para aterrorizar os opressores. Ele dá seu nome como Zorro e faz a temível marca do ‘Z’ no rosto dos homens que castiga.

Don Diego Vega é um jovem fidalgo que parece cansado de tudo. Tem preguiça de cavalgar, preguiça de cortejar senhoritas e não faz questão alguma de lutar ‘como um bobo’. No entanto, precisa convencer a charmosa senhorita Lolita Pulido a se casar com ele, pois seu pai, o rico Don Alejandro, faz questão que Don Diego se case e produza um herdeiro.

Lolita não se interessa por Don Diego (“ele é tão animado quanto um peixe!”, diz indignada), mas dá seu coração ao charmoso Zorro, que a visita numa tarde. Ele professa seu amor e elogia sua beleza, conquistando a senhorita com belas palavras.

Enquanto isso, o governador vem até Los Angeles para dar um fim nesse tal de Zorro, e o capitão do exército se interessa por Lolita – e ele não é de aceitar um não como resposta.

Esse é o filme que transformou Douglas Fairbanks em super estrela de Hollywood ao mesmo tempo em que fez de Zorro um dos personagens mais populares do mundo. Johnston McCulley havia publicado sua história do vigilante mascarado em 1918, em formato serial, e tinha sido muito bem sucedido – mas foi quando Fairbanks leu a história e resolveu transformá-la em filme que o personagem de fato ganhou notoriedade.

Ágil, engraçado e emocionante, o filme é uma adaptação extremamente fiel ao livro, com cenas de ação incríveis e um roteiro impecável.

É também um filme preto-e-branco e, claro, mudo. A trilha sonora é composta por um piano que varia a melodia enquanto as falas aparecem na tela preta interrompendo as cenas.

Foi minha primeira vez vendo um filme mudo de verdade: antes, só tinha visto pequenas cenas célebres ou as cenas artificiais em Cantando na Chuva. Assistir esse filme foi uma experiência muito interessante em vários aspectos. Douglas Fairbanks foi o maior da sua geração, e foi legal ver o filme que o transformou em celebridade eterna. Ele de fato era um excelente ator e um gênio nas cenas de ação. O romance da história é muito divertido de assistir, já que os atores não conversam e precisam demonstrar tudo o que sentem apenas com o olhar e a linguagem corporal. Numa época em que os filmes não podiam mostrar nada demais, é genial a forma como eles mostram a diferença entre a reação de Lolita ao chato Don Diego e ao galante Zorro. As cenas de ação são muito bem coreografadas, e as lutas de espada são realmente de tirar o fôlego – ainda mais pensando que naquela época a segurança dos atores e dublês era quase nula.

Nenhuma cena é à toa, e a história é tão bem amarrada que me pergunto se esses roteiristas de hoje estudam isso aí na hora de fazer um bom filme de ação. Saudosismos à parte, não é um filme para todos, já que filme mudo e preto-e-branco é bem dose de ficar acordado. Para mim, que sou apaixonada por cinema e pela história que eu estava assistindo, foi muito divertido.

The Mark of Zorro (1920)

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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