A Confraria do Medo | Rex Stout

Há muitos anos, numa brincadeira de faculdade (equivalente ao nosso malfadado “trote”), Paul Chapin, “bicho”, foi obrigado por “veteranos” a escalar as paredes de um dormitório para buscar algo no quarto de um dos veteranos. O quarto ficava no quarto andar. Paul se desequilibrou na subida e caiu de uma altura considerável.

Ele sofreu danos irreparáveis à sua espinha dorsal e pernas e passou por inúmeras cirurgias, mas nunca voltou ao normal: anda com dificuldade e precisando da ajuda de uma bengala.

Anos mais tarde, Paul chapin ficou famoso por seus livros violentíssimos e cheios de assassinatos.

E um dia um homem aterrorizado aparece no escritório do detetive Nero Wolfe dizendo que Paul chapin está assassinando aos poucos aqueles homens que o obrigaram a participar da brincadeira sem graça de trinta anos antes.

Essa é a premissa do livro. A “confraria do medo” é o grupo de homens – dos quais dois já morreram em circunstâncias suspeitas – que morre de medo da vingança de Paul Chapin: vingança por terem sido responsáveis por ele ser aleijado, vingança por todos os anos de pena e condescendência que Paul havia sofrido dos colegas.

O próprio Archie Goodwin, ajudante de Wolfe, sente a influência de Chapin: arrogante, cínico e sarcástico ao mesmo tempo, Chapin é um oponente que parece não só digno de Wolfe como também até mesmo mais inteligente do que o famoso detetive.

E aí o principal cliente de Wolfe – quem primeiro apareceu com a idéia de pedir ajuda a ele – desaparece de forma misteriosa. Até mesmo o Inspetor Cramer, convencido da culpa de Chapin mas sem poder prová-lo, assim como uma agência de detetives da cidade, se colocam à disposição de Wolfe para ajudá-lo a colocar a culpa no escritor.

O livro é um excelente suspense. Paul Chapin é um oponente digno de Wolfe sem ser o super chefão do crime como Zeck (que na verdade não passa de um Moriarty elaborado). Não me lembro de outros livros em que o vilão é conhecido e Wolfe tem é que provar que ele cometeu o crime.
Só por isso um leitor ávido de Wolfe seria capaz de adivinhar o final – aconteceu comigo, então posso dizer. O problema do livro, assim como o último que eu li do autor, é justamente esse: o final fica previsível e insatisfatório.

Mas, fora isso, o livro é interessante e mantém o suspense por quase toda sua extensão. Os personagens são bons – apesar de eu sentir falta de uma garota para Archie, claro – e trazem bons momentos à trama.

Em geral, portanto, é um bom livro. Eu só não entendo porque ficam traduzindo livros menos legais do Nero Wolfe e deixam de fora pérolas como “Death of a Doxy” e “The Silent Speaker“.
Enfim.

The League of Frightened Men (1935) de Rex Stout. Coleção Nero Wolfe Nº 2

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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