Bert e Cec, os dois taxistas estivadores comunistas que são amigos de Phryne, pedem ajuda a ela para resolver um caso. Dez anos antes, eles estavam voltando da guerra com amigos soldados e passaram um dia de comemoração em Paris. Eles se reencontram todos os anos na mesma data para celebrar. Dois desses amigos foram encontrados mortos, aparentemente por acidente.
Um deles era mecânico e o macaco deu problema, o carro caiu em cima dele e o esmagou com a roda. O outro saiu de um bar e se afogou numa poça. Bert e Cec e seus amigos sobreviventes não acreditam que o mecânico iria entrar embaixo de um carro de noite, nem que o outro iria beber tanto a ponto de se afogar numa poça.
Phryne aceita o caso mas logo as coisas começam a entrar no caminho. Dez anos antes, ela também estava em Paris depois da guerra, e as memórias que estão voltando são muito desagradáveis. Parte do livro é esse flashback que Phryne vai tendo aos poucos e relutantemente. Ela tinha fugido da escola pra trabalhar numa ambulância durante a guerra, se recusou a voltar pra casa quando deu a paz, e saiu sozinha por Paris pra ver o mundo. E sofreu alguns momentos difíceis.
Ao contrário da Phryne chata e chorona de Blood and Circuses, a Phryne desse livro tem dezoito anos e todas as desculpas pra chorar diante da adversidade – e além disso, a adversidade que ela tomou na cabeça foi muito pior do que ficar uma semana dormindo com o circo: Ela entra em um relacionamento abusivo, apanha do namorado, e sofre seu primeiro coração partido.
A vida pessoal de Phryne em 1928 sofre alguns novos baques: seu amante chinês, Lin Chung, informa que sua futura esposa está chegando da China. Phryne já recebeu permissão da família dele para continuar seu relacionamento – os chineses compreendem Phryne como uma concubina – mas seu mordomo Mr. Butler não vê as coisas dessa forma. Alérgico a cortes judiciais, para onde mordomos em casas com adultério fatalmente são obrigados a ir para falar do que rola com os patrões, Mr. Butler entrega sua demissão por achar inaceitável Phryne continuar vendo Lin Chung mesmo depois do casamento.
Como se não bastasse, quando vai olhar a lista de passageiros franceses que chegaram na Austrália nos últimos dias para investigar a morte dos amigos de Bert e Cec, Phryne bate o olho logo no pior personagem da vida dela: Renée, o namorado abusivo de Paris.
Afora a principal coincidência do problema principal, eu gostei muito do livro. As reminiscências de Phryne são boas, o mistério é bom, as aventuras de Collins no interior são fofas, a sub-trama de Camellia, a chinesa que chega pra casar com Lin Chung, é muito interessante. Aparentemente a autora aprendeu a fazer a Phryne ficar sensível sem deixar de ser sensata.
Murder in Montparnasse (2002) de Kerry Greenwood | Phryne Fisher livro 12