Um dos clientes da casa noturna de jazz é assassinado durante a dança, com uma facada no coração. Ninguém estava perto dele quando ele caiu, e a polícia não encontrou a faca em lugar algum. A Honorável Miss Phryne Fisher, detetive da classe alta, estava dançando com Mr. Charlie Freeman no momento da morte. Ele é filho de Mrs. Freeman, uma mulher rica da alta sociedade. Quando a polícia chega para investigar o assassinato, Charlie desapareceu, o que o transforma imediatamente em um suspeito.
Phryne vai até Mrs. Freeman contar que Charlie sumiu e recebe a missão de reencontrá-lo. Além disso, Mrs. Freeman diz que seu filho mais velho Victor, que ela falou pra todo mundo que morreu na guerra, na verdade voltou zoado da cabeça e foi morar no mato. Agora que o marido dela morreu, e o testamento deixa a casa e o dinheiro pro Victor, ela quer que Phryne encontre tanto Charlie quanto Victor.
Phryne começa a investigar o caso do morto no Green Mill só porque Charlie é suspeito. Ela não acredita que Charlie tenha matado o cara, mas inocentá-lo perante a polícia pode ajudar a convencer Charlie a reaparecer. Phryne também se envolve com Tintagel Stone, o líder da banda de jazz que estava tocando no dia do assassinato.
Quando ela descobre que o morto era um chantagista que tirava fotos de homossexuais em posições comprometedoras – já que homossexualidade era punida com prisão na Austrália dos anos 20 – e além disso percebeu que Mrs. Freeman é uma velha maléfica, Phryne resolve pegar um avião e ir pro mato ver se encontra o Victor.
Antes dela ir, no entanto, ela convida seus auxiliares comunistas estivadores motoristas de táxi para irem jantar na casa dela e pergunta sobre a guerra. A autora fez um bom trabalho de pesquisa e Bert e Cec contam histórias tenebrosas do que foram as campanhas de Galípoli e Pozières. Bert e Cec participaram de Galípoli e Victor de Pozières. Bert ficou com o joelho ferrado, Cec com problema no coração, e então foram mandados de volta. Já Victor, de acordo com as cartas que Phryne tinha lido na casa de Mrs. Freeman, tinha ficado shell-shocked.
Shell-shock é um termo que surgiu na Primeira Guerra Mundial para descrever sintomas comuns aos soldados que voltavam do campo de batalha. Hoje em dia consideram que os sintomas relatados eram tipos de transtorno de estresse pós-traumático. Na época ganhou esse nome porque muitos soldados que haviam ficado muitos dias ouvindo o barulho da artilharia dos canhões (artillery shells) exibiam sintomas como tontura, tremores, zumbido e sensibilidade ao ruído. Isso que fez com que Victor fugisse da cidade grande e fosse para o interior no que ele descreveu em suas cartas como “o grande silêncio”.
Phryne pega um avião e vai até o meio do mato – literalmente, passando por algumas aldeias até chegar na base dos Alpes Australianos.
Eu gostei desse livro. Tem várias coisas excelentes: uma banda que toca em casa noturna, com toda complexidade de relacionamentos que existem em uma. Descrições maravilhosas do mato australiano. Pontos relevantes e momentos tocantes sobre o horror que foi a 1a guerra. E claro, Phryne, sempre alerta, inteligente, rica e pronta para um rolê com qualquer bonitão: seja jazzista inescrupuloso, seja eremita no alto da montanha.
E, o mais importante: tem Wom, o melhor personagem dos 20 livros.
The Green Mill Murder (1993) | Phryne Fisher livro 5