Elric de Melniboné é um clássico da fantasia curtinho com uma andada rápida que deixa fácil de ler. É o primeiro livro com o personagem, apesar dele ter aparecido em diversos contos antes dessa publicação.
Elric é o imperador albino e feiticeiro. Ele é líder de uma civilização que já chegou a dominar o mundo através de magia, carnificina, escravidão e guerras. Elric no entanto tem preguiça de tudo, anda por aí cansado, filosofando que nada vale a pena, tomando uns remédios pra conseguir ficar vivo porque a albinisse dele também deixa ele fraco. Ele não quer dominar o mundo. Ele não quer governar. Ele também não quer deixar o trono pra outra pessoa – tipo o primo sanguinário dele, Yrkoon, que vive conspirando contra o Elric porque ele acha que o Elric é um fraco que não tem interesse em dominar os outros povos. E, no caso, o Elric de fato não tem interesse. As filosofias na cabeça dele são sempre “até que ponto o povo de Melniboné é superior aos humanos; até que ponto temos a obrigação de liderar por sermos superiores; será que fica chato a gente escravizar os outros” e essas coisas.
Elric é apaixonado pela prima dele, a bonitona Cymoril, que apesar de não entender muito bem as filosofadas do Elric, gosta dele de volta e já disse que se ele quiser casar ela topa. Mas ele tá sempre enrolando porque tá pensando nas filosofias e nas dúvidas.
Aí o Yrkoon resolve fazer alguma coisa mais concreta e usa um ataque à ilha deles pra matar o Elric, que cai no fundo do mar mas usa magia pra pedir ajuda dos seres elementais. Daí Elric recebe ajuda do deus do mar e volta à sua terra natal, mas Yrkoon escapa levando a Cymoril. Elric faz um pacto com um deus-demônio e consegue pegar um navio mágico que anda na terra pra perseguir Yrkoon e resgatar Cymoril.
O livro tem menos de 200 páginas. A história alterna entre uma aventura tradicional de fantasia e uma energia de contos de fadas. Me senti lendo um livro de fairytale retellings só que pra meninos. Elric é o herói alternativo sensível e filósofo que na década de 60, quando ele apareceu nas publicações, era um contraste imenso com os gigantes agressivos tipo o Conan. Elric é fisicamente fraco, detesta violência, não gosta do poder. Mesmo assim ele é alto, musculoso, tem olhos vermelhos e longas madeixas brancas.
Eu gostei do livro, só que fiquei com um pouco de preguiça de toda a pretensão do protagonista. Entendo que muito da minha irritação vem de eu não ser o público alvo do livro. Além disso, fiquei com aquela sensação de que já li tantas coisas parecidas só que o original foi esse e os outros que foram cópias.
Por ser quase um conto de tão curto e ter elementos interessantes, o livro é um sólido três estrelas e as continuações estão na minha lista.
Elric of Melniboné | Michael Moorcock | 1972