Plot it Yourself | Rex Stout

Eu achei que fosse gostar mais desse livro, já que o tema é um pouco mais na minha área. Mas alguns pontos deixaram a trama inverossímil demais o e o livro menos divertido.

Imaginem um plágio ao contrário. Por exemplo. Joãozinho é um autor zé-ninguém que nunca publicou um livro. Aí ele vem a público dizer que o último livro de algum autor famoso, vamos usar a Nora Roberts, foi plágio de um conto que Joãozinho enviou à autora pedindo a opinião dela. Ela, obviamente, nega. Aí vão procurar entre as coisas da Nora Roberts e encontram um conto do Joãozinho, com data de envio anterior à publicação do livro dela, com a mesma trama que o livro dela tem. E o Joãozinho ganha uma bolada.

Vocês podem imaginar que a Nora Roberts do exemplo ficou certamente irritada. Mas aí quando mais outros quatro casos acontecem, com autores e Joãozinhos diferentes, os autores e editores lesados fazem uma vaquinha e vão pedir pra Nero Wolfe descobrir quem é o querido que se infiltra nos escritórios dos editores e na casa dos autores pra colocar o conto do Joãozinho.

Então começa a brincadeira.

Mas aí o livro também começa a ter seus problemas. O cliente de Wolfe aparentemente não é uma pessoa, mas um comitê contra o plágio formado por autores e editores. Aí o livro tenta descrever o relacionamento entre as duas facções como sendo ‘muito tensas’, mas nenhum personagem é descrito de forma viva o suficiente pro leitor sequer se identificar com alguém.

Aí Wolfe aceita o caso e chega à conclusão de que os três primeiros textos de joãozinhos foram escritos pela mesma pessoa, e que essa pessoa não era nenhum dos autores joãozinhos. Parece confuso? Fica pior. Depois de ter chegado à essa conclusão por nenhum meio possível na vida real (tipo a direção das marcas da bicicleta no conto do Sherlock Holmes), Wolfe diz pra todo mundo que acha que um dos joãozinhos pode dar uma de dedo duro e contar quem foi que escreveu os contos ‘plagiados’. Todo mundo significa todos os vinte nego do comitê conjunto.

E chega de manhã o cara tá morto.

Bom, então vamos falar de quão gênio Wolfe supostamente é. Como ele deixou essa passar? Ele sempre chama todo mundo na casa dele (inclusive o culpado) e AÍ ele conta como chegou às suas conclusões e aponta o dedo. Não faz sentido ele contar suas conclusões antes de confirmá-las, ainda mais numa sala cheia de pessoas que estavam envolvidas no caso.

Fica claro que isso foi só um artifício que o autor usou pra começar com os assassinatos, e é tão idiota que até os personagens acusam o Wolfe de negligência.

Parece na verdade que o livro foi escrito com pressa. Os personagens não tem personalidade nenhuma, e quando finalmente ficamos sabendo quem é o assassino, dá aquela sensação de, “ah. quem era esse mesmo?” Ou seja, no fim das contas é um livro da série que não recomendo perder tempo lendo.

Plot It Yourself (1959) de Rex Stout | Nero Wolfe 32

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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