Adaptação | The Princess Bride

O Livro

O Noivo da Princesa (The Princess Bride) – 1973, de William Goldman.

É uma pena que esse livro não seja mais editado – ou é? se alguém souber, me avisa! – porque ele é uma obra prima da literatura de sátira. O autor consegue de forma incrível fazer ao mesmo tempo uma sátira a todos os contos de fadas – com direito a belas mulheres, aventuras incansáveis e vilões malignos – e escrever um excelente livro, com tiradas engraçadíssimas e frases memoráveis.

Em resumo, a história é a de Flor-de-Ouro, a mulher mais linda do mundo, que se apaixona por seu empregado e quando ele morre tentando buscar fortuna jura nunca mais amar novamente e aceita se casar com o chato príncipe Humperdinck. Na véspera do casamento, no entanto, ela é raptada por um trio de temíveis malfeitores, que planejam assassiná-la e deixá-la na fronteira do país vizinho – aparentemente alguém os pagou para iniciar uma guerra.

A estrutura do livro – o melhor de tudo – é muito interessante: o autor diz que seu pai lia o livro pra ele quando era pequeno, e depois ele descobriu que o livro era muito chato e o pai estava na verdade editando o livro para agradá-lo. Ele então resolve, em homenagem ao pai (e ao filho moleque folgado que não consegue passar do capítulo 1 do livro original), fazer uma “versão com as partes boas” do livro original.
A narrativa do autor é fluida, como numa conversa, e cheia de trocadilhos e expressões.

As partes de que mais gosto são as hitórias de vida de Inigo e Fezzik, dois dos criminosos que raptam a princesa e vão relembrando sua vida enquanto esperam pelo embate com o homem de negro.
Esse livro ficou muito famoso na época do seu lançamento, o que resultou na adaptação para o cinema com roteiro do mesmo autor.

O Filme

A Princesa Prometida (The Princess Bride), 1987. De Rob Reiner, com Cary Elwes, Robin Wright, Fred Savage, Billy Crystal

Com roteiro leve e divertido, atores carismáticos e uma competente direção, A Princesa Prometida logo se tornou um discreto clássico, com boas recomendações de público e crítica.

A história é a de Buttercup, que aceita se casar com o príncipe Humperdinck ao saber que seu amado Westley morreu nas mãos de piratas. Um dia ela é raptada por três malfeitores e tem em seu encalço seu futuro marido e também um misterioso homem de negro.

Os diálogos rápidos, à lá Mel Brooks, são um privilégio do roteirista, responsável também por obras primas como Butch Cassidy e pérolas como Maverick. Os atores estão obviamente se divertindo muito (especialmente Billy Crystal na sua participação especial) e não importa o que você faça, é impossível não se divertir com esse filme.

Livro x Filme

Primeiro que o filme segue quase à risca a história do livro. As mudanças ficam mesmo por parte da narração, que não pode ser copiada. No filme a tentativa até que é feita, já que a história começa com o Kevin dos Anos Incríveis doente e seu avô lendo a história pra ele. Inclusive a parte em que a princesa é comida por tubarões mas na verdade não é o livro quase palavra por palavra, o que deixa o filme com mais a cara que o livro tem.

Claro que o livro é melhor, já que as melhores partes da história não podem ser reproduzidas no filme (no livro, o “escritor” fala um monte sobre seu filho obeso e sua mulher psiquiatra, e é muito engraçado – no filme trocaram isso pelo Kevin e pelo avô), e toda a história da infância do “autor” fica fora do filme.

Cary Elwes, no filme, está logicamente se divertindo muito, e já mostra porque veio para abalar as comédias dos anos 80/90 (mesmo que agora ele seja rebaixado a papel de vilão cômico em filmes de quinta categoria, ele ainda é engraçado e era maior gatinho); Robin Wright está devidamente linda e burra como Flor-de-Ouro no livro. Mas no livro ela é mais burra.

Quem talvez pudesse sair perdendo eram os “vilões”, Inigo e Fezzik. Enquanto no livro eles têm um capítulo de flashback só pra eles, no filme a história de Inigo é resumida em duas falas e a de Fezzik não é sequer mencionada. Isso não chega a atrapalhar – a luta de espadas de Inigo com o Homem de Negro compensa todo o resto – mas eu gosto da história de Fezzik e da busca de Inigo pelo assassino do pai narrada com mais detalhes.

Outra coisa de que senti falta no filme foi o Zoológico da Morte, que mal aparece. Mas o Albino e a Máquina de Tortura são aterrorizantes o suficiente.

Enfim. Poderia listar mil coisas que estão em num e não no outro – e vice versa, como o Billy Crystal – mas o que importa é que o filme conseguiu captar o feeling do livro: é engraçado, empolgante, inteligente e idiota igual e se você gostou de um não tem como não gostar de outro.

Descobri que o filme existia porque uma amiga, que tinha pegado o livro emprestado de mim, ouviu a famosa frase (“My name is Inigo Montya, you killed my father, prepare to die!”) pela janela do vizinho, que estava vendo a sessão da tarde, e me ligou na hora. Daí foi só vasculhas nas locadoras.

Mas infelizmente tanto o livro quanto o filme são difíceis de achar: o livro só em sebo e o filme, com sorte, naquelas promoções de nove e noventa no Extra Supermercados.

Estava vendo coisas na internet para brincar de escrever o post e achei um blog que diz que, dos sete elementos essenciais para uma excelente história, esta tem todos: lutas, algo inesperado, coadjuvantes engraçados, diálogo inteligente, o vilão se dá mal, aventura, romance.
É, faz sentido.

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

6 thoughts on “Adaptação | The Princess Bride

  1. Não li o livro nem vi o filme apesar de ter muita vontade (que vergonha, né? Um clássico da Sessão da Tarde desses e eu nunca vi. Tsc, tsc, tsc!). Adorei saber do “por trás das páginas” do autor.Diz que vão fazer um remake dele com o diretor de Juno. Provavelmente o livro volte às prateleiras tb.

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