Punição Para a Inocência | Agatha Christie

O livro começa com Arthur Calgary chegando obstinadamente à uma casa no interior. A missão dele vai ficando clara aos poucos, enquanto ele é recebido pela família Argyle com uma certa confusão e até mesmo animosidade.
O fato é que Jacko Argyle, a ovelha negra da família, foi preso alguns anos antes por assassinar sua mãe, mas morreu na prisão bradando inocência. E Arthur Calgary é o cara que pode provar que Jacko era inocente, pois confirmou, dois anos depois, o álibi que Jacko alegou na época.
A princípio, Calgary não consegue entender como a família Argyle não se botou de joelhos agradecendo pelo seu testemunho – todos pareciam pouco empolgados com a notícia e a mais nova das irmãs dele inclusive trata Calgary muito mal após a notícia. Só depois de conversar com a polícia é que Calgary se dá conta da situação: a forma como o crime foi cometido apontava para Jacko como o assassino, mas agora que ele foi inocentado, só as pessoas que estavam na casa na hora do crime poderiam tê-lo cometido.
A lista de suspeitos inclui: o marido, a secretária, quatro filhos e a antiga babá. Preocupado com a situação em que ele colocou a família (mas também já fascinado pela filha mais nova da mulher assassinada), Calgary resolve descobrir por si mesmo quem foi o assassino.

Bom. Eu gostei desse livro, tá. Os motivos do civil tentando descobrir o assassinato são melhores do que a média da autora, as descobertas que são feitas aos poucos vão deixando o leitor mais curioso e o ataque final do assassino é bem construído e cheio de tensão. O que eu não curti muito foi essa pegada de “sangue ruim” que eu vi também com a Josephine Tey em The Franchise Affair – se você é filho de um assassino, você vai ser assassino também etc – se bem que o médico diz que achava o moleque perturbado desde a infância e tals. Tudo bem que isso era uma visão da época e era aceita em geral, mas não deixa de incomodar quando é usada como justificativa para os atos dos personagens.

Depois fiquei sabendo que esse é um dos livros favoritos da própria autora. Eu acho isso legal, mas não chegou a alterar minha opinião sobre o livro – que, no fim das contas, é um policial competente mas nem de longe meu favorito dela. Recomendo pra quem curte um mistério mais caseiro e com bom enredo.

Ordeal By Innocence (1958) – De Agatha Christie (Reino Unido)

Renata

Nas horas vagas eu jogo RPG e faço meus desenhos. Quando dá, eu leio. Se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa ficar feliz com os livros como eu fico já estou mais do que satisfeita com essa vida.

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