E então um quadro alaga o quarto e os três são transportados a Nárnia, onde são resgatados pelo Peregrino da Alvorada, navio do Príncipe (agora Rei) Caspian.
Caspian está mais gato do que nunca, com a personalidade nova dele pro filme deixando ele mais atraente. E Lucy se lembra muito bem do quanto ele gostava de Susan, e Edmund se lembra muito bem de quão bom era Peter, e Eustace é o melhor ator mirim da sua geração e dá uma outra pegada ao filme quando interpreta o garoto mimado que se recusa a aceitar que está em Nárnia.
O navio tem que ir até uma ilha perdida para encontrar antigos lordes que haviam jurado lealdade ao pai de Caspian, e no caminho terão de enfrentar o maior medo e a maior tentação de cada um. São essas as cenas mais legais do filme, com os homens invisíveis, e Lucy tentando virar a irmã, e Edmund tendo de provar a si mesmo o quanto é capaz, e Eustace passando pela maior das provações. A narrativa repetitiva do livro que remete aos contos de fadas é organizada de forma mais fluida para o filme.
É claro que ainda é Nárnia, com o cristianismo permeando tudo, e com o limite entre fantástico e fantasioso que eu sempre fico desconfortável (afinal, aquilo tudo aconteceu mesmo ou só na imaginação das crianças e tal) e com o final que sempre é triste porque alguns deles nunca mais vão voltar. As passagens mais infantis do livro foram transformadas numa história para jovens mais maduros.
Mas o elenco mirim dá conta do recado, o roteiro é muito bem feito e o filme funciona muito bem.